"No próprio dia da batalha, as verdades podem ser pinçadas em toda a sua nudez, perguntando apenas;
porém, na manhã seguinte, elas já terão começado a trajar seus uniformes."

(Sir Ian Hamilton)



sexta-feira, 15 de março de 2019

A OFENSIVA ALIADA EM EL ALAMEIN

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No dia 26 de maio de 1942, começou no Norte da África a grande ofensiva dos Aliados contra as tropas da aliança teuto-italiana.

Por Doris Bulau


El Alamein é uma estrada costeira que vai de Alexandria à Líbia. Foi nessa região que as divisões de tanques dos Aliados começaram um ataque decisivo às forças do eixo teuto-italiano em maio de 1942. Era o começo do fim da campanha alemã na África, iniciada em janeiro de 1941 na Líbia, após o fracasso italiano na região.


África estava fora dos planos de Hitler

Na primavera de 1941, Adolf Hitler preparava um ataque à União Soviética. A região do Mar Mediterrâneo e a África estavam completamente fora de seus planos políticos, militares ou estratégicos.

Com seu único aliado na Europa, a Itália de Benito Mussolini, ele havia acertado o seguinte: o território ao norte dos Alpes era área de influência dos alemães; os italianos eram responsáveis pelo sul da Europa. "Mas, vendo a Itália cada vez mais acuada no Norte da África, a Alemanha assumiu o controle das operações, a fim de ajudar Mussolini", explica o historiador Eberhard Jäckel.

Arrogante, a Itália de Mussolini entrou numa situação complicada por culpa própria. Primeiramente, atacou a Somália britânica a partir da Abissínia (hoje Etiópia). Das suas posições na Líbia, invadiu o Egito, onde os ingleses também tinham fortes interesses, e ainda atacou a Grécia. "Daí teve de pedir auxílio a Hitler", diz Jäckel.




Comando a cargo da "Raposa do Deserto"

Em consequência, o Norte da África tornou-se palco da guerra desencadeada pela Alemanha nazista. A campanha recebeu o nome de Girassol. Um oficial altamente condecorado na Primeira Guerra Mundial, Erwin Rommel, foi encarregado de manter a capital da Líbia, Trípoli, em poder dos italianos.

Seu filho, Manfred Rommel, lembra que o pai "queria vencer a guerra". "Inicialmente, ele tinha apenas a missão de defender Trípoli. Esse era também o objetivo do comando da Wehrmacht. Mais tarde, acreditou que, com um reforço das tropas alemãs na África, seria possível alcançar o Canal de Suez e controlar toda a região do Mediterrâneo", conta.

Seu plano consistia num eventual ataque ao Egito, seguido da conquista do Canal de Suez. Depois, o Afrikakorps avançaria rumo ao Oriente Médio e à Pérsia. Alimentada com o abundante petróleo dessa região, a máquina de guerra alemã avançaria e se juntaria às tropas na frente russa e, posteriormente, marcharia em direção à Índia, para encontrar-se com os japoneses e destruir assim de vez o Império Britânico.

Considerado um gênio da guerra blindada, Rommel apostou na astúcia para provocar os ingleses com as suas tropas modestas. No verão de 1941, as divisões alemãs e italianas chegaram ao Egito. Promovido a marechal de campo, Rommel queria transformar o conflito numa guerra pessoal. Apelidado de "Raposa do Deserto", era admirado tanto pelos seus soldados quanto pelos inimigos. Para os árabes, ele era o "libertador" que os salvaria do domínio inglês, instaurado na região a partir de 1917.

Artilharia do 8° Exército britânico disparando contra posições alemãs em El Alamein


Falta de apoio ao Afrikakorps

Hitler, entretanto, mais preocupado com a guerra na Europa, não deu o apoio necessário ao Afrikakorps. O 8º Exército britânico, comandado por Sir Bernard Montgomery, estava muito mais bem equipado do que as tropas teuto-italianas. Enquanto Rommel e seu desfalcado exército preparavam-se para atacar Alexandria, os ingleses os surpreenderam em El Alamein, no Egito, numa batalha que se tornaria decisiva.

Ao receber do comando-geral dos nazistas a ordem de resistir até o último homem, Rommel passou de crítico a adversário de Hitler. Negou-se a sacrificar o Afrikakorps e ordenou a retirada total da África do Norte. Sucedeu-se uma fuga caótica das tropas teuto-italianas rumo à Tunísia.

A operação consumou-se em maio de 1943, quando os norte-americanos desembarcaram na região e forçaram a rendição incondicional do Afrikakorps. Cerca de 250 mil soldados alemães e italianos foram aprisionados.

