"No próprio dia da batalha, as verdades podem ser pinçadas em toda a sua nudez, perguntando apenas;
porém, na manhã seguinte, elas já terão começado a trajar seus uniformes."

(Sir Ian Hamilton)



sábado, 9 de maio de 2015

70 ANOS APÓS FIM DA GUERRA, ESTUPRO COLETIVO DE ALEMÃS AINDA É EPISÓDIO POUCO CONHECIDO



O papel da União Soviética na derrota da Alemanha nazista na Segunda Guerra Mundial, há 70 anos, é visto como uma das grandes glórias da história recente da Rússia e de seu passado comunista


Por Lucy Ash

Mas existe um lado sombrio e pouco conhecido nessa história: os estupros em massa cometidos no final da guerra por soldados soviéticos contra mulheres alemãs. Alguns leitores poderão achar esta história perturbadora.

O sol se põe sobre o Treptower Park, nos arredores de Berlim, e eu observo uma estátua que faz um desenho dramático contra o horizonte. Com 12 metros de altura, ela mostra um soldado soviético segurando uma espada numa mão e uma menina alemã na outra, pisando sobre uma suástica quebrada.

A estátua marca um lugar onde estão enterrados 5 mil dos 80 mil soldados do Exército Vermelho mortos na Batalha por Berlim entre 16 de abril e 2 de maio de 1945. A proporção colossal do monumento reflete o sacrifício destes soldados. No entanto, para alguns, a estátua poderia ser chamada de Túmulo do Estuprador Desconhecido.

Existem registros de que os soldados de Stalin atacaram um número bastante alto de mulheres na Alemanha e, em particular, na capital alemã, mas isto era raramente mencionado no país depois da guerra e o assunto ainda é tabu na Rússia de hoje. A imprensa russa rejeita o tema regularmente e diz tratar-se de um "mito espalhado pelo Ocidente".


Diário de um tenente

Uma das muitas fontes de informação sobre estes estupros é o diário mantido por um jovem oficial soviético judeu, Vladimir Gelfand, um tenente vindo da região central da Ucrânia, que, de 1941 ao fim da Guerra, pôs no papel seus relatos, apesar de os soviéticos terem proibido diários de militares.

Os manuscritos – que nunca foram publicados – mostram como a situação era difícil nos batalhões: alimentação pobre, piolhos, antissemitismo e soldados roubando botas uns dos outros.

Em fevereiro de 1945, Gelfand estava perto da represa do rio Oder, preparando-se para a entrada em Berlim. Em seu diário, ele descreve como seus camaradas cercaram e dominaram um batalhão de mulheres militares. "As alemãs capturadas disseram que estavam vingando seus maridos mortos. Elas devem ser destruídas sem piedade. Nossos soldados sugeriram esfaqueamento das genitais, mas eu apenas as executaria", escreveu.

O tenente Vladimir Gelfand, fotografado durante a guerra.
Seu diário revela atrocidades cometidas contra mulheres alemãs


Uma das passagens mais reveladoras do diário de Gelfand é a do dia 25 de abril, quando ele narra a chegada a Berlim. Ele estava andando de bicicleta perto do rio Spree, a primeira vez que andou de bicicleta, quando cruzou com um grupo de mulheres alemãs carregando malas e pacotes. Em seu alemão ruim, ele perguntou para onde estavam indo e a razão de terem saído de casa. "Com horror em seus rostos, elas me disseram o que tinha acontecido na primeira noite da chegada do Exército Vermelho", escreveu. "'Eles cutucaram aqui a noite toda', explicou a bela garota alemã, levantando a saia. 'Eles eram velhos, alguns estavam cobertos de espinhas e todos eles montaram em mim e me cutucaram – não menos do que 20 homens'. Ela começou a chorar." "'Eles estupraram minha filha na minha frente e eles ainda podem voltar e estuprá-la de novo', disse a pobre mãe. Este pensamento deixou todas aterrorizadas." "'Fique aqui', a garota, de repente, se atirou em cima de mim, 'durma comigo! Você pode fazer o que quiser comigo, mas só você!'"


