"No próprio dia da batalha, as verdades podem ser pinçadas em toda a sua nudez, perguntando apenas;
porém, na manhã seguinte, elas já terão começado a trajar seus uniformes."

(Sir Ian Hamilton)



quinta-feira, 30 de abril de 2015

40 ANOS DEPOIS: DEZ CURIOSIDADES SOBRE A GUERRA DO VIETNÃ

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A Guerra do Vietnã, cujo fim completa 40 anos nesta quinta-feira, se estendeu de 1959, quando começaram os combates de guerrilheiros comunistas no Vietnã do Sul (na época uma ditadura apoiada pelos Estados Unidos), até que os últimos militares deixassem a capital, Saigon, em abril de 1975.

A tomada da cidade, hoje chamada Ho Chi Minh, pelas forças comunistas do Vietnã do Norte lançou as bases para a reunificação vietnamita e foi a maior derrota militar da história dos EUA - que se envolveram no conflito em 1961, temendo o avanço do comunismo.

Para americanos e vietnamitas, foi uma guerra custosa, sangrenta e divisiva.  O conflito marcou a história do Vietnã no século passado, deixou o país em ruínas, causou milhões de mortes e ainda desperta debates.

A seguir, dez dados sobre a guerra e suas consequências:


1. Rivalidade da Guerra Fria:
 O antigo Vietnã do Sul dependia da ajuda econômica e militar dos EUA, enquanto o Vietnã do Norte recebia apoio da União Soviética e da China.


2. Número de soldados:
Mais de 2,5 milhões de americanos serviram na guerra; em 1968 havia 536 mil deles combatendo. Em 1973, quando os EUA aceitaram um cessar-fogo, as forças do Vietnã do Sul eram de cerca de 700 mil, enquanto as do Vietnã do Norte somavam cerca de 1 milhão de combatentes.


3. Número de mortos:
Mais de 58 mil americanos e ao menos 1,1 milhão de vietnamitas morreram no conflito (algumas estimativas falam em 3 milhões de mortos). Outros países também sofreram baixas: foram mortos, por exemplo, mais de 4 mil soldados sul-coreanos.


4. Guerra internacional:
Algumas nações enviaram tropas para ajudar os EUA; participaram do conflito milhares de soldados da Coreia do Sul, Tailândia, Austrália, Filipinas e Nova Zelândia.  A China também enviou um número substancial de soldados ao Vietnã do Norte: chegaram a 170 mil, para reparar os danos causados pelos bombardeios americanos e para ajudar na defesa aérea.


5. Guerra aérea:
A Força Aérea dos EUA lançou 6,7 milhões de toneladas de bombas sobre o Vietnã; as forças aliadas do Vietnã do Sul, Austrália e Nova Zelândia lançaram outras 1,4 milhão de toneladas.  Esse montante corresponde a mais do dobro do volume de bombas lançado por Reino Unido e EUA - 3,4 milhões de toneladas - em operações na Europa e no Pacífico durante a Segunda Guerra Mundial.


6. O tanque:
Durante 20 anos, acreditou-se que um tanque do Vietnã do Norte - o de número 843 - tivesse sido o primeiro a avançar contra as portas do Palácio Presidencial de Saigon, em 30 de abril de 1975. Só em meados de 1990 que o Vietnã concluiu que foi obra de outro tanque, o número 390.


7. Arma icônica:
Nenhuma outra arma está tão associada à Guerra do Vietnã quanto o fuzil AK-47. Foi a principal arma do Exército do Vietnã do Norte e das guerrilhas do Sul e se converteu na arma revolucionária preferida em todo o mundo. As tropas americanas usaram sobretudo o fuzil M-14 e, posteriormente, o M-16. Os fuzis de assalto americanos eram de difícil manejo nas úmidas selvas do Vietnã.

Guerrilheiros vietcongues com fuzis AK-47



8. Legado controverso:
O Vietnã pediu, sem sucesso, compensação às vítimas do "agente laranja" - substância química jogada pelas tropas americanas no solo para destruir plantações agrícolas e desfolhar florestas usadas como esconderijo pelos inimigos, que acabou causando danos, malformação de crianças e contaminação, com efeitos que duram até hoje.


