"No próprio dia da batalha, as verdades podem ser pinçadas em toda a sua nudez, perguntando apenas;
porém, na manhã seguinte, elas já terão começado a trajar seus uniformes."

(Sir Ian Hamilton)



quinta-feira, 14 de fevereiro de 2019

O BRASIL PERDE UMA DE SUAS MAIORES REFERÊNCIAS NA HISTÓRIA AERONÁUTICA: MORRE O CORONEL AVIADOR MANUEL CAMBESES JÚNIOR



Morreu ontem (14), na cidade do Rio de Janeiro, o Cel Av Manuel Cambeses Junior, um dos mais destacados historiadores aeronáuticos de nosso País. 


Aviador de escol, profundo conhecedor de geopolítica e refinado historiador aeronáutico, pertencia ao Conselho Superior do Instituto Histórico-Cultural da Aeronáutica (INCAER) e era associado emérito do Instituto de Geografia e História Militar do Brasil (IGHMB).

Durante décadas, prestou incontáveis serviços à aviação brasileira, à Força Aérea Brasileira (FAB) e ao Brasil.

Manuel Cambeses Júnior,nasceu no Rio de Janeiro e concluiu todos os cursos normais da carreira na FAB, além de vários cursos de extensão na Fundação Getúlio Vargas e na Escola Superior de Guerra.

Ao longo de sua brilhante carreira como oficial aviador, exerceu, entre outras, as seguintes funções:
- Instrutor de Voo na Academia da Força Aérea;
- Oficial de Operações do 1º Grupo de Transporte de Tropa;
- Ajudante-de-Ordens do Comandante do Comando de Apoio Militar;
- Chefe da Seção de Qualificação de Empresas da Diretoria de Material da Aeronáutica;
- Chefe da Divisão de Fomento Industrial da Diretoria de Material da Aeronáutica;
- Membro da 6º Subchefia (Assuntos Estratégicos) da Secretaria-Geral do Conselho de Segurança Nacional;
- Subcomandante da Base Aérea do Galeão;
- Comandante do Centro de Instrução e Adaptação da Aeronáutica;
- Adido Aeronáutico junto à Embaixada do Brasil na Venezuela;
- Oficial de Estado-Maior do Comando Geral do Ar;
- Membro do Corpo Permanente da Escola Superior de Guerra (Chefe da Divisão de Assuntos Internacionais);
- Vice-Diretor do INCAER.

Como Piloto Militar somou 7.500 horas de voo e era qualificado instrutor em 12 tipos de aeronaves, dentre as quais destacam-se: North American Texan (NAT-6); Beechcraft (TC-45T); Douglas (C-47); Tucano (T-27); Bandeirante (C-95); Cessna Jet (T-37C) ; Búffalo (C-115) e Hércules (C-130 e KC-130).

Na atividade aérea, especializou-se nas seguintes tarefas operacionais:
- Transporte-de-Tropa;
- Busca-e-Salvamento;
- Reabastecimento-em-Voo.

Manuel Cambeses Junior junto a seu C-130 em um distante Pelotão de Fronteira na Amazônia

Sua extrema capacidade intelectual resultou na produção de bem elaborados trabalhos nas áreas de geopolítica, história, relações internacionais e estratégia. Teve vários trabalhos e artigos publicados nos seguintes Jornais : O Estado de Minas; Jornal do Brasil; O Debate; O Globo; Folha de São Paulo; Tribuna da Imprensa; O Povo (Fortaleza), e Monitor Mercantil. Publicou também nas Revistas: Clube de Aeronáutica, Clube Militar; A Defesa Nacional; Revista do Exército; Revista da Universidade da Força Aérea; Revista do Instituto de Geografia e História Militar do Brasil; Revista Ideias em Destaque; Revista da Escola Superior de Guerra; Revista da Intendência; Revista da ADESG; Revista Arte e Cultura; Revista Panorama Estratégico (ESG), e Revista do Centro de Estudos Estratégicos da ESG.