Proibição

Àquela altura, já se sabia de horrores cometidos por soldados alemães na invasão da União Soviética. O próprio Gelfand tinha ouvido essas histórias. "Ele passou por tantos vilarejos nos quais os nazistas tinham matado todos, mesmo crianças pequenas. E ele viu provas de estupro", disse o filho do soldado, Vitaly Gelfand.

As Forças Armadas alemãs estavam longe da imagem de força disciplinada "ariana" que não se interessaria em ter relações sexuais com Untermenschen (povos inferiores, em alemão). Tanto que, segundo Oleg Budnitsky, historiador da Escola Superior de Economia de Moscou, os comandantes nazistas, preocupados com o alto número de doenças venéreas entre seus soldados, estabeleceram uma cadeia de bordéis militares nos territórios ocupados.

É difícil encontrar provas de como os soldados alemães tratavam as mulheres russas, muitas vítimas não sobreviveram. Mas no Museu Alemão-Russo de Berlim, o diretor, Jorg Morre, mostra uma foto feita na Crimeia, parte do álbum pessoal de um soldado alemão, feito durante a guerra. Na imagem, o cadáver de uma mulher é visto no chão. "Parece que ela foi morta no estupro ou após o estupro. A saia está puxada para cima e as mãos estão na frente do rosto. É uma foto chocante. Tivemos discussões no museu sobre se deveríamos mostras as fotos – isto é guerra, isto é violência sexual sob a política alemã na União Soviética. Estamos mostrando a guerra. Não falando sobre, mas mostrando", disse.

Enquanto o Exército Vermelho avançava, cartazes estimulavam os soldados soviéticos a mostrarem sua raiva: "Soldado: Você agora está em solo alemão. A hora da vingança chegou!".


Pesquisa

Enquanto pesquisava para o livro que lançou em 2002 sobre a queda de Berlim, o historiador Antony Beevor encontrou, no arquivo estatal da Federação Russa, documentos que detalham a violência sexual. Eles tinham sido enviados pela então polícia secreta, a NKVD, para o chefe desta polícia, Lavrentiy Beria, no final de 1944.

"Eles foram passados para Stalin. Você pode até ver se eles foram lidos ou não – e eles relatam estupros em massa no leste da Prússia e a forma como as mulheres alemãs tentavam matar os filhos e se matar, para evitar os estupros", disse.

Outro diário escrito durante a guerra, deste vez o da noiva de um soldado alemão ausente, mostra que algumas mulheres se adaptaram a estas circunstâncias horríveis para tentar sobreviver.

Soldados soviéticos assediam mulher berlinense


O diário, anônimo, começou a ser escrito no dia 20 de abril de 1945, dez dias antes do suicídio de Hitler. Como no diário de Gelfand, a honestidade é brutal, o poder de observação é grande e há até demonstrações ocasionais de humor.

Se descrevendo como uma "loira pálida que está sempre com o mesmo casaco de inverno", a autora do diário descreve a vida dos vizinhos no abrigo contra bombas logo abaixo do prédio de apartamentos onde ela morava em Berlim, incluindo "um jovem em calças cinzas e óculos de armação de chifre que, em uma observação mais atenta, é, na verdade, uma jovem", e três irmãs mais velhas, "espremidas, juntas, como um grande pudim".

Enquanto aguardam a chegada do Exército Vermelho, elas fazem piada dizendo "melhor um russo em cima do que um ianque sobre nossas cabeças". Estupro é considerado melhor do que ser pulverizada por bombas. Mas quando os soldados chegam ao porão onde elas moram, as mulheres imploram para a autora do diário usar suas habilidades no idioma russo para reclamar ao comando soviético.

Ela consegue encontrar um oficial no ambiente caótico da cidade, mas ele não toma providência alguma, apesar do decreto de Stalin proibindo a violência contra civis. "Vai acontecer de qualquer jeito", diz. Ao tentar voltar para seu apartamento, a autora do diário é estuprada no corredor e quase estrangulada; as mulheres que vivem no porão não abrem as portas durante o estupro, apenas depois que tudo acaba. "Minhas meias estão caídas em cima dos meus sapatos, ainda estou segurando o que sobrou da minha cinta-liga. Começo a gritar 'Suas porcas! Eles me estupraram duas vezes aqui e vocês me deixaram largada como lixo!'"