9. Divisão:
Mais de 1 milhão dos chamados "boat people" (imigrantes que viajavam em barco) fugiram do Vietnã do Sul entre 1975 e 1989. A maioria se estabeleceu nos EUA.


10. Normalização:
EUA e Vietnã normalizaram suas relações em 1995 e anunciaram um acordo amplo em 2013. O comércio bilateral movimentou quase US$ 35 bilhões em 2014.

Fonte: BBC

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REEDIÇÃO DE "AS DUAS FACES DA GLÓRIA" TRAZ PESQUISA FALHA DE WILLIAM WAACK

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Por Cesar Campiani Maximiano *

“Um operoso grupo de oficiais americanos” a quem a Força Expedicionária Brasileira deveu sua adaptação à guerra moderna. Foi como o General Mascarenhas de Moraes se referiu em seu livro de 1947 ao destacamento cujos relatórios compõem grande parte de As Duas Faces da Glória.

Mascarenhas sempre admitiu o mau treinamento e os problemas organizacionais da expedição, lembrados no igualmente honestíssimo Depoimento dos Oficiais da Reserva sobre a FEB, lançado em 1949. O general ainda sugeriu que as primeiras impressões americanas sobre a FEB foram pouco lisonjeiras. Apesar disso, William Waack rotulou de “ufanistas” as narrativas brasileiras.

Waack propôs desmentir essas narrativas, mas, desde o início, nada havia para ser corrigido: os ex-combatentes da FEB tinham plena noção do abismo que os separava do Exército Americano. Ignorando a literatura da FEB, Waack presumiu que havia esqueletos no armário da história da campanha, com a premissa anacrônica de revelar ao público aquilo que os próprios veteranos já admitiam desde que voltaram da guerra. As Duas Faces da Glória é o filho de uma falsa polêmica e seria injusto afirmar que o livro foi superado pelas pesquisas mais recentes, pois já era inconsistente nos anos oitenta.

A documentação do destacamento americano é utilizada precariamente: sua função não era outra senão a de identificar falhas e preparar a FEB para a ação. A comparação com outros processos de integração de tropa estrangeira a exércitos maiores revelaria os mesmos dilemas. Waack desconsiderou as dificuldades inerentes às operações multinacionais, e, se tivesse estudado a cooperação entre os neófitos americanos e os britânicos no Norte da África, encontraria idêntico teor nos relatórios. Combatentes experimentados não demonstram boa vontade com aqueles que acabam de chegar ao campo de batalha. Os problemas mais sérios do livro começam no trato das fontes alemãs.

Waack desconhece questões elementares envolvendo a história da Wehrmacht. No pós-guerra, os alemães minimizaram sua incompetência estratégica, jamais compensada pelas inovações táticas. O autor acusa historiadores de não se interessarem pela principal grande unidade que enfrentou os brasileiros, mas não aprecia que tal divisão era parte de uma força armada e o produto dela: a tropa que fazia frente à FEB era típica do Exército Alemão composto por uma minoria de elementos modernos e uma maioria com logística tracionada por cavalos nada devendo ao tempo de Napoleão. Supostamente “idosos” na versão de Waack, os defensores de Monte Castello eram a regra na Wehrmacht: reservistas bem treinados capazes de alta letalidade. Outra falha de Waack: ele acatou os depoimentos de veteranos alemães, comprovadamente eivados por eufemismos sobre seu compromisso com o nazismo, o que foi averiguado por historiadores das Forças Armadas do Terceiro Reich como Wolfram Wette e Gerhard Schreiber. A falta de familiaridade com a historiografia, a deficiência analítica no trato com a documentação e com as doutrinas de combate que balizam As Duas Faces da Glória ressaltam uma condição da história militar: o campo continua reservado aos especialistas.


