"No próprio dia da batalha, as verdades podem ser pinçadas em toda a sua nudez, perguntando apenas;
porém, na manhã seguinte, elas já terão começado a trajar seus uniformes."

(Sir Ian Hamilton)



segunda-feira, 15 de maio de 2017

I ENCONTRO DO LABORATÓRIO DE HISTÓRIA MILITAR E FRONTEIRAS DA UNIVERSO

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Caros amigos e amigas, 

Na próxima 5ª feira, dia 18, acontecerá o I  Encontro do Laboratório de História Militar e Fronteiras da Universidade Salgado de Oliveira, em Niterói-RJ, com o tema Dimensões da História Militar.

Inscrições no local. Haverá emissão de certificado.

Participem, nos sentiremos honrados com a presença de vocês.


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sábado, 13 de maio de 2017

SIMÓN BOLÍVAR DERROTA OS ESPANHÓIS NA VENEZUELA

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Em 24 de junho de 1821, Simón Bolívar comandou o exército de rebeldes sul-americanos que derrotou os espanhóis em Carabobo, perto de Caracas, na principal batalha pela independência do país.


Por Norbert Ahrens


A luta pela independência das colônias e vice-reinos espanhóis na América do Sul já durava 12 anos quando o rei da Espanha, Fernando VII, decidiu enviar reforço europeu para as suas tropas, no início de 1821. O inimigo a ser derrotado chamava-se Simón Bolívar, comandante que superava os espanhóis em determinação e, se necessário, em brutalidade.

Oriundo de família aristocrata criolla, José Antonio de la Santíssima Trindad Simón Bolívar y Palácios (1783-1830) ficou conhecido como El Libertador das colônias espanholas da América do Sul. Educado por um discípulo de Jean-Jacques Rousseau, passou a juventude na Espanha e França, onde acompanhou movimentos revolucionários.


"Guerra até a morte"

Ele retornou à Venezuela em 1807 e iniciou atividades anticoloniais clandestinas. Em 1813, entrou com suas forças em Caracas, onde foi recebido como libertador, mas em seguida enfrentou oposição, sendo levado a refugiar-se na Jamaica. Lá escreveu a célebre Carta da Jamaica, em que expôs as razões da emancipação americana.

De volta ao continente, obteve brilhantes vitórias militares e tornou-se capitão-geral dos revolucionários no norte da América do Sul. Na manhã de 24 de junho de 1821, comandou 5 mil patriotas e um pequeno batalhão de soldados britânicos que enfrentaram cerca de 7 mil espanhóis na planície de Carabobo, cerca de 100 quilômetros a sudoeste de Caracas, na principal batalha pela independência da Venezuela.

Simón Bolivar, El Libertador


Segundo Salvador de Madariaga, historiador espanhol, o exército da Espanha controlava Carabobo e o vale por onde os separatistas queriam chegar à planície. Bolívar foi informado, porém, da existência de uma trilha pouco usada, por onde enviou, sua cavalaria. Comandada pelo major José Antonio Páez, esta surpreendeu os espanhóis pelas costas, exatamente no momento em que Bolívar os atacava pela frente. Os espanhóis entraram em pânico e fugiram para não se tornar prisioneiros de guerra.


Consagração do mito

Cinco dias depois, El Libertador entrou pela segunda vez vitorioso em Caracas. A batalha de Carabobo consolidou o mito de Simón Bolívar, mas ainda seriam necessários mais cinco anos de lutas até a vitória decisiva sobre os espanhóis.

A revolta contra a metrópole fora desencadeada pela Revolução Francesa e foi favorecida pela ocupação da Espanha por Napoleão Bonaparte. "Nesse outono do reinado espanhol, governadores e vice-reis começaram a cair como folhas secas", escreveu Madariaga.

À frente de seu exército, Bolívar atravessou a Cordilheira dos Andes, tomou Bogotá e proclamou a República da Colômbia (união da Venezuela e Nova Granada), da qual foi eleito presidente. Ele comandou também as guerras de independência do Equador, Peru e Bolívia. Em 1826, era o chefe supremo do Peru e acumulava a presidência da Colômbia e da Bolívia.

