"No próprio dia da batalha, as verdades podem ser pinçadas em toda a sua nudez, perguntando apenas;
porém, na manhã seguinte, elas já terão começado a trajar seus uniformes."

(Sir Ian Hamilton)



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quinta-feira, 14 de outubro de 2021

GUARDA VARANGIANA: OS VIKINGS EM CONSTANTINOPLA

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Do século X até o século XIV, mercenários escandinavos se tornaram parte central na defesa do Império Romano do Oriente


Por Letícia Yazbek e Thiago Lincolins

Durante o verão de 987, os homens do general bizantino Bardas Focas se preparavam para invadir Constantinopla. Antes aliado do imperador Basílio II, Focas havia se rebelado para lhe tomar o poder e controlar o Império. Mas o imperador, que já esperava o ataque inimigo, contava com uma arma secreta. Em um acordo com o príncipe Vladimir I, dos Rus de Kiev, 6 mil guerreiros foram enviados para lutar pelo exército bizantino — em troca, Vladimir se casou com Ana, irmã do imperador.

Antes que Focas pudesse atacar, um grupo atravessou o Estreito de Bósforo em direção a Crisópolis, atual Üsküdar, onde os rebeldes festejavam. Armados com machados e espadas, os nórdicos trucidaram grande parte dos inimigos e colocaram em fuga os poucos que restaram.

No ano seguinte, os guerreiros enfrentaram Bardas Focas e seus homens na sangrenta Batalha de Abido, que terminou com a morte do general e na consolidação do poder de Basílio II — e de seu exército estrangeiro.

Era a instituição permanente da guarda varangiana, unidade de elite do exército bizantino que atuou como tropa de choque e defesa pessoal dos imperadores até o século 14. Conhecida pela fidelidade e violência extremas, seria a tropa mercenária mais famosa da História.


Vikings russos

O que vikings faziam na Ucrânia? No século IX, parte dos nórdicos que viviam na região de Uppland, hoje pertencente à Suécia, iniciou um movimento de migração em direção ao leste, em busca de prata e produtos como peles e âmbar. Liderados pelo rei Rurik, tomaram a cidade eslava de Novgorod.

Esses invasores eram chamados de rus. Segundo os pesquisadores Hunt Janin e Ursula Carl, autores de Mercenaries in Medieval and Renaissance Europe (Mercenários na Europa Medieval e Renascentista), “a palavra rus provavelmente tem origem no idioma nórdico antigo, e significa os homens que remam”, referência à forma como os vikings chegavam, de barco.

Navio Viking: "homens que remam".
 
Excelentes navegadores, os rus passaram a comercializar com os árabes e os gregos, controlando importantes rotas comerciais, como a do Rio Volga, que ligava o Mar Báltico ao Mar Cáspio, e a do Rio Dniepre, que os levava ao Mar Negro e a Constantinopla — o mais poderoso e organizado Estado da Europa, que seria alvo de ataques rus.

“Em 860, os varangianos [nome pelo qual os bizantinos os chamavam] atacaram e pilharam os arredores da capital imperial e, mesmo sem conseguir atacar Constantinopla devido à sua fortificação, eles se mostraram, conforme fontes bizantinas, como forças devastadoras”, afirma o historiador Johnni Langer, da Universidade Federal da Paraíba.

Escudo e armas Vikings
 
Em 882, sob o comando de Oleg, sucessor do rei Rurik, os rus migraram para o sul, em direção ao Rio Dniepre e à cidade de Kiev, expandindo seu território e influência na região. A partir de então, até por volta de 970, realizaram mais uma série de ataques ao Império Romano do Oriente (eles nunca se chamaram de bizantinos), que, diante do poder ofensivo inimigo, acabaram cedendo vantagens comerciais e oferecendo acordos de paz.


A serviço do imperador

No fim do século 10, enquanto muitos rus se aventuravam pelas rotas comerciais, outros optaram por atuar como uma guarda mercenária. Segundo Langer, há evidências de que a presença de vikings em uma elite militar bizantina teve início ainda no século 9, durante o governo do imperador Teófilo (829-842), quando estrangeiros eram contratados para lutar em batalhas específicas.