Atuou como conferencista em diversas instituições de prestígio, como: Fundação Getúlio Vargas, no Rio de Janeiro;  Academia de Polícia Civil, em Minas Gerais;  Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro; “Casa da Ciência” (Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro); Universidade da Força Aérea;  Centro de Instrução e Adaptação da Aeronáutica; Instituto de Geografia e História Militar do Brasil; Escola Superior de Guerra Aérea, na Bolívia; Escola Superior de Guerra Aérea da Força Aérea Argentina; Escola de Guerra Naval da República Argentina; Escola de Aviação Militar do Exército Argentino; Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro;  Centro Brasileiro de Estudos Estratégicos (CEBRES);  Centro de Estudos e Pesquisas em História Militar do Exército; Universidade de Brasília; Escola de Comando e Estado-Maior da Aeronáutica; Associação Nacional dos Veteranos da FEB;  Escola Superior de Guerra e  Delegacias da ADESG em diversas cidades do País.

O editor do Blog Carlos Daróz-História Militar junto com o Cel Cambeses, após uma conferência no Instituto de Geografia e História Militar do Brasil

Participou, como comentarista para Assuntos Internacionais, em programas veiculados pelas seguintes Emissoras de Rádio: CBN ; Bandeirantes, Nacional de Brasília, Jovem Pan, e, ainda, das seguintes Emissoras de Televisão: Globonews e TV Educativa.

Ao longo de sua carreira, foi agraciado com 13 condecorações nacionais e 5 estrangeiras:
- Medalha Mérito Aeronáutico – Grau Oficial (FAB);
- Medalha Mérito Santos Dumont (FAB);
- Medalha Militar “Ouro” (FAB);
- Medalha do Pacificador (Exército Brasileiro);
- Medalha Alferes Tiradentes (Polícia Militar de Minas Gerais);
- Medalha Bicentenário da Morte do Alferes (Polícia Militar de Minas Gerais);
- Medalha Honra da Inconfidência (Governo do Estado de Minas Gerais);
- Medalha Santos Dumont (Governo do Estado de Minas Gerais);
- Medalha Mérito Legislativo Municipal (Prefeitura Municipal de Belo Horizonte);
- Medalha Ordem do Mérito das Belas Artes – Grau Comendador  (Sociedade Brasileira de Belas Artes);
- Medalha Marechal Cordeiro de Farias (Escola Superior de Guerra);
- Medalha Mérito Aeroterrestre (Exército Brasileiro);
- Medalha do Mérito Cívico da Liga de Defesa Nacional – Grau Oficial (Brasil);
- Medalha Ordem do Mérito da Força Aérea Venezuelana (Venezuela);
- Medalha Al Mérito Newberiano – Gran Cruz (República Argentina);
- Medalha Al Mérito Instituto de Estudios Históricos Aerospaciales del Perú (República do Perú);
- Medalha Al Mérito Eduardo Alfredo Olivero (República Argentina);
- Medalha Instituto de História y Cultura Aeronáuticas del Ejército del Aire (Espanha);
- Medalha Academia Santos-Dumont (República Argentina).

Recebeu os seguintes títulos honoríficos:
- Cidadão Honorário de Belo Horizonte;
- Conferencista Especial da Escola Superior de Guerra;
- Membro Emérito do Instituto de Geografia e História Militar do Brasil – IGHMB (cadeira nº 69);
- Membro da Academia de História Militar Terrestre do Brasil;
- Membro-Correspondente do Instituto de História Aeronáutica e Espacial, da Espanha;
- Membro-Correspondente do Instituto de Estudios Históricos Aeronáuticos e Espaciales, do Perú;
- Membro-Correspondente do Instituto Nacional Newberiano de História Aeronáutica e Espacial, da República Argentina;
- Membro-Correspondente do Instituto de Historia Aeronáutica y Espacial Eduardo Alfredo Olivero, da República Argentina;
- Membro do Conselho Editorial da Revista do Clube Militar;
- Membro-Correspondente da Academia Santos-Dumont (República Argentina);
- Membro do Conselho Editorial da Revista do Instituto de Geografia e História Militar do Brasil;
- Conselheiro do Instituto Histórico-Cultural da Aeronáutica;
- Colaborador Emérito do Exército Brasileiro;
- Colaborador Emérito da Polícia Federal;
- Pesquisador do Centro de Estudos e Pesquisas de História Militar do Exército.

No comando de um C-130 Hércules da FAB, a aeronave que mais gostava de voar

Integrou o Corpo Permanente da Escola Superior de Guerra, de setembro de 1996 a dezembro de 2003, na qualidade de Chefe da Divisão de Assuntos Internacionais.

O Cel Cambeses era casado com a Sra. Sonia Martins Cambeses e teve dois filhos: André Luiz Martins Cambeses, advogado, e Danielle Martins Cambeses, publicitária.