Embora admirasse pessoalmente os feitos militares de Bolívar, o monarquista Madariaga não perdoou que o "Libertador tenha derrubado o império espanhol".

A máxima de Bolívar — "guerra até a morte" — foi uma realidade constante em sua vida. Em 1830, diante dos conflitos separatistas internos, abandonou o poder e se retirou para Santa Marta, na Colômbia, onde morreu de tuberculose antes de completar 48 anos. Santa Marta havia sido exatamente a cidade que por mais tempo permanecera fiel à coroa espanhola.


Sonho de um bloco hispânico unido

"A América é nossa pátria. Nossos inimigos são os espanhóis. Nossa bandeira é a independência; nosso objetivo, a liberdade." Assim Bolívar sintetizava seu pensamento libertário. Seu grande sonho era criar uma nação latino-americana que integrasse os hispano-americanos com os luso-americanos, como um bloco equivalente à América Saxônica. Mas morreu sem ver realizado esse sonho: a América Hispânica dividiu-se num grande número de pequenas de nações.

Em seus últimos dias de vida, Bolívar só colheu decepções, como descreve Eduardo Galeano, no livro As caras e as máscaras. "Nas ruas de Lima estão queimando sua Constituição os mesmos que lhe tinham dado de presente uma espada cheia de diamantes. Aqueles que o chamavam ‘Pai da Pátria’ estão queimando sua efígie nas ruas de Bogotá. Em Caracas, o declaram, oficialmente, ‘inimigo da Venezuela’. Lá em Paris publicam artigos que o infamam; e os amigos que sabem elogiá-lo não sabem defendê-lo... Bolívar, pele amarela, olhos sem luz, tiritando, delirando, baixa pelo Rio Magdalena rumo ao mar, rumo à morte."


Fonte: DW


segunda-feira, 8 de maio de 2017

CONFERÊNCIA EM PORTO ALEGRE - MORTE, MUSEU E HISTÓRIA

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CONHEÇA A COMANDANTE QUE DISPAROU OS MÍSSEIS TOMAHAWK CONTRA A SÍRIA

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Em tempos em que se discute o papel da mulher como combatente nas forças armadas e de efervescência no movimento feminista, vale a pena conhecer a trajetória de Andria Slough, comandante do destróier USS Porter, uma das belonaves que lançou os mísseis Tomahawk contra instalações militares da Síria.


No último dia 7 de abril os EUA lançaram um ataque com mísseis Tomahawk contra a Síria pela primeira vez desde que a guerra civil naquele país começou há seis anos, tendo como alvo a base aérea de Shayrat perto de Homs (imagem acima). Os EUA alegaram que esse foi o local a partir do qual as forças sírias lançaram um ataque químico contra a cidade de Khan Sheikhun, na capital rebelde, dias antes.

A comandante do USS Porter - um dos dois destróieres da Marinha que lançaram os mísseis de cruzeiro - é uma graduada da Academia Naval de Annapolis da turma de 1998. A Comandante (no Brasil, posto equivalente a capitão-de-fragata) Andria Slough se formou na academia com diploma de bacharel em engenharia oceânica e comanda o destróier lançador de mísseis guiados USS Porter (DDG-78) desde 28 de janeiro de 2016, sendo a primeira mulher a liderar o navio. 

O destróier lançador de mísseis guiados USS Porter (DDG-78), da Classe Arleigh Burke, com capacidade para operar o sistema de mísseis balísticos AEGIS,

O presidente Donald Trump ordenou ao destróier, juntamente com o USS Ross (DDG-71), que lançasse 59 mísseis de cruzeiro Tomahawk em resposta a um ataque com armas químicas contra civis sírios no início desta semana. Os mísseis atingiram uma base aérea, onde os militares sírios supostamente lançaram armas químicas contra seu povo.

Durante sua carreira no mar, desenvolvida quase que integralmente a bordo de destróieres, Andria Slough serviu como oficial de centro de informações de combate, auxiliar e oficial de eletricidade no USS O'Brien (DD-975). Posteriormente também trabalhou como oficial de armamento no USS The Sullivans (DDG-68); oficial imediato e comandante do navio-varredor USS Defender (MCM-2) e oficial imediato no próprio USS Porter.

