"No próprio dia da batalha, as verdades podem ser pinçadas em toda a sua nudez, perguntando apenas;
porém, na manhã seguinte, elas já terão começado a trajar seus uniformes."

(Sir Ian Hamilton)



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quarta-feira, 22 de março de 2023

A QUEDA DE CONSTANTINOPLA (1453)

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A Queda de Constantinopla ocorreu em 29 de maio de 1453, após o ataque dos turco-otomanos comandados por Mehmet II.  
O episódio marcou a transição da Idade Média para a Modernidade.


A cidade, vestígio do Império Romano do Oriente e do Império Bizantino, era a última depositária da Antiguidade Clássica. A capital do Império Bizantino já havia sido cercada duas vezes pelas frotas muçulmanas. O primeiro cerco durou cinco anos de 673 a 677; o segundo, um ano somente, em 717. Nos dois cercos, os muçulmanos foram repelidos com o uso de fogo grego. Entretanto, ao longo dos séculos, os bizantinos foram perdendo sua capacidade militar, além disso, as perdas de territórios, a expansão islâmica e as cruzadas podem ser considerados como fatores determinantes para o que ocorreria em 1453. Quando os turcos otomanos, atravessaram o Estreito do Bósforo. Tomaram a maior parte dos Bálcãs e instalaram a sua capital em Adrianópolis, cercando Constantinopla. Isolando a cidade e impedindo qualquer apoio das nações ocidentais. 

No século XIV, as vitórias dos turcos em Kosovo e Nicópolis sobre os cristãos prenunciavam a queda iminente de Constantinopla. A cidade de Constantino I, em meados do século XIV, era um pequeno Estado relacionado com os mercados do Extremo Oriente, porém em benefício dos mercadores de Veneza e Gênova. 

Em 1451, Maomé II sucede a seu pai, Murad II, à frente do Império Otomano, o novo sultão, de 19 anos, decide acabar com Constantinopla.

Tropas do sultão aproximam-se da muralha transportando um dos gigantescos canhões que seriam utilizados no sítio


Em Julho de 1452, é enviada uma declaração de guerra ao imperador bizantino. Dois meses mais tarde, são desencadeadas as hostilidades testando as muralhas da cidade com 50 mil homens. O cerco começa em abril de 1453 com 150 mil homens e uma poderosa frota. Os bizantinos só dispunham de sete mil soldados gregos e um destacamento de 700 genoveses sob o comando de Giovanni Giustiniani Longo, além de 40 navios.

O imperador Constantino XI Paleólogo envia emissários, disfarçados de turcos, que se infiltraram entre os navios e chegaram a Veneza. A Sereníssima República logo arma 10 embarcações para socorrer os seus tradicionais aliados. Porém, a ausência de vento e a pouca pressa dos venezianos não permitiram chegar a tempo para salvar Constantinopla.

Diante do tríplice anel de muralhas, Maomé II recorre a todos os seus recursos de artilharia. Durante semanas, sem trégua, arremessam projéteis com seus canhões. A frota do sultão cerca a cidade pelo Bósforo e o mar de Mármara mas não consegue entrar no canal do Corno de Ouro que fecha a cidade pelo leste.

Constantinopla sitiada

No dia 28 de Maio, os arautos do sultão anunciam a batalha decisiva. Na alvorada de 29, dezenas de milhares de soldados invadem a cidade. Diante da Igreja de Santa Sofia, o imperador Constantino XI Paleólogo, de armas na mão, morre no meio dos seus soldados. Ao meio-dia o sultão entra triunfalmente na cidade. Os combates fizeram pelo menos quatro mil mortos. Caía finalmente, depois de mais de dez séculos, a maçã de prata ou simplesmente Constantinopla, capital do Império Romano do Oriente.

O sultão Mehmet II já dentro das muralhas da cidade

A queda de Constantinopla teve grande impacto no Ocidente. Chegou-se a iniciar conversações para uma nova cruzada para liberar Constantinopla do jugo turco, mas nenhuma nação poderia ceder tropas naquele momento. Os próprios genoveses se apressaram a prestar respeitos ao sultão, e assim puderam manter seus negócios por algum tempo.

quinta-feira, 14 de outubro de 2021

GUARDA VARANGIANA: OS VIKINGS EM CONSTANTINOPLA

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Do século X até o século XIV, mercenários escandinavos se tornaram parte central na defesa do Império Romano do Oriente


Por Letícia Yazbek e Thiago Lincolins

Durante o verão de 987, os homens do general bizantino Bardas Focas se preparavam para invadir Constantinopla. Antes aliado do imperador Basílio II, Focas havia se rebelado para lhe tomar o poder e controlar o Império. Mas o imperador, que já esperava o ataque inimigo, contava com uma arma secreta. Em um acordo com o príncipe Vladimir I, dos Rus de Kiev, 6 mil guerreiros foram enviados para lutar pelo exército bizantino — em troca, Vladimir se casou com Ana, irmã do imperador.