Erwin Rommel deixou o Norte da África derrotado, mas de cabeça erguida. A 14 de outubro de 1944, suicidou-se, ingerindo veneno. Ele não tinha outra escolha. Se não tivesse se suicidado, teria sido condenado à morte por alta traição pela Justiça nazista, em virtude da sua ligação com o grupo que executara um atentado a bomba contra o quartel-general de Hitler meses antes, a 20 de julho de 1944.

Fonte: DW


domingo, 10 de março de 2019

EDITOR DO BLOG PARTICIPA DE CELEBRAÇÃO DO DIA INTERNACIONAL DA MULHER COM AS BRUXAS DA NOITE NA ESCOLA PREPARATÓRIA DE CADETES DO EXÉRCITO

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Comemorando o Dia Internacional da Mulher, estivemos na EsPCEx contando a história das BRUXAS DA NOITE e das mulheres guerreiras ao longo da História.

Em uma memorável jornada, tivemos uma oportunidade única para divulgar para as alunas, professoras e servidoras da Escola o papel exercido pelas jovens e corajosas aviadoras na defesa de sua Pátria.


Também foi momento de lançar o livro na belíssima cidade de Campinas. E, claro, muitas mulheres puderam garantir seu exemplar.


Parabéns para todas as mulheres, especialmente nossas leitoras, pelo seu dia.

A seguir, algumas imagens do evento.


















BRUXAS DA NOITE. A guerra, no feminino!
Reserve já o seu exemplar. Saiba como clicando aqui.



Crédito das fotos: QG Imagens e SCS EsPCEx


sábado, 9 de março de 2019

COMO AS MULHERES SOVIÉTICAS QUE DIRIGIAM TANQUES TOCARAM TERROR NOS NAZISTAS

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Das mais de 800 mil soviéticas que lutaram na Segunda Guerra Mundial, poucas assumiram a direção de tanques. Mas, apesar da desconfiança e falta de respeito dos companheiros do sexo masculino, essas mulheres obtiveram conquistas expressivas.
Uma homenagem do Blog Carlos Daróz-História Militar ao Dia Internacional da Mulher.



Por Boris Egorov

Não era um trabalho fácil dirigir um tanque durante a Segunda Guerra Mundial. Ao contrário dos modelos modernos, os tanques daqueles dias exigiam grande esforço físico e alta concentração dos motoristas. Isso não era fácil para homens; por isso, a ideia de colocar mulheres como motoristas de tanques parecia totalmente absurda.

No entanto, superando preconceitos e todos os obstáculos em seu caminho (literalmente), algumas mulheres soviéticas conseguiram o direito de lutar em equipes de tanques no campo de batalha. Além disso, muitas delas foram agraciadas com o prêmio de Herói da União Soviética e outras condecorações importantes. 


Doce vingança

Quando seu marido foi morto em ação no início da Grande Guerra Patriótica (período de participação russa na Segunda Guerra), a telefonista Maria Oktiabrskaia decidiu que deveria se juntar ao Exército e vingar sua morte. Mas, na seção de recrutamento, seu pedido foi negado: Maria, com 36 anos, era “velha e tinha problemas de saúde”.

Ainda assim, Oktiabrskaia não estava disposta a recuar. Ela vendeu todas as suas posses para doar para a construção de um tanque T-34 e até mesmo escreveu pessoalmente a Stálin pedindo ao líder soviético que lhe desse a oportunidade de lutar no tanque que ajudou a construir. Para surpresa de todos, Stalin aprovou o pedido. 

Maria Oktiabrskaia na torre de seu T-34 "Namorada decidida"

Em outubro de 1943, após um programa de treinamento de cinco meses, Maria se juntou ao Exército Soviético como motorista de tanque a bordo de um veículo nomeado “Namorada Decidida”, tornando-se a primeira mulher soviética no processo.

Oktiabrskaia recebeu o controle do tanque de comando que nunca tinha participado de combate, mas recusou categoricamente. Entre seus sucessos e mortes, estiveram várias metralhadoras, uma arma de artilharia, e mais de 70 soldados inimigos. “Eu estou golpeando os bastardos. Eles me fazem ver vermelho”, escreveu para sua irmã. No entanto, a carreira de combate de Maria logo chegou ao fim. Em 18 de janeiro de 1944, foi ferida por um estilhaço e morreu meses depois no hospital. 