A Comandante Andria Slought, com ampla experiência de serviço em destróieres, foi a primeira mulher a comandar o USS Porter e, atuando na linda de frente de combate das forças armadas dos EUA, disparou os mísseis Tomahawk contra alvos militares na Síria.

Quando desembarcada, a Comandante Slough serviu no Centro de Treinamento e Preparação de AEGIS (sistema defensivo de mísseis balísticos) em Dahlgren, Virgínia, e como instrutora técnica para comandantes e oficiais imediatos. Participou do desenvolvimento inicial da capacidade de Defesa de Mísseis Balísticos AEGIS e chefiou a Força-Tarefa LCS/DD (navios de controle do litoral e destróieres). Transferida para a sede do Comando Central dos EUA em Doha, Catar, atuou no Centro de Coordenação da Força das Forças Amigas como Oficial de Operações Navais. Serviu, ainda, como Diretora-Adjunta de Operações Marítimas da Defesa de Mísseis Balísticos Marítimas e Treinamento, do Escritório do Programa de Defesa de Mísseis Balísticos da AEGIS.

A formação da Comandante Slough inclui um Mestrado em Políticas Públicas e Administração, com concentração em Estudos de Segurança e Inteligência, da Universidade de Pittsburgh, e qualificação como um Oficial de Serviço Conjunto. Seus prêmios pessoais e condecorações incluem a Medalha de Serviço Meritório da Defesa, a Medalha de Serviço Meritório, prêmio de Piloto de Navios da Frota do Pacífico do Ano e o Prêmio de Liderança Vice-Almirante John D. Bulkeley. 

Fotografia aérea analisando o resultado dos ataques contra a base aérea síria de Shayrat.


Fonte: US Navy e The Capital Gazette


domingo, 7 de maio de 2017

V ENCONTRO DE ESCRITORES E JORNALISTAS DE AVIAÇÃO

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Vem aí o V Encontro de Escritores e Jornalistas de Aviação, promovido pela APVE-Associação de Pioneiros e veteranos da EMBRAER.  As inscrições já estão abertas.

Nesta edição, o editor do Blog Carlos Daroz-História Militar participará com os livros Um céu cinzento: a história da aviação na revolução Constitucionalista de 1932 e O Brasil na Primeira Guerra Mundial - A longa travessia.

Participe e conheça mais sobre a história e a atualidade da aviação no Brasil e no mundo.




quinta-feira, 4 de maio de 2017

UM NOVO UNIFORME PARA UM EXÉRCITO NOVO

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Depois da vitória em 1945, mudança de atitude em relação às tropas se refletiu também no estilo das roupas.

Por Alexandr Verchínin


Em 1946, o Exército Vermelho, que tinha acabado de vencer a Alemanha na Segunda Guerra Mundial, passou a se chamar oficialmente soviético. Com a mudança de nome, o Exército deixou de ser visto como uma força armada da “futura revolução comunista mundial” e adquiriu o estatuto de forças armadas nacionais do Estado soviético. Mas este processo teve início ainda durante a guerra.

A introdução de platinas (insígnia de ombro) foi um claro retorno às tradições do antigo Exército russo. Depois da vitória militar em 1945, a maior já obtida pelas forças armadas da Rússia, era inevitável uma mudança de atitude em relação às tropas.

Naquele mesmo ano, os generais soviéticos receberam um novo uniforme de gala – um jaquetão azul-esverdeado fechado com abotoamento duplo. A cor dele foi logo apelidada de "tsarina", em referência à cor popular no Exército imperial, antes da Revolução de Outubro. Os punhos da jaqueta levavam agora um bordado de ouro e prata – mais uma referência clara ao tempo dos tsares.

O uniforme tinha, contudo, um detalhe característico: o botão de cima era removível para facilitar a colocação das condecorações. No final da guerra, um líder militar soviético comum acumulava tantas que mal cabiam no peito.

Os sargentos e soldados do Exército soviético não tiveram alterações no uniforme depois de 1945 – a vestimenta já era tão prática em condições de combate que não havia motivo nenhum para deixar de usá-la.


Uniforme pós-Stalin

Uma revisão mais séria dos uniformes militares começou a ser feita somente depois da morte de Stalin e foi iniciada pelo marechal Jukov, um herói da guerra. As alterações mais importantes foram feitas nos uniformes dos oficiais superiores, dos generais e marechais.