Antes que Focas pudesse atacar, um grupo atravessou o Estreito de Bósforo em direção a Crisópolis, atual Üsküdar, onde os rebeldes festejavam. Armados com machados e espadas, os nórdicos trucidaram grande parte dos inimigos e colocaram em fuga os poucos que restaram.

No ano seguinte, os guerreiros enfrentaram Bardas Focas e seus homens na sangrenta Batalha de Abido, que terminou com a morte do general e na consolidação do poder de Basílio II — e de seu exército estrangeiro.

Era a instituição permanente da guarda varangiana, unidade de elite do exército bizantino que atuou como tropa de choque e defesa pessoal dos imperadores até o século 14. Conhecida pela fidelidade e violência extremas, seria a tropa mercenária mais famosa da História.


Vikings russos

O que vikings faziam na Ucrânia? No século IX, parte dos nórdicos que viviam na região de Uppland, hoje pertencente à Suécia, iniciou um movimento de migração em direção ao leste, em busca de prata e produtos como peles e âmbar. Liderados pelo rei Rurik, tomaram a cidade eslava de Novgorod.

Esses invasores eram chamados de rus. Segundo os pesquisadores Hunt Janin e Ursula Carl, autores de Mercenaries in Medieval and Renaissance Europe (Mercenários na Europa Medieval e Renascentista), “a palavra rus provavelmente tem origem no idioma nórdico antigo, e significa os homens que remam”, referência à forma como os vikings chegavam, de barco.

Navio Viking: "homens que remam".
 
Excelentes navegadores, os rus passaram a comercializar com os árabes e os gregos, controlando importantes rotas comerciais, como a do Rio Volga, que ligava o Mar Báltico ao Mar Cáspio, e a do Rio Dniepre, que os levava ao Mar Negro e a Constantinopla — o mais poderoso e organizado Estado da Europa, que seria alvo de ataques rus.

“Em 860, os varangianos [nome pelo qual os bizantinos os chamavam] atacaram e pilharam os arredores da capital imperial e, mesmo sem conseguir atacar Constantinopla devido à sua fortificação, eles se mostraram, conforme fontes bizantinas, como forças devastadoras”, afirma o historiador Johnni Langer, da Universidade Federal da Paraíba.

Escudo e armas Vikings
 
Em 882, sob o comando de Oleg, sucessor do rei Rurik, os rus migraram para o sul, em direção ao Rio Dniepre e à cidade de Kiev, expandindo seu território e influência na região. A partir de então, até por volta de 970, realizaram mais uma série de ataques ao Império Romano do Oriente (eles nunca se chamaram de bizantinos), que, diante do poder ofensivo inimigo, acabaram cedendo vantagens comerciais e oferecendo acordos de paz.


A serviço do imperador

No fim do século 10, enquanto muitos rus se aventuravam pelas rotas comerciais, outros optaram por atuar como uma guarda mercenária. Segundo Langer, há evidências de que a presença de vikings em uma elite militar bizantina teve início ainda no século 9, durante o governo do imperador Teófilo (829-842), quando estrangeiros eram contratados para lutar em batalhas específicas.

Autor de The Varangian Guard — 988-1453 (A Guarda Varangiana — 988-1453), o historiador Raffaele D’Amato cita uma operação realizada contra os muçulmanos de Creta, em 902, quando cerca de 700 varangianos estavam a serviço dos bizantinos.

O termo varangiano surgiu no século IX, quando os primeiros rus começaram a servir o Império Bizantino. Foi usado inicialmente pelos bizantinos e depois apropriado pelos rus. Segundo Janin e Carl, a palavra tem origem no termo nórdico antigo vaering, que significa algo como aliado, confiança ou voto de fidelidade.

Mercenários da Guarda Varangiana a serviço do Imperador bizantino
 
Ela se refere a um grupo de guerreiros ou comerciantes que jurou lealdade ao seu líder e fraternidade entre si.” Foi só em 988, após o acordo entre Basílio II e Vladimir I de Kiev, quando a tropa de 6 mil homens foi enviada em auxílio ao imperador, que a aliança política entre norte e sul foi consolidada.

Impressionado com a rapidez, a ferocidade, o empenho e as técnicas de ataque com que ao varangianos derrotaram os homens de Bardas Focas, Basílio II decidiu contratá-los como sua guarda pessoal. A vantagem, para ele, era enorme: além da fama de brutalidade, que fazia com que fossem respeitados por onde passassem, o povo era conhecido por sua lealdade comprovada.