O Cel Cambeses era um grande amigo do editor do Blog Carlos Daróz – História Militar, a quem muito ensinou e sempre dedicou atenção e fidalguia. No ano passado, fruto de sua generosidade, nos indicou para concorrer a uma vaga como Conselheiro do Instituto Histórico-Cultural da Aeronáutica. Semanalmente trocávamos mensagens pelo WhatsApp e, frequentemente, conversávamos por telefone. As mensagens que postava no aplicativo eram, repetidamente, de conselho, otimismo e gratidão. 

Certo dia nos confidenciou que a aeronave que mais gostara e tivera orgulho de voar era o C-130 Hércules. Em uma das últimas mensagens no WhatsApp, que enviou para mim, no último dia 17 de janeiro, junto a um vídeo da aeronave, o Cel Cambeses assinalou na legenda: “Veja o que o portentoso Hércules C-130 é capaz de fazer. Que aeronave maravilhosa!” 

Assim, como homenagem especial ao amigo que deixa esta vida para se unir à constelação dos bravos no céu, o Blog Carlos Daróz-História Militar publica a imagem do anjo, formado pelo lançamento dos flares de um C-130, também uma imagem que me havia repassado pela rede social.


Um excelente voo de cruzeiro e uma perfeita aterragem, caro amigo. Que Deus possa consolar o coração dos familiares.

"MACTE ANIMO! GENEROSE PUER, SIC ITUR AD ASTRA".


Fonte: Arquivo família Cambeses, Tecnodefesa, Reservaer

terça-feira, 12 de fevereiro de 2019

LOCALIZADO NAUFRÁGIO DO PRIMEIRO COURAÇADO JAPONÊS AFUNDADO NA 2ª GUERRA MUNDIAL

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Uma equipe de pesquisadores da organização formada pelo bilionário filantropo Paul Allen encontrou o naufrágio do Hiei, primeiro couraçado japonês afundado pela Marinha dos EUA durante a Segunda Guerra Mundial.


Por Ben Werner

O couraçado da Marinha Imperial Japonesa Hiei foi localizado, virado de cabeça para baixo no fundo do mar, cerca de 2.952 abaixo da superfície, mais de 76 anos depois de afundar nas águas a noroeste da ilha de Savo, na cadeia das Ilhas Salomão.

Durante a batalha de Guadalcanal, na madrugada de 13 para 14 de novembro de 1942, o Hiei fazia parte de uma força-tarefa japonesa que se envolveu em batalhas de curta distância contra navios da Marinha dos EUA, liderados pelo contra-almirante Daniel J. Callaghan a bordo do cruzador pesado USS San Francisco (CA-38), de acordo com o US Naval History and Heritage Command.

Em um momento durante a batalha, que foi travada no meio da noite, o Hiei quase colidiu com o destróier americano USS Laffey (DD-459). Os dois navios dispararam seus canhões quando passaram a seis metros um do outro.  O Laffey afundaria durante a batalha. Acredita-se que o Hiei tenha sido severamente avariado por salvas do San Francisco, que também sofreu danos críticos, incluindo um impacto direto contra a ponte que matou Callaghan, seu estado-maior e o comandante do navio, capitão Cassin Young.

Representação do combate noturno entre o USS Laffey e o Hiei

De madrugada, o Hiei foi avistado 30 milhas a nordeste da Ilha Savo com "as torres de vante em chamas e as torres de ré desmanteladas". Um cruzador ligeiro e quatro contratorpedeiros supostamente acompanharam o Hiei enquanto este tentava se afastar.

Múltiplas surtidas de torpedeiros Grumman TBF Avenger, bombardeiros de mergulho Douglass SBD Dauntless e caças Grumman F4F Wildcat decolaram do porta-aviões USS Enterprise (CV-6) para atacar o couraçado japonês, e mesmo um B-17, voando da ilha de Espiritu Santo, lançou uma bomba de 500 libras sobre o Hiei.

O Hiei teria sido visto pela última vez pelas forças da Marinha dos EUA às 6 da tarde, a cerca de 8 quilômetros a noroeste de Savo, em chamas e transferindo sua tripulação para três destróieres japoneses nas proximidades. O encouraçado afundou em algum momento durante a noite, com 188 tripulantes mortos em ação.