Fonte: Folha de São Paulo

 * César Campiani Maximiano é Doutor em História pela USP, 
autor dos livros Barbudos, sujos e fatigados e 
Brazilian Expeditionary Force in World War II



 

sábado, 25 de abril de 2015

PALESTRA NO IGHMB - CÉSAR, VITRÚVIO E A ENGENHARIA MILITAR NA ROMA ANTIGA

P.  

Para quem gosta de estudar a História Militar:




Não é necessário realizar inscrição prévia.  Entrada franca.





segunda-feira, 20 de abril de 2015

PORTA-AVIÕES USS INDEPENDENCE É LOCALIZADO NO FUNDO DO MAR DA CALIFÓRNIA

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O USS Independence atracado durante a 2ª Guerra Mundial

Uma agência oceânica dos Estados Unidos descobriu os destroços afundados de um porta-aviões da Segunda Guerra Mundial, o USS Independence, perto do litoral norte da Califórnia, e disse que a embarcação está supreendentemente bem preservada, provavelmente com um avião ainda em seus hangares.

O Independence, que operou nas regiões central e oeste do oceano Pacífico entre novembro de 1943 e agosto de 1945, chegou a sobreviver aos testes atômicos do atol de Bikini, antes de ser afundado em janeiro de 1951.

A Administração Oceânica e Atmosférica Nacional dos EUA (NOAA, na sigla em inglês) encontrou o casco intacto do porta-aviões em meio a uma missão de dois anos para mapear cerca de 300 naufrágios nas águas próximas à cidade de San Francisco.

"Após 64 anos no leito marinho, o Independence descansa no fundo como se estivesse prestes a lançar seus aviões", disse o cientista-chefe da missão da NOAA que encontrou o Independence e diretor do Gabinete Nacional de Santuários Marinhos, James Delgado, em comunicado publicado no site da instituição.

"O navio lutou uma longa e dura guerra no Pacífico, e depois da guerra foi submetido a duas explosões atômicas que atravessaram o navio", disse Delgado. "O porta-aviões é uma lembrança da potência industrial e habilidade da 'grande geração', que enviou não somente esse navio, mas muitos de seus entes queridos para a guerra."

 O USS Independence bastante avariado após os testes nucleares realizados no Atol de Bikini

O porta-aviões foi encontrado a 790 metros de profundidade por um robô submarino chamado Echo Ranger, fornecido à NOAA pela Boeing.

De acordo com a NOAA, as imagens feitas pelo Echo Ranger mostram que o Independence está praticamente intacto, repousando de pé e tombando ligeiramente para estibordo, com buracos abertos em seu convés de voo. A agência disse que as fotos também revelam o que parecia ser um avião no hangar da embarcação.

Após prestar seus serviços na guerra, o Independence foi uma das 90 embarcações usadas como uma espécie de frota alvo nos testes com bombas atômicas realizados no atol de Bikini, nas Ilhas Marshall.

O porta-aviões retornou aos EUA danificado pelos impactos, o calor e a radiação das explosões e foi usado para estudos de descontaminação feitos pela Marinha, antes de ser afundado em 1951.  Delgado disse não haver planos para se entrar no navio naufragado.

Imagem de sonar fornecida pela NOAA mostrando o Independence no fundo do mar.  Podem ser vistos aviões no elevador e no hangar abaixo do convôo 



Fonte: Reuters

 
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quinta-feira, 16 de abril de 2015

SEMINÁRIO 70 ANOS DA FEB NO CPOR DO RECIFE

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O Centro de Preparação de Oficiais da Reserva do Recife (CPOR/R) dará inicio no dia 28 de abril 2015, o ciclo de palestras sobre a Participação da Força Expedicionária Brasileira na II Guerra Mundial com o seguinte tema "FEB 70 ANOS - EM DEFESA DOS IDEAIS DE LIBERDADE E DEMOCRACIA."

No seminário o editor do Blog História Militar ministrará a palestra A FEB nos campos de batalha da Itália, com início previsto para as 14:30h.

Confira a programação completa.