Os estrangeiros logo se mostraram muito mais habilidosos e confiáveis do que os próprios guardas bizantinos. “Sendo mercenários, podiam ser controlados com dinheiro, sempre uma vantagem em vez de recrutar bizantinos — que poderiam se rebelar por questões políticas ou sociais”, conta Langer.

Utilizada principalmente como defesa do palácio e do imperador, a guarda varangiana era a unidade mais bem paga de todas as tropas do Império. Focados no objetivo de enriquecer, os soldados nórdicos se entregavam à tarefa em troca de dinheiro, terras e cidadania.

Diante da lealdade e do terror provocado pelos varangianos, os sucessores de Basílio II continuaram a utilizá-los como guardas pessoais e tropa especial. Ao longo dos séculos que se seguiram, a guarda ganhou importância e se tornou uma das forças mais respeitadas do Império.


Ajuda decisiva 

Inicialmente, a guarda era composta de descendentes de escandinavos. À medida que crescia, passou a incluir diferentes homens, entre eles: anglo-saxões, irlandeses e escoceses. Na época, era uma honra servir aos imperadores bizantinos.

Assim, uma taxa de 7 a 16 libras (328 g, na libra romana) de ouro passou a ser cobrada para que os homens pudessem entrar na guarda. Muitas vezes o próprio imperador emprestava a quantia. Em troca, os soldados pagariam a dívida com o salário que recebiam por suas atuações. A confiança que os imperadores investiram nos guerreiros só foi possível devido aos esforços nos campos de batalha.

Guardas Varangianos escoltando o corpo do Imperador leão V, em 820, em uma iluminura bizantina

Durante a Batalha de Beroia, em 1122, no local que é hoje a Bulgária, a guarda varangiana demonstrou todo o seu poder. Inicialmente, o conflito foi travado entre o exército regular com pechenegues, um povo seminômade da Ásia Central que havia invadido o Império. Essas tropas bizantinas não foram capazes de conter a invasão.

A luz no fim do túnel veio com os varangianos. Com machados dinamarqueses que mediam em torno de 1 metro, e com uma enorme fúria, os vikings fizeram com que os pechenegues fugissem. Os que sobreviveram foram aprisionados e se juntaram às fileiras da guarda varangiana.


Soldado-celebridade

Um nome notório que atuou na guarda foi Harald Hadrada. O futuro rei da Noruega chegou a Constantinopla em 1034. Como membro da guarda, se diferiu dos vikings que protegiam os imperadores. Hadrada e os seus 500 homens participaram de batalhas nas fronteiras do Império.

Inicialmente, ele e os seus homens participaram de campanhas contra piratas árabes no Mediterrâneo. Depois foram para as cidades do interior da Ásia Menor. Por volta de 1035, Harald também prestou serviços no leste do Eufrates.

Harald Hadrada, rei da Noruega, atuou como membro da Guarda Varangiana.

De acordo com os relatos de Thiodholf Arnorsson, poeta da corte dos reis, ele participou da captura de 80 fortalezas árabes. O prestígio veio quando Harald, e os outros guerreiros varangianos, foram enviados para lutar na Bulgária, em 1041, ao lado do exército liderado por Miguel IV, contra a revolta búlgara.

Após o conflito, Harald recebeu o título de honra bizantino Spatharokandidatos (Espatarocandidato) e o apelido Bolgara brennir (Búlgaro incendiário), devido à sua participação intimidadora.

“No serviço da Guarda, Hardrada viu ação extensiva, tendo participado de campanhas na Itália, Sicília, Bulgária e no Oriente, tendo ainda viajado até Jerusalém, possivelmente em escolta de peregrinos de alta importância no Império Bizantino. Sua vida no leste lhe garantiu fama, reputação e uma boa fortuna, que usou para financiar sua reivindicação ao trono da Noruega”, diz Langer.

Harald teria sido preso após a realização de um saque indevido da fortuna do imperador Miguel V. Ele foi libertado quando o imperador perdeu o trono após um reinado curto de quatro meses. Só deixaria a guarda de fato em 1043, quando voltou para a sua terra e iniciou o processo para assumir o trono da Noruega.


Desastre 

O declínio dos vikings bizantinos se relaciona, em grande parte, à queda de Constantinopla, devido às consequências da Quarta Cruzada, de 1204. Foi feito um acordo com a República de Veneza para prover o transporte deles até o Egito, no caminho para a reconquista de Jerusalém. Mas, antes mesmo de saírem, receberam uma proposta do príncipe Alexios Angelos para realizarem um desvio para Constantinopla.

Angelos queria que eles o ajudassem a se instalar no trono de seu pai, Alexios III, deposto por uma revolta. Em troca, receberiam suprimentos e financiamento para o resto da missão. Com a ajuda dos cruzados e seus aliados venezianos, Alexios, o filho, seria feito imperador em 1203.