Autor de The Varangian Guard — 988-1453 (A Guarda Varangiana — 988-1453), o historiador Raffaele D’Amato cita uma operação realizada contra os muçulmanos de Creta, em 902, quando cerca de 700 varangianos estavam a serviço dos bizantinos.

O termo varangiano surgiu no século IX, quando os primeiros rus começaram a servir o Império Bizantino. Foi usado inicialmente pelos bizantinos e depois apropriado pelos rus. Segundo Janin e Carl, a palavra tem origem no termo nórdico antigo vaering, que significa algo como aliado, confiança ou voto de fidelidade.

Mercenários da Guarda Varangiana a serviço do Imperador bizantino
 
Ela se refere a um grupo de guerreiros ou comerciantes que jurou lealdade ao seu líder e fraternidade entre si.” Foi só em 988, após o acordo entre Basílio II e Vladimir I de Kiev, quando a tropa de 6 mil homens foi enviada em auxílio ao imperador, que a aliança política entre norte e sul foi consolidada.

Impressionado com a rapidez, a ferocidade, o empenho e as técnicas de ataque com que ao varangianos derrotaram os homens de Bardas Focas, Basílio II decidiu contratá-los como sua guarda pessoal. A vantagem, para ele, era enorme: além da fama de brutalidade, que fazia com que fossem respeitados por onde passassem, o povo era conhecido por sua lealdade comprovada.

Os estrangeiros logo se mostraram muito mais habilidosos e confiáveis do que os próprios guardas bizantinos. “Sendo mercenários, podiam ser controlados com dinheiro, sempre uma vantagem em vez de recrutar bizantinos — que poderiam se rebelar por questões políticas ou sociais”, conta Langer.

Utilizada principalmente como defesa do palácio e do imperador, a guarda varangiana era a unidade mais bem paga de todas as tropas do Império. Focados no objetivo de enriquecer, os soldados nórdicos se entregavam à tarefa em troca de dinheiro, terras e cidadania.

Diante da lealdade e do terror provocado pelos varangianos, os sucessores de Basílio II continuaram a utilizá-los como guardas pessoais e tropa especial. Ao longo dos séculos que se seguiram, a guarda ganhou importância e se tornou uma das forças mais respeitadas do Império.


Ajuda decisiva 

Inicialmente, a guarda era composta de descendentes de escandinavos. À medida que crescia, passou a incluir diferentes homens, entre eles: anglo-saxões, irlandeses e escoceses. Na época, era uma honra servir aos imperadores bizantinos.

Assim, uma taxa de 7 a 16 libras (328 g, na libra romana) de ouro passou a ser cobrada para que os homens pudessem entrar na guarda. Muitas vezes o próprio imperador emprestava a quantia. Em troca, os soldados pagariam a dívida com o salário que recebiam por suas atuações. A confiança que os imperadores investiram nos guerreiros só foi possível devido aos esforços nos campos de batalha.

Guardas Varangianos escoltando o corpo do Imperador leão V, em 820, em uma iluminura bizantina

Durante a Batalha de Beroia, em 1122, no local que é hoje a Bulgária, a guarda varangiana demonstrou todo o seu poder. Inicialmente, o conflito foi travado entre o exército regular com pechenegues, um povo seminômade da Ásia Central que havia invadido o Império. Essas tropas bizantinas não foram capazes de conter a invasão.

A luz no fim do túnel veio com os varangianos. Com machados dinamarqueses que mediam em torno de 1 metro, e com uma enorme fúria, os vikings fizeram com que os pechenegues fugissem. Os que sobreviveram foram aprisionados e se juntaram às fileiras da guarda varangiana.


Soldado-celebridade

Um nome notório que atuou na guarda foi Harald Hadrada. O futuro rei da Noruega chegou a Constantinopla em 1034. Como membro da guarda, se diferiu dos vikings que protegiam os imperadores. Hadrada e os seus 500 homens participaram de batalhas nas fronteiras do Império.

Inicialmente, ele e os seus homens participaram de campanhas contra piratas árabes no Mediterrâneo. Depois foram para as cidades do interior da Ásia Menor. Por volta de 1035, Harald também prestou serviços no leste do Eufrates.

Harald Hadrada, rei da Noruega, atuou como membro da Guarda Varangiana.