Destroços do Hiei localizados no fundo do mar

Allen, que morreu em outubro, foi co-fundador da Microsoft, dono do time de futebol americano Seattle Seahawks e filantropo de longa data, que, durante anos, financiou esforços de conservação dos oceanos e da vida selvagem e pesquisas sobre naufrágios da Segunda Guerra Mundial. Talvez a descoberta mais notável de sua equipe tenha sido a descoberta dos destroços do USS Indianapolis (CA-35) em 2017, que afundou no Pacífico Sul em 30 de julho de 1945, depois de entregar os componentes da bomba atômica lançada em Hiroshima.

Fonte: USNI News


MUSEU DA FORÇA EXPEDICIONÁRIA BRASILEIRA SERÁ REABERTO HOJE EM BH APÓS MUDAR DE ENDEREÇO

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Parte da memória brasileira na Segunda Guerra está guardada, desde dezembro, em oito ambientes na Rua Tupis, 723, no Centro da capital


Por Gustavo Werneck

O mundo lembra em 2019, ainda com olhos do horror e do espanto, os 80 anos de início da Segunda Guerra, que envolveu a maioria das nações e incluiu todas as grandes potências da época, organizadas em duas alianças opostas: os aliados (Estados Unidos, França, Inglaterra e outros) e o Eixo (Alemanha, Itália e Japão). O conflito mais letal da história da humanidade durou até 1945 (veja cronologia), mobilizou mais de 100 milhões de militares e deixou cerca de 60 milhões de mortos. “Lembramos também os 75 anos de entrada efetiva do Brasil na guerra, o batismo de fogo dos pracinhas na Itália e o Dia D, quando os aliados desembarcaram na Normandia para retomar a Europa da mão dos nazistas liderados por Adolf Hitler (1889-1945)”, ressalta o presidente da Associação Nacional dos Veteranos da Força Expedicionária Brasileira (FEB)/Regional Belo Horizonte e curador do Museu da FEB, Marcos Renault.

Parte da memória brasileira no conflito está guardada, desde dezembro, em oito ambientes na Rua Tupis, 723, no Centro da capital, endereço da nova sede do Museu da FEB, que será reaberto ao público hoje. A mudança da Avenida Francisco Sales, no Bairro Floresta, onde funcionou desde 1987, para a Tupis decorreu de uma medida que inviabilizou a continuidade do espaço cultural e indignou os organizadores. “Por força da legislação vigente, a Prefeitura de Belo Horizonte (PBH) arcava com os custos de aluguel, vigilância, conservação e limpeza das instalações do museu, mas, já no fim da gestão anterior, passou a descumprir a legislação, honrando apenas com o aluguel. A segurança aqui é o mais caro, temos um arsenal que poderia ser roubado sem a devida segurança da casa onde estávamos”, informa Renault.

O curador Marcos Renault diante de parte do acervo do museu

Em face das dificuldades financeiras decorrentes do problema da supressão das verbas e sem condições de manter as portas abertas, todo o acervo original – armamento, fardas, documentos, medalhas, equipamentos, quadros e outras peças de peso histórico e físico, como um obuseiro de 155mm e a estátua em bronze de um expedicionário em combate – foi transferido para o prédio onde funcionou a 11ª Circunscrição do Serviço Militar, recentemente desativada. No imóvel localizado na esquina com a Rua Guarani permanece uma unidade do Exército. “Fizemos um comodato com o Exército, que está cedendo o espaço para a criação do centro cultural que registra a história da 11ª CSM e da participação do Brasil na Segunda Guerra”, explica.


Movimento

Com o novo endereço, Renault acredita em aumento de público, por três razões principais: “Trata-se de um ponto de grande circulação de pedestres e veículos; o museu fica no andar térreo, favorecendo a acessibilidade; e foi ampliado, passando a contar com oito ambientes para exposição”. Para este ano em que são lembrados fatos importantes da Segunda Guerra, ele planeja atividades especiais, como mostras temporárias e palestras, ensejando assim uma maior visitação de estudantes de escolas estaduais, municipais e privadas. “Na época da guerra, funcionava aqui uma escola alemã. Então, houve a desapropriação e as instalações foram ocupadas pelo Exército”, revela.