HORÁRIO
ATIVIDADE
07:30 - 08:00
Credenciamento
08:00 - 08:20
Abertura
08:20 - 08:50
Exibição de filme sobre a participação da FEB na 2a Guerra Mundial
08:50 - 09:40
1ª Palestra: O Brasil na 2a GM. Uma exposição não ideológica (Palestrante: Francisco Miranda)
09:40 - 10:00
Intervalo - Coffe Break e exibição de filmete
10:00 - 10:50
2ª Palestra: Aspectos do cotidiano do Recife durante a 2a GM (Palestrante Manoel Felipe Batista da Fonseca)
10:50 - 11:00
Intervalo - Coffe Break e exibição de filmete
11:00 - 11:40
Debates
11:40 - 12:00
Entrega de certificados aos palestrantes e encerramento
12:00 - 13:30
Almoço
13:30 - 14:20
3ª Palestra: A questão alemã em Pernambuco durante o Estado Novo (Palestrante: Susan Lewis)
14:20 - 14:30
Intervalo - Coffe Break e exibição de filmete
14:30 - 15:20
4ª Palestra: A FEB nos campos de batalha da Itália (Palestrante: TC Dároz)
15:20 - 15:40
Intervalo - Coffe Break e exibição de filmete
15:40 - 16:20
Debates
16:20 - 16:50
Depoimento dos pracinhas da FEB
16:50 - 17:10
Entrega de certificados aos palestrantes e encerramento
17:10 - 17:30
Entrega de certificados de participação à assistência

Maiores informações:
http://www.cporr.ensino.eb.br/index.php/atividades/259-70-anos-da-feb


Participe e conheça mais sobre a participação do Brasil na 2ª Guerra Mundial.

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PENSAMENTO MILITAR

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"Você quer viver para sempre?"

Frederico, o Grande, rei da Prússia, durante a Guerra dos Sete Anos, dirigindo-se às suas tropas que hesitavam em entrar em combate.

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quinta-feira, 9 de abril de 2015

terça-feira, 31 de março de 2015

EM MENOS DE 24 HORAS POLÍCIA IDENTIFICA RESPONSÁVEIS POR ATAQUE AO MUSEU DA FEB




Seis pessoas foram apontadas pela Polícia Civil de São Gabriel como envolvidas no furto de duas metralhadoras, uma carabina 7mm e uma pistola C96 Cal 7,63mm ocorrido na madrugada de sábado (28/03) do prédio do Museu Gaúcho da Força Expedicionária Brasileira (FEB). Dois homens são acusados do furto e os demais por receptação e por participarem no esquema de venda.

De acordo com a Polícia Civil, os ladrões entraram por uma janela e teriam levado as armas que estavam desmontadas, em exposição e já fora uso.  O museu, que conta a história dos militares brasileiros que lutaram na Segunda Guerra Mundial, fica na antiga estação férrea do município.

As imagens das câmeras de segurança mostraram que dois homens invadiram o local por volta das 5h30. Durante a tarde de sábado, policiais foram ao prédio e analisaram as imagens para tentar identificar os assaltantes.

Em nota, o Comandante do 6º Batalhão de Engenharia de Combate e Guarnição Militar Federal de São Gabriel, tenente-coronel Mauri Marcelo Felix Freitas, informou que todas as armas furtadas estavam sem seus mecanismos de disparo (molas, percursores e extratores), sem os sistemas de segurança e com os canos sem condições de realizar tiros (com obstruções e ovalados).

O material só foi recuperado no começo da tarde de domingo (29/03) depois de um telefonema anônimo para a Delegacia de Polícia.  Uma carabina foi localizada abandonada próximo a ponte do Rio Vacacaí, no Bairro Mato Grosso, e através dela os policiais conseguiram “desenrendar” todo o esquema. “Descobrimos que a arma teria sido jogada no local por um elemento. Fomos até a casa dele e ele informou como teria conseguido a arma”, explicou o policial.

Mas dois jovens e um segundo receptador foram identificados. O restando do material furtado também foi encontrado escondido na margem oeste do Rio Vacacaí.