De acordo com os relatos de Thiodholf Arnorsson, poeta da corte dos reis, ele participou da captura de 80 fortalezas árabes. O prestígio veio quando Harald, e os outros guerreiros varangianos, foram enviados para lutar na Bulgária, em 1041, ao lado do exército liderado por Miguel IV, contra a revolta búlgara.

Após o conflito, Harald recebeu o título de honra bizantino Spatharokandidatos (Espatarocandidato) e o apelido Bolgara brennir (Búlgaro incendiário), devido à sua participação intimidadora.

“No serviço da Guarda, Hardrada viu ação extensiva, tendo participado de campanhas na Itália, Sicília, Bulgária e no Oriente, tendo ainda viajado até Jerusalém, possivelmente em escolta de peregrinos de alta importância no Império Bizantino. Sua vida no leste lhe garantiu fama, reputação e uma boa fortuna, que usou para financiar sua reivindicação ao trono da Noruega”, diz Langer.

Harald teria sido preso após a realização de um saque indevido da fortuna do imperador Miguel V. Ele foi libertado quando o imperador perdeu o trono após um reinado curto de quatro meses. Só deixaria a guarda de fato em 1043, quando voltou para a sua terra e iniciou o processo para assumir o trono da Noruega.


Desastre 

O declínio dos vikings bizantinos se relaciona, em grande parte, à queda de Constantinopla, devido às consequências da Quarta Cruzada, de 1204. Foi feito um acordo com a República de Veneza para prover o transporte deles até o Egito, no caminho para a reconquista de Jerusalém. Mas, antes mesmo de saírem, receberam uma proposta do príncipe Alexios Angelos para realizarem um desvio para Constantinopla.

Angelos queria que eles o ajudassem a se instalar no trono de seu pai, Alexios III, deposto por uma revolta. Em troca, receberiam suprimentos e financiamento para o resto da missão. Com a ajuda dos cruzados e seus aliados venezianos, Alexios, o filho, seria feito imperador em 1203.

No ano seguinte, outra revolta o levou do trono para o precipício. Quando os cruzados souberam que Alexios havia sido executado, decidiram tomar Constantinopla — o notório saque seria a forma de receberem o pagamento prometido pelo imperador.

O cerco começou em 8 de abril de 1204, e no dia 12 os cruzados conseguiram atravessar os muros, iniciando um saque que iria até o dia seguinte. E foi nesse momento que os vikings bizantinos entraram em ação. A guarda travou uma sangrenta luta com os venezianos que escalaram as muralhas pelo mar. Mas foi em vão, diante dos números dos cruzados.

O cerco de Constantinopla em 1204
 
Com a capital do Império queimada, saqueada e vandalizada, a guarda varangiana perdera o seu impacto. Passou a desempenhar funções secundárias ou cerimoniais. Alguns dos guerreiros ainda serviram ao Império de Niceia ou ao Principado do Epiro, fragmentos do Império Romano do Oriente.

Outros varangianos lutaram contra os búlgaros em 1265. Em 1351, foram mencionados como guardas do imperador João V. “Diversos elementos da identidade dos vikings bizantinos eram providos pela cultura e religião nórdica pagã, que desapareceram aos poucos com a cristianização dos guerreiros”, afirma Langer.

Constantinopla voltaria às mãos dos bizantinos, pela Dinastia Paleóloga, em 1261 . A essa altura, os nórdicos já estavam totalmente integrados na vida cristã europeia. Não havia mais vikings. A guarda não foi reconstruída.

O novo Império Romano — eles continuaram a se chamar assim, nunca bizantinos ou gregos — não duraria dois séculos, caindo diante dos canhões de 5 metros do Império Otomano em 1453. Provavelmente, a essa altura, uma força viking não teria muito a fazer. Mas nunca vamos saber.

Fonte: Aventuras na História

sexta-feira, 15 de setembro de 2017

ESPADA VIKING DE 1.100 ANOS É ENCONTRADA POR CAÇADOR NA NORUEGA

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Descoberta foi considerada como isolada por arqueólogos que fizeram buscas no local

LILLEHAMMER, Noruega — Uma espada viking de estimados 1.100 anos, mas em ótimo estado de conservação, foi encontrada por um caçador de renas em uma montanha na Noruega, a 1.640 metros de altitude. A descoberta foi considerada algo isolado pelo Programa de Arqueologia Glacial do condado de Oppland, cujos integrantes estiverem no local para tentar encontrar outros objetos antigos.

