"No próprio dia da batalha, as verdades podem ser pinçadas em toda a sua nudez, perguntando apenas;
porém, na manhã seguinte, elas já terão começado a trajar seus uniformes."

(Sir Ian Hamilton)



Mostrando postagens com marcador União Soviética. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador União Soviética. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 9 de setembro de 2024

ORDEM DA VITÓRIA - A MEDALHA MILITAR MAIS CARA DO MUNDO

 .

Além de ser mais distinta e cara de todas as ordens já concedidas a alguém na Rússia, é também uma das mais raras do mundo – foram feitas apenas 22 cópias.


Por Gueórgui Manáev


A Ordem da Vitória é oficialmente a medalha militar mais cara do mundo. Para se ter ideia, se pudesse ser colocada em leilão, o preço inicial seria superior a 20 milhões de dólares. O último cavaleiro agraciado com essa Ordem, Miguel 1º da Romênia, morreu em 2017. No entanto, o destino de sua medalha é incerto - oficialmente, o objeto está armazenado na propriedade de Miguel 1º em Versoix, na Suíça. Mas há boatos de que teria sido vendida nos anos 1980 por cerca de 4 milhões de dólares.

A Ordem da Vitória foi concedida apenas a generais e marechais por suas ações no planejamento e administração militar que deram origem a uma “operação bem-sucedida no âmbito de uma ou várias frentes, resultando em uma mudança radical da situação em favor do Exército Vermelho”, reza o estatuto da Ordem. Mas por que e quando a URSS precisou de uma honra tão especial para seus militares? 


Nem um passo para trás!

A decisão de criar a Ordem da Vitória foi tomada após o primeiro grande sucesso do Exército Vermelho na Segunda Guerra Mundial – mais especificamente, a Batalha de Stalingrado, que durou de julho de 1942 a fevereiro de 1943.

O ano de 1942 como um todo foi uma época bastante difícil para os soviéticos na Grande Guerra Patriótica (período em que a Rússia esteve na Segunda Guerra Mundial). O Exército Vermelho sofreu perdas drásticas com o ataque dos nazistas no sul da Rússia, e os soldados estavam aterrorizados com seu destino iminente. Para fortalecer a disciplina no Exército por meio do medo, Josef Stálin, como Comissário de Defesa do Povo, emitiu o decreto nº 227, de 28 de julho de 1942, apelidado de “Nem um passo para trás!” na propaganda de massa soviética.

O decreto estabelecia batalhões penais que deveriam ser enviados para as seções mais perigosas do campo de guerra. Esses batalhões eram compostos por soldados que já haviam tentado desertar. Mas Stálin também entendeu que, para elevar os espíritos de seus comandantes de guerra, era inviável recorrer apenas ao medo. Os comandantes eram ambiciosos, então, deveriam ser criadas novas distinções e estímulos positivos.

Nos anos de 1942 e 1943, Stálin iniciou a criação de várias ordens destinadas a comandantes militares, nomeadas em homenagem a grandes expoentes militares da Rússia: Aleksandr Suvorov, Mikhail Kutuzov, Fiódor Uchakov e Pável Nakhimov.

A Ordem da Vitória deveria ser a mais importante de todas elas. Em julho de 1943, enquanto a Batalha de Kursk estava em curso, os primeiros projetos da Ordem da Vitória foram apresentados a Stálin.


Torre como marca da vitória

Stálin, porém, não gostou dos esboços. Em outubro de 1943, em vez dos perfis de Lênin e Stálin no anverso (frente) do medalhão, Stálin ordenou que a torre Spasskaya (a torre do relógio) do Kremlin de Moscou fosse retratada na condecoração. Foi assim que, em 5 de novembro de 1943, Stálin aprovou a versão final da medalha – e gostou tanto da “amostra de teste” que até a manteve. Três dias depois, a Ordem foi oficialmente estabelecida, enquanto iniciava a produção das referentes insígnias.

O design da Ordem foi criado pelo artista Aleksandr Kuznetsov (1894-1975), que também desenvolveu outra medalha militar de alto escalão, a Ordem da Guerra Patriótica. A insígnia deveria ser feita com diamantes e rubis, por isso a criação foi confiada aos especialistas da fábrica de Joias e Relógios de Moscou.