Na tarde de ontem, ao mostrar ao Estado de Minas seis espaços já organizados, Renault destacou que não se trata de um museu do Exército ou de outra instituição nacional. “Ele é um patrimônio do povo brasileiro. Aqui, a memória de pessoas comuns, cidadãos brasileiros que foram para os campos de batalha com coragem, patriotismo e o sentimento de respeito pelo Brasil, está preservada. A lição maior é que precisamos evitar que, um dia, tudo isso possa acontecer de novo. Daí a importância para as novas e futuras gerações”, disse o curador do museu, estudioso do conflito e, sempre presente como co-organizador das cerimônias do Dia da Libertação da Itália, que ocorrem a cada 25 de abril na cidade de Montese, na Itália.

Nas salas, os visitantes poderão ver uma série de armas, como metralhadoras refrigeradas a ar e a água, fuzis, submetralhadoras, carabinas e outras usadas pelos combatentes brasileiros, os pracinhas, “em conquistas que se tornaram famosas, como a do Monte Castello e da cidade de Montese, dentre várias outras, sendo que, em Collecchio e Fornovo, os pracinhas cercaram e aprisionaram a 148ª Divisão de Infantaria Alemã, com quase 15 mil homens”.

As vitrines do museu exibem cartazes daqueles tempos, com o slogan “A Cobra Vai Fumar!”, que se tornou símbolo da FEB, e “Senta a Pua!”, grito de guerra do 1º Grupo de Aviação de Caça da Força Aérea Brasileira. Mas tem muito mais sobre o front que envolveu 25.334 brasileiros (2.947 de Minas), dos quais morreram 467 (82 de Minas) e 2.722 ficaram feridos.

Obuseiro de 155mm utilizado pela Artilharia da FEB na Segunda Guerra Mundial

Se num quadro há um registro sobre Monte Castello, imortalizado pelo expedicionário de origem polonesa, Zagloba, em outro está o veterano Belisário Nogueira Oliva em posição de combate. Uma linha do tempo que inclui a participação do Brasil na guerra, insígnias, medalhas, jornais da época, fardamento, botas, capacetes e fotografias e jornais podem ser vistos nas salas de exposição que serão abertas ao público. Na sala dos “inimigos”, ou Alemanha e Itália, há uma bandeira nazista capturada pelos brasileiros e trazida como troféu de guerra e a famosa metralhadora alemã, Spandau MG 42, com capacidade para disparar 1.200 tiros por minuto.

Em nota, a Prefeitura de Belo Horizonte informa que, em junho de 2018, foi firmado um acordo segundo o qual a PBH continuaria a pagar o aluguel do imóvel onde funcionava o Museu da Força Expedicionária Brasileira, no Bairro Floresta, no valor de R$ 4.500,00. Com a mudança do museu para um imóvel próprio do Exército, no Centro, a PBH avalia, então, que não existe mais a necessidade de continuar a arcar com o valor do aluguel.

Fonte: em.com


IMAGEM DO DIA - 12/2/2019

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A mais infame de todas as batalhas da Guerra das Rosas é sem dúvida a Batalha de Towton, travada em 1461 em meio a uma nevasca no final de março, nos bosques e prados perto do rio Cock Beck. Considerado o dia mais sangrento da história da Inglaterra em solo inglês, uma proclamação difundida uma semana depois da batalha relata que 28 000 homens perderam a vida no campo de batalha.

quinta-feira, 31 de janeiro de 2019

COMO HOMENAGEAR SEUS HERÓIS? E SUAS HEROÍNAS? AS AVIADORAS NAVAIS DOS EUA HONRAM UMA DE SUAS PIONEIRAS



Conheça as mulheres aviadoras que realizarão o primeiro voo exclusivamente feminino para honrar a vida e o legado de uma pioneira feminina na aviação naval, capitão da Marinha Rosemary Mariner, falecida nesta semana.


Como um país homenageia seus heróis?  Ou melhor, como homenageia suas heroínas?

No momento em que sepultam uma das mulheres pioneiras de sua aviação naval, os Estados Unidos da América dão um exemplo de respeito e honra.

Diante do falecimento da Capitão Rosemary Mariner, uma das primeiras aviadoras de sua Marinha, o país escalou uma equipe unicamente formada por mulheres para realizar o voo chamado Flyover (“voo sobre”), no momento exato do sepultamento com honras militares.

Uma equipe constituída unicamente por mulheres aviadoras realizará o primeiro Flyover exclusivamente feminino para honrar a vida e o legado de uma pioneira na aviação naval, a capitão da Marinha Rosemary Mariner, que foi a primeira piloto feminina da Marinha, pilotando as aeronaves A-4E/L Skyhawk e o A-7E Corsair II.