No ano seguinte, outra revolta o levou do trono para o precipício. Quando os cruzados souberam que Alexios havia sido executado, decidiram tomar Constantinopla — o notório saque seria a forma de receberem o pagamento prometido pelo imperador.

O cerco começou em 8 de abril de 1204, e no dia 12 os cruzados conseguiram atravessar os muros, iniciando um saque que iria até o dia seguinte. E foi nesse momento que os vikings bizantinos entraram em ação. A guarda travou uma sangrenta luta com os venezianos que escalaram as muralhas pelo mar. Mas foi em vão, diante dos números dos cruzados.

O cerco de Constantinopla em 1204
 
Com a capital do Império queimada, saqueada e vandalizada, a guarda varangiana perdera o seu impacto. Passou a desempenhar funções secundárias ou cerimoniais. Alguns dos guerreiros ainda serviram ao Império de Niceia ou ao Principado do Epiro, fragmentos do Império Romano do Oriente.

Outros varangianos lutaram contra os búlgaros em 1265. Em 1351, foram mencionados como guardas do imperador João V. “Diversos elementos da identidade dos vikings bizantinos eram providos pela cultura e religião nórdica pagã, que desapareceram aos poucos com a cristianização dos guerreiros”, afirma Langer.

Constantinopla voltaria às mãos dos bizantinos, pela Dinastia Paleóloga, em 1261 . A essa altura, os nórdicos já estavam totalmente integrados na vida cristã europeia. Não havia mais vikings. A guarda não foi reconstruída.

O novo Império Romano — eles continuaram a se chamar assim, nunca bizantinos ou gregos — não duraria dois séculos, caindo diante dos canhões de 5 metros do Império Otomano em 1453. Provavelmente, a essa altura, uma força viking não teria muito a fazer. Mas nunca vamos saber.

Fonte: Aventuras na História

segunda-feira, 28 de setembro de 2020

BATALHA DE TAGINA (552)

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Entre junho e julho de 552, forças do Império Bizantino sob o comando de Narses venceram os ostrogodos na Itália, e abriram o caminho para a reconquista temporária bizantina na Península Itálica


Desde o ano de 549, o imperador Justiniano I planejara despachar um grande exército para a Itália, com o propósito de encerrar a prolongada guerra com os ostrogodos iniciada em 535. Durante 550-51, uma grande força expedicionária totalizando cerca de 25.000 homens foi gradualmente reunida em Salona em o Adriático, compreendendo unidades bizantinas regulares e um grande contingente de aliados estrangeiros, notadamente lombardos, herulos e búlgaros, sob o comando do camareiro imperial Narses. Na primavera seguinte, Narses liderou esse exército bizantino ao longo da costa do Adriático até Ancona, e depois voltou-se para o interior, com o objetivo de marchar pela Via Flaminia até Roma.

Em um local conhecido como Busta Gallorum, perto da vila de Taginae ou Tagina, os bizantinos encontraram o exército ostrogodo comandado pelo rei Tótila, que avançava para interceptá-los. Por estar consideravelmente em menor número, Tótila entabulou negociações ostensivamente, enquanto planejava um ataque surpresa, mas Narses não se deixou enganar por esse estratagema.

Rei ostrogodo Tótila

Embora gozasse de superioridade numérica, Narses posicionou seu exército em uma sólida posição defensiva. No centro, ele reuniu o grande corpo de mercenários germânicos desmontados em uma formação densa, e colocou as tropas bizantinas em ambos os flancos do dispositivo. Em cada ala ele colocou 4.000 arqueiros.

Tótila tentou, inicialmente, flanquear seu oponente tomando uma pequena colina à esquerda do dispositivo bizantino, que dominava a única rota para a retaguarda, mas parte da infantaria bizantina desdobrada em uma formação compacta e bem protegida conseguiu derrotar ataques sucessivos de a cavalaria ostrogoda.


Tendo falhado em desalojar Narses, e esperando 2.000 reforços de Teia, Tótila usou vários meios para atrasar a batalha, incluindo ofertas fraudulentas de negociação e duelos realizados entre as linhas de batalha. Em uma dessas ocasiões, Tótila enviou um desertor bizantino chamado Coccas para desafiar qualquer bizantino a um combate individual. Coccas era grande e imensamente forte, e tinha uma reputação entre os godos de ser um guerreiro cruel e poderoso. Um armênio chamado Anzalas, um dos guarda-costas de Narses, respondeu ao desafio. Coccas atacou-o em Anzalas, mas no último momento, Anzalas desviou o cavalo e esfaqueou o campeão godo pelo lado. Não era o presságio mais auspicioso para os ostrogodos.