Inicialmente foi feito o plano de criar 30 cópias da Ordem. Cada uma delas exigia 180 diamantes, 50 diamantes de lapidação rosa e 300 gramas de platina. No total, os criadores receberam 5.400 diamantes, 1.500 diamantes de lapidação rosa e 9 quilos de platina. No entanto, rubis artificiais foram eventualmente utilizados para os medalhões da Ordem, porque todos os naturais tinham tonalidades diferentes entre si, o que faria as condecorações parecerem maculadas.

Todas as ordens foram feitas à mão. No total foram produzidos 22 exemplares, mas três deles nunca foram concedidos. De acordo com um exame pericial conduzido em 2010 pelos Museus do Kremlin de Moscou, os medalhões continham diamantes da Ordem, mas também joias usadas ​​pelos membros da família Romanov. Após a queda do Império Russo, essas condecorações e joias foram retiradas do tesouro dos tsares, desmontadas, e as pedras acabaram nos cofres soviéticos.


Os medalhões da Ordem e onde estão agora

Todas as Ordens da Vitória é feita de platina, e a inscrição “ПОБЕДА” (“Vitória”), de ouro. A medalha tem 174 diamantes (16 quilates no total) e 5 rubis artificiais de 5 quilates, 25 quilates em cada uma delas. Os detalhes – a muralha do Kremlin, o Mausoléu, os ramos de carvalho e louro –, incrustados com pequenos diamantes, são feitos de platina dourada. Somente os feches, o parafuso e a porca são de prata. A Ordem pesa 78 gramas no total. Uma característica única dos medalhões da Ordem é que não têm números de série – a condecoração foi inicialmente projetada para ser uma das mais raras existentes. Existem outras ordens que existem em menos cópias, mas não são sequer rivais da Ordem da Vitória em termos de valor.

A Ordem foi concedida pela primeira vez em 10 de abril de 1944 – aos marechais Gueórgui Jukov (1896-1974) e Aleksandr Vassiliévski (1895-1977), e ao comandante-chefe Iossef Stalin. Todos os três foram premiados em homenagem à libertação da margem direita da Ucrânia. Mais tarde, em 1945, os mesmos três comandantes foram homenageados com a mesma condecoração pela segunda vez.

Marechal Gueórgui Jukov, Herói da União Soviética, primeiro a receber a Ordem da Vitória.


No total, a Ordem foi concedida 20 vezes a 17 pessoas, três delas (mencionadas acima) receberam duas vezes, e houve uma revogação póstuma. O general Ivan Tcheriyakhovski (1907-1945) deveria receber a Ordem em 23 de fevereiro de 1945, mas morreu em 18 de fevereiro e, portanto, não chegou a concretizar o feito.

A medalha também foi concedida a cinco estrangeiros. O marechal de campo britânico Bernard Montgomery e o presidente norte-americano Dwight Eisenhower foram agraciados em 5 de junho de 1945, “pelos extraordinários sucessos na condução de operações militares de grande alcance que resultaram na vitória das Nações Unidas sobre a Alemanha de Hitler”.

Marechal de campo britânico Bernard L. Montgomery (com a medalha da Ordem da Vitória) e Josef Stálin


O rei Miguel 1º da Romênia recebeu a medalha em 6 de julho de 1954, por sua decisão de prender colaboradores nazistas no governo romeno, em 23 de agosto de 1944, quando a vitória decisiva sobre os nazistas ainda não havia sido alcançada.

Já o marechal da Polônia Michał Rola-Żymierski, foi condecorado em 9 de agosto de 1945, por conduzir operações contra os nazistas – o mesmo que o marechal da Iugoslávia, Josip Broz Tito, que foi galardoado em 9 de setembro de 1945.