De acordo com o arqueólogo Lars Pilø, que comentou o achado em seu blog, "Secrets of the Ice", uma equipe vasculhou a área em um perímetro de 20 metros a partir do exato local onde a espada foi encontrada. Nenhum outro objeto de valor arqueológico foi localizado.

A espada viking de 1.100 anos foi encontrada na Noruega

O especialista estima que a arma tenha sido forjada entre os anos 850 e 900 d.C.. Mas ele não tem ideia de como a relíquia surgiu naquela superfície gelada. Devido ao bom estado de conservação da espada, ele apenas acha que isso não aconteceu devido a um deslocamento de pedras no solo congelado, conhecido como permafrost, bastante comum naquela região.

"Também parece improvável que a espada estivesse simplesmente perdida ali, ou seja, esquecida por alguma razão e não recuperada posteriormente", afirmou. "É provável que a espada tenha pertencido a um viking que morreu na montanha, talvez por exposição (ao frio). No entanto, se esse for mesmo o caso, será que ele estava viajando nas altas montanhas apenas com sua espada? Isso é um mistério", completou.

O caçador Einar Åmbakk contou para a equipe de arqueólogos que a arma estava com o cabo para baixo, entre as pedras e com metade da lâmina para fora.

O caçador que encontrou a espada, Einar Åmbakk (à direita) e Geir Inge Follestad no local da descoberta

Os arqueólogos de Oppland consultaram o Museu de História Cultural e autoridades do Parque Nacional antes de visitar a localidade onde Åmbakk estava caçando com outro homem no início de setembro. Com eles, foi também um especialista levando um detector de metais.

Fonte: O Globo / Secrets of the Ice



terça-feira, 12 de setembro de 2017

GUERREIRO VIKING ICÔNICO ERA UMA MULHER, O TESTE DE DNA CONFIRMA



Um teste de DNA atesta que o corpo de um guerreiro viking, localizado no fim do século XIX, é de uma mulher.

Por Russel Young

Os restos mortais de um guerreiro Viking do século X, sepultado em Birka, Suécia, provaram ser de uma mulher, graças à evidência de DNA. A guerreira foi descoberta no final do século XIX pelo arqueólogo sueco Hjalmar Stolpe e os restos foram assumidos como sendo os de um homem, por terem sido enterrados com armas, cavalos e outras parafernálias militares.

"Na verdade, é uma mulher, em algum lugar com mais de 30 anos e bastante alta, medindo cerca de 170 centímetros", disse Charlotte Hedenstierna-Jonson, arqueóloga da Universidade de Uppsala, ao jornal The Local.

Espada viking enterrado junto com o corpo da guerreira

As descobertas foram feitas por pesquisadores da Universidade de Uppsala e da Universidade de Estocolmo e publicados no American Journal of Physical AnthropologyAlguns anos atrás, Anna Kjellström, um osteologista da Universidade de Estocolmo, estudou os restos como parte de um projeto diferente e notou que algo estava fora do previsto. Os quadris eram típicos de uma mulher e as maçãs do rosto eram mais finas do que o que se esperava de um homem. O estudo osteológico apoiou a teoria de que a guerreira era uma mulher, mas deparou-se com o ceticismo.

A análise do DNA já foi realizada, o que confirma que a guerreira era feminina. Os resultados genômicos mostraram a falta de um cromossoma Y e uma composição genética próxima à dos atuais norte-europeus, revelou o estudo.

"A identificação de uma guerreira viking feminina fornece uma visão única sobre a sociedade viking, construções sociais e exceções à norma no período Viking", disseram os autores do estudo. "Os resultados exigem cautela contra generalizações em relação às ordens sociais nas sociedades passadas".

Capacete viking (imagem ilustrativa)

"Provavelmente era bastante incomum", disse Hedenstierna-Jonson, "mas neste caso, provavelmente teve mais a ver com seu papel na sociedade e na família de onde ela era, e que traz mais importância que seu gênero".


"Esta é a primeira confirmação formal e genética de uma guerreira viking feminina", disse à Phys.org o professor Mattias Jakobsson, da Universidade de Uppsala.