Guerreiro ostrogodo

No entanto, o rei ostrogodo empreendeu mais uma tática de atraso. Ambos os exércitos observaram Tótila, vestido com uma armadura roxa e dourada brilhante, e montando um garanhão enorme, galopando em direção ao espaço entre os dois enormes exércitos. Seu cavalo deu voltas, empinou, parou e recuou, quando Tótila jogou sua lança no ar e a pegou. Por fim, ele voltou para seu próprio exército e se abrigou entre as fileiras, bem no momento em que os reforços haviam chegado sob o comando de Teia.

Com a chegada dos reforços, Tótila retirou-se para almoçar. Narses, desconfiado de um possível ardil, permitiu que suas tropas se refrescassem sem deixar suas posições. Tótila, aparentemente esperando pegar seu inimigo de surpresa, lançou um súbito ataque em larga escala contra o centro bizantino. 

Cavalarianos bizantino e ostrogodo se enfrentando em Tagina

Autores antigos e modernos o acusaram de loucura, mas Tótila provavelmente tentou se aproximar do inimigo o mais rápido possível, a fim de evitar os efeitos dos formidáveis arqueiros bizantinos. Os bizantinos, contudo, estavam preparados para esse movimento e os arqueiros se prepararam nos flancos para encurtar a frente em direção ao centro, de modo que sua linha de batalha tomou um formato de crescente. Preso no enfileiramento de flechas cruzadas de ambos os lados, a cavalaria ostrogoda sofreu elevadas baixas e seu ataque vacilou.

O curso e a duração da batalha subsequente são incertos, mas, no início da noite, Narses ordenou um avanço geral, e os ostrogodos se separaram e fugiram. Embora as contas variem, foi provavelmente durante a derrota subsequente que Tótila foi morto.

Narses, o general bizantino vitorioso em Tagina

Narses prosseguiu para Roma, que caiu após fraca resistência. Os ostrogodos se reagruparam sob o sucessor de Tótila, Teia, mas sofreram uma derrota final na Batalha dos Montes Lactarius (perto do Monte Vesúvio) e, posteriormente, provavelmente foram absorvidos pelos lombardos, outra tribo germânica que invadiu a Itália no século VI.



segunda-feira, 6 de julho de 2020

IMAGEM DO DIA - 6/7/2020

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Soldados bizantinos utilizando um trabuco durante operação de sítio, Século X



sexta-feira, 27 de dezembro de 2019

BATALHA NAVAL DE SETTEPOZZI (1263)

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Travada no Golfo de Argos entre a marinha veneziana e uma coalizão genovesa/bizantina, representou uma vitória decisiva da República de Veneza, e teve, como consequência, o fim da aliança entre Gênova e Bizâncio.


A Batalha de Settepozzi foi travada em algum momento entre maio e junho de 1263 na costa de Settepozzi, o nome italiano de Spetses, entre uma frota bizantino-genovesa e uma veneziana, menor. A vitória dos venezianos teve importantes consequências políticas, pois afastou os bizantinos dos genoveses e restaurou a relação do império com os venezianos.

No início de julho de 1261, o imperador niceno Miguel VIII Paleólogo (c.1259–1261) se aliou com os genoveses através do Tratado de Ninfeu. Esta aliança, cujos termos eram muito vantajosos para os genoveses, era fundamental para os nicenos e para seu plano de recuperar Constantinopla, a capital do moribundo Império Latino. Os imperadores latinos tinham o reforço do poderio naval veneziano, contra quem os genoveses já estavam em guerra), e, sem uma marinha própria para enfrentá-lo, Constantinopla não cairia, como já havia sido provado nos cercos anteriores de 1235 e 1260.

Localização da Ilha de Stepses, no Golfo de Argus, local da batalha

Porém, a cidade acabou sendo reconquistada por Aleixo Estrategópulo menos de quinze dias depois da assinatura do tratado sem nenhuma ajuda genovesa. Durante todo o ano seguinte, Veneza e Gênova nada fizeram. A primeira hesitava confrontar a frota genovesa enviada para o Egeu, muito maior, e esperava o desenrolar dos eventos no ocidente. A segunda enfrentava problemas internos, com a deposição do autocrático "capitão do povo" Marino Boccanegra e a ascensão da liderança nobre colegiada na cidade.

No verão de 1262, os venezianos ordenaram que uma frota de 37 galés se deslocasse para o Egeu, onde encontraram uma outra, genovesa, com 60 galés em Tessalônica, mas estes se recusaram a dar-lhes combate. Uma expedição pirata, porém, liderada pelos nobres de Negroponte, aliados de Veneza, invadiu o Mar de Mármara, onde foi confrontada e derrotada por um esquadrão bizantino-genovês.

Galé genovesa do século XIII



O combate naval

Enquanto isso, uma guerra irrompeu na Moreia, para onde Miguel VIII enviou uma força expedicionária (final de 1262 ou início de 1263) contra o Principado da Acaia. Apesar dos sucessos iniciais, as tentativas bizantinas de conquistar todos os domínios do Principado fracassaram depois das batalhas de Batalha de Prinitza e Macriplagi.