A principal delas foi a transição da tradicional túnica fechada para outra com novo corte e aberta. Debaixo dela usava-se camisa branca com gravata, e folhas de carvalho bordadas e ouro e prata no colarinho. No nó da gravata os marechais tinham uma grande estrela, uma insígnia especial de distinção da mais alta patente militar. Eles também recebiam o cinturão com fios de ouro e a adaga do traje cerimonial.

O quepe dos oficiais também sofreu alterações. O tamanho da copa aumentou e foi fixado um emblema de estrela vermelha cercada por espigas douradas. Esse item do uniforme se manteve praticamente inalterado até o final das forças armadas da União Soviética e ao aparecimento dos novos símbolos do Exército russo moderno.

O quepe dos oficiais passou a ter abas mais largas


O uniforme de campo e diário dos oficiais sofreu menos alterações: com o tempo, a túnica fechada foi dando espaço à aberta. Quando estava quente, os oficiais tinham permissão para usar apenas a camisa e gravata cáqui. O quepe com copa aumentada também passou a ser cada vez mais comum no serviço comum diário.

Depois da guerra, os oficiais começaram a voltar de bom grado à tradição pré-revolucionária de enfeitar partes da jaqueta com bordado a ouro – isso era elegante e ressaltava a dignidade dos oficiais. No entanto, tiveram que voltar a adotar os botões e platinas em cor cáqui já em 1956. A repressão da revolta húngara havia mostrado que os botões dourados continuavam sendo um alvo fácil para os snipers.


Perdas e ganhos

Em 1969, os soldados e oficiais soviéticos voltaram pela última vez a receber um novo uniforme. Até então, o uniforme de campo dos soldados havia sofrido poucas alterações. O soldado comum soviético continuava a se parecer com aquele que combateu na Segunda Guerra Mundial.

Foi às vésperas da década de 1970 que ocorreu a maior transformação no uniforme: perdeu a “guimnastiôrka” (tipo de camisa sem abertura comprida e larga), que até então era considerado o seu principal elemento desde os tempos dos czares. Isso porque essa peça apresentava um defeito nas condições da guerra moderna: tinha que ser vestida e despida pela cabeça. A “guimnastôrka” tinha então de ser rasgada.

guimnastiôrka, tradicional camisa fechada utilizada pelos soldados desde o tempo dos czares, foi substituída por uma túnica aberta


No caso de o soldado se encontrar em uma área afetada por radiação nuclear, isso representaria um perigo para a sua saúde. Por isso a liderança do Exército propôs introduzir, em seu lugar, a túnica, que podia simplesmente ser desabotoada.

As calças dos soldados passaram a ser menos ‘ensacadas’, enquanto a boina “pilotka”, um atributo do Exército Vermelho durante a Segunda Guerra Mundial, foi preservado, bem como as botas enceradas.

 
Soldado soviético durante a 2ª Guerra Mundial utilizando a guimnastôrka

Soldado do Exército soviético do pós-guerra: novo capacete, nova túnica e novas insígnias



O uniforme era confeccionado de tecidos de algodão ou com mistura de lã, já que era prático para a variabilidade climática da União Soviética. Para aqueles que serviam o exército nas regiões quentes da Ásia Central foi desenvolvido um uniforme especial: chapéu tipo panamá com abas para substituir a “pilotka”, e sapatos em vez de botas.

Também surgiram pela primeira vez nas unidades de infantaria a “telniachka” –  camisa interior de listras horizontais que se vestia por debaixo da túnica. Para distinguir a especificidade das tropas de paraquedistas, as listras da camisa eram azul-celeste.

O uniforme do paraquedista soviético – jaqueta curta, calças, cuja bainha ficava presa dentro das botas, boina e a tal camisa listrada – sobreviveu ao próprio Exército soviético e hoje se mantém, com algumas alterações, no Exército da Rússia moderna.

Fonte: Gazeta Russa


terça-feira, 2 de maio de 2017

I ENCONTRO DO LABORATÓRIO DE HISTÓRIA MILITAR E FRONTEIRAS DA UNIVERSO

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Vem aí o evento de inauguração do I Encontro do Laboratório de História Militar e Fronteiras da Universidade Salgado de Oliveira.