Rei Miguel 1º da Romênia com a Ordem da Vitória


O Secretário-Geral do Comitê Central do Partido Comunista da URSS Leonid Brejnev, que recebeu a Ordem em 1978, foi postumamente destituído dela em 1989, porque se considerou que tal concessão ia contra o estatuto – o líder soviético não havia conduzido operações militares decisivas na Segunda Guerra Mundial. O decreto para revogação da Ordem foi assinado por Mikhail Gorbatchov.

O Secretário-Geral do Partido Comunista Leonid Brejnev, aqui fotografado com a Ordem da Vitória, teve sua condecoração cassada postumamente por Mikhail Gorbatchov, em 1989.


Os Museus do Kremlin de Moscou possuem a maior coleção de medalhões da Ordem da Vitória: oito delas. Uma delas, que antes pertenceu ao marechal Semion Timochenko (1895-1970), e outro, que nunca foi premiada, estão armazenados no Museu do Fundo Estatal de Metais e Pedras Preciosas da Federação Russa (Gokhran). Outro medalhão da Ordem não premiado permanece guardado no Hermitage. Já o paradeiro do terceiro medalhão da Ordem nunca dado é um mistério. Além disso, não se sabe a localização exata do medalhão concedido a Michal Rola-Żymierski.



Fonte: Russia Beyond


terça-feira, 24 de janeiro de 2023

27 DE JANEIRO DE 1944 - TERMINA O CERCO DE LENINGRADO

.



No dia 27 de janeiro de 1944 terminavam os 872 dias do cerco a Leningrado.


Por Aleksandr Korolkov


No dia 27 de janeiro de 1944, as tropas soviéticas fizeram os soldados de Hitler recuar para uma posição de até 100 km de Leningrado, restaurando as ligações de transporte com a cidade. Acabavam assim os 872 dias daquilo que entraria para os livros de história como  o cerco a Leningrado.

Naquela noite de janeiro provavelmente todos os que conseguiram saíram para a rua para assistir aos fogos de artifício em comemoração da libertação, mas de longe nem todos viram junto a si os seus vizinhos, amigos e parentes. De quase três milhões de habitantes da maior cidade soviética antes do cerco, 1,5 milhão de foram evacuadas e mais de 650 mil morreram, a maioria de fome.

Por que razão Leningrado (como era chamada São Petersburgo) era tão importante para Hitler? Ela não apenas ameaçava o flanco esquerdo das tropas nazistas, mas era importante em termos de logística. Se tomassem Leningrado, os alemães teriam à sua disposição um porto marítimo e um importante entroncamento ferroviário de abastecimento.

Bateria antiaérea russa defendendo Leningrado


A cidade se defendeu bem. O trabalho de cerca de meio milhão de seus habitantes a transformou em uma verdadeira fortaleza. Sitiados, eles se defendiam com os canhões navais da Frota do Báltico e a artilharia pesada do forte de Krasnaia Gorka. A densidade da artilharia antiaérea de defesa era dez vezes maior do que na defesa de Londres.

Sem conseguirem tomar a cidade, os soldados do Grupo de Exércitos Norte alemão bloquearam por completo Leningrado, já cercada ao norte pelos finlandeses.

As tropas soviéticas iniciaram as tentativas de libertar a cidade no outono de 1941, mas sem sucesso.


Evacuação

A evacuação dos habitantes de Leningrado, como da população de muitas outras grandes cidades do oeste da União Soviética, foi organizada logo após o início da guerra. No dia 29 de junho trens retiraram os primeiros refugiados para leste. Naquela altura a guerra soava ainda longe e muitas pessoas se recusaram a abandonar suas casas.

Quando no dia 27 de agosto as forças da Wehrmacht se apoderaram da ferrovia que saía de Leningrado, muitos civis ficaram. Tinha então início uma séria crise no abastecimento e era impossível alimentar os que restavam na cidade.



A situação começou a mudar apenas depois de o Lago Ladoga congelar. Em outubro de 1942, mais de 1 milhão de pessoas foram evacuadas de Leningrado através do “caminho da vida”, feito ao longo deste lago.


Fome

Antes, tal como agora, os suprimentos armazenados em qualquer grande cidade chegavam no máximo para garantir duas semanas de autonomia. E a sitiada Leningrado não foi exceção. O fogo nos depósitos de comida, deflagrado pelo bombardeamento dos aviões alemães, apenas apressou o inevitável. Já em outubro a cidade se viu com sérios problemas de falta de comida e em novembro, de fome declarada.