Imperador niceno Miguel VIII Paleólogo


Entre maio e junho de 1263, uma frota bizantino-genovesa de 38 ou 39 galés e 10 saettie leves (veleiros de um só mastro) seguindo para a fortaleza e base naval bizantina de Monenvásia, no sudoeste da Moreia, encontrou uma frota bizantina de 32 galés seguindo para o norte em direção a Negroponte.

Os detalhes do confronto são obscuros. Os "Annales Ianuenses" genoveses alegam que, quando o sinal de ataque foi dado, apenas quatorze navios genoveses avançaram, enquanto o resto permaneceu imóvel e depois fugiu. O cronista veneziano Canale, porém, relata que os navios venezianos atacaram primeiro, enquanto os genoveses tentavam encurralá-lo. A batalha terminou com uma clara vitória veneziana: a frota genovesa, metade da qual nem sequer entrou em combate, perdeu muitos homens, incluindo um almirante e duas naus capitânias, antes de desengajar e fugir. Canale afirma que houve mil baixas genovesas e apenas 420 venezianas.

Galé veneziana em ação

Seja como for, o resultado foi claramente positivo, tanto pela ação de comando dividindo da frota genovesa, como pela relutância, consistentemente demonstrada em confrontos anteriores e posteriores, dos almirantes genoveses em arriscarem seus navios, que eram fornecidos por investidores privados - geralmente ricos mercantes que dominavam a cidade. Preciosos para seus proprietários, os almirantes eram responsáveis pelos danos incorridos a eles em batalhas. 


Resultado

Embora a maior parte da frota genovesa tenha sobrevivido à batalha, a derrota teve grandes ramificações políticas, pois Miguel VIII começou a duvidar de sua aliança com Gênova, cara e pouco lucrativa, principalmente pela falta de audácia dos almirantes genoveses. Como sinal de sua insatisfação, logo depois da batalha, Miguel dispensou sessenta navios genoveses que estavam sob seu comando.

 A insatisfação mútua aumentou em 1264, quando o podestà genovês em Constantinopla foi implicado numa conspiração que visava entregar a cidade a Manfredo da Sicília e que resultou na expulsão dos genoveses da cidade. 

Miguel assinou um tratado com os venezianos em 18 de junho de 1265, mas ele não foi ratificado pelo doge. Obrigado a enfrentar a ameaça de Carlos de Anjou depois de 1266, Miguel teve que renovar sua aliança com Gênova, mas manteve simultaneamente a paz com Veneza assinando um tratado de não-agressão de cinco anos em junho de 1268.

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quarta-feira, 28 de agosto de 2019

IMAGEM DO DIA - 28/8/2019

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O vitorioso general bizantino Belisário em batalha durante as Guerras Góticas (535-554)

sábado, 17 de novembro de 2018

ROMPENDO A SUPERIORIDADE NAVAL BIZANTINA

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O controle marítimo do Mediterrâneo passou por intensas transformações. Em meados do século VII, as forças navais islâmicas obtiveram a primazia, superando a marinha bizantina.   


Os árabes já navegavam no Mar Vermelho e no Golfo Pérsico nos tempos pré-islâmicos, mas não eram marinheiros muito experientes em contraste com os persas. Isso logo mudou à medida que sua luta pela conquista de Bizâncio se transformou em uma competição naval no Mediterrâneo. Auxiliados pelos persas e coptas do Egito, os árabes se apressaram a desenvolver uma marinha que usaram para derrotar os bizantinos na Batalha dos Mastros, em 655, e sitiar Constantinopla pouco depois. Embora as defesas marítimas de Constantinopla fossem fortes demais para os muçulmanos, eles rapidamente despejaram seus rivais bizantinos de outros portos e ilhas do Mediterrâneo enquanto navegavam cada vez mais para o oeste.

Durante séculos, o controle do Mediterrâneo dependeu do poderio naval. No final do século VI, o Império Bizantino dominava o Mediterrâneo e os mares negros, com bases navais em Cartago, Alexandria, Acre e Constantinopla. No entanto, o número de navios de guerra bizantinos permanecia reduzido, porque o Império não enfrentava nenhum rival marítimo até a ocupação sassânida do Egito e da Síria. Ainda mais ameaçadoras foram as conquistas muçulmanas subsequentes dessas áreas, assim como o norte da África e, eventualmente, a Península Ibérica.

Navio bizantino enfrentando embarcação islâmica com o fogo grego.