Com o passar do tempo, ela percebe que precisa achar um "lobo-chefe" que ponha fim aos estupros da "alcateia". A relação entre agressor e vítima fica menos violenta, mais ambígua. Ela divide a cama com um oficial mais importante, vindo de Leningrado, com quem ela conversa sobre literatura e o sentido da vida. "Não posso falar, de maneira nenhuma, que o major está me estuprando. Estou fazendo isto por bacon, manteiga, açúcar, velas, carne enlatada.... Além do mais, gosto do major e, quanto menos ele quer de mim como homem, mais gosto dele como pessoa", escreveu.

Muitas de suas vizinhas fizeram acordos parecidos com os conquistadores. Este diário só foi publicado em 1959, depois da morte da autora, com o título Uma Mulher em Berlim, e foi criticado por "macular a honra das mulheres alemãs".


Filme

Setenta anos depois do fim da guerra, pesquisas ainda revelam a dimensão da violência sexual sofrida pelas alemãs nas mãos não apenas dos soviéticos, mas também de americanos, dos britânicos e dos franceses. 

Em 2008, o diário da berlinense foi transformado em um filme, chamado de Anonyma, com uma atriz alemã conhecida, Nina Hoss. O filme teve um efeito catártico na Alemanha e estimulou muitas mulheres a falarem sobre suas experiências. Entre elas estava Ingeborg Bullert, hoje com 90 anos. Ela mora em Hamburgo, no norte da Alemanha. Em 1945, ela tinha 20 anos, sonhava em ser atriz e vivia com a mãe em Berlim.

Ingeborg Bullert, hoje com 90 anos, demorou décadas para falar sobre sua infeliz experiência


Quando o ataque soviético começou, ela se refugiou no porão do prédio – assim como a mulher no diário. "De repente havia tanques em nossa rua e, em toda parte, corpos de soldados russos e alemães", disse. Durante uma pausa nos ataques aéreos, Ingeborg saiu do porão para pegar um pedaço de fio no apartamento, para montar um pavio para uma lâmpada. "De repente, havia dois soldados soviéticos apontando revólveres para mim. Um deles me obrigou a me expor e me estuprou, então eles trocaram de lugar e o outro me estuprou. Pensei que ia morrer, que eles iam me matar." Ingeborg passou décadas sem falar sobre o crime.

Os estupros afetaram mulheres em toda Berlim. Ingeborg lembra que as mulheres entre 15 e 55 anos tinham que fazer exames para doenças sexualmente transmissíveis. "Você precisava do atestado médico para conseguir os cupons de comida e lembro que todos os médicos faziam estes atestados e que as salas de espera estavam cheias de mulheres."


Número

Ninguém sabe exatamente quantas mulheres foram vítimas de violência sexual de combatentes estrangeiros na Alemanha. O número mais citado estima em 100 mil as mulheres estupradas apenas em Berlim – e em dois milhões no território alemão. Há documentos que expõem um alto número de pedidos de aborto – contra a lei na época –, devido à "situação especial". É provável que nunca se saiba o número real. Tribunais militares soviéticos e outras fontes continuam secretas.

O Parlamento russo aprovou recentemente uma lei que afirma que qualquer pessoa que deprecie a história da Rússia na Segunda Guerra Mundial pode ter que pagar multas ou ser preso por até cinco anos. Uma jovem historiadora da Universidade de Humanidades de Moscou, Vera Dubina, só descobriu sobre os estupros depois de ir para Berlim devido a uma bolsa de estudos. Ela escreveu um estudo sobre o assunto, mas enfrentou dificuldades para publicá-lo.

Vitaly Gelfand, filho do autor do diário, Vladimir Gelfand, não nega que muitos soldados soviéticos demonstraram bravura e sacrifício durante a guerra, mas, segundo ele, esta não é a única história. Recentemente, Vitaly deu uma entrevista em uma rádio russa que desencadeou uma onda de "trollagem" antissemita em redes sociais. Muitos disseram que o diário é falso e que Vitaly deveria emigrar para Israel. Mesmo assim, Vitaly espera que o diário seja publicado na Rússia ainda neste ano. Partes dele já foram traduzidas para o alemão e para o sueco. "Se as pessoas não querem saber a verdade, estão apenas se iludindo. O mundo todo entende (que ocorreram estupros), a Rússia entende e as pessoas por trás das novas leis sobre difamar o passado, até elas entendem. Não podemos avançar sem olhar para o passado", disse.