As oito mulheres, guarnecendo quatro aeronaves, conduzirão o "Voo do Homem Desaparecido" no próximo sábado, 2 de fevereiro, em Maynardville, Tennessee, como parte do funeral da capitão Rosemary Mariner, que faleceu em 24 de janeiro, após uma longa e corajosa batalha contra o câncer.

O "Vôo do Homem Desaparecido" é uma das tradições das forças armadas dos EUA e uma homenagem especial entre os aviadores que morreram servindo seu país.  A manobra caracteriza-se pela passagem baixa (voo rasante) em formação sobre o funeral, quando a aeronave líder deixa a formação e sobe verticalmente para o céu. 

F/A-18E Super Hornet, da Marinha dos EUA, a aeronave voada na homenagem

Pela primeira vez na história dos EUA, todas as aviadoras participantes da homenagem serão exclusivamente mulheres da Marinha e estarão pilotando caças F/A-18E/F Super Hornet.

O que as BRUXAS DA NOITE têm a ver com isso?  As aviadoras soviéticas abriram o caminho para que, muitos anos mais tarde, as mulheres pudessem brilhar como protagonistas da atividade aérea militar.

Essa homenagem, extremamente significativa, em um momento no qual as mulheres se afirmam profissionalmente para ocuparem seu lugar de direito, reafirma a experiência soviética da Segunda Guerra Mundial, que colocou as mulheres nos controles das aeronaves de combate na linha de frente contra os nazistas.

Conheça cada uma dessas oito aviadoras navais contemporâneas, experientes mulheres com experiência de combate, que participarão da homenagem.


Comandante Stacy “Stigs” Uttecht
Oficial comandante do Esquadrão de Caça de Ataque 32 (VFA-32)


A comandante Uttecht graduou-se no Instituto Tecnológico da Virginia no ano 2000 e conquistou seu brevê de aviadora naval dois anos mais tarde. Ela qualificou-se e voou com o F-14 Tomcat e o F/A-18F Super Hornet, contabilizando mais de 3.500 horas de voo, sendo 1.220 em combate, e mais de 400 pousos em porta-aviões.  A comandante Stacy Utrecht assumiu o VFA-32 em janeiro de 2018, tornando-se a segunda mulher a liderar uma unidade de F/-18


Comandante Leslie "Meat" Mintz
Subcomandante do Esquadrão de Caça de Ataque 213 (VFA-213) 


Formou-se na Universidade da Virgínia em 2000, com  bacharelado em Engenharia de Sistemas. Recebeu suas asas de ouro de aviadora naval em 2002 e pilota o F/A-18F Super Hornet.  Ela completou o treinamento da Escola de Armas de Caça da Marinha (Top Gun) e participou da Operação Enduring Freedom, no Iraque. A comandante Mintz acumula mais de 2.800 horas de voo.


Tenente-comandante Paige "PUFN" Blok
Esquadrão de Caça de Ataque 32 (VFA-32)


Graduou-se em 2007 na Academia Naval dos EUA, com especialização em Oceanografia. Tornou-se aviadora naval em agosto de 2009 e voou tanto o F/A-18C Hornet e o F/A-18F Super Hornet. Ela possui mestrado  em Engenharia Aeronáutica e Aeroespacial e um MBA pelo Massachusetts Institute of Technology. 


Tenente-comandante  Jennifer "Cujo" Hesling


Jennifer  Hesling formou-se na Academia Naval dos Estados Unidos em 2008 com licenciatura em Engenharia Aeroespacial. Ela conquistou suas asas de ouro em 2010 e  completou 40 missões de combate, além de tornar-se instrutora de voo no F/A-18F Super Hornet. A comandante Hesling é mãe de duas filhas gêmeas.


Tenente-comandante  Danielle "Purple" Thiriot
Esquadrão de Caça de Ataque 106 (VFA- 106)


Danielle Thiriot formou-se em 2007 na Universidade de Harvard e tornou-se aviadora naval em maio de 2010. Ela liderou mais de 25 missões de combate no F/A-18F e voou no Esquadrão de Demonstração Tática do Super Hornet, se apresentando em shows aéreos nos EUA e no Canadá. Thiriot recentemente completou um período no Pentágono, em Washington, como assistente do Chefe de Operações Navais, almirante John Richardson. Em março de 2019, trabalhará como chefe de departamento no esquadrão VFA-143, “Pukin dogs”.


Tenente Christy "Buzz" Talisse
Esquadrão de Caça de Ataque 211 (VFA- 211)


A tenente  Christy "Buzz" Talisse formou-se na Academia Naval dos Estados Unidos em 2013, com diploma em Economia. Ela completou recentemente um período a bordo do porta-aviões USS Harry S. Truman em apoio à Operação Inherent Resolve e Dynamic Force Employment, com o esquadrão  VFA-211.


Tenente Amanda "Stalin" Lee
Esquadrão de Caça de Ataque 81 (VFA- 81)


Amanda graduaou-se como marinheira no Comando de Recrutamento e Treinamento dos Grandes Lagos em 2007. Sua carreira de sucesso como Técnica de Eletrônica de Aviação levou à sua seleção no Programa de Comissionamento “de Marinheiro a Almirante” (STA-21). Lee é bacharel em Bioquímica pela Universidade Old Dominion e tornou-se aviadora em abril de 2016. Completou recentemente uma comissão a bordo do porta-aviões USS Harry S. Truman, em apoio à Operação Inherent Resolve, além de participar de numerosos exercícios com os Aliados da OTAN.


Tenente Emily "Gong" Rixey
Escola de Armas de Caças de Ataque do Atlântico


Emily Rixey formou-se na Academia Naval dos Estados Unidos em 2012, com licenciatura em Engenharia Aeroespacial. Ela pilota o F/A-18F Super Hornet e é graduada na principal escola de armas de caça da Marinha (Top Gun). Após a formatura,foi designada como instrutora de tática aérea na  Escola de Armas de Caças de Ataque do Atlântico.


Tenente Kelly "Stoner" Harris
Esquadrão de Caça de Ataque 213 (VFA- 213)


A tenente Harris é graduada em 2010 pelo Brevard College. Ela entrou na Marinha  em outubro de 2013, por meio da escola de Candidatos a Oficial, em Newport, Rhode Island, e foi designada aviadora naval em março de 2016. Em dezembro de 2017, Harris foi transferida para seu primeiro esquadrão operacional, o VFA-213, onde atuou no porta-aviões USS George H.W. Bush. Ela voou vinte e cinco missões de combate em apoio à Operação Inerente Resolver, no Iraque e na Síria. A tenente Harris possui mais de 500 horas de voo no F/A-18F e tem, em seu currículo, mais de cem pousos em porta-aviões.

A homenageada, capitão Rosemary Mariner, uma das pioneiras da aviação naval dos EUA, falecida em 24 de janeiro.  Honre e respeito prestadas por aviadoras mulheres.

Fonte: Marinha dos EUA 


HISTÓRIA MILITAR NA FRANÇA - MUSEU NACIONAL DA LEGIÃO DE HONRA

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Dando continuidade às pesquisas nos locais e monumentos que fazem referência à história militar na França, o editor do Blog Carlos Daróz – História Militar visitou o Museu Nacional da Legião de Honra e da Ordem de Cavalaria.


O museu, dedicado às condecorações e, especialmente, à Legião de Honra da França, está localizado no 7e arrondsment de Paris, ao lado do Museu d'Orsay, às margens do rio Sena. 

A Ordem Nacional da Legião de Honra (Ordre National de la Légion d'Honneur) é uma condecoração honorífica francesa que foi instituída em 20 de maio de 1802 por Napoleão Bonaparte, para recompensar os méritos de eminentes militares ou civis à nação. Ordem máxima da nação francesa, possui um limite de apenas 75 membros vivos entre os grã-cruzes da ordem. Os graus mais comuns da ordem são os de cavaleiro e oficial. O chefe de Estado, hoje o presidente da república, recebe a grã-cruz e se torna grão-mestre da ordem durante a cerimônia de posse presidencial.


A evolução da Legião de Honra através do tempo

O museu está localizado num palacete chamado Hôtel de Salm, construído em 1782 pelo arquiteto Pierre Rousseau para Frederick III, príncipe de Salm-Kyrburg. O local foi queimado em 1871 na Guerra Franco-Prussiana e depois restaurado. Desde 1804 é considerado o Palácio da Legião de Honra, mas foi somente em 1925 que o local se transformou em museu, exibindo as honrarias francesas, medalhas, condecorações, e ordens de cavaleiros de Luís XI até o presente. Inclui também medalhas e honrarias de Napoleão, além de 300 quadros. 