Fonte: Portal N1

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sábado, 7 de março de 2015

PENSAMENTO MILITAR - HERÁCLITO DE ÉFESO

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"É preciso saber que em tudo existe guerra, que conflito é justiça e que é pelo conflito que todos os seres entram em existência e desaparecem"

Heráclito de Éfeso

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sábado, 28 de fevereiro de 2015

INVASÕES BRITÂNICAS NO RIO DA PRATA

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Causou enorme espanto e sentimento de impotência entre os sul-americanos o deslocamento da Royal Navy, a Marinha Real Britânica, em direção às frias águas do Atlântico Sul durante a Guerra das Malvinas, no ano de 1982. Reproduziu-se, naquela ocasião, o que fora um grande tormento um século e meio antes para as então jovens nações sul-americanas logo depois do Movimento da Independência - a "diplomacia das canhoneiras". A todos veio à memória que aquele tipo de operação punitiva permeou por várias vezes as relações das potências europeias com os povos sul-americanos durante o século XIX.




Ingleses no Rio da Prata


Para os argentinos, a ameaça de uma intervenção naval britânica não trazia nada de inusitado. Na verdade, a Guerra das Malvinas, ocorrida em 1982, foi o quarto enfrentamento entre os súditos de Sua Majestade e os habitantes do Prata desde os tempos colônias. Nesta rememoração, selecionamos dois desses confrontos: o primeiro deles ocorrido entre 1806 e 1807, conhecido como as Invasões Inglesas, e o segundo, aquele que se deu com a ocupação das ilhas Malvinas, em 1833.


Descontando-se as constantes ações de corsários ingleses na bacia do Prata, a primeira e mais séria demonstração de interesse britânico em se apossar de Buenos Aires ocorreu quando Sir Home Popham, atrás de "lucro e glória", como ele mesmo escreveu, organizou em 1806 uma expedição naval com fins da sua conquista, sem que para tanto tivesse recebido qualquer autorização oficial para isso.


Ele fora informado por um negociante norte-americano que a cidade de Buenos Aires, muito mal defendida, possuía uma considerável reserva em dinheiro avaliada em US$ 27 milhões, o que imediatamente fez crescer-lhe a cobiça.

Sir Home Popham, o invasor de Buenos Aires



Visualizou, por igual, a possibilidade de furar o protecionismo mercantil do decadente império espanhol, esperando fazer com que as mercadorias vindas de Londres penetrassem em definitivo no interior do continente Sul-Americano. Quem ocupasse a embocadura do Rio da Prata faria cair todo o cone sul em suas mãos.




Sir Home Popham, primeiro invasor de Buenos Aires



Tomando Buenos Aires, Popham desejava ter acesso direto a um desconhecido e exótico mercado. Contudo, os mercadores ingleses se frustraram mais tarde com o fato de que o hinterland do Cone Sul, formado pelas províncias de Entre-Rios, Corrientes e do Paraguai, era praticamente despovoado, estando longe das expectativas de formar um público consumidor relevante. Mas isso foi mais tarde.


O almirante inglês organizou então um comboio naval que transportaria 1,6 mil soldados e que teria como ponto de partida a recém-conquistada Cidade do Cabo, na África Austral, ocupada pelos britânicos em 25 de julho de 1805, e também a Ilha de Santa Helena, no Atlântico.


Num primeiro momento, a força expedicionária inglesa não teve dificuldades em tomar a capital do então Vice-Reino do Prata em 25 de junho de 1806, tendo em vista que a principal autoridade espanhola, o vice-rei Sobremonte, retirou-se para Córdoba sem resistir, levando consigo 9 mil onças de ouro do seu patrimônio.


Para surpresa dos britânicos, os portenhos não demoraram em reagir. Uma aliança entre comerciantes espanhóis, burocracia estatal-militar e estancieiros crioulos, representados, respectivamente, por Alzaga, Liniers e Pueyrredón, retomaram a cidade com certa facilidade.