Na oportunidade, uma mesa redonda debaterá as Dimensões da História Militar.

Você é nosso convidado. Inscrições gratuitas no local. Haverá entrega de certificados.


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segunda-feira, 24 de abril de 2017

EDITOR DO BLOG PARTICIPA DE PAINEL SOBRE AS INVASÕES HOLANDESAS NO COMANDO MILITAR DO NORDESTE

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O Comando Militar do Nordeste, com sede no Recife, promoveu o painel "Guararapes: berço da nacionalidade brasileira", com a participação de militares, professores e acadêmicos das universidades de Pernambuco.

Na oportunidade, o editor do Blog Carlos Daroz-História Militar apresentou a conferência "As invasões holandesas a as batalhas dos Guararapes".  A seguir, algumas imagens do painel.

















sábado, 22 de abril de 2017

IMAGEM DO DIA 22/4/2017 - DIA DA AVIAÇÃO DE CAÇA

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O Dia da Aviação de Caça no Brasil é comemorado neste 22 de abril, data em que o primeiro Grupo de Aviação de Caça da Força Aérea Brasileira realizou o maior número missões na Itália durante a Segunda Guerra Mundial. Foram 44 missões de guerra e mais de 100 alvos destruídos. 

Aos caçadores de ontem e de hoje, a homenagem do Blog Carlos Daróz - História Militar.

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sábado, 15 de abril de 2017

quinta-feira, 13 de abril de 2017

ASPECTOS GEOGRÁFICOS NA OPERAÇÃO BARBAROSSA

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Por Jamicel Silva

Em 22 de junho de 1941, ao iniciar a Operação Barbarossa, Adolf Hitler rompia o pacto de não-agressão com a União Soviética e invadia aquele território que, no passado, mostrou-se inóspito a conquistas militares. Durante toda a campanha, que durou até dezembro daquele ano, aspectos geográficos influenciaram decisivamente na definição daquela fase da guerra, que impactou nos resultados finais do conflito, em 1945.

O início da operação foi descrito por Churchill (1874 – 1965) da seguinte maneira:

A hora havia soado. Às 4h desse mesmo 22 de junho de 1941, Ribbentrop entregou uma declaração formal de guerra ao embaixador russo em Berlim. Ao raiar do dia,Schulenberg apresentou-se a  Molotov no Kremlin. Este ouviu em silêncio a declaração lida pelo embaixador alemão, e em seguida comentou: “É a guerra. Vossos aviões acabaram de bombardear umas dez aldeias desprotegidas. O senhor acha que nós merecíamos isso?” (CHURCHILL, 2005, p. 530).

A partir daí, o que se observou foi uma massa de veículos militares e tropas deslocando-se rumo ao Leste, em três frentes de ataque: Leningrado, no norte; Moscou, no centro, e no sul rumo aos campos de petróleo no território da atual Ucrânia, já que as reservas dessa fonte de energia na África foram relegadas a segundo plano, mesmo com as vitórias de Rommel naquele teatro, decisão influenciada pela convicção de Hitler da necessidade de derrota do bolchevismo russo (FILHO, 2015).

O avanço alemão foi realizado em três direções, cada qual apoiada por um grupo de exércitos. No início a operação foi bem sucedida, mas, com a chegada de rigoroso inverno, a situação mudou completamente.


A observação do território soviético no local da campanha alemã permite compreender que as grandes extensões de planícies foram propícias ao avanço rápido das divisões mecanizadas, que permitiu o sucesso inicial da Operação Barbarossa. Em decorrência das campanhas da Polônia e França, com a Inglaterra encurralada, após a retirada de Dunquerque, Hitler acreditou que o avanço na Rússia seria breve.

A convicção de Hitler começou a ser colocada em xeque com a chegada do rigoroso inverno russo e, como em outras campanhas do passado, fatores climáticos influenciaram no resultado das ações militares. Como se sabe, Napoleão também foi derrotado nesse mesmo território, durante avanço, com o clima influenciando diretamente no desgaste das tropas da Grande Armèe, alcunha pela qual ficou conhecido o exército francês da época.