Fonte: Global Look Press



quarta-feira, 17 de fevereiro de 2016

ARMAS VIKINGS





Os vikings eram um povo antigo, que teve origem na região da Escandinávia (atualmente região da Suécia, Dinamarca e Noruega). Igualmente foram conhecidos como nórdicos ou normandos, eles estabeleceram uma rica cultura que se desenvolveu graças à atividade agrícola, o artesanato e um notável comércio marítimo. A vida desse povo era voltada para os mares também estabeleceu a pirataria como outra importante atividade econômica. Em várias incursões realizadas pela Europa Continental, os vikings saquearam e conquistaram terras, principalmente na região da Bretanha, que hoje pertence ao Reino Unido. Cronologicamente, a civilização viking alcançou seu auge entre os séculos VIII e XI.

Quando pensamos nessa civilização, vem à mente um povo bem armados e protegidos com armaduras. Naquela época exista uma variedade de armas que eram utilizadas por vários povos, incluindo arcos, lanças e dardos, os vikings em especial portavam machados resistentes que podiam ser arremessados ou brandidos com força.

Armamento viking


A espada longa viking também era comum e tinha quase o comprimento do braço humano. Suas armaduras eram feitas de couro acolchoadas, às vezes protegidas por um peitoral de ferro. Os vikings mais nobres usavam cotas de malha de ferro. E para constituir uma armadura bem estruturada, os vikings usavam capacetes de ferro. Sendo alguns feitos de uma peça sólida martelada no formato de uma tigela ou cone, e outras feitas de peças separadas rebitadas a uma faixa de cabeça de ferro e nas junções ou usava-se couro para conectar as peças. Uma peça de ferro ou couro para proteção do nariz se estendia para baixo para proteger a face – em alguns casos era construída uma proteção facial mais elaborada ao redor dos olhos. Quanto aos escudos, esses eram feitos de madeira, também frequentemente fronteados com peças de ferro.

Reencenadores vikings portando escudos

Juntamente com suas armas, os barcos vikings se tornaram famosos. Seus barcos eram longos, embora não foi o único tipo de embarcação que os escandinavos construíram, eles também fizeram navios mercantes e embarcações para transportes de carga. Seus barcos tinham algumas características importantes:

- A madeira era rebitada;

- Possuía uma quilha;

- Mastro único com uma vela quadrada de lã;

- Casco de duas faces (a proa e a popa tinham o mesmo formato, assim o navio podia se mover em ambos os sentidos sem fazer a curva);

- Timão lateral;

- Casco coberto com pele animal, importante para vedação.



Em geral, um típico navio feito para realizar longas viagens tinha um  comprimento de 21 metros. Já os navios de guerra eram mais estreitos e tinham mais remos para aumentar a velocidade. A vela quadrada viking podia ter até 100 m² de lã de espessura dupla, geralmente tingida de vermelho ou com listras vermelhas para impor medo em seus inimigos.  Na cultura viking usavam-se âncoras de metal e dispositivos de navegação primitivos.

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domingo, 7 de outubro de 2012

PERSONAGENS DA HISTÓRIA MILITAR – HAROLDO II DA INGLATERRA

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* C.1022

+ 14/10/1066 – Hastings, Inglaterra



Haroldo II Godwinson, o último Rei saxão da Inglaterra, reinou de 6 de janeiro a 14 de outubro de 1066. Era filho de Godwin, Conde de Wessex, um dos homens mais poderosos da Inglaterra controlada por Eduardo, o Confessor, e irmão, entre outros, de Tostig Godwinson e Edite de Wessex.

Em 1045, Haroldo foi nomeado Conde da Ânglia Oriental e, nesta posição importante na hierarquia inglesa, apoiou os esquemas do pai contra os nobres normandos que então detinham a maior influência sobre o rei. Por volta de 1051 foram ambos exilados por cerca de um ano, mas depressa recuperaram suas terras. Em 1053, Haroldo sucede a Godwin como Conde de Wessex e torna-se a segunda figura mais importante da política inglesa.

Haroldo alcançou a fama militar ao derrotar o rei de Gwynedd Gruffydd ap Llywelyn, que saqueava o País de Gales, em 1063. Depois casou-se com a viúva de Gruffyd, Edite de Mércia, com quem teve dois filhos, apesar de já estar casado, segundo o ritual dinamarquês, com Ealdgyth.