Na primeira grande operação naval das forças islâmicas no Mediterrâneo, elas temporariamente ocuparam a ilha de Chipre depois de terem expulsado uma frota bizantina perto de Alexandria em 652 - sua primeira vitória naval.  Então, em 655, a frota islâmica obteve uma vitória convincente sobre a marinha bizantina na costa sudoeste do que hoje é a Turquia. Por quase mil anos, os gregos, e depois os romanos, haviam dominado o Mediterrâneo. Agora, na primeira grande batalha do mar Mediterrâneo em séculos, uma frota árabe havia desafiado com sucesso os bizantinos em suas águas natais.

Surpreendentemente, dada a relativa inexperiência da frota muçulmana, a batalha viu os bizantinos derrotados tanto no mar como em terra ao mesmo tempo. Este confronto em 655, perto do Cabo Celidôneo, na costa da Lícia, veio a ser conhecido como a "Batalha dos mastros", porque os muçulmanos haviam desembarcado para cortar árvores altas para os mastros e pátios de suas novas frotas, com base no Egito e na Síria.  

Navio de guerra bizantino

A falta de madeira de grande porte adequada de fato dificultaria o desenvolvimento naval muçulmano durante todo o período medieval, embora encorajasse a inovação tecnológica na engenharia naval islâmica. Durante este encontro, os navios bizantinos parecem ter sido atracados em formação fechada ou ter sido amarrados juntos. Como resultado, os muçulmanos conseguiram vencer por causa de suas táticas de embarque e combate de perto.

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sexta-feira, 15 de setembro de 2017

IMAGEM DO DIA - 15/9/2017

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O general bizantino Belisário recusa a coroa da Itália oferecida pelos godos no ano 540

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sexta-feira, 5 de julho de 2013

ARMAS - OS CANHÕES OTOMANOS

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No século XV, época em que a artilharia era ainda incipiente, o canhão tornou-se numa das armas mais temíveis do império otomano.

Com efeito, a tomada de Constantinopla pelos Turcos em 1453 apenas foi possível graças ao uso intenso de canhões que destruíram as suas inexpugnáveis muralhas. Mas os turcos otomanos não possuíam tradições no uso de artilharia e, se não fosse um irónico episódio, aparentemente insignificante, talvez a História tivesse seguido outro rumo...

O canhão que veio a ser conhecido como Bombarda Turca, Basílica, Canhão Real ou Canhão de Mehmed foi na verdade trazido da Hungria. O seu inventor, um engenheiro de nome Orban, apresentou-o ao sultão Mehmed II após uma tentativa falhada junto do então imperador do Império Bizantino, Constantino XI, que a recusou. É esta a grande ironia da História.

Ao invés do seu adversário, o sultão viu naquele engenho grandes potencialidades e dispôs-se a financiar a construção de um protótipo. Deve dizer-se que o projecto era extremamente complexo e oneroso. Terá sido este último aspecto, aliás, que desinteressou Constantino. Durante meses, na cidade de Edirne, um exército de operários trabalhou sob a orientação de Orban, consumindo quantidades enormes de bronze e outras matérias primas necessárias à fundição das duas peças que compunham o canhão. Quando ficou pronto, o sultão pôde enfim contemplar o enorme monstro que tinha encomendado...

O grande canhão otomano pode ser visto com suas duas seções

Ligadas, as duas peças formavam um tubo cilíndrico com 5,20 m de comprimento - uma dimensão colossal para a época. O conjunto pesava cerca de 19 toneladas e possuía um calibre de 75 cm (o que quer dizer que podia disparar bolas de pedra com este diâmetro) pesando cerca de 600 Kg, a uma distância superior a 2 Km. Era necessário testá-lo e, primeiro, conseguir tirá-lo dali.

Com a ajuda de 60 bois e 400 homens, dos quais metade prepararam um piso capaz de suportar tamanho peso, o canhão foi deslocado até um local de testes. Aí, foi carregado com pólvora e uma enorme esfera de pedra que foi projetada a mais de 1500 metros e se enterrou no solo quase 2 metros! Pouco preciso mas de efeito devastador. Vários destes canhões foram então preparados e colocados em frente às muralhas de Constantinopla. Bastou algumas horas de fogo para que as defesas fossem literalmente desbaratadas e as tropas otomanas tomassem a mítica capital do Império bizantino.


Fonte: Obvious

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sexta-feira, 27 de agosto de 2010

A QUEDA DE CONSTANTINOPLA (1453)

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Constantinopla era uma das cidades mais importantes do mundo.  Ela funcionava como uma parte para as rotas comerciais que ligavam a Ásia a Europa por terra, além de ser o principal porto nas rotas que vinham e iam entre o Mar mediterrâneo e o Mar Negro. O cisma entre as Igrejas Ortodoxa e Católica manteve Constantinopla distante das nações ocidentais. A ameaça turca fez com que o Imperador João VIII Paleólogo, promovesse um concílio em Ferrara, na Itália, onde as diferenças entre as duas igrejas foram resolvidas rapidamente.