Fazer entrar comida por via aérea era impossível e o período entre o momento em que o lago Ladoga deixou de ser navegável até o seu gelo solidificar por completo foi o mais difícil durante o bloqueio: os barcos já não podiam atravessar o lago, mas os caminhões ainda não podiam passar por cima dele.

Muitos moradores de Leningrado morreram de fome durante o longo cerco


O sistema de racionamento apenas veio organizar a fome, mas não conseguiu vencê-la. Começou com a diminuição das doses de distribuição de comida, cujo pico se deu no dia 20 de novembro de 1941, quando os soldados na linha da frente receberam para todo o dia apenas 500 gramas de pão, os trabalhadores, 250 gramas, e os empregados e dependentes, 125 gramas.

No primeiro inverno do cerco, morriam diariamente de fome e de frio milhares de pessoas. A morte de fome em massa continuou até o verão de 1942, mas mesmo depois as normas de ração diária se mantinham muito baixas e até mesmo os soldados, que recebiam rações reforçadas, passavam frequentemente fome extrema.


A vida na cidade sitiada

Apesar da fome e dos bombardeios constantes, a cidade continuava a viver. A linha da frente estava posicionada a 16 km do Palácio de Inverno, ou seja, do coração da cidade. Os tanques que saíam das oficinas da fábrica de Kirov, constantemente sob fogo inimigo, seguiam direto para a frente de combate e do centro da cidade havia um bonde que fazia o percurso também até a linha da frente.

Apesar de tudo, a cidade preservava a ordem. Quando em novembro de 1941 as mortes derivadas da fome se tornaram generalizadas, foram organizadas equipes especiais que retiravam diariamente das ruas e calçadas dezenas e até centenas de cadáveres. Em março de 1942, toda a população ativa saiu para limpar o lixo da cidade e em abril começou a restauração dos canos e de outras estruturas.


Vida cultural

Apesar dos bombardeios e do bloqueio, Leningrado mantinha a sua vida cultural. Mesmo durante o primeiro inverno do cerco, alguns teatros e bibliotecas se mantiveram abertos ao público, e no verão de 1942 foram inauguradas algumas escolas e outros teatros. No dia 9 de agosto de 1942 se realizou o primeiro concerto sitiado da filarmônica municipal, no qual foi tocada a famosa Sinfonia Heroica de Leningrado, de Dmítri Chostakovitch, que se tornou o símbolo musical do bloqueio.

Fonte: Gazeta Russa


segunda-feira, 18 de abril de 2022

T-55: O “BURRO DE CARGA” DOS CONFLITOS LOCAIS DO SÉCULO XX

.

Se alguém pudesse sintetizar a imagem dos tanques soviéticos, é provável que fosse a de um T-55. O motivo é simples: esse veículo de combate foi utilizado por exércitos de 70 países e teve 24.000 unidades produzidas. Longe de ser ideal ou superior aos tanques da OTAN, ajudou a vencer qualquer inimigo na maioria dos conflitos da segunda metade do século XX.


Por Aleksandr Korolkov


Apesar da corrida armamentista entre os anteriores aliados antinazistas, que procuravam sair vitoriosos em cada classe de armamento, a União Soviética não conseguiu colocar em serviço no Exército o novo tanque T-54 antes do final dos anos 1940. Mas o país não poderia deixar de responder aos tanques inimigos M-48 Patton III, norte-americano, e o inglês Centurion, bem como o aparecimento em 1959 do tanque M-60.

Esses veículos de combate se tornaram um grande desafio para a escola soviética de construtores de tanques. Os trabalhos de criação de um veículo de combate blindado sobre a base do T-54 B foram iniciadas somente em 1957, com o codinome “Obiekt 155”, e envolveram todos os progressos alcançados durante a modernização do T-54.