Em 1065, Haroldo apoiou a rebelião em Nortúmbria contra o seu irmão Tostig. A atitude valeu-lhe a confiança de Eduardo, o Confessor, mas destruiu a relação com o resto da sua família. Tostig fugiu então para a Noruega, onde se jnoua ao rei Haroldo III da Noruega, numa aliança que se haveria de provar fatal para ambos.


Eduardo, o Confessor, morreu no princípio de 1066 sem nenhum descendente legítimo ou ilegítimo. Haroldo II foi eleito seu sucessor e coroado no dia seguinte, 6 de janeiro, mas esta decisão não era unanimemente apoiada. Na Normandia, o Duque Guilherme não desistiu da sua pretensão e iniciou preparativos para uma invasão. Não seria uma ideia original, visto que, na Noruega, Haroldo III e Tostig Godwinson se preparavam para fazer exatamente o mesmo.

Haroldo II tomou então a decisão de lidar com os noruegueses primeiro e dirigiu-se para o Norte. A 25 de setembro ocorreu a Batalha de Stamford Bridge, onde Haroldo derrotou o seu irmão e o rei da Noruega, que morreram durante os confrontos. Três dias depois chegaram as notícias da Invasão Normanda encabeçada por Guilherme. Com cerca de 7.000 soldados inimigos à solta no sul do país, Haroldo não perdeu tempo e ordenou o deslocamento imediato do seu exército. A marcha forçada que se seguiu foi extremamente eficiente, pois cobriu uma distância de cerca de 400 km em menos de duas semanas. Causou, no entanto, uma extrema fadiga nos homens de Haroldo, que seria importante no decurso dos acontecimentos.

Morte de Haroldo II, com uma flechada no olho, registrada na tapeçaria de Bayeux

Em 14 de outubro, Haroldo enfrentou o exército de Guilherme da Normandia na batalha de Hastings. A tapeçaria de Bayeux retrata a sua morte como resultante de uma seta cravada em um de seus olhos. O resultado foi uma vitória definitiva dos normandos e a morte de Haroldo em combate. Com a sua morte terminou a linha anglo-saxónica de Alfredo o Grande e iniciou-se a dinastia Normanda.

Depois da morte de Haroldo, a coroa de Inglaterra passou para Edgar Atheling que, no entanto, abdicou semanas depois em favor de Guilherme da Normandia
 

 
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quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

OS EXÉRCITOS VIKINGS

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Durante os séculos IX e X, a Europa foi varrida por saqueadores organizados. Na Europa central e oriental, a ameaça vinha dos magiares montados; no Mediterrâneo, dos sarracenos; e no norte europeu, dos povos nórdicos. De todos esses grupos errantes, movidos pelo desejo de pilhagem e pelo amor à violência, os corsários pagãos da Escandinávia são os mais conhecidos.

Piratas vikings, armados com lanças, espadas e achas, cruzavam os mares da Escandinávia em naus longas movidas por velas ou remos. Os da Noruega atacavam alvos, sobretudo, na Irlanda e na Escócia; os vikings dinamarqueses atacavam a Inglaterra e o noroeste da Europa; os suecos assolavam a Rússia e a Ucrânia, tendo chegado até mesmo ao Império Bizantino.



Os primeiros saqueadores viajavam e lutavam a pé assim que desembarcavam. Entretanto, depois de se haverem defrontado com cavalarias europeias, adaptaram-se rapidamente e, para preservarem o elemento surpresa, começaram a seguir a cavalo até seus alvos, embora preferissem lutar desmontados.

A dimensão dos exércitos vikings permanece controversa. Os primeiros ataques foram, provavelmente, desfechados por pequenas forças, de um ou dois navios, cada qual com sessenta homens. Com o tempo, as forças de assalto uniram-se e, na década de 850, milhares podiam tomar parte em pilhagens ao longo da costa da Europa.

Capacete viking do século X

O Grande Exército viking que assolou a Inglaterra e a Europa ocidental era uma força substancial. Ainda assim, é provável que consistisse em uns poucos milhares  de homens, embora nunca tenha chegado aos assombrosos 40 mil vikings mencionados por uma testemunha do cerco de Paris, em 885.

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