Fonte: BBC

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segunda-feira, 4 de maio de 2015

JAPÃO HOMENAGEIA KAMIKAZES ANTES DO ANIVERSÁRIO DO FIM DA 2ª GUERRA MUNDIAL

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Centenas se reuniram em antiga base de onde partiram 439 pilotos. Cerca de 4 mil japoneses morreram pilotando aviões em missões suicidas.


A poucos meses do aniversário do fim da Segunda Guerra Mundial, centenas de japoneses prestaram homenagem neste domingo (3) aos kamikazes em um antiga base do sudeste do Japão, de onde os pilotos decolavam para as missões suicidas.

A multidão, na qual estavam familiares dos pilotos, se reuniu em Chiran, na ilha de Kyushi, a partir da qual voaram 439 kamikazes até o final do conflito bélico, informou a emissora pública NHK.

Sob a chuva, rezaram em silêncio e depositaram crisântemos brancos diante de um monumento budista.

"Juramos trabalhar pela paz sem esquecer dos duros sacrifícios dos jovens desaparecidos em missões suicidas", afirmou um homem de 84 anos que perdeu seu irmão, piloto kamikaze, citado pela NHK.

Entre 25 de outubro de 1944 e 15 de agosto de 1945, dia da derrota japonesa, cerca de 4 mil japoneses morreram pilotando seus aviões, nos quais transportavam bombas de até 250 quilos, e eram frequentemente abatidos pelo inimigo americano antes de alcançar seus objetivos.

A palavra "kamikaze" significa "vento divino", em referência aos tufões providenciais que destruíram as frotas de invasores mongóis no século XIII.

Fonte: France Press

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domingo, 3 de maio de 2015

LIVRO - SOB O CÉU DAS VALQUÍRIAS

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Sob o céu das valquírias: as concepções de heroísmo e honra dos pilotos de caça na Grande Guerra (1914-18)

A obra debruça-se sobre a memorável atuação dos pilotos da aviação de caça da Primeira Guerra Mundial envolvidos nas operações do conflito.
 A ilusão de que a guerra de 1914-1918 seria empolgante, edificante e rápida, foi desfeita nas trincheiras. As batalhas do revelaram-se como gigantescos massacres, sem qualquer resultado decisivo. À custa de milhões de mortos, avançavam-se apenas alguns metros de terreno. Não era possível conceber atuações heroicas diante do morticínio das trincheiras. 
Em contrapartida, um novo armamento, que levou a um novo tipo de combate, possibilitou reinventar o combate individual épico. A aviação de caça estimulou a imaginação do povo, ao recriar um heroísmo que se julgava perdido. Portanto, enquanto os combates terrestres enterraram o heroísmo e a honra, os combates aéreos os ressuscitaram.
Destacando-se da massa dos militares, formada por combatentes da superfície, os pilotos da nascente aviação militar moldaram uma imagem de verdadeiros heróis do mundo contemporâneo. Essa imagem, assumida por eles mesmo e acolhidas por seus compatriotas, não apenas derivou das façanhas que praticaram. Nutriu-se também de sua conduta, pautada por valores como honra, nobreza, audácia e lealdade. 
O livro não se detém nas realidades materiais do conflito. Aborda as circunstâncias precedentes e formas de operação das hostilidades apenas como contexto das ações dos chamados "ases" da aviação. Seu foco principal são os padrões de conduta por eles adotados, colhidos nos modelos de heroísmo guerreiro fixados pelas epopeias homéricas e pelas sagas da cavalaria medieval.