Entre o final de 1957 e início de 1958, os tanques passaram por testes, até que, em 8 de maio daquele ano, o Obiekt 155 foi adotado pelo Estado-Maior do Exército soviético sob a sigla T-55. A principal melhoria frente ao T-54 foi a instalação de um sistema completo de defesa nuclear. O armamento principal era o mesmo, assim como a blindagem. Mas o tanque foi rebaixado quase um metro e a metralhadora coaxial, assim como o canhão, recebeu estabilizador em dois planos.


T-55 sírio 



Fiasco inicial

O T-55 encontrou em combate seu adversário inglês Centurion durante os conflitos árabe-israelenses. O tanque soviético se mostrou superior em desempenho dinâmico, mas era inferior em termos de eficácia de armas. O veículo inglês era equipado com um canhão L7 de 105 mm, de altas precisão balística, o que proporcionava aos israelenses tiros de maior precisão e penetração à longa distância – essencial em batalhas no deserto.

As guerras no Oriente Médio também revelaram outra característica dos tanques soviéticos: a deficiência de proteção adequada do chassi, tendo em vista que qualquer perfuração na blindagem ocasionava a explosão do veículo.

Foi durante a Guerra dos Seis Dias que ocorreu o primeiro grande embate entre o Centurion e os tanques soviéticos. O lado israelense saiu vitorioso: 20 Centurions israelenses destruíram 32 T-54 e T-55 egípcios na área de Bir Lahfan. No entanto, pouco tempo depois, os egípcios repeliram três ataques da 7ª Brigada Blindada israelense e destruíram 17 tanques na batalha de El Arish.

Coluna de T-55 da Alemanha Oriental durante manobras do Pacto de Varsóvia


Ao fim do conflito, Israel havia perdido 122 tanques de vários modelos. Já o Egito, de 935 tanques e outros blindados, perdera 820, entre destruídos e capturados como troféus. O lado positivo disso? Dos 115 que restaram, 82 eram T-55.


Habilidade x tecnologia

Os tanques soviéticos enfrentaram um desafio ainda maior na Guerra do Yom Kippur. Em outubro de 1973, 1.200 tanques egípcios entraram em atrito contra 750 Centurions e Pattons israelenses, formando a maior batalha de tanques desde a Segunda Guerra Mundial.

Durante as escaramuças, os egípcios perderam 264 tanques e destruíram apenas 25 veículos de Israel. O canhão L7 atingia os blindados egípcios a uma distância maior, e Israel possuía superioridade aérea sobre o Sinai.

Após o fim das hostilidades, as tripulações israelenses notaram que o L7 era superior não somente aos D-10T2S de 100 mm dos T-55, mas também aos modernos U5-TC de 115 mm dos T-62. Perceberam também que os Centurions apresentavam maior inclinação máxima dos ângulos de tiro. No entanto, a guerra mostrou que a chave do sucesso israelense não foi a superioridade técnica, mas o melhor planejamento militar e a organização das manobras militares, o que era justamente o ponto fraco das forças egípcias.

T-55 norte-vietnamita combatendo em Hanói, no final da Guerra do Vietnã


A União Soviética utilizou o T-55 durante combates no Afeganistão entre os anos de 1979 e 1989. Enquanto os tanques mais modernos eram alocados nas Divisões Ocidentais, as fronteiras ao sul eram guardadas pelos T-55 e T-62 mais antigos.

No Afeganistão, os T-55 foram usados em unidades menores com a função de proporcionar maior poder de fogo à infantaria mecanizada e às tropas paraquedistas, bem como na segurança de postos avançados e de comunicação. Para essas tarefas, o blindado serviu como elemento de fogo manobrável e de longo alcance. 

Fonte: Gazeta Russa (Transcrição)


domingo, 27 de março de 2022

AVIÕES SOVIÉTICOS DA GUERRA FRIA E SEUS CODINOMES

.

Conheça os aviões utilizados pelos soviéticos durante a Guerra Fria e seus respectivos codinomes, atribuídos pela OTAN.


sábado, 21 de novembro de 2020

AMTORG: A JANELA PARA A INDÚSTRIA DE DEFESA SOVIÉTICA

.

Ao sair da sangrenta guerra civil, Rússia soviética teve que buscar meios de recuperar o atraso bélico.


Por Aleksandr Verchínin

A parte europeia do país estava em ruínas. Embora o Exército tivesse aumentado numericamente durante a guerra civil, o nível de armamento existente se encontrava no mesmo patamar que o dos países vizinhos, que estavam longe de serem potências militares avançadas.

Para se ter uma ideia, segundo os oficiais do Estado-Maior soviéticos, em caso de uma grande guerra europeia em 1927, bastariam os exércitos da Polônia e da Romênia, com o apoio material da Grã-Bretanha e da França, para destruir por completo o Exército Vermelho.

Só havia uma saída para a situação: era preciso construir uma nova indústria militar do zero. No entanto, a tecnologia e o desenvolvimento no Ocidente já estavam muito à frente. Enquanto na Rússia os vermelhos e os brancos matavam uns aos outros, os europeus conceitualizavam a experiência da Primeira Guerra Mundial, que marcou o início de uma nova era em assuntos militares. E ninguém desejava compartilhar esse know-how com os bolcheviques.

No final da década de 1920, a economia soviética já tinha se recuperado, e o governo conseguira angariar fundos para comprar grandes quantidades de equipamento militar no exterior. Quando, em 1929, a Europa e os Estados Unidos mergulharam nas profundezas da Grande Depressão, o ouro russo veio a calhar.


Arma diplomática

Nos primeiros anos de existência, a URSS não mantinha relações diplomáticas com muitos países do Ocidente e, por isso, teve que criar empresas privadas para iniciar as relações comerciais com o exterior. Na Inglaterra, por exemplo, a empresa Arkos operava desde 1920. Já nos EUA, as atividades comerciais em nome do governo soviético eram feitas pela empresa Amtorg.

Era pela Amtorg que passavam todas as questões relacionadas com a cooperação técnica entre a URSS e os EUA, desde a seleção de exemplares de tecnologia militar até a organização de viagens dos engenheiros soviéticos às fábricas norte-americanas. Mais do que tudo, era necessário adquirir dos americanos equipamento de aviação.

Ainda em 1922, os projetistas soviéticos tiveram acesso a um motor da marca Liberty, a partir de um avião norte-americano que havia sido capturado como troféu de guerra. Ele se distinguia por sua confiabilidade e qualidade de construção, portanto, foi decidido que seria copiado e produzido em série nas fábricas de Moscou. No entanto, um único exemplar não era suficiente – sem falar dos quilos de documentação técnica, peças de reposição e outros atributos valiosos que faziam falta.

Propaganda da Amtorg em revista norte-americana

A tarefa para encontrar tudo isso foi confiada à Amtorg, que recebeu uma generosa quantia para realizar o trabalho: US$ 1,5 milhão. No entanto, os diplomatas soviéticos se depararam com problemas de outra natureza. Em primeiro lugar, a empresa com participação soviética era olhada com desconfiança e ninguém estava disposto a vendê-la prontamente grandes lotes de equipamento.


Truques do capitalismo

A Amtorg teve que aprender a lidar com a “arte capitalista” de criar empresas temporárias. O primeiro lote de motores Liberty e 350 conjuntos de ignição foram adquiridos por meio do negócio de fachada “Gabinete Zaustinski”. Mas em poucos anos foram fechados contatos diretos e esse tipo de artifício deixou de ser necessário.

Graças à Amtorg, toneladas de carga entraram na URSS. Para o seu transporte, o Comissariado do Povo para o comércio exterior teve até que organizar um serviço especial. Só em 1925 foram comprados dos EUA instrumentos de aeronáutica no valor de US$ 400.000. Livros, desenhos técnicos, álbuns e manuais de fábricas americanas eram enviados para a União Soviética em contêineres.

Em 1929, a Amtorg intermediou a entrada nos EUA de um oficial da Força Aérea soviética cuja tarefa era estudar as instalações para a produção de paraquedas. Até então, ninguém tinha ouvido falar de paraquedas na URSS. Nos EUA, o visitante aprendeu não apenas como esses paraquedas eram feitos, mas também realizou um salto de teste. De tão inspirado com a experiência, o oficial se engajou na promoção a modalidade na Rússia e criou o primeiro esquadrão nacional de paraquedistas.

Joia da indústria aeronáutica americana, bombardeiro pesado B-17 quase foi para nas mãos dos soviéticos


EUA em crise

Inicialmente, os norte-americanos estavam um pouco relutantes em discutir a possibilidade de vender aeronaves completas aos russos. Porém, a crise econômica os obrigou a fazer concessões.

Em 1934 começaram a chegar aos Estados Unidos delegações soviéticas com o objetivo de adquirir os exemplares mais modernos. Essas delegações eram lideradas pelos proeminentes projetistas de aeronaves nacionais A.N. Tupolev, o pai do famoso TU, e M.I. Gurevitch, o criador do MiG.

Dois anos depois, um avião de carga DC-3, aviões anfíbios e um bombardeiro foram transportados dos Estados Unidos para a União Soviética. A joia da indústria aeronáutica americana não foi parar por pouco nas mãos dos soviéticos: o bombardeiro pesado B-17, que aterrorizaram as cidades alemãs e japonesas durante a 2ª Guerra.

Ao contrário dos tanques, nenhum desses exemplares foi para a produção em série. No entanto, diversos elementos foram incorporados na produção das famosas aeronaves militares soviéticas.

Fonte: Gazeta Russa

.

segunda-feira, 27 de janeiro de 2020

HÁ EXATOS 75 ANOS O EXÉRCITO VERMELHO LIBERTAVA O CAMPO DE EXTERMÍNIO DE AUSCHWITZ

.

Em um cenário desesperador, os soldados evacuaram o maior campo de concentração nazista. Cerca de 1,5 milhão de pessoas morreram no local

No final da guerra, prevendo a vitória dos aliados, os alemães começaram a destruir crematórios e documentos enquanto evacuavam os prisioneiros de Auschwitz. Os que não conseguiam andar foram deixados lá e liberados pelo Exército Vermelho em 27 de janeiro de 1945. Lá, cerca de 1,5 milhão de pessoas morreram, a maioria em câmaras de gás.

Arbeit machr frei ("O trabalho liberta", em português). Era essa a inscrição na entrada do maior campo de concentração nazista. Erguido em 1940 nos subúrbios da cidade de Oswiecim, na Polônia, ele tinha três partes: Auschwitz I, a mais antiga; Auschwitz II-Birkenau, que reunia o aparato de extermínio; e Auschwitz III-Buna, com cerca de 40 subcampos de trabalho forçado.

As primeiras vítimas do nazismo foram poloneses, seguidos de soviéticos, ciganos e prisioneiros de guerra. Em 1942, o campo voltou-se para a destruição em massa dos judeus. Os presos eram obrigados a usar insígnias nos uniformes conforme a categoria – motivo político era um triângulo vermelho; homossexual, um rosa. Muitos foram usados em experimentos médicos.


Fornos de Hitler

Entre as muitas vítimas estava Olga Lengyel. Uma judia que vivia com o marido e os  filhos na cidade de Cluj, capital da Transilvânia. Ao ouvirem relatos sobre as atrocidades cometidas pelos nazistas em terras ocupadas, não acreditaram que isso poderia se tornar um pesadelo real. 

Oficiais do Exército Vermelho conversando com prisioneiros libertados
 
Em 1944, o seu marido, que era médico, seria deportado para a Alemanha. Ela acreditava que o companheiro poderia ser enviado para suprir a falta de médicos, e assim optou por segui-lo com os filhos. Contudo, era uma emboscada. O destino final da família seria Auschwitz. No local, Olga perdeu a sua família. Entretanto, sobreviveu para contar a sua trajetória. Em Os Fornos de Hitler, Olga detalhou um dos primeiros relatos sobre o horror dos campos de extermínio nazistas. 

"(...) Os alemães deixavam vivos alguns milhares de deportados de cada vez, mas apenas para facilitar o extermínio de milhões de outros. Faziam tais vítimas executar seu trabalho sujo. Elas faziam parte do sonderkommando. Trezentas ou quatrocentas serviam em cada forno do crematório. Seu dever consistia em empurrar os condenados para dentro das câmaras de gás e, depois que o assassinato em massa tivesse sido cometido, abrir as portas e transportar os cadáveres."

Hoje, Auschwitz é um museu que preserva a memória do maior genocídio da História.

Fonte: Aventuras na História


quarta-feira, 20 de março de 2019

LANÇAMENTO DO LIVRO "BRUXAS DA NOITE" NO RIO DE JANEIRO

.

Depois de uma grande expectativa, ocorrerá, no próximo dia 27, o esperado lançamento de BRUXAS DA NOITE: AS AVIADORAS SOVIÉTICAS NA SEGUNDA GUERRA MUNDIAL no Rio de Janeiro, o primeiro evento de alguns já programados.

A obra, escrita por Carlos e Ana Daróz, estuda a participação da mulher na guerra, e aborda, particularmente, a fantástica e inédita experiência das corajosas jovens aviadoras soviéticas na luta contra o Nazismo, que deixou seu legado até os dias de hoje.

É a guerra, no feminino!

Compareça e garanta já o seu exemplar.


Ficha Técnica

“Bruxas da Noite: as aviadoras soviéticas na Segunda Guerra Mundial”

Autores: Carlos e Ana Daróz
Editora: Somos Editora
ISBN: 978-85-8922-618-6
Gênero: História Militar
Ano: 2018
232 páginas

Preço: R$ 50,00



Apoio: Força Aérea Brasileira - Instituto Histórico-Cultural da Aeronáutica


sexta-feira, 6 de março de 2009

GRANDE GUERRA PATRIÓTICA




A Grande Guerra Patriótica foi o nome pelo qual ficou conhecida a Segunda Guerra Mundial para os povos da União Soviética (URSS). 


Com forte apelo ideológico, a definição tinha por objetivo incutir na mente dos povos integrantes da URSS a ideia de que o combate com os alemães significava uma guerra em defesa da Pátria, nesse caso, o Estado Soviético. Por outro lado, juntamente com outras ações políticas, a definição tinha por objetivo alçar a figura de Stalin como o supremo líder e guia dessa Pátria.

As comemorações e o significado da vitória na guerra, pela qual a URSS pagou um preço alto, tanto em termos humanos como materias, foram sempre profundamente marcadas na consciência dos povos das repúblicas soviéticas. O "Dia da Vitória", ou "День Победы" - "Den' Pobiedy", era, junto com o Primeiro de Maio - Dia do Trabalho, um dos dois principais festejos populares na URSS. O episódio permanece importante para os russos devido às imensas perdas humanas sofridas no conflito, inclusive após a queda do regime soviético. É raro encontrar algum cidadão das ex-repúblicas soviéticas cuja família não tenha perdido um ente próximo na guerra.

Desfile militar alusivo ao Dia da Vitória na Praça Vermelha: 
comemoração que atravessa o tempo e exalta a Grande Guerra Patriótica

Embora o significado das batalhas entre Alemanha e URSS tenha sido enormemente relativizado no mundo capitalista pós-guerra, por conta de questões ideológicas próprias da Guerra Fria, a chamada frente oriental foi onde aconteceram as mais ferozes batalhas, com as maiores perdas civis e militares da história. Na resistência contra a Wehrmacht, o Exército Vermelho mostrou excepcional tenacidade e capacidade de reorganização e aprendizagem.

Cartaz de propaganda soviético

Apesar de imensas perdas, a URSS foi a única nação da guerra a ser invadida territorialmente pela Werhmacht a ser capaz de se reorganizar e, sem rendição ou acordos colaboracionistas (como o do “Governo de Vichy”, na França), resistir, combater, e efetivamente rechaçar as forças alemãs para fora de seu território sem tropas externas atuando conjuntamente (como na recuperação da França, por exemplo) e, mais importante, seguir um curso de vitórias até a capital da Alemanha, terminando, na prática, a guerra. Poucos dias depois do suicídio de Hitler em Berlim - já completamente ocupada pelo Exército Vermelho - as forças alemãs assinaram sua rendição incondicional.