O editor do Blog Carlos Daroz-História Militar realizando pesquisa no museu

O museu organiza regularmente exposições de grandes porte, bem como exposições-dossiers interessantes, exibindo condecorações e medalhas de outros lugares do mundo ou que ficam, normalmente, guardadas longe dos olhos do público. Cada país tem seu espaço e o material é mostrado de forma clara e organizada.

Na sala das condecorações estrangeiras, o colar da Ordem Nacional do Mérito, a maior honraria concedida pelo governo brasileiro

Uma sala interativa no museu exibe perfis de alguns dos homens e mulheres que foram agraciados com a Legião de Honra, incluindo Charles Chaplin, que foi feito cavaleiro em 1931, oficial em 1952 e comandante em 1971.

Quadro de Georges Guynemer, o maior aviador francês da 1ª Guerra Mundial, um dos recipiendários da Legião de Honra

Na década de 1950 havia mais de 300.000 membros da Legião de Honra. Para manter o prestígio, o código da Legião foi revisto e limitou-se a adesão para 125.000 membros, com isso uma segunda ordem nacional, a Ordem Nacional do Mérito, foi criada em 1963.

Águia do 2º Regimento de Infantaria francês do Período Napoleônico

Insígnia presidencial utilizada por Charles de Gaulle



terça-feira, 29 de janeiro de 2019

MORRE A CAPITÃO ROSEMARY MARINER, UMA DAS AVIADORAS NAVAIS PIONEIRAS DOS EUA

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Faleceu, no último dia 24, a Capitão Rosemary Mariner, uma das pioneiras da Aviação Naval dos EUA.

Rosemary Bryant Mariner foi uma das seis primeiras mulheres a receber as asas de Aviadora Naval dos Estados Unidos, em 1974.  Ela foi a primeira aviadora militar feminina a assumir o comando de uma esquadrão aéreo operacional.

Mariner nasceu Rosemary Ann Merims e cresceu em San Diego, Califórnia, com um grande interesse em aeronaves e voos.  Em sua juventude, trabalhou lavando aeronaves para ganhar dinheiro para aulas e horas de voo.  Ela se formou na Universidade Purdue, em dezembro de 1972, aos 19 anos, com um diploma em Tecnologia da Aviação. Rosemary qualificou-se como engenheira de voo pela FAA (Administração federal de Aviação dos EUA) e como piloto antes de se juntar à Marinha. Enquanto esteve na Marinha, Mariner obteve um mestrado em Estratégia de Segurança Nacional pelo National War College.

Rosemary Mariner realizando um check operacional antes de decolar com um S-2 Tracker em 1988

Rosemary Bryant Mariner ingressou no Serviço Naval em 1973, depois de ter sido selecionada como uma das oito primeiras mulheres a entrar no treinamento de pilotos militares. Completou a Escola de Candidatos a Oficial em Newport, e depois seguiu para Pensacola, para treinamento de voo.  Ela formou-se aviadora naval em junho de 1974, uma das seis primeiras mulheres a receberem as asas douradas da Marinha dos Estados Unidos. As outras cinco foram Barbara Allen Rainey, Jane Skiles O'Dea, Judith Ann Neuffer, Ann Marie Fuqua e Joellen Drag. Mariner foi uma das primeiras aviadoras militares do sexo feminino a voar aviões a jato tático –  o A-4E/L Skyhawk, em 1975.  Em 1976, qualificou-se para voar o A-7E Corsair II, tornando-se a primeira mulher nos EUA a pilotar um avião de ataque leve de linha de frente.

Em 1990, Mariner tornou-se a primeira mulher militar a comandar um esquadrão de aviação operacional. Durante a Operação Tempestade no Deserto, em 1991, ela comandou o Esquadrão Tático de Guerra Eletrônica Trinta e Quatro (VAQ-34).  Mariner foi presidente da organização Women Military Aviators, entre 1991 e 1993.

Rosemary  Mariner passou para a reserva no posto de capitão no final de 1997, depois de vinte e quatro anos de serviço militar, uma veterana com dezessete pousos em porta-aviões, e contando mais de 3.500 horas de voo, em quinze aeronaves navais diferentes.


A carreira de Mariner é detalhada em vários livros, incluindo Crossed Currents: Navy Women from World War I to Tailhook, Women in the Military: An Unfinished Revolution, Tailspin: Women at War in the Wake of Tailhook, e Ground Zero: The Gender Wars in the Military.

Rosemary Mariner morreu em 24 de janeiro de 2019, aos 65 anos de idade.