Sobre o autor
O Prof Dr. Delmo de Oliveira Arguelhes é Licenciado em História (UniCEUB, 1991), Mestre em História das Relações Internacionais (UNB, 1996) e Doutor em História das Ideias (UNB, 2008). Professor do Programa de Mestrado em Ciência Política da UniEURO; Professor da Coordenação de História do UniCEUB.
Ficha Técnica:
Autor(es): Delmo de Oliveira Arguelhes
ISBN: 978-85-8042-706-6
Editora: EDITORA CRV 
Número de páginas: 234
Ano de Edição: 2013
Formato do Livro: 14x21
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sábado, 2 de maio de 2015

IMAGEM DO DIA - 02/05/2015

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O Terço Espanhol : Durante a Guerra dos Oitenta Anos (Guerra de Independência Holandesa 1568-1648) tropas espanholas lutaram contra os holandeses em formações de piqueiros escalonados em profundidade. Os Terços foram considerados os melhores esquadrões de infantaria na Europa


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quinta-feira, 30 de abril de 2015

40 ANOS DEPOIS: DEZ CURIOSIDADES SOBRE A GUERRA DO VIETNÃ

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A Guerra do Vietnã, cujo fim completa 40 anos nesta quinta-feira, se estendeu de 1959, quando começaram os combates de guerrilheiros comunistas no Vietnã do Sul (na época uma ditadura apoiada pelos Estados Unidos), até que os últimos militares deixassem a capital, Saigon, em abril de 1975.

A tomada da cidade, hoje chamada Ho Chi Minh, pelas forças comunistas do Vietnã do Norte lançou as bases para a reunificação vietnamita e foi a maior derrota militar da história dos EUA - que se envolveram no conflito em 1961, temendo o avanço do comunismo.

Para americanos e vietnamitas, foi uma guerra custosa, sangrenta e divisiva.  O conflito marcou a história do Vietnã no século passado, deixou o país em ruínas, causou milhões de mortes e ainda desperta debates.

A seguir, dez dados sobre a guerra e suas consequências:


1. Rivalidade da Guerra Fria:
 O antigo Vietnã do Sul dependia da ajuda econômica e militar dos EUA, enquanto o Vietnã do Norte recebia apoio da União Soviética e da China.


2. Número de soldados:
Mais de 2,5 milhões de americanos serviram na guerra; em 1968 havia 536 mil deles combatendo. Em 1973, quando os EUA aceitaram um cessar-fogo, as forças do Vietnã do Sul eram de cerca de 700 mil, enquanto as do Vietnã do Norte somavam cerca de 1 milhão de combatentes.


3. Número de mortos:
Mais de 58 mil americanos e ao menos 1,1 milhão de vietnamitas morreram no conflito (algumas estimativas falam em 3 milhões de mortos). Outros países também sofreram baixas: foram mortos, por exemplo, mais de 4 mil soldados sul-coreanos.


4. Guerra internacional:
Algumas nações enviaram tropas para ajudar os EUA; participaram do conflito milhares de soldados da Coreia do Sul, Tailândia, Austrália, Filipinas e Nova Zelândia.  A China também enviou um número substancial de soldados ao Vietnã do Norte: chegaram a 170 mil, para reparar os danos causados pelos bombardeios americanos e para ajudar na defesa aérea.


5. Guerra aérea:
A Força Aérea dos EUA lançou 6,7 milhões de toneladas de bombas sobre o Vietnã; as forças aliadas do Vietnã do Sul, Austrália e Nova Zelândia lançaram outras 1,4 milhão de toneladas.  Esse montante corresponde a mais do dobro do volume de bombas lançado por Reino Unido e EUA - 3,4 milhões de toneladas - em operações na Europa e no Pacífico durante a Segunda Guerra Mundial.


6. O tanque:
Durante 20 anos, acreditou-se que um tanque do Vietnã do Norte - o de número 843 - tivesse sido o primeiro a avançar contra as portas do Palácio Presidencial de Saigon, em 30 de abril de 1975. Só em meados de 1990 que o Vietnã concluiu que foi obra de outro tanque, o número 390.


7. Arma icônica:
Nenhuma outra arma está tão associada à Guerra do Vietnã quanto o fuzil AK-47. Foi a principal arma do Exército do Vietnã do Norte e das guerrilhas do Sul e se converteu na arma revolucionária preferida em todo o mundo. As tropas americanas usaram sobretudo o fuzil M-14 e, posteriormente, o M-16. Os fuzis de assalto americanos eram de difícil manejo nas úmidas selvas do Vietnã.

