"No próprio dia da batalha, as verdades podem ser pinçadas em toda a sua nudez, perguntando apenas;
porém, na manhã seguinte, elas já terão começado a trajar seus uniformes."

(Sir Ian Hamilton)



terça-feira, 18 de fevereiro de 2020

A BATALHA DE MUKDEN (1905)

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No dia 10 de março de 1905 terminava em Mukden, capital da Manchúria, a maior batalha da guerra entre a Rússia e o Japão.


Por Rachel Gessat


"Os barris de vodca eram sangrados a baionetas, abertos a faca e a machado. Um bando de homens desvairados lutava para abri-los, e bebia o líquido precioso em xícaras, jarras e velhas latas de sardinha. Cossacos, muçulmanos, soldados de infantaria, dragões, militares de todos as patentes participaram dessa louca bebedeira. Envoltos na cinza e na fumaça dos depósitos em chamas, eles pareciam demônios do álcool, lutando nos escombros do inferno."

Com essas palavras, um repórter descreveu a situação na cidade de Mukden, poucos dias antes de ser tomada pelas tropas japonesas. A capital da Manchúria foi palco da principal batalha da Guerra Russo-Japonesa (1904-1905). Segundo um correspondente da revista norte-americana Times, durante as várias semanas de batalhas, o comando militar tornou-se cada vez mais brutal e selvagem.

A bravura animalesca e a astúcia individual ou de um batalhão definiam o vencedor do dia. A 3 de março de 1905, os japoneses romperam a linha de defesa russa. Quatro dias mais tarde, o comandante-geral do exército da Rússia ordenou a retirada de suas tropas, para escapar de um cerco total. A retirada virou fuga em pânico e, em 10 de março, as tropas japonesas ocuparam Mukden.

Nos combates, 70 mil japoneses e 20 mil russos morreram ou saíram feridos, vítimas de uma guerra colonial supérflua entre a potência russa e o emergente Japão. Ambos ambicionavam os territórios da Manchúria e da Coreia. A Rússia havia tomado a dianteira na corrida imperialista: arrendara a península chinesa de Liotung e conquistara o acesso ao Oceano Pacífico via Port Arthur. O Japão estava decidido a impedir, se necessário pelas armas, uma nova expansão russa no Oriente.


Avaliação equivocada

A Rússia entrou na guerra com uma avaliação completamente equivocada da situação. Um ano antes da derrota devastadora em Mukden, um alto diplomata havia dito ao general Kuropatkin: "Alexei Nikolaevitch, você conhece a situação interna da Rússia. Para deter a revolução, precisamos de uma pequena guerra vitoriosa". Uma vitória militar deveria despertar o sentimento nacionalista e desviar a atenção das crescentes tensões no império czarista. Acreditava-se que o Japão não teria condições de resistir às tropas russas.

Tropas do 55° Regimento de Podil russo se concentrando para a Batalha de Mukden


Arrogante, Moscou negou-se a fazer concessões, quando os japoneses quiseram resolver politicamente o conflito de interesses na China e na Coreia. Na madrugada de 9 de fevereiro de 1904, os japoneses atacaram de surpresa navios de guerra russos na base naval de Port Arthur (atual Lüshunkou), na Manchúria, sem declarar guerra oficialmente. Esse episódio marcou o início de uma série de derrotas arrasadoras para a Rússia, que pensava apenas numa "pequena guerra contra o nanico Japão".

Poucos semanas depois de perderem Mukden, os russos passaram por um fiasco no mar, próximo a Tsushima. A frota russa do Báltico navegara 28 mil quilômetros para contornar a África. Chegando ao estreito de Tsushima, foi totalmente dizimada pelos japoneses, nas noites de 27 e 28 de maio de 1905. Essa derrota forçou o czar Nicolau II a aceitar, em 9 de junho, as negociações de paz propostas pelo presidente norte-americano Theodore Roosevelt.

A guerra terminou com o Tratado de Portsmouth, assinado a 5 de setembro de 1905. Para a Rússia, o conflito não passou de uma dispendiosa aventura colonialista, com considerável perda de prestígio nas relações internacionais. No campo da política interna, as consequências foram fatais: a guerra, que visara a acalmar as tensões sociais, desembocou na Revolução Russa de 1905.

Fonte: DW


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segunda-feira, 10 de fevereiro de 2020

A DEFESA DE TOBRUK (1942)

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Em 20 de junho de 1942, as tropas alemãs iniciaram o ataque decisivo ao porto líbio de Tobruk, cuja importância era estratégica para o avanço do Afrikakorps de Hitler. A batalha foi o ponto alto da carreira de Rommel.