Fonte: Terra

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domingo, 22 de fevereiro de 2015

EUROPA CRIA ACERVO PARA LEMBRAR 1ª GUERRA

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  No centenário do conflito, instituição ligada à UE roda o continente em busca de objetos de quem fez parte da história.  Coleção inclui carta do então combatente Hitler a colega de trincheira.



Por Rodrigo Vizeu
Quando era pequeno, o alemão Markus Geiler, 46, sempre ouvia que só existia graças à Bíblia. No caso, um exemplar específico, atravessado por um estilhaço de obus e que salvou seu avô na Primeira Guerra Mundial.  A guerra eclodiu há cem anos, quando o herdeiro do trono austro-húngaro, Francisco Ferdinando, foi morto por um nacionalista sérvio, levando à escalada que envolveu a Europa e o mundo.

Aos 23 anos, o avô de Markus, o soldado alemão Kurt Geiler, lutava em Verdun (França), uma das batalhas mais mortíferas do conflito. Dormia, usando a Bíblia como travesseiro, quando os franceses jogaram o explosivo dentro do abrigo alemão. Todos morreram, exceto Geiler.  "Essa Bíblia é um memorial antiguerra, mostra como ela é cruel e sem sentido", conta o neto do soldado. 

Markus tornou a história conhecida por meio de um projeto da fundação holandesa Europeana, ligada à União Europeia, que roda o continente para catalogar e fotografar objetos e documentos da época da guerra. A ideia é tornar público e de fácil acesso um material que se manteve restrito às famílias por cem anos. A entidade já digitalizou mais de 125 mil itens privados, além de reunir outros 400 mil antes espalhados em bibliotecas, centros culturais e arquivos audiovisuais.

Em outubro, o site com todos esses documentos (http://europeana1914-1918.eu), hoje em inglês e outras dez línguas, estará em português, marcando a campanha de coleta em Portugal. Uma coleta no Rio de Janeiro está planejada para março de 2015, em parceria com o arquivo da cidade.

Uma descoberta de grande repercussão, via doação anônima, foi um cartão postal enviado em 1916 pelo então cabo do Exército alemão e futuro ditador Adolf Hitler. Após ter sido ferido em combate na França, Hitler foi para Munique, na Alemanha, e de lá enviou o postal a um amigo de trincheiras, Karl Lanzhammer. Aquele que seria o pivô da Segunda Guerra Mundial diz estar sob tratamento dentário e demonstra ansiedade para voltar a combater na Primeira: "Vou me apresentar como voluntário para o front imediatamente".

 
Brasil

Apesar da participação marginal do Brasil na Grande Guerra, duas histórias trágicas recolhidas pela Europeana têm ligação com o país.  

O jovem italiano Ernesto Pascotto emigrara com a família para o Brasil e decidiu visitar a terra natal em 1915.  Ao chegar lá, a Itália entrou na guerra ao lado da França e do Reino Unido. Pascotto acabou obrigado a se alistar e enviado para um campo de treinamento.  Nas cartas divulgadas por um parente, o soldado reclama de ser obrigado a lutar e diz esperar que a guerra acabe antes que ele esteja pronto para o combate.  No entanto, o desejo não se cumpriu. Pascotto acabou morto em combate em dezembro do mesmo ano em que foi alistado.  

Cartão postal enviado por Adolf Hitler em 1916


Outra história com final triste é a dos Davroux, uma família francesa que vivia em São Paulo e decidiu voltar quando a guerra eclodiu porque o pai, Jacques, se achava no dever de defender a pátria, contra os conselhos dos parentes que haviam permanecido na França.  Ele embarcou num navio com a mulher, Marthe, e os dois filhos. A bordo, conviveram civilizadamente com alemães que viajavam com o mesmo propósito.  Já no front, em março de 1915, Davroux relata a falta de avanços militares, típica da guerra de trincheiras, e reclama da proibição de ir ao funeral da mãe e do desinteresse de seus superiores em fornecer roupas e equipamentos para as tropas, o que o obrigava a usar um uniforme de bombeiro parisiense.  Quatro meses depois, ao atacar com seu pelotão uma bem armada trincheira alemã, Davroux, que chegara a oficial, foi baleado na barriga, morrendo na hora.