Hitler, mesmo ciente das dificuldades dos exércitos alemães, em decorrência do clima rigoroso, que debilitou a capacidade operacional, não permitiu a rendição dos generais e insistia que a resistência durasse até o limite das forças. Com o passar dos combates, a situação das tropas só piorava e a influência do clima se fazia sentir. Aliado ao clima, o relevo e vegetação potencializavam a derrocada das tropas, com o congelamento do solo que dificultava os deslocamentos, causava congelamento de membros, criava escassez de água e alimentos, além de tornar os equipamentos militares inoperantes, como, por exemplo, divisões blindadas que tiveram veículos militares destruídos pelo congelamento de componentes.

Hitler negligenciou os ensinamentos da História Militar e, como ocorreu com Napoleão, fracassou em sua tentativa de conquistar a Rússia.

A análise da Operação Barbarossa demonstra a importância de se levar em conta aspectos geográficos no estudo da História Militar, pois é um dos fatores decisivos no resultado de campanhas militares, como ficou demonstrado com a influência do inverno na sorte das tropas alemãs, na Segunda Guerra Mundial, já que essa foi considerada a primeira derrota de Hitler. A partir dela, os exércitos soviéticos avançaram rumo à Alemanha, com a abertura de um novo front no Leste, que deu tranquilidade aos outros Aliados para atuarem em regiões a oeste e sul da Europa, além da África e Ásia, com destino ao centro do Reich.

Aliadas à importância dos aspectos geográficos, as estratégias e táticas militares também são essenciais para o entendimento do sucesso de operações, pois são levados em conta o terreno, clima e o relevo no planejamento dos comandantes militares. No caso da Operação Barbarossa, a estratégia dos generais soviéticos de recuo das tropas com o intuito de esperar o inverno foi decisivo, pois com tropas mais adaptadas e melhor equipadas a esse clima, o enfrentamento do inimigo foi facilitado como se vê no rápido contra-ataque realizado com a  expulsão das tropas nazistas daquele território.


Referências

- CHURCHILL, Winston S. Memórias da Segunda Guerra Mundial. 3.ed. v.1. Rio de Janeiro: Ed. Nova Fronteira, 2005, 534 p.

- FILHO, Cyro Rezende. Rommel: a raposa do deserto. São Paulo: Contexto, 2015, 206 p.

Fonte: Werra


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sábado, 8 de abril de 2017

CHINESES SE ENFRENTAM EM XUZHOU (1948-1949)

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Em 6 de novembro de 1948 começou a batalha decisiva de Xuzhou, na qual os comunistas chineses derrotaram os nacionalistas. Os liderados de Mao Tsé-tung vinham do norte, pressionando o Kuomintang cada vez mais para o sul.


Por Thomas Bärthlein


Na primavera setentrional de 1949, as tropas de Mao Tsé-tung conquistaram quase todo o território continental da China. Cerca de seis meses antes, elas não tinham sequer uma cidade importante sob o seu controle. Mas logo tinham conseguido impor-se através da vitória na batalha de Huaihai, nas proximidades da cidade de Xuzhou, um entroncamento ferroviário de grande importância estratégica na China central. A batalha começou no dia 6 de novembro de 1948 e durou até 10 de janeiro de 1949.

Esta foi a primeira batalha campal desde o início da guerra civil em 1946. Até então, os comunistas haviam empregado uma tática de guerrilha no interior do país. Em Xuzhou, participaram da batalha cerca de 600 mil soldados de cada lado. No final, as tropas de Chiang Kai-shek foram derrotadas de forma aniquilante.

Só existem especulações sobre o número de mortos, feridos e desertores: os arquivos chineses continuam até hoje fechados para a pesquisa por parte dos historiadores. Em janeiro de 1949, os comunistas conquistaram Pequim e Tientsin no norte da China; em abril, cruzaram o rio Yang-tsé, em direção ao sul. O exército de Chiang Kai-shek estava derrotado.

O líder comunista Mao Tsé-tung


Toda a história remontava à década de 20. Na época, Chiang Kai-shek já tinha lutado contra os comunistas. Eles controlavam grandes áreas, mas tiveram de retirar-se para as regiões afastadas do interior, promovendo a famosa "longa marcha".