Por Dirk Kaufmann


Às 5h20 da manhã de 20 de junho de 1942, o Afrikakorps alemão atacou a cidade portuária de Tobruk, na Líbia. Sob o comando do general Erwin Rommel, uma divisão de infantaria e duas divisões de tanques, apoiadas pela Força Aérea e pelo 20º Exército italiano, abriram fogo.

Por volta das 9 horas, os agressores atingiram o cruzamento da Via Balbia com a estrada para El Adem, chamada King's Cross pelos ingleses. A contraofensiva da 32ª Brigada de Tanques britânicos chegou tarde demais. Com a tomada do King's Cross, às 13h30, a queda de Tobruk estava praticamente selada.

Mapa do dispositivo defensivo em Tobruk


A resistência ainda continuou até o dia seguinte. Vinte e quatro horas depois do primeiro tiro, os alemães chegaram ao porto. Um correspondente de guerra narrou assim os acontecimentos: 

"São 5h10 da manhã. Começou o segundo dia da batalha por Tobruk e, a verdade, ele prenuncia o fim da operação. A noite passada foi iluminada pelos lança-chamas. Agora, aqui no porto de Tobruk, ergue-se uma enorme coluna de fumaça, uma parede que se estende de Leste a Oeste. A nuvem de fumaça sobe de um depósito de petróleo, incendiado por soldados em fuga. Ela paira como um sinal de infortúnio sobre a fortaleza".


Valor estratégico para abastecimento

Tobruk, que em tempos de paz tinha só uma população de 4 mil habitantes, situa-se na costa da Líbia, junto a uma ampla baía de águas profundas. Era, portanto, um dos melhores portos naturais da costa norte-africana, o que lhe dava um imenso valor estratégico como centro de abastecimento. Foi disputadíssima durante toda a Segunda Guerra Mundial. Utilizada primeiramente pelos italianos como base para seus ataques à Cirenaica, em janeiro de 1941 passou ao controle dos ingleses.

Rommel já havia tentado ocupar Tubruk um ano antes. Na ocasião, as tropas inglesas no norte da África, enfraquecidas por perdas sofridas na Grécia, tiveram de recuar até a fronteira do Egito, mas conseguiram defender Tobruk. Rommel fracassou devido a excessivas perdas no flanco sul e porque Tobruk era abastecida constantemente pelo mar. Além disso, foi surpreendido pela resistência de unidades neozelandesas, que se destacaram por sua bravura na defesa do porto, como lembra o historiador Barton Maughan. Depois de sitiar a cidade durante 242 dias, Rommel viu-se obrigado a interromper a campanha.

Tobruk em chamas após um bombardeio alemão.


Esse fiasco, porém, não deveria se repetir em junho de 1942. A Operação Veneza, destinada a expulsar os ingleses da África do Norte, tinha sido mais bem preparada. Subestimando o significado estratégico de Tobruk, os ingleses haviam deixado ali apenas a inexperiente segunda divisão sul-africana. Desta vez, as tropas alemãs levaram apenas um dia para conquistar a cidade. Às 6h30, o comandante da fortaleza, general Klopper, entregou-se aos nazistas, fato que a rádio oficial alemã registrou com a seguinte notícia:

"Do quartel geral do Führer, 21 de junho de 1942. O comando superior da Wehrmacht (Forças Armadas) informa: tropas alemãs e italianas, comandadas pelo general Rommel, tomaram a maior parte da cidade de Tobruk. Em consequência, um parlamentar inglês propôs a comandantes do Exército italiano a entrega da fortaleza. A cidade e o porto estão ocupados. Até agora, foram presos mais 25 militares, entre eles vários generais, e apreendido um volume inestimável de armas."

A conquista de Tobruk representou o auge da carreira de Rommel. Mas sua tentativa de avançar até o Egito fracassou. Na primeira batalha de El Alamein, o Afrikakorps foi contido e derrotado pelos ingleses. Outra consequência da batalha de Tobruk foi a nomeação do general Bernard L. Montgomery para o comando do 8º Exército dos Aliados, que também acabaria sendo promovido a marechal de campo por suas vitórias no norte da África.


Fonte: DW


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sábado, 8 de fevereiro de 2020

A INVASÃO DE CORRIENTES (1865)

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A Invasão de Corrientes foi um episódio ocorrido no início da Guerra do Paraguai, na segunda etapa da ofensiva paraguaia, após a Invasão do Mato Grosso, no início de 1865.