Em uma carta de caligrafia torta e tremida, diferente de suas demais, a recém-viúva Marthe relata a morte.  "Não posso imaginar infelicidade igual. Parece que ele ainda está ao meu lado, meu desafortunado Jacques! Nunca me recuperarei de tamanha dor."

A última carta digitalizada é de 1921. Seis anos após a morte, o corpo do militar, enfim, foi transferido do cemitério do front para Paris.  Marthe, que nunca se casaria novamente, afirma: "Eu esperava incessantemente o corpo de meu pobre Jacques".

Fonte: Folha de São Paulo

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terça-feira, 10 de fevereiro de 2015

"HERÓI OCULTO" É CONDECORADO AOS 105 ANOS POR TER SALVO MAIS DE 600 CRIANÇAS DO NAZISMO

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Um inglês que salvou mais de 600 crianças dos nazistas no início da Segunda Guerra Mundial foi condecorado na República Tcheca com a mais alta honraria do país – a Ordem do Leão Branco.


Nicholas Winton, de 105 anos, tinha apenas 29 anos em 1939 quando conseguiu oito trens para levar 669 crianças – a maioria delas judias – da Tchecoslováquia quando eclodiu a Guerra. Elas foram conduzidas para a Inglaterra e para a Suécia, onde ficaram livres das ações dos nazistas.

Setenta e seis anos depois, o britânico participou de uma cerimônia no Castelo de Praga, onde recebeu o prêmio.  Em seu discurso, ele agradeceu aos britânicos que aceitaram receber as crianças em suas casas.

"Quero agradecer a todos vocês por essa tremenda expressão de agradecimento por algo que aconteceu comigo há quase 100 anos", disse Winton. "Fico muito contente que algumas das crianças ainda estejam aqui para me agradecer."

"Eu agradeço aos britânicos por dar uma casa para eles, por aceitá-los e, claro, a enorme ajuda dada por muitos tchecos que fizerem o que puderam para lutar contra os alemães e tentar tirar as crianças do país", finalizou.

'Sem medo'

A missão notável do homem apelidado de "Schindler britânico" veio à tona somente no final de 1980. Mas tudo começou em 1938, após a ocupação nazista da região dos Sudetos - nome usado para as áreas de pré-guerra na Tchecoslováquia.  Winton visitou campos de refugiados fora de Praga e decidiu ajudar as crianças a conseguirem licenças britânicas, da mesma forma como as crianças de outros países foram resgatadas no "kindertransport".

Na época, ele era um corretor de ações em Londres, e vinha de uma família judia alemã, então estava bem consciente da urgência da situação.

"Eu sabia do que estava acontecendo na Alemanha mais do que muita gente e, com certeza, mais do que os políticos", disse à BBC. "Nós tínhamos pessoas ficando conosco que eram refugiados da Alemanha naquela época. Alguns que sabiam que suas vidas estavam em perigo."

Mas ele ressaltou que não teve medo de ajudar. "Não houve nenhum medo pessoal envolvido."  Winton conseguiu lotar oito trens com crianças que saíram da Tchecoslováquia, antes da eclosão da Guerra. Mas um nono trem, o que estava ainda mais cheio – com 250 crianças – não conseguiu cruzar a fronteira antes do conflito tomar conta do país.

A atitude de Winton ficou 'oculta' por 50 anos – ele não contou a ninguém o que fez – até que sua mulher encontrou um livro de recordações e descobriu.  Quando questionado pela BBC sobre o que achava que tinha mudado daquela realidade de 70 anos atrás para a que vive hoje, o homem de 105 anos não foi muito otimista. "Acho que não aprendemos com os erros do passado", disse.  "O mundo hoje está em uma situação mais perigosa do que jamais esteve e considerando que agora temos armas de destruição em massa que podem acabar com qualquer conflito, nada está seguro mais."

Fonte: BBC Brasil

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