De Stalingrado a Kiev

Durante toda a sua vida, Ekaterina Petliuk havia sonhado em se tornar piloto e voar pelos céus afora. Mas, quando a guerra eclodiu, decidiu ser motorista de tanque. “Em um tanque, eu perseguirei os alemães fora da Ucrânia bem mais rápido”, dizia. O tanque leve T-60 “Maliutka” (Pequenino), de Petliuk, produzido com as doações de crianças da cidade siberiana de Omsk, tornou-se famoso mais tarde.

Ekaterina Petliuk não só entregou munição e buscou feridos do campo de batalha, mas também envolveu-se em combate real. Também conseguiu destruir muitas fortificações, soldados e carros blindados nas batalhas por Stalingrado e Ucrânia.

Ekaterina Peliuk

Certa vez, Ekaterina salvou a vida de vários oficiais que transportava em seu tanque. Durante a noite, ela notou um campo minado e parou o veículo a três metros das minas. Muitos anos depois, o capitão Lepetchin relembrou: “Quando me disseram que o tanque seria dirigido por uma mulher, fiquei com medo. Eu pensei que, talvez, seria melhor ir andando... Mas como ela conseguiu sentir o campo minado?”.

Questionada sobre isso, Ekaterina jamais conseguiu dar uma resposta adequada.


“Não há caminho de volta para nós!”

A oficial de ligação Aleksandra Samusenko não apenas comandava um tanque T-34, mas era a única subcomandante mulher do batalhão de tanques. Alexandra tinha 19 anos quando a guerra começou. Por vários anos, participou de confrontos em diferentes frentes de batalha, foi ferida três vezes e teve que abandonar duas vezes seu tanque em chamas.

Aleksandra Samusenko diante de seu T-34

Durante a Batalha de Kursk, seu veículo enfrentou três tanques Tiger. Apesar de sua velocidade e manobrabilidade, o T-34 não era páreo para os modelos alemães. A tripulação começou a entrar em pânico. No entanto, Aleksandra acalmou-os com a voz categórica e sangue frio, dizendo: “Não há caminho de volta para nós!”. O primeiro Tiger foi tirado de jogo imediatamente. O confronto com os outros dois durou horas, mas o tanque soviético saiu com sucesso do campo de batalha.

A capitão Aleksandra Samusenko não sobreviveu à guerra

Aleksandra, porém, nunca viu o fim da guerra. Ela foi morta em ação no noroeste da Polônia, a apenas 70 quilômetros de Berlim.

Fonte: Russia Beyond


terça-feira, 5 de março de 2019

A OUTRA FACE DA GUERRA

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Apesar de os homens geralmente liderarem as guerras, na cultura e na história de muitos povos a imagem dos conflitos tem uma aparência feminina. Na Rússia, ela se cristalizou na face triste da Pátria-mãe. Fato é que as mulheres russas tiveram grande participação nos principais conflitos mundiais e foram capazes de dominar grande exércitos.

Por Aleksandr Korolkov


As referências sobre a primeira mulher-soldado russa datam do século XVII. Foi exatamente nessa época, durante a guerra dos camponeses, em 1670 e 1671, que a “Joana D’Arc russa”, Alena Arzamaskaia, comandou por mais de dois meses um destacamento com mais de 2 mil rebeldes que refugiaram-se na fortaleza de Temnikov (atual Mordóvia). Após a tomada da fortaleza, Arzamaskaia foi torturada e queimada como criminosa e herege, acusada de bruxaria. Johann Frisch, viajante e naturalista alemão, seu contemporâneo, compara-a com uma  amazona que “superava os homens com a sua coragem incomum. Quando seu destacamento foi derrotado, ela continuou a resistir persistentemente, matando mais sete ou oito”.

Apesar da aparência e comportamento valente de algumas das mulheres que estavam à frente da Rússia no século XVIII, as grandes conquistas militares que o Império Russo realizou na época eram uma empreitada predominantemente masculina. No entanto, a Guerra Patriótica de 1812, também conhecida como a Campanha Russa de Napoleão, foi a primeira guerra que resultou na condecoração de mulheres. Por decreto de 8 de fevereiro de 1816, as medalhas “Em memória da Guerra Patriótica de 1812” foram concedidas às viúvas dos generais e dos oficiais mortos em combates, bem como às mulheres que trabalharam nos hospitais e cuidaram dos feridos. Ao todo, foram distribuídas 7.606 medalhas para as mulheres na ocasião.

Foi também na guerra de 1812 que a primeira mulher acabou sendo aceita para o quadro regular do Exército. Com 23 anos, Nadejda Durova, que entrou para a história como “A donzela da cavalaria”, serviu sob o nome de Aleksandra Aleksandrova, com permissão pessoal do imperador. Durova obteve destaque em uma das batalhas decisivas, em Borodinó, na qual sofreu uma lesão grave.

Nadeja Dorova serviu com os hussardos nas Guerras Napoleônicas


Rimma Mikhailovna Ivanova, cem anos depois de Durova, tornou-se a segunda mulher na história a integrar as fileiras do Exército russo. Ela foi arregimentada com um nome masculino para trabalhar no posto de enfermeiro do regimento. Mesmo quando tudo foi revelado, ela continuou a servir usando o seu próprio nome. Em 9 de setembro de 1915, quando os dois oficiais do regimento morreram durante um combate, ela incitou o grupo ao ataque e lançou-se sobre as trincheiras inimigas, tendo sido mortalmente ferida por uma bala explosiva no quadril. Ela tinha acabado de completar 21 anos. Por meio de um decreto de Nicolai II, em caráter de exceção, a heroína recebeu, postumamente, a condecoração de mais alto grau – naquela época, a Ordem Militar de São George de 4º nível.

Enquanto que durante a primeira Guerra Mundial se tem conhecimento  de uma única mulher nas fileiras do Exército regular, são milhares os casos de mulheres que se juntaram às Forças Armadas ao longo da Segunda Guerra Mundial, quando a escala da tragédia foi muito maior. Membros da resistência (partizanki), operadoras de conexões, batedoras, enfermeiras: quase uma centena foi condecorada com o título de “Herói da União Soviética”.

Durante a 2ª Guerra Mundial as mulheres-snipers eliminaram mais de 11 mil alemães


As mulheres também combateram na linha de frente. A famosa “sniper” Liudmila Pavlichenko aniquilou 309 soldados e oficiais inimigos durante confrontos. Pavlichenko  foi dispensada das Forças Armadas devido a ferimentos quando tinha apenas 25 anos de idade. No total, as chamadas mulheres-snipers dizimaram mais 11.280 oficiais e soldados nazistas.


Também no céu

Logo após o início da Segunda Guerra Mundial, Marina Mikhailovna Raskova que, na época, já era uma aviadora famosa, dirigiu-se pessoalmente ao Comitê Central do Partido Comunista da URSS (bolchevique), solicitando a permissão para constituir um regimento feminino de aviação. O pedido foi deferido, mas foram tantas interessadas que ficou decidido criar, ao invés de um, 3 regimentos femininos de uma só vez.

As aviadoras do 586º Regimento de Caças da Força Aérea participaram da defesa de Moscou, nas batalhas de Stalingrado e de Kursk, tendo realizado cerca de 9 mil missões e abatido 38 aviões inimigos.

Após o 586º  Regimento de Caças, entraram em operação de combate o 588º e o 587º Regimento de Bombardeiros. Nas batalhas aéreas, as mulheres-pilotos de bombardeiros  mostraram uma habilidade digna de admiração. Em 2 de junho de 1943, quando 9 bombardeiros aéreas atingiram o povoado de Kievskaiya, em Kuban, as aviadoras receberam o inimigo com fogo concentrado do armamento a bordo. Durante esse combate, elas abateram 4 caças e, sem nenhuma baixa, voltaram para o seu campo de pouso.

Aviadoras do 586º Regimento de Caças


O mais impressionante é que as tradições das mulheres-aviadoras sobrevivem até hoje. Recentemente foi criado o primeiro esquadrão feminino de helicópteros na história da Rússia, que recebeu o nome do pássaro tropical “Colibri”. A presença de mulheres no Exército russo tornou-se um fenômeno corriqueiro; com o tempo, as representantes do “sexo frágil” conquistaram nas mais pesadas provações da história russa o direito de usar as insígnias militares e cumprir o seu dever no mesmo patamar que os homens. Atualmente, cerca de 50 mil mulheres, ao todo, servem nas Forças Armadas da Federação Russa.

Fonte: Gazeta Russa



IMAGEM DO DIA - 5/3/2019

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Legionários romanos e soldados cartagineses se enfrentam durante a Batalha de Zama, travada no ano 202 a.C., no curso da Segunda Guerra Púnica


segunda-feira, 4 de março de 2019

PAPA FRANCISCO ANUNCIA ABERTURA DE ARQUIVOS SECRETOS DO PONTIFICADO DE PIO XII DURANTE 2ª GUERRA MUNDIAL

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Grupos de judeus tinham essa reivindicação havia décadas; igreja foi criticada por não se posicionar mais duramente contra o Holocausto


Cidade do Vaticano — O Papa Francisco anunciou nesta segunda-feira que os arquivos secretos do Vaticano sobre o pontificado de Pio XII, que inclui o período da Segunda Guerra Mundial, serão abertos e divulgados em março de 2020. Os arquivos são mantidos em segredo desde 1939 e sua abertura é uma reivindicação antiga de muitos grupos judaicos.

A Igreja não tem medo da História — disse o Pontífice. — Assumo esta decisão (...) certo de que a pesquisa histórica séria e objetiva saberá avaliar, sob a luz da Justiça, com as críticas apropriadas, os momentos de exaltação deste Papa e, sem dúvida, também, os momentos de sérias dificuldades, decisões atormentadas, prudência humana e cristã.

De acordo com Francisco, as decisões de Pio XII "poderão parecer para alguns como uma relutância, mas foram, de fato, tentativas (...) de manter, em tempos de profunda escuridão e crueldade, a pequena chama de iniciativas humanitárias, da diplomacia oculta, mas ativa".

Uma das maiores organizações judaicas dos Estados Unidos, o Comitê Judaico Americano (AJC, na sigla em inglês), celebrou a abertura dos arquivos anunciada pelo Vaticano e classificou a decisão como um gesto "imensamente importante para as relações judaico-católicas".  "Por mais de 30 anos, o AJC pediu a abertura completa dos arquivos secretos do Papa Pio XII para esclarecer suas atividades como pontífice durante a Segunda Guerra Mundial", disse a organização em um comunicado.

"A Igreja não tem medo da História", afirmou o Papa Francisco

Pio XII foi a mais alta autoridade da Igreja Católica entre 1939 e 1958. Para muitos judeus, o pontífice fechou os olhos para o Holocausto ao não rechaçar energicamente o que estava acontecendo.  O Vaticano, entretanto, disse que Pio XII agiu nos bastidores para salvar os judeus e não piorar a situação. Os arquivos serão divulgados no dia 2 de março de 2020, anunciou Francisco.

No passado, diferentes associações e o Comitê Judaico Internacional para as Consultas Interreligiosas solicitaram o acesso aos arquivos do Vaticano, especialmente após o início do processo de beatificação de Pio XII. Muitos o criticaram, alegando que ele se omitiu diante dos crimes do nazismo, quando a poucos metros do Vaticano, em 1943, 1.022 pessoas foram deportadas para Auschwitz.

Fonte: Reuters - AFP - O Globo


CINCO PERGUNTAS PARA ENTENDER A GUERRA CIVIL NO IÊMEN, A PIOR CRISE HUMANITÁRIA DO MUNDO

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A guerra civil no Iêmen, o país mais pobre do mundo árabe, deixa 22 milhões de pessoas em situação de vulnerabilidade, segundo os dados mais recentes da Organização das Nações Unidas (ONU), que considera essa a maior crise humanitária global em curso atualmente.



Só em 2018, 85 mil pessoas foram forçadas a deixar suas casas por conta do conflito iemenita, e o total de mortos ultrapassa 10 mil em três anos. É uma guerra que opõe duas potências do Oriente Médio. De um lado, estão as forças do governo de Abd-Rabbu Mansour Hadi, apoiadas por uma coalizão sunita liderada pela Arábia Saudita. Do outro, está a milícia rebelde huti, de xiitas, apoiada pelo Irã, que controla a capital, Sanaa.

Em meio à guerra, o país sofre com bloqueios comerciais impostos pelos sunitas, que impedem que ajuda humanitária e itens básicos, como comida, gás de cozinha e medicamentos, cheguem a 70% da população iemenita.

Os anos de conflito não só provocaram uma escassez aguda de alimentos como destruíram o sistema de saúde do país, dificultando o combate a uma grave epidemia de cólera. Em dezembro, o número de casos suspeitos de cólera alcançou 1 milhão.

A seguir, listamos alguns pontos do conflito para explicar o que acontece nesse país da Península Arábica:


1. Por que essa guerra importa para o resto do mundo?

O que acontece no Iêmen pode aumentar muito as tensões na região e os temores do Ocidente de ataques vindos do país à medida que ele se torna mais instável. As agências de inteligência consideram o braço da organização extremista Al-Qaeda na Península Arábica como o mais perigoso, por causa de seus conhecimentos técnicos e alcance global. O surgimento, na região, de novos movimentos afiliados ao grupo extremista autodenominado Estado Islâmico também é motivo de preocupação. O conflito entre os hutis e o governo também é visto como parte de uma batalha regional por poder entre os xiitas, liderados pelo Irã, e os sunitas, liderados pela Arábia Saudita.

Os países do Golfo Pérsico, que apoiam o presidente iemenita, Abd-Rabbu Mansour Hadi, acusam o Irã de apoiar os hutis (xiitas) financeiramente e militarmente, apesar de o Irã negar. O Iêmen é estrategicamente importante, porque está no estreito de Bab-el-Mandeb, que faz ligação com a África e é rota de navios petroleiros. Além disso, muitas potências lucram indiretamente com a guerra iemenita: a coalizão saudita que bombardeia o Iêmen compra armas de países como Estados Unidos, Reino Unido e França.

Mapa do Iêmen: impostante posição geopolítica no Golfo Pérsico

Questionado a respeito disso em março de 2018, o chanceler francês, Jean-Yves Le Drian, afirmou ser "verdade que há muitas armas sauditas (no conflito), mas também muitas armas iranianas". Só as empresas britânicas teriam lucrado £6 bilhões (R$27 bilhões, aproximadamente) com venda de armas à Árabia Saudita desde o início da guerra no Iêmen, segundo pesquisa da ONG War Child UK.


2. Como tudo começou?

Essa guerra tem suas raízes no fracasso de uma transição política que supostamente traria estabilidade ao Iêmen após uma revolta na sequência da Primavera Árabe, em 2011, que forçou a saída do poder do ex-presidente Ali Abdullah Saleh, após 33 anos – ele acabaria sendo morto em dezembro, acusado de traição. Na época, ele passou o comando do país para o seu então vice, Abd-Rabbu Mansour Hadi.

Hadi enfrentou uma variedade de problemas, incluindo ataques da Al-Qaeda, um movimento separatista no sul, a resistência de muitos militares que continuaram leais a Saleh, assim como corrupção, desemprego e insegurança alimentar. O movimento huti, que segue uma corrente do islã xiita chamada zaidismo e havia travado uma série de batalhas contra Saleh na década anterior, tirou proveito da fraqueza do novo presidente e assumiu o controle da província de Saada, no nordeste do país. Desiludidos com a transição, muitos iemenitas – incluindo os sunitas – apoiaram os hutis e, em setembro de 2014, eles entraram na capital, Sanaa, montando acampamentos nas ruas e bloqueando as vias.

Os rebeldes xiitas hutis entraram em Sanaa em setembro de 2014 e assumiram seu controle meses depois

Em janeiro de 2015, eles cercaram o palácio presidencial e colocaram o presidente Hadi e seu gabinete em prisão domiciliar. O presidente conseguiu fugir para a cidade de Áden no mês seguinte. Os hutis tentaram então tomar o controle do país inteiro, e Hadi teve que deixar o Iêmen. Alarmados com o crescimento de um grupo que eles acreditavam ser apoiado militarmente pelo poder xiita local do Irã, a Arábia Saudita e outros oito Estados sunitas árabes começaram uma série de ataques aéreos para restaurar o governo de Hadi.
Essa coalizão recebeu apoio logístico e de inteligência dos Estados Unidos, do Reino Unido e da França.


3. O que aconteceu desde então?

Há três anos e meio, essa guerra está em curso e nenhum dos lados parece disposto a ceder. A ONU tentou, por três vezes, sem sucesso, negociar um acordo de paz. Forças pró-governo, constituídas principalmente por soldados leais ao presidente Hadi. sunitas de tribos do sul e separatistas conseguiram evitar que os rebeldes tomassem a cidade de Áden após quatro meses de uma batalha violenta, que deixou centenas de mortos.

Tendo assegurado um espaço no porto, tropas das forças de coalizão desembarcaram e ajudaram a expulsar os hutis para o sul. O presidente Hadi estabeleceu residência temporária em Áden, apesar da maioria de seu gabinete ter continuado exilada. Os hutis, no entanto, conseguiram manter um cerco na cidade de Taiz e lançar morteiros e foguetes através da fronteira com a Arábia Saudita.

Os jihadistas da Al-Qaeda na Península Arábica e rivais de organizações parceiras do Estado Islâmico têm tirado proveito do caos, confiscando territórios no sul e realizando ataques mortais, principalmente em Áden. O lançamento de um míssil em direção a Riad em novembro levou a Arábia Saudita a intensificar o bloqueio no Iêmen.

Uma coalizão internacional liderada pelos sauditas interveio no Iêmen em 2015

A coalizão alegou querer parar o contrabando de armas para os rebeldes do Irã, mas a ONU disse que as restrições poderiam desencadear "a maior crise de fome que o mundo já viu em décadas".


4. Qual o impacto na população?

A população tem suportado o caos da guerra e sido constantemente vítima do que o conselho de direitos humanos da ONU chama de "incessantes violações do Direito internacional". Os ataques aéreos da coalizão saudita foram as principais causas da morte de civis. A destruição da infraestrutura do país e as restrições de importação de comida, de medicamenteos e de combustível causaram o que a ONU diz ser uma situação catastrófica.
Mais de 20 milhões de pessoas, incluindo 11 milhões de crianças, precisam de ajuda humanitária imediata. Há 7 milhões de pessoas dependentes de ajuda para comer e 400 mil crianças sofrendo de desnutrição.

Ao menos 14,8 milhões estão sem cuidados básicos de saúde, e apenas 45% dos 3,5 mil postos de saúde estão funcionando e lutando para conter a maior epidemia de cólera do mundo, que até o final do ano passado havia resultado em 2.196 mortes. E 2 milhões de iemenitas estão desabrigados por causa da guerra, além dos 188 mil que fugiram para países vizinhos.

População do Iêmen vive uma situação de emergência alimentar


5. Por que há um racha entre os rebeldes?

O assassinato do ex-presidente Saleh por rebeldes, em dezembro, evidenciou um racha. Saleh era aliado dos hutis, mas foi considerado "traidor" por se dizer disposto a dialogar com a Arábia Saudita, que apoia o governo iemenita. Durante meses, houve sinais de que a aliança entre os hutis e os apoiadores de Saleh estava estremecida, o que se provou verdade com o assassinato do ex-presidente.

No dia 29 de novembro de 2018, conflitos entre os antigos aliados emergiram na capital Sanaa. Com cada um dos lados culpando o outro pela ruptura, no dia 2 de dezembro, Saleh apareceu na televisão dizendo à coalizão saudita estar aberto a um novo capítulo nas relações. Ele pediu à coalizão para interromper os ataques aéreos e afrouxar o bloqueio no país. Também se dispôs a um novo diálogo, o que foi bem recebido pela coalizão, mas visto como uma traição pelos hutis, que o assassinaram.

Fonte: BBC


quinta-feira, 28 de fevereiro de 2019

LANÇAMENTO DE "BRUXAS DA NOITE" EM CAMPINAS-SP. NÃO PERCA A OPORTUNIDADE.

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No próximo dia 8 de março, Dia Internacional da Mulher, estaremos realizando uma palestra e o lançamento do livro BRUXAS DA NOITE: AS AVIADORAS SOVIÉTICAS NA SEGUNDA GUERRA MUNDIAL, escrito pelo editor do Blog e por Ana Daróz.

Não perca a oportunidade para adquirir seu exemplar e conhecer a histórias dessas jovens e corajosas aviadoras que combateram nos céus para defender sua Pátria.

A Escola Preparatória de Cadetes do Exército, em Campinas-SP


O lançamento ocorrerá na Escola Preparatória de Cadetes do Exército, no dia 8, às 8 horas da manhã. A escola localiza-se na Avenida |Pio XII nº 350, Jardim Chapadão. Campinas-SP.

A guerra, no feminino!



IMAGEM DO DIA - 28/2/2019 - AVIAÇÃO NAVAL DOS EUA

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Os primórdios da Aviação Naval dos EUA. Uma aeronave Curtiss N-9, cercada por marinheiros utilizando equipamentos de aviação da época (alguns deles com peças de roupas civis apropriadas para o propósito), fotografada em 22 de janeiro de 1919.

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quarta-feira, 27 de fevereiro de 2019

BLOG CARLOS DARÓZ-HISTÓRIA MILITAR CELEBRA DEZ ANOS DE ATIVIDADES

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Blog Carlos Daróz - História Militar comemora 10 anos de funcionamento.


Caros amigos e amigas do Blog Carlos Daróz-História Militar.  

É com grande satisfação e orgulho que comemoramos, no dia de hoje, 10 anos de funcionamento do nosso Blog. Lembramos aqui, os propósitos e compromissos assumidos no já distante ano de 2009, em sua primeira postagem: 

"Hoje, 27 de fevereiro de 2009, inicio este blog, dedicado ao estudo e à pesquisa de assuntos relativos à História Militar Geral e à História Militar Brasileira.

Mas, afinal, o que é História Militar? Seria um ramo da História Política? Seria micro-história? Na verdade, o conceito atual de História Militar é compreendido como o estudo do fato histórico de tudo que diz respeito ao fenômeno GUERRA, em seus aspectos políticos, econômicos, sociais e até militares.

Não se trata apenas do estudo da batalha, elaborado por militares para leitores militares. A nova História Militar é muito mais abrangente e pretende estabelecer um link entre o meio militar e o meio acadêmico no Brasil - fato comum na Europa e nos EUA desde a primeira metade do século passado -, do qual certamente resultará um benefício para ambas as partes.

A proposta de estudo consiste na produção do conhecimento do fato histórico relacionado com a GUERRA de uma maneira científica, baseada na Teoria da História e na Metodologia de Pesquisa Científica."

Hoje, percorrida uma década, o Blog Carlos Daróz-História Militar comemora suas 1.166 postagens e a visita de 1.248.915 amigos que, verdadeiramente, fazem o sucesso da nossa plataforma.

Permanecemos com o firme compromisso de difundir e democratizar a História Militar em nosso País e agradecemos a todos por fazerem parde da nossa história, uma das mais visitadas e reconhecidas no país.

Que venham novas experiências, publicações e novidades no campo da História Militar.

Muito obrigado a todos os amigos e colaboradores.


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sábado, 16 de fevereiro de 2019

BATALHA DE AZAZ (1125)

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A batalha de Azaz ocorreu a 11 ou 13 de Junho de 1125, entre as forças dos estados cruzados comandadas pelo rei Balduíno II de Jerusalém e o exército seljúcida de Aq-Sunqur il-Bursuqi, quando a vitória dos cristãos forçou o fim do cerco muçulmano a Azaz.


Antecedentes

Em 1118 o conde Joscelino I de Edessa conquistara a praça de Azaz ao atabei de Alepo, mas no ano seguinte os cruzados liderados por Rogério de Salerno foram chacinados na batalha do Campo de Sangue. Joscelino foi aprisionado em batalha pelos turcos em 1122, e em 1123 Balduíno II de Jerusalém sofreu o mesmo destino durante uma patrulha no Condado de Edessa.

O rei Balduíno II de Jerusalém

Ambos foram resgatados em 1124, e a 8 de Outubro do mesmo ano Balduíno cercou Alepo. Em Janeiro de 1125 o atabei seljúcida Aq-Sunqur il-Bursuqi de Mossul marchou para sul em auxílio da cidade que estava prestes a render-se, após três meses de cerco. Apesar de Alepo ser apelidada de "o maior prêmio que a guerra poderia oferecer", Balduíno retirou sem dar batalha.


Batalha

Depois de forçar os cristãos a abandonar o cerco e reforçado com contingentes de Toghtekin de Damasco e de outras cidades-estado muçulmanas, Aq-Sunqur il-Bursuqi cercou a cidade de Azaz, a norte de Alepo, em territórios do Condado de Edessa. Balduíno II, Joscelino I e Pôncio de Trípoli trouxeram 1100 cavaleiros dos seus domínios, que incluíam o Principado de Antioquia do qual Balduíno assumira a regência, e mais outros 2000 soldados de infantaria.

Repartindo o exército em treze destacamentos, os cruzados enfrentaram o inimigo com três batalhões de cavaleiros: os de Antioquia à direita, Trípoli e Edessa no centro, Jerusalém à esquerda. O rei de Jerusalém usou uma habitual táctica muçulmana: acossado de perto pelo inimigo, simulou uma retirada para atraí-lo para um terreno aberto, onde montara uma emboscada. De seguida virou-se para o inimigo e carregou, tirando vantagem da rapidez do ataque.

Depois de uma batalha longa e sangrenta, os seljúcidas foram derrotados, perdendo quinze emires e milhares de soldados. O campo muçulmano foi tomado por Balduíno, que obteve butim suficiente para resgatar prisioneiros cristãos em poder dos turcos, incluindo o futuro conde Joscelino II de Edessa.


Consequências

Para além de levantar o cerco a Azaz, esta vitória recuperou muita da influência que os cruzados tinham perdido após a derrota na batalha do Campo de Sangue em 1119. O rei de Jerusalém ainda planearia um ataque a Alepo, mas em 1126 Boemundo III de Antioquia atingiu a maioridade e entrou em conflito com Edessa, pelo que a aliança cruzada não se realizou. Em 1128 Zengi obteve o controlo de Alepo e Mossul - a sua forte liderança levaria ao enfraquecimento do poder cruzado no norte da Síria e, em 1144, à reconquista de Edessa pelos muçulmanos.

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