Guerrilheiros vietcongues com fuzis AK-47



8. Legado controverso:
O Vietnã pediu, sem sucesso, compensação às vítimas do "agente laranja" - substância química jogada pelas tropas americanas no solo para destruir plantações agrícolas e desfolhar florestas usadas como esconderijo pelos inimigos, que acabou causando danos, malformação de crianças e contaminação, com efeitos que duram até hoje.


9. Divisão:
Mais de 1 milhão dos chamados "boat people" (imigrantes que viajavam em barco) fugiram do Vietnã do Sul entre 1975 e 1989. A maioria se estabeleceu nos EUA.


10. Normalização:
EUA e Vietnã normalizaram suas relações em 1995 e anunciaram um acordo amplo em 2013. O comércio bilateral movimentou quase US$ 35 bilhões em 2014.

Fonte: BBC

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REEDIÇÃO DE "AS DUAS FACES DA GLÓRIA" TRAZ PESQUISA FALHA DE WILLIAM WAACK

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Por Cesar Campiani Maximiano *

“Um operoso grupo de oficiais americanos” a quem a Força Expedicionária Brasileira deveu sua adaptação à guerra moderna. Foi como o General Mascarenhas de Moraes se referiu em seu livro de 1947 ao destacamento cujos relatórios compõem grande parte de As Duas Faces da Glória.

Mascarenhas sempre admitiu o mau treinamento e os problemas organizacionais da expedição, lembrados no igualmente honestíssimo Depoimento dos Oficiais da Reserva sobre a FEB, lançado em 1949. O general ainda sugeriu que as primeiras impressões americanas sobre a FEB foram pouco lisonjeiras. Apesar disso, William Waack rotulou de “ufanistas” as narrativas brasileiras.

Waack propôs desmentir essas narrativas, mas, desde o início, nada havia para ser corrigido: os ex-combatentes da FEB tinham plena noção do abismo que os separava do Exército Americano. Ignorando a literatura da FEB, Waack presumiu que havia esqueletos no armário da história da campanha, com a premissa anacrônica de revelar ao público aquilo que os próprios veteranos já admitiam desde que voltaram da guerra. As Duas Faces da Glória é o filho de uma falsa polêmica e seria injusto afirmar que o livro foi superado pelas pesquisas mais recentes, pois já era inconsistente nos anos oitenta.

A documentação do destacamento americano é utilizada precariamente: sua função não era outra senão a de identificar falhas e preparar a FEB para a ação. A comparação com outros processos de integração de tropa estrangeira a exércitos maiores revelaria os mesmos dilemas. Waack desconsiderou as dificuldades inerentes às operações multinacionais, e, se tivesse estudado a cooperação entre os neófitos americanos e os britânicos no Norte da África, encontraria idêntico teor nos relatórios. Combatentes experimentados não demonstram boa vontade com aqueles que acabam de chegar ao campo de batalha. Os problemas mais sérios do livro começam no trato das fontes alemãs.

Waack desconhece questões elementares envolvendo a história da Wehrmacht. No pós-guerra, os alemães minimizaram sua incompetência estratégica, jamais compensada pelas inovações táticas. O autor acusa historiadores de não se interessarem pela principal grande unidade que enfrentou os brasileiros, mas não aprecia que tal divisão era parte de uma força armada e o produto dela: a tropa que fazia frente à FEB era típica do Exército Alemão composto por uma minoria de elementos modernos e uma maioria com logística tracionada por cavalos nada devendo ao tempo de Napoleão. Supostamente “idosos” na versão de Waack, os defensores de Monte Castello eram a regra na Wehrmacht: reservistas bem treinados capazes de alta letalidade. Outra falha de Waack: ele acatou os depoimentos de veteranos alemães, comprovadamente eivados por eufemismos sobre seu compromisso com o nazismo, o que foi averiguado por historiadores das Forças Armadas do Terceiro Reich como Wolfram Wette e Gerhard Schreiber. A falta de familiaridade com a historiografia, a deficiência analítica no trato com a documentação e com as doutrinas de combate que balizam As Duas Faces da Glória ressaltam uma condição da história militar: o campo continua reservado aos especialistas.


Fonte: Folha de São Paulo

 * César Campiani Maximiano é Doutor em História pela USP, 
autor dos livros Barbudos, sujos e fatigados e 
Brazilian Expeditionary Force in World War II



 

sábado, 25 de abril de 2015

PALESTRA NO IGHMB - CÉSAR, VITRÚVIO E A ENGENHARIA MILITAR NA ROMA ANTIGA

P.  

Para quem gosta de estudar a História Militar:




Não é necessário realizar inscrição prévia.  Entrada franca.





segunda-feira, 20 de abril de 2015

PORTA-AVIÕES USS INDEPENDENCE É LOCALIZADO NO FUNDO DO MAR DA CALIFÓRNIA

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O USS Independence atracado durante a 2ª Guerra Mundial

Uma agência oceânica dos Estados Unidos descobriu os destroços afundados de um porta-aviões da Segunda Guerra Mundial, o USS Independence, perto do litoral norte da Califórnia, e disse que a embarcação está supreendentemente bem preservada, provavelmente com um avião ainda em seus hangares.

O Independence, que operou nas regiões central e oeste do oceano Pacífico entre novembro de 1943 e agosto de 1945, chegou a sobreviver aos testes atômicos do atol de Bikini, antes de ser afundado em janeiro de 1951.

A Administração Oceânica e Atmosférica Nacional dos EUA (NOAA, na sigla em inglês) encontrou o casco intacto do porta-aviões em meio a uma missão de dois anos para mapear cerca de 300 naufrágios nas águas próximas à cidade de San Francisco.

"Após 64 anos no leito marinho, o Independence descansa no fundo como se estivesse prestes a lançar seus aviões", disse o cientista-chefe da missão da NOAA que encontrou o Independence e diretor do Gabinete Nacional de Santuários Marinhos, James Delgado, em comunicado publicado no site da instituição.

"O navio lutou uma longa e dura guerra no Pacífico, e depois da guerra foi submetido a duas explosões atômicas que atravessaram o navio", disse Delgado. "O porta-aviões é uma lembrança da potência industrial e habilidade da 'grande geração', que enviou não somente esse navio, mas muitos de seus entes queridos para a guerra."

 O USS Independence bastante avariado após os testes nucleares realizados no Atol de Bikini

O porta-aviões foi encontrado a 790 metros de profundidade por um robô submarino chamado Echo Ranger, fornecido à NOAA pela Boeing.

De acordo com a NOAA, as imagens feitas pelo Echo Ranger mostram que o Independence está praticamente intacto, repousando de pé e tombando ligeiramente para estibordo, com buracos abertos em seu convés de voo. A agência disse que as fotos também revelam o que parecia ser um avião no hangar da embarcação.

Após prestar seus serviços na guerra, o Independence foi uma das 90 embarcações usadas como uma espécie de frota alvo nos testes com bombas atômicas realizados no atol de Bikini, nas Ilhas Marshall.

O porta-aviões retornou aos EUA danificado pelos impactos, o calor e a radiação das explosões e foi usado para estudos de descontaminação feitos pela Marinha, antes de ser afundado em 1951.  Delgado disse não haver planos para se entrar no navio naufragado.

Imagem de sonar fornecida pela NOAA mostrando o Independence no fundo do mar.  Podem ser vistos aviões no elevador e no hangar abaixo do convôo 



Fonte: Reuters

 
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quinta-feira, 16 de abril de 2015

SEMINÁRIO 70 ANOS DA FEB NO CPOR DO RECIFE

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O Centro de Preparação de Oficiais da Reserva do Recife (CPOR/R) dará inicio no dia 28 de abril 2015, o ciclo de palestras sobre a Participação da Força Expedicionária Brasileira na II Guerra Mundial com o seguinte tema "FEB 70 ANOS - EM DEFESA DOS IDEAIS DE LIBERDADE E DEMOCRACIA."

No seminário o editor do Blog História Militar ministrará a palestra A FEB nos campos de batalha da Itália, com início previsto para as 14:30h.