Veio então a invasão japonesa. Entre 1937 e 1945, as tropas japonesas assolaram a China. Os comunistas e o Kuomintang de Chiang Kai-shek formaram uma "frente de unidade nacional" para combater os japoneses.

Para o sinólogo Thomas Kampen, o equilíbrio na China foi decisivamente abalado durante o período da ocupação japonesa: "Sem a invasão dos japoneses, Chiang Kai-shek teria podido derrotar os comunistas na década de 30. Ele teria podido investir todas as forças nessa luta e teria alcançado o seu objetivo. É preciso levar em conta, por exemplo, que a 'longa marcha' de 1934/35 começou com cem mil comunistas e terminou com dez mil – os comunistas estavam praticamente derrotados!"


Duas consequências

"O ataque japonês resultou em duas coisas: em primeiro lugar, Chiang Kai-shek não pôde mais concentrar-se na luta contra os comunistas; e em segundo lugar, os comunistas puderam fazer um longo trabalho clandestino nas regiões onde estava o exército japonês. Pois o problema para os japoneses era de que não dispunham de tanta tropa, para controlar todo o território. Eles controlavam principalmente as metrópoles e as linhas ferroviárias. E os comunistas podiam fazer a sua mobilização nas áreas rurais."

Isso valeu também na região de Xuzhou, por exemplo. Os comunistas tinham apoio nos povoados da região, pois tinham conquistado prestígio durante a luta contra os invasores japoneses. Já as tropas de Chiang Kai-shek tinham se retirado durante esse período. Thomas Kampen: "A Segunda Guerra Mundial terminou com a derrota do Japão. Mas não se pode dizer que os chineses tenham derrotado os japoneses. O motivo da derrota foi, antes, a bomba atômica etc. Ou seja: um grande problema era o fato de Chiang Kai-shek, seu partido e seu exército serem acusados de não ter combatido os japoneses com determinação. E, por essa razão, eles tinham uma péssima imagem."

Tropas comunistas chinesas em ação na região de Xuzhou


Além disso, os soldados de Chiang Kai-shek estavam pouco motivados nessa guerra civil. Muitos não sabiam o porquê da luta contra os comunistas. O que não era de se admirar, pois muitos deles eram camponeses recrutados compulsoriamente, segundo esclarece Thomas Kampen: "Eles não ingressaram voluntariamente no exército, mas foram sequestrados e então incorporados à tropa. Por isso, muitos deles também desertaram".

"Entre os comunistas, uma das prioridades era motivar os camponeses, fazendo com que cooperassem voluntariamente. Na verdade, os comunistas não tinham o poder necessário para fazer um recrutamento compulsório."

Os camponeses – na época, 90 por cento da população chinesa – deveriam sustentar a Revolução, segundo a teoria de Mao Tsé-tung. De fato, num trabalho minucioso de anos de duração, os comunistas conseguiram convencer muitos camponeses a dar apoio às suas reivindicações de reforma agrária.

A longo prazo, a luta pelo poder foi decidida através da péssima imagem do governo e da excelente imagem dos comunistas, tanto em questões nacionais quanto em questões sociais.

O que causa admiração é que os comunistas tenham conseguido enfrentar com êxito as tropas do Kuomintang, equipadas com armamentos americanos. Nem mesmo os soviéticos ajudaram os comunistas chineses com o fornecimento de armas. Pois, tradicionalmente, Moscou mantinha um bom relacionamento com Chiang Kai-shek.


Fonte: DW

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terça-feira, 4 de abril de 2017

LANÇAMENTO DO LIVRO "O BRASIL NA PRIMEIRA GUERRA MUNDIAL - A LONGA TRAVESSIA"

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Realizamos, em 29 de março de 2017, o lançamento do nosso novo livro O BRASIL NA PRIMEIRA GUERRA MUNDIAL - A LONGA TRAVESSIA, em uma tarde memorável no belíssimo auditório do Instituto Histórico-Cultural da Aeronáutica.

O meu agradecimento de coração ao INCAER, na pessoa dos Brigadeiros Pohlmann e Terroso, e a todos os que prestigiaram o evento e nos honraram com suas presenças.

A seguir, fotos do lançamento: