"No próprio dia da batalha, as verdades podem ser pinçadas em toda a sua nudez, perguntando apenas;
porém, na manhã seguinte, elas já terão começado a trajar seus uniformes."

(Sir Ian Hamilton)



sexta-feira, 18 de maio de 2018

EDITOR DO BLOG PARTICIPA DO III ENCONTRO DE HISTÓRIA MILITAR E FRONTEIRAS DA UNIVERSO

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O editor do Blog Carlos Daroz - História Militar participou do III Encontro do Laboratório de História Militar e Fronteiras da Universidade Salgado de Oliveira.

Na oportunidade, apresentou a comunicação "Trincheiras que falam: a memória da guerra de 1932 pelas páginas do jornal O Estado de S. Paulo".

A seguir, algumas fotos do evento:

Carlos Daroz apresentando sua pesquisa

Os participantes do III Encontro do laboratório


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sexta-feira, 11 de maio de 2018

PERSONAGENS DA HISTÓRIA MILITAR - ALBRECHT VON WALLENSTEIN

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Albrecht von Wallenstein ou von Waldstein (Albrecht Wenzel Eusebius von Waldstein)  foi um general imperial do tempo da Guerra dos Trinta Anos e duque da Friedland e Mecklemburgo, príncipe de Sagan. Lutou ao lado do imperador Fernando II e da Liga Católica contra a União Protestante.



* 24/9/1583 - Hermanitz an der Elbe, Boêmia

+ 25/2/1634 - Eger


Wallenstein destacou-se pela sua capacidade de financiar, levantar e suprir forças cada vez mais numerosas, alcançando a cifra de 100 mil homens. Derrotou a Dinamarca, na segunda fase do conflito e enfrentou, com algum sucesso, o rei da Suécia, Gustavo Adolfo. Entretanto, acabou se tornando credor do imperador e começou a agir com um grau de independência que gerou insegurança entre as forças católicas. Acabou por cair em desgraça, sendo destituído e assassinado por oficiais da confiança do imperador.


Participação na Guerra dos Trinta Anos

Quando a Morávia aderiu à rebelião protestante de Frederico V contra Fernando II, em 1619, era comandante da infantaria deste território, ocasião em que fugiu para Viena com as receitas do tesouro moraviano. Isso ocorreu em um momento importante para o imperador, porque as forças rebeldes, sob o comando de Matias Thurn, haviam marchado através da baixa Áustria e começado um cerco desorganizado e rapidamente fracassado a Viena.

Em setembro de 1625, quando da intervenção dinamarquesa, deslocou seu exército de 20.000 homens no norte da Boêmia e marchou para o oeste da Alemanha, adotando como quartéis de inverno os ricos bispados protestantes de Halberstadt e Magdeburgo.

Em 25 de abril de 1626, comandou o cerco a uma posição fortificada que estava sob o comando do tenente Aldringen. Em seguida, empurrou as tropas do comandante protestante Von Mansfeld através da ponte de Dessau, no rio Elba. Nesta ocasião, Wallenstein contava com pelo menos o dobro de homens dos quase 7.000 de seu adversário. Como resultado da derrota, Von Mansfeld teve perto de 3.000 soldados capturados, a maioria de infantaria, indo aquartelar-se em Brandenburgo. Na sequência, no mês de junho, Von Mansfeld seguiu em direção à Silésia com reforços, sendo firmada uma trégua entre os dois comandantes em outubro. Com isso, Wallenstein ocupou a linha do Elba e, aquando da campanha seguinte, em 1627, rapidamente destruiu o exército protestante.

Também neste período mandou alguns soldados como reforços ao conde Von Tilly, as quais atuaram na vitória da Liga Católica e Imperial contra as forças de Cristiano IV na Batalha de Lutter-am-Bamberg, ocorrida em 27 de agosto de 1626.

Albrecht von Wallenstein no comando de suas tropas durante a Guerra dos Trinta Anos


Tendo completado duas operações no leste, em maio de 1627 juntou suas forças as de Von Tilly na invasão dos ducados de Macklemburg e, em 14 de setembro, tendo as tropas imperiais invadido o Holstein dinamarquês, o último exército deste país foi esmagado na Batalha de Grossembrode.

Por causa dessas derrotas, Cristiano IV foi obrigado a se refugiar na ilhas do mar Báltico. Para destruir esta resistência, o imperador nomeou Wallenstein almirante do mar Báltico em janeiro de 1628, recebendo em março os ducados de Macklemburg, com os portos de Wilmar e Rostock, na tentativa de acabar com o apoio protestante a Cristiano IV nas ilhas do norte da Alemanha durante a primavera seguinte. Todavia, esta tarefa seria prejudicada pela falta de uma armada adequada.

Em 13 de maio, seu subordinado Von Arnim começa o cerco a Stalsund, na Pomerânia, com Wallenstein chegando em 6 de julho para comandar pessoalmente as operações. Entrementes, em 23 de junho, Stralsund firmou uma aliança de 30 anos com o rei Gustavo Adolfo da Suécia. A cooperação entre suecos e dinamarqueses forçou Wallenstein a levantar o cerco em 24 de julho, permitindo assim que a Suécia tivesse seu primeiro ponto de apoio na Alemanha.

Porém, em 2 de setembro, Wallenstein derrotou completamente Cristiano IV na Batalha de Wolgast, forçando o soberano dinamarquês a fugir de barco de volta para a Dinamarca. Esse conjunto de operações realmente destruiu as possibilidade dinamarquesas na guerra, embora a Paz de Lubeck tenha sido adiada até 1629.

Após o Édito de Restituição, na reunião eleitoral de Regensburg, os eleitores católicos forçaram sua demissão pelo imperador e também a cassação de seu título de generalíssimo, além de se recusarem a elegerem o filho do imperador como rei dos romanos, reduziram o tamanho do exército imperial de 150.000 homens no papel para 39.000, sendo o exército da Liga Católica reduzido para 20.000, além de alterarem sua estrutura de comando e os métodos de financiamento. Ademais, o conde de Tilly foi nomeado comandante dos exércitos Imperial e da Liga Católica.

Pouco antes da demissão de Wallenstein, porém, começava a intervenção sueca, em 1630. Na sequência desta, o conde de Tilly foi derrotado na Primeira Batalha de Breitenfeld. Graças a vitória, os suecos invadiram a Francônia, a Turíngia, os vales do Main e do Reno. Em novembro de 1631, os suecos tomaram Frankfurt e, em dezembro, invadiram o Baixo palatinado e cruzaram o Reno e armaram seu acampamento de inverno no Eleitorado da Mogúncia. Em 1632, os suecos tomaram Donauwörth, atravessaram o rio Lech sob fogo das tropas do conde von Tilly, que foi morto nesta ocasião e, finalmente, capturaram Munique, forçando a fuga do eleitor Maximiliano I.

Frente a todos esses desastres, o imperador chamou novamente Wallenstein e, em 13 de abril de 1632, o nomeou mais uma vez generalíssimo. Em meados de maio, ele recapturou Praga e, no fim deste mesmo mês, o exército da Saxônia foi expulso da Boêmia. Em 9 de junho, os suecos comandados pelo rei Gustavo Adolfo chegaram a Nuremberg e começaram a construir uma rede de baluartes e redutos em torno da cidade. Em julho, o exército de Wallenstein começou o cerco das fortificações sucas, tentando submeter os inimigos pela fome. Nos dois meses seguintes, a capacidade da região de prover as tropas esgotou-se, enquanto Wallenstein conseguia cortar as rotas de abastecimento dos acampamentos suecos e chegavam reforços católicos.


Batalha de Lützen

Tentando escapar da armadilha, o exército sueco buscou conquistar a posição fortificada de Alte Veste, mas fracassou. Neste ínterim, as epidemias haviam começado no acampamento sueco. Porém, como a falta de abastecimento também atingia as forças católicas, von Waldstein tentou dispersar suas forças, capturando Leipzig em 1 de novembro e observando ao comandante de cavalaria Pappenheim que: "Se o eleitor [da Saxônia] está perdido, o rei [da Suécia] também estará perdido", considerando o exército do rei Gustavo Adolfo como "Totalmente arruinado." 

Estátua de Wallenstein em Praga

De uma maneira incompreensível, porém, entendeu que a época em que se faziam campanhas militares havia acabado e, em 14 de novembro, começou a dissolver as tropas católicas.

O rei Gustavo Adolfo, todavia, atacou von Wallestein, dando vez à Batalha de Lützen. Neste confronto, o exército Imperial e da Liga Católica abandonou o campo de batalha, após a morte tanto de seu comandante Pappenheim quanto do próprio rei sueco. A decisão de von Wallenstein em abandonar o campo de batalha, contra conselhos dos subalternos e após ter pedido toda a sua artilharia, fez com que na época ela fosse considerada uma vitória protestante. Mas, recentemente, historiadores tem considerado a batalha como inconclusiva, sobretudo porque após ela o exército Imperial e da Liga Católica permanecia maior.


Queda em desgraça, demissão e assassinato

Em outubro de 1633, Wallenstein atacou o quartel general do conde Matias Thurn, chefe militar da recém criada Liga Heilbronn, em Steinau, conseguindo uma importante vitória e capturando o comandante adversário, que entregou todas as cidades do norte da Silésia em troca de ser libertado. Após, avançou em direção a Lusácia, pela linha do rio Oder, atacando Brandenburgo e a Saxônia. Começaram, então, dissenções entre Brandenburgo e a Suécia, em torno da posse da Pomerânia.

Porém, apesar de suas vitória, no final de 1633 todos desconfiavam de Wallenstein, principalmente o imperador. Em 12 de janeiro de 1634 fez chegar emissários ao acampamento do generalíssimo, em Pilsen, ordenando que deslocasse as tropas católicas para a Baviera. A reação de Wallenstein foi ordenar que todos os seus comandantes lhe jurassem fidelidade. Dois deles, Picolomini e Gallas, fugiram e emitiram um comunicado dizendo que o comando de Wallenstein estava terminando, o que o imperador confirmou em 18 de fevereiro, começando então as deserções em grande escala no exército.

Em 25 de fevereiro, afinal, Wallenstein e seus colaboradores mais fiéis foram todos assassinados por um grupo comandado pelos mercenários estrangeiros Butler, Gordon e Lesley, na localidade de Eger.

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segunda-feira, 7 de maio de 2018

EDITOR DO BLOG PARTICIPA DE SEMINÁRIO SOBRE A GRANDE GUERRA EM PORTUGAL

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O editor do Blog Carlos Daróz-História Militar e autor do livro O Brasil na Primeira Guerra Mundial - A longa travessia, participou de um seminário organizado pelo Instituto Universitário Militar de Portugal (IUM): ‘A frente Oriental e o Atlântico’, na cidade de Lisboa.

Realizada com base em fontes documentais primárias e na historiografia mais atualizada sobre a 1ª Guerra Mundial, a pesquisa para a obra de Carlos Daróz é uma referência no Brasil e no exterior. Para o livro foram consultados documentos em arquivos no Brasil, Reino Unido, Alemanha, França e Argentina. O estudo do professor já foi apresentado e divulgado em seminários no Brasil, em Cabo Verde e agora em Portugal. 

Mesa de painelistas durante o seminário

Em 1917 diversos navios mercantes brasileiros foram afundados por submarinos alemães, levando o Brasil a entrar na guerra ao lado das potências Aliadas. Em 1918 o Brasil enviou uma Missão Médica Militar para montar um hospital militar em Paris, que atendeu feridos de guerra e a população civil, atingida pela pandemia de gripe espanhola. Também enviou para a Itália, EUA e Inglaterra grupos de aviadores navais para fazerem cursos e combaterem ao final do treinamento. Somente os que foram para a Inglaterra chegaram a fazer voos de patrulha sobre o Canal da Mancha. 

O país enviou também uma divisão naval composta por 8 navios para patrulhar a Costa Ocidental da África e uma equipe de 24 oficiais do Exército para estagiar no exército francês. Lá entraram em combate comandando tropas francesas. Ao todo, cerca de 150 brasileiros morreram na guerra. A maioria vitimadas pela gripe espanhola.

O Editor do Blog Carlos Daróz-História Militar ladeado pelo comandante Augusto Salgado e pelo coronel Leonel Martins, ambos professores do Instituto Universitário Militar

Durante o seminário, o editor do Blog ministrou a conferência de encerramento ‘O Brasil na Grande Guerra’, onde falou sobre a participação brasileira neste momento histórico da humanidade, o conflito mundial de 1914-1918.  Segundo o pesquisador, “nossa participação na 1ª Guerra Mundial é desconhecida de quase todos os brasileiros. Hoje existem menos de dez pesquisadores no país que estudam o tema e o estudo da história militar é essencial para fomentar novas pesquisas, capacitando pesquisadores que possam, com metodologia e suporte teórico adequados, lançar luzes sobre o pouco conhecido período e outros tão importantes em nossa história". 

O editor do Blog Carlos Daróz-História Militar recebendo uma placa das mãos do comandante do IUM, vice-almirante Bastos Ribeiro

O evento foi planejado e conduzido pela equipe de professores de História Militar do Instituto Universitário Militar de Portugal, estabelecimento de ensino de altos estudos militares daquela nação amiga, e contou com a participação de integrantes do Exército, Marinha, Força Aérea e Guarda Nacional Republicana de Portugal, além de acadêmicos e historiadores.

O Instituto Universitário Militar, localizado na aprazível rua dos Pedrouços.


domingo, 29 de abril de 2018

A REFORMA HERMES E A MODERNIZAÇÃO DO EXÉRCITO BRASILEIRO

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No princípio do século XX o marechal Hermes da Fonseca empreendeu uma ampla reforma estrutural no Exército Brasileiro, com o propósito de superar as deficiências técnicas e operacionais instaladas desde o fim da Guerra do Paraguai e evidenciadas por ocasião da Campanha de Canudos.


A estagnação no Exército somente foi rompida no início do século XX, com as transformações iniciadas pelos Ministros da Guerra marechais João Nepomuceno de Medeiros Mallet, Francisco de Paula Argolo e Hermes da Fonseca, entre os anos de 1900 e 1908. Com o apoio do Barão do Rio Branco, que intercedeu junto ao Presidente da República Afonso Pena, Hermes da Fonseca conseguiu promover um processo de revitalização do Exército, que incluía o sorteio militar, a aquisição de armamentos e a criação de novas unidades. 

Marechal Hermes da Fonseca

A “Reforma Hermes”, como ficou conhecido esse processo de modernização, compreendeu a reestruturação da força terrestre, a reorganização do ensino militar, a criação e a regulamentação do Estado-Maior e a melhoria das defesas da barra do Rio de Janeiro, então Capital Federal. A partir de 1908, foi fixada uma nova organização de comando para o Exército Brasileiro, ficando o território nacional dividido em 21 regiões para alistamento militar e 13 para inspeção.

Hermes da Fonseca era um grande admirador do Exército Prussiano e dizia publicamente que a força terrestre brasileira precisava atingir o nível dos germânicos, onde se destacava o Estado-Maior, criado por Helmuth von Moltke, e a tecnologia de ponta na produção de armamentos. Assim, motivado também pela inexistência de uma indústria bélica nacional, viajou para a Alemanha em agosto de 1908 em busca de material bélico moderno e de novos conhecimentos técnico-profissionais. 

400.000 fuzis Mauser calibre 7 mm foram adquiridos para a infantaria


Como resultado da viagem, foram adquiridos armamentos variados em grandes quantidades, como 400.000 fuzis Mauser calibre 7 mm para a infantaria e 10.000 lanças Ehradt, 20.000 espadas e 10.000 mosquetões para a cavalaria. 

A artilharia de campanha foi servida com 27 baterias de canhões Krupp 75 mm Modelo 1908, seis de canhões Krupp 75 mm de montanha e cinco de obuses Krupp 105 mm.

A artilharia de campanha foi servida com 27 baterias de canhões Krupp 75 mm Modelo 1908, seis de canhões Krupp 75 mm de montanha e cinco de obuses Krupp 105 mm. A artilharia de costa também foi reaparelhada, com o início da construção do Forte de Copacabana e a aquisição de seus imensos canhões Krupp de 305 mm. Parte deste armamento adquirido na Alemanha, no entanto, não chegaria ao Brasil, devido ao início da guerra na Europa.

A artilharia de costa também foi reaparelhada, com o início da construção do Forte de Copacabana e a aquisição de seus imensos canhões Krupp de 305 mm.


Conheça essa e outras história lendo

O BRASIL NA PRIMEIRA GUERRA MUNDIAL – A LONGA TRAVESSIA



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quarta-feira, 25 de abril de 2018

III ENCONTRO DO LABORATÓRIO DE HISTÓRIA MILITAR E FRONTEIRAS DA UNIVERSO


Convidamos todos os amigos e amigas a participarem do III Encontro do Laboratório de História Militar e Fronteiras da Universidade Salgado de Oliveira.

Inscrições gratuitas no local.

A você, que gosta de estudar ou tem interesse pela História Militar, fica o nosso convite.




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domingo, 22 de abril de 2018

HISTÓRIA MILITAR EM PORTUGAL - PESQUISA DE CAMPO NAS LINHAS DE TORRES VEDRAS

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Dentre os eventos programados pelo Instituto Universitário Militar, tivemos a oportunidade de realizar uma pesquisa de campo em um sítio de História Militar muito importante, a Linha de Torres Vedras.

   
Juntamente com os professores de História Militar do Instituto Universitário Militar, coronel Leonel Martins e major Fernando Ribeiro, e com o coronel José Paulo Berger, do Gabinete de Arqueologia da Engenharia Militar do Exército Português, e responsável pelos trabalhos arqueológicos e de recuperação das fortificações da linha, pude percorrer, no terreno, os sítios das defesas de Lisboa, preparados por ocasião da Guerra Peninsular, no princípio do século XIX.  

O coronel Berger encontra-se à frente de um projeto de mais de dez anos, que reúne o Exército Português e os concelhos de diversas municipalidades para preservarem os vestígios arqueológicos das Torres e preservarem a memória das defesas portuguesas contra a invasão  francesa.


Mapa mostrando as Linhas de Torres Vedras



Reencenadores portugueses revisitando um dos enfrentamentos contra as tropas francesas durante a Guerra Peninsular


As Linhas de Torres eram um conjunto de fortificações, dispostas ao longo de três linhas de defesa, que tinham como objetivo impedir o acesso à Lisboa às forças da terceira invasão francesa.  As Linhas de Torres foram mandadas construir pelo Duque de Wellington, em outubro de 1809, com o objetivo de deter uma terceira invasão francesa que se visualizava. Tentava-se evitar que as forças napoleônicas chegassem a Lisboa.

Diante do fosso da Obra nº 18 - Reduto da Ajuda Grande, com seu fosso inundado pela chuva


Aspecto do reduto da Ajuda Grande, com cavalos de frisa restaurados


Na entrada do Reduto da Ajuda Grande

Nesse sentido foram construídas três linhas de defesa com várias dezenas de quilômetros. A primeira linha estende-se de Torres Vedras, passa pelo Sobral do Monte Agraço e termina em Alhandra. A segunda percorre as áreas de Mafra, Montachique e Bucelas. A terceira cobre a enseada de S. Julião das Barra.


O coronel engenheiro militar José Paulo Berguer, do Gabinete de Arqueologia da Engenharia Militar do Exército Português, e responsável pelos trabalhos arqueológicos e de recuperação das fortificações da linha, mostrando o dispositivo e a configuração defensiva do Forte da Carvalha (Obra nº 10)



Junto ao paiol de munições do Forte da Carvalha



Posição de comandamento do terreno a partir do Forte da Carvalha, sobre o vale onde se deslocavam as forças francesas.

As construções defensivas aproveitaram as irregularidades do terreno e compreendiam linhas de trincheiras, baluartes de artilharia, fortins e fortes. Em alguns pontos foram também abertos fossos ou realçados acidentes naturais do terreno.

A construção deste intricado sistema de defesa levou cerca de um ano, e Wellington esperava parar as tropas francesas antes destas chegarem à capital ou, pelo menos, ganhar tempo para embarcar as tropas ingleses em Lisboa.


No mirante do Forte do Alqueidão (Grande Forte - Obra nº 14), uma das posições-chave das Linhas de Torres Vedras



Estrada militar (à esquerda), construída para fazer a ligação entre os fortes e redutos.



Planta do Forte do Alqueidão



No interior do paiol do Forte do Alqueidão

Após a batalha do Buçaco, em 27 de setembro de 1810, as tropas francesas continuaram a avançar apesar da derrota. As primeiras unidades francesas avistaram as linhas de torres em 11 de outubro e o marechal Massena, comandante francês, percebeu que seria impossível ultrapassar o obstáculo sem reforços.


Diante das muralhas do Forte São Vicente, em Torres Vedras, com uma guarnição de 2.000 homens e 26 bocas de fogo

Registro aqui o meu agradecimento ao coronel José Paulo Berger, do Gabinete de Arqueologia da Engenharia Militar do Exército Português, responsável pelo trabalho arqueológico e pela sensibilização das municipalidades no sentido da preservação do patrimônio histórico-militar. 

Homenageando o Regimento de Engenharia nº 1, tradicional unidade de Engenharia do Exército Português, que, ao longo de mais de dez anos, vem trabalhando em prol da preservação da Linha de Torres Vedras


A equipe que realizou o trabalho de campo. Muito orgulho e convicção da importância histórica do sítio.



sexta-feira, 20 de abril de 2018

OS ITALIANOS CONQUISTAM ADIS ABEBA (1936)

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No dia 6 de maio de 1936, a Itália realizava o sonho de transformar o país em império. Da sacada do Palazzo Venezia, Mussolini anunciou que tropas italianas haviam ocupado Adis Abeba e dominado a Abissínia.


Por Oliver Ramme

No delírio da vitória, ninguém podia imaginar que a empreitada colonialista italiana na África Oriental seria de pouca duração. Em Roma, só se pensava em comemorar a revanche por uma derrota sofrida há 40 anos. Em 1896, a Itália fora humilhada na fronteira entre a Eritreia e a Etiópia, no maior conflito militar ocorrido até então em solo africano. Oito mil soldados italianos morreram na batalha de Adua.

Arrogantes, os italianos haviam subestimado a força e o engenho tático das tropas do imperador Menelik. Com a derrota, a Itália teve de enterrar as suas ambições de se tornar uma das grandes potências coloniais.

O país foi obrigado a pagar reparações; milhares de prisioneiros de guerra foram submetidos a trabalhos forçados, na construção da capital, Adis Abeba. Quarenta anos depois, essa humilhação continuava doendo aos italianos, como prova uma carta do escritor direitista Gabriele d’Annunzio a Mussolini: "Ainda sinto a cicatriz de Adua no meu ombro", escreveu.


Mais de dez anos de preparo

Pouco depois da subida de Mussolini ao poder, em 1922, haviam sido armados os primeiros planos para um ataque à Etiópia. Mas somente em 1935 a Inglaterra e a França consentiram silenciosamente a invasão. Supostamente, Paris e Londres teriam cedido para impedir que Mussolini fizesse uma aliança com Hitler. De março a setembro de 1935, 177 mil soldados italianos desembarcaram com armas e equipamentos de transporte na cidade portuária de Massaua (Eritreia).

Forças italianas modernas não encontraram dificuldade em subjugar a Abissínia


As advertências do imperador Haile Selassié de que a Etiópia não ficaria de braços cruzados no caso de uma invasão foram ignoradas em Roma. Na madrugada de 3 de outubro, o exército italiano cruzou o rio fronteiriço Mareb, abrindo uma frente de combate de 70 quilômetros.

Segundo a emissora BBC, poucos minutos após a invasão, o governo da Abissínia enviou um telegrama à Liga das Nações, em Genebra, informando que aviões italianos atacavam Adua e os combates já se estendiam em direção a Agamee.


Crueldade e transgressão à Convenção de Genebra

A campanha militar avançou lentamente. Sobretudo as longas distâncias dificultavam o abastecimento dos 500 mil soldados italianos. A Liga das Nações condenou a agressão, impôs um embargo de armamentos e um boicote econômico à Itália. As sanções, porém, não tiveram efeito e o embargo foi suspenso poucos meses depois.

A guerra na Abissínia foi conduzida com toda a crueldade imaginável, incluindo o uso do gás mostarda, numa evidente transgressão à Convenção de Genebra, assinada pela Itália em 1925. Os italianos levaram mais de meio ano e perderam 4 mil soldados até entrarem vitoriosos em Adis Abeba, obrigando Selassié a fugir para o exílio em Londres.

O fraco exército da Abissínia não foi capaz de conter os italianos


Nos anos seguintes, a resistência etíope foi duramente reprimida, principalmente depois de um atentado ao vice-rei Rodolfo Graziani – nomeado por Mussolini. Num dos incontáveis massacres, 400 monges foram executados num mosteiro copta.

O domínio do império italiano criado por Mussolini sobre a Etiópia só durou cinco anos. Fustigada pela guerrilha, a Itália praticamente não conseguiu ocupar o território e explorar as ambicionadas matérias-primas.

Em 1941, durante a Segunda Guerra Mundial, tropas do Reino Unido expulsaram os italianos e recolocaram Selassié no trono. Um ano antes, Mussolini havia declarado guerra à França e ao Reino Unido. As relações entre a Itália e a Etiópia somente se normalizaram em 1997, quando o presidente italiano Oscar Luigi Scalfaro foi a Adis Abeba, "para encerrar definitivamente um vergonhoso capítulo da história".


Fonte: DW



quarta-feira, 18 de abril de 2018

HISTÓRIA MILITAR EM PORTUGAL - MUSEU DE MARINHA DE LISBOA

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O Museu de Marinha está localizado na ala ocidental do Mosteiro dos Jerônimos, bem perto do Rio Tejo e do ponto de largada dos navios que partiram para descobrir o novo mundo


Prosseguindo em nossas pesquisas em Lisboa, estivemos no Museu de Marinha, um muito bem montado espaço museológico que possui um rico acervo, afinal, Portugal, com sua configuração geográfica voltada para o Atlântico, foi pioneiro na expansão marítima europeia.

O editor do Blog Carlos Daroz-História Militar pesquisando no Museu de Marinha de Lisboa

O Museu de Marinha foi fundado em 1863 pelo rei D. Luís, com sede inicial em um edifício da antiga Escola Naval de Lisboa. Em 1916, após um incêndio de grandes proporções que destruiu diversas peças do acervo, a necessidade de novas instalações tornou-se evidente e um objetivo a ser atingido.

Somente em 1948, com a doação feita por Henrique Maufroy de Seixas, foi possível a instalação no palácio do Conde de Farrobo, nas Laranjeiras, onde o museu permaneceu até 1962. Em 15 de agosto desse ano, o Museu de Marinha foi inaugurado no Mosteiro dos Jerônimos.  

Maquete de um galeão português do início do século XVI

Uniforme de 1º piloto da Marinha Portuguesa, 1806


Bandeira naval portuguesa exposta no museu


Maquete da canhoneira Pátria, construída no Arsenal de Marinha de Lisboa em 1903, como produto de subscrição pública de portugueses emigrados no Brasil


Os fuzileiros navais portugueses também merecem destaque no Museu de Marinha


A marinha moderna: fragata Vasco da Gama, classe Blohm & Voss, incorporada à Marinha Portuguesa em 1991. Um dos meios de combate navais mais atualizados a serviço de Portugal.

Atualmente possui cerca de 17 mil peças em seu acervo, incluindo fotografias, uniformes, desenhos, maquetes e planos de navios, com aproximadamente 2.500 delas em exposição permanente. Além do acervo permanente, o museu realiza exposições temporárias e, no momento, apresenta uma sobre o centanário da Aviação Naval portuguesa, que será objeto de uma postagem posterior do nosso blog.

O editor do Blog Carlos Daroz-História Militar na Sala das Galeotas do museu


Para quem vem a Lisboa, uma visita ao Museu de Marinha é essencial.


Museu de Marinha
Praça do Império 1400-206
Lisboa - Portugal
http://museu.marinha.pt.pt