Confira a programação completa.

HORÁRIO
ATIVIDADE
07:30 - 08:00
Credenciamento
08:00 - 08:20
Abertura
08:20 - 08:50
Exibição de filme sobre a participação da FEB na 2a Guerra Mundial
08:50 - 09:40
1ª Palestra: O Brasil na 2a GM. Uma exposição não ideológica (Palestrante: Francisco Miranda)
09:40 - 10:00
Intervalo - Coffe Break e exibição de filmete
10:00 - 10:50
2ª Palestra: Aspectos do cotidiano do Recife durante a 2a GM (Palestrante Manoel Felipe Batista da Fonseca)
10:50 - 11:00
Intervalo - Coffe Break e exibição de filmete
11:00 - 11:40
Debates
11:40 - 12:00
Entrega de certificados aos palestrantes e encerramento
12:00 - 13:30
Almoço
13:30 - 14:20
3ª Palestra: A questão alemã em Pernambuco durante o Estado Novo (Palestrante: Susan Lewis)
14:20 - 14:30
Intervalo - Coffe Break e exibição de filmete
14:30 - 15:20
4ª Palestra: A FEB nos campos de batalha da Itália (Palestrante: TC Dároz)
15:20 - 15:40
Intervalo - Coffe Break e exibição de filmete
15:40 - 16:20
Debates
16:20 - 16:50
Depoimento dos pracinhas da FEB
16:50 - 17:10
Entrega de certificados aos palestrantes e encerramento
17:10 - 17:30
Entrega de certificados de participação à assistência

Maiores informações:
http://www.cporr.ensino.eb.br/index.php/atividades/259-70-anos-da-feb


Participe e conheça mais sobre a participação do Brasil na 2ª Guerra Mundial.

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PENSAMENTO MILITAR

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"Você quer viver para sempre?"

Frederico, o Grande, rei da Prússia, durante a Guerra dos Sete Anos, dirigindo-se às suas tropas que hesitavam em entrar em combate.

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quinta-feira, 9 de abril de 2015

terça-feira, 31 de março de 2015

EM MENOS DE 24 HORAS POLÍCIA IDENTIFICA RESPONSÁVEIS POR ATAQUE AO MUSEU DA FEB




Seis pessoas foram apontadas pela Polícia Civil de São Gabriel como envolvidas no furto de duas metralhadoras, uma carabina 7mm e uma pistola C96 Cal 7,63mm ocorrido na madrugada de sábado (28/03) do prédio do Museu Gaúcho da Força Expedicionária Brasileira (FEB). Dois homens são acusados do furto e os demais por receptação e por participarem no esquema de venda.

De acordo com a Polícia Civil, os ladrões entraram por uma janela e teriam levado as armas que estavam desmontadas, em exposição e já fora uso.  O museu, que conta a história dos militares brasileiros que lutaram na Segunda Guerra Mundial, fica na antiga estação férrea do município.

As imagens das câmeras de segurança mostraram que dois homens invadiram o local por volta das 5h30. Durante a tarde de sábado, policiais foram ao prédio e analisaram as imagens para tentar identificar os assaltantes.

Em nota, o Comandante do 6º Batalhão de Engenharia de Combate e Guarnição Militar Federal de São Gabriel, tenente-coronel Mauri Marcelo Felix Freitas, informou que todas as armas furtadas estavam sem seus mecanismos de disparo (molas, percursores e extratores), sem os sistemas de segurança e com os canos sem condições de realizar tiros (com obstruções e ovalados).

O material só foi recuperado no começo da tarde de domingo (29/03) depois de um telefonema anônimo para a Delegacia de Polícia.  Uma carabina foi localizada abandonada próximo a ponte do Rio Vacacaí, no Bairro Mato Grosso, e através dela os policiais conseguiram “desenrendar” todo o esquema. “Descobrimos que a arma teria sido jogada no local por um elemento. Fomos até a casa dele e ele informou como teria conseguido a arma”, explicou o policial.

Mas dois jovens e um segundo receptador foram identificados. O restando do material furtado também foi encontrado escondido na margem oeste do Rio Vacacaí.

Fonte: Portal N1

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