Constantino XI e Maomé II

Com a morte de seu pai João VIII, Constantino assume o trono no ano seguinte. O novo imperador era uma pessoa popular, tendo lutado na resistência bizantina no Peloponeso frente ao exército otomano, no entanto,  seguia a linha de pensamento de seu pai na conciliação das duas igrejas, o que gerava desconfiança não só ao Sultão Murad II - que via tal acordo como uma ameaça de intervenção das potências ocidentais na resistência à sua expansão na Europa -, mas como também ao clero bizantino.

Constantino XI, o último imperador bizantino

Já no ano de 1451, Murad II morre, e seu jovem filho Maomé II faz sua sucessão e,.já no princípio de seu reinado, faz a promessa de não violar o território bizantino, o que fez aumentar ainda mais a confiança de Constantino. Sentindo-se seguro, no mesmo ano o imperador bizantino decidiu exigir o pagamento de uma anuidade para a manutenção de um prícipe otomano que era mantido como refém, em Constantinopla. Ultrajado com a exigência, Maomé II ordenou os preparativos para fazer um cerco total à capital binzantina.


Ataque turco

No dia 6 de abril de 1453 começa oficialmente o cerco à cidade bizantina, quando o grande canhão disparou o primeiro tiro em direção ao vale do Rio Lico. Até então considerada imbatível, em menos de uma semana  a muralha começou a ceder, tendo em vista que ela não foi construída para suportar ataques com canhões. O ataque otomano restrigiu-se apenas a uma frente, o que colaborou prara para que o tempo e a mão-de-obra dos bizantinos fossem suficientes para suportarem o cerco.

Constantinopla e suas defesas na época bizantina

Os turcos evitaram o atque pela costa, tendo em vista que, deste lado, as muralhas eram reforçadas por torres com canhões, o que poderia trazer grandes dificuldades à sua frota. No início do assédio, porém, os bizantinos obtiveram duas vitórias animadoras. No dia 20 de abril os bizantinos avistaram os navios enviados pelo Papa, juntamente com outro navio grego com grãos da Sicília, as embarcações chegaram com êxito ao Corno de Ouro.

Já no dia 22 de abril, o Sultão aplicou um golpe ardiloso nas defesas bizantinas. Impedidos de cruzar a corrente que fechava o Corno de Ouro, o Sultão mandou que contruíssem uma estrada de rolagem ao norte de Pera, por onde os seus navios podessem ser puxados por terra, contornando a barreira.

Com os navios colocados em uma nova frente, os bizantinos logo não teriam soluções para reparar suas muralhas. Sem opção, os bizantinos se viram coagidos a contra-atacar, então, no dia 28 de abril, arriscaram um ataque surpresa aos turcos no Corno de Ouro que, no entanto, não logrou êxito.


O último ataque

No dia 28 de maio as tropas receberam ordens de Maomé II para descansarem e realizarem o ataque final no dia seguinte. Após dois meses de intenso combate, pela primeira vez não se ouviu o barulho dos canhões e das tropas em movimento.

Artilheiros otomanos posicionam um grande canhão diante das muralhas de Constantinopla


Para tentar levantar o moral para o momento decisivo, todas as igrejas de Constantinopla tocaram seus sinos durante todo o dia. Na madrugada do dia 29 de maio de 1453, Maomé II concentrou um ataque concentrado no vale do Lico.

Por aproximadamente duas horas os soldados bizantinos sob o comando de Giustiniani conseguiram resistir ao ataque, mas as tropas já estavam cansadas, e teriam ainda que enfrentar o exército regular de 80 mil turcos.

Um grande canhão conseguiu abrir uma brecha na muralha, pela qual os turcos concentraram o ataque. Tendo chegado a esse ponto, Constantino em pessoa coordenou uma cadeia humana que manteve os turcos ocupados enquanto a muralha era consertada.

Após uma hora de combate intenso, os janízaros, que escalavam a muralha com escadas, ainda não haviam conseguido entrar na cidade. Preocupados com os ataques no Lico, os bizantinos cometeram o erro de deixar o portão da muralha noroeste semi-aberto.


A muralha exterior de Constantinopla sucumbe diante dos canhões otomanos

Com isso, um destacamento otomano conseguiu por ali invadir o espaço entre as muralhas interna e externa. Com o comandante Giustiniani ferido e levado para o navio, os soldados gregos ficaram sem liderança, lutaram desordenadamente contra os disciplinados turcos. Tem-se como momento final quando o Imperador Constantino XI levantou sua espada e partiu para o combate, onde nunca mais foi visto, resultando na queda de Constantinopla.


De acordo com a periodização da História mais corrente no Ocidente, a queda de Constantinopla marcou o fim da Idade Média e o início da Era Moderna.


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