As forças paraguaias buscavam levar apoio aos blancos, no Uruguai, e precisavam para isso atravessar o território argentino. Em março de 1865, López pediu ao governo argentino autorização para que o exército comandado pelo general Venceslau Robles, com cerca de 30 mil homens, atravessasse a província de Corrientes. O exército do sul paraguaio tinha duas colunas: a força principal com 14 mil homens na infantaria, 6000 na cavalaria e 30 peças de artilharia. A força auxiliar, sob o tenente general Estigarribia com 7.000 homens na infantaria, 3.000 da cavalaria e 5 canhões. O presidente Bartolomeu Mitre, aliado do Brasil na intervenção no Uruguai, negou-lhe a permissão. Em resposta a esta negativa, no dia 18 de março de 1865, o Paraguai declarou guerra à Argentina.

General Estigarríbia, comandante das tropas paraguaias


Uma vez declarada a guerra, os paraguaios buscaram evitar que o Exército Argentino detivesse seu avanço, efetuando uma manobra de distração, ao mesmo tempo em que outra frente avançava pela costa do rio Uruguai. Isto foi feito através da ocupação da cidade de Correntes, numa estratégia que também permitiria controlar o curso superior do rio Paraná, deixando aberta a comunicação através da província de Corrientes.

Na sexta-feira de 13 de abril de 1865, uma esquadra paraguaia de cinco belonaves a vapor, com 2.500 homens, sob o comando de Pedro Ignacio Meza se aproximou de Correntes. Os navios passaram pela cidade em direção ao sul, depois retornaram ruma ao norte e atacaram os vapores de guerra argentinos 25 de Mayo e Gualeguay, que estavam sendo reparados no porto da cidade. No 25 de Mayo havia uma tripulação de 80 homens com uma bateria de artilharia, já o Gualeguay estava em terra, desarmado e somente com uma guarda comandada pelo subteniente Ceferino Ramírez. A tripulação de dois dos navios paraguaios atacou aos argentinos, e após uma breve luta com algumas baixas, aprisionou os navios. Em seguida, as tropas do general Robles tomaram a cidade com uma tropa de entre 3 e 4 mil homens, enquanto o governador Manuel Lagraña abandonava a cidade.

Campanha de Corrientes

À tarde do mesmo dia, enquanto uma coluna de cavalaria de 800 homens chegava por terra à cidade, Robles reuniu uma assembleia popular, aparentemente formada exclusivamente por membros do partido federal, e da oposição ao governo central que, por sua vez, nomeou um governo provisório, formado por Teodoro Gauna, Víctor Silvero e Sinforoso Cáceres. Porém na práctica este governo só referendava as ordens da comissão paraguaia de José Bergés, Miguel Haedo e Juan Bautista Urdapilleta.

Ao invadir Corrientes, López pensava obter o apoio do poderoso caudilho argentino General Justo José de Urquiza, governador das províncias de Corrientes e Entre Ríos, chefe federalista hostil a Mitre e ao governo de Buenos Aires. A invasão da Argentina por López, entretanto, teve efeito oposto.

Soldados de infantaria paraguaios

As ações de López deram aos federalistas argentinos apenas duas opções: lutar contra o invasor ou continuar neutros. Urquíza, inicialmente, prometeu lutar contra López. A atitude ambígua assumida por Urquiza, entretanto, manteve estacionadas as tropas paraguaias, que avançaram posteriormente cerca de 200 km em direção ao sul, mas terminaram por perder a ofensiva.

López deixou 12.000 homens guarnecendo a cidade, enquanto 25.000 foram enviados ao rio Paraná para invasão do Rio Grande do Sul.


segunda-feira, 3 de fevereiro de 2020

OSCAR 2020: A HISTÓRIA QUE INSPIROU ‘1917’, O ACLAMADO FILME DE GUERRA INDICADO A DEZ ESTATUETAS

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1917, filme dirigido pelo britânico Sam Mendes sobre a Primeira Guerra Mundial, transcorre em apenas dois planos-sequência (como se fossem duas grandes cenas, com apenas uma interrupção).

E essa destreza técnica contribuiu para que a obra fosse indicada a dez categorias do Oscar, entre elas a de melhor filme e de melhor diretor. O longa de Mendes, premiado no Oscar em 2000 por Beleza Americana, trata de dois soldados britânicos que são enviados, através de um campo de batalha, para levar uma mensagem que pode salvar a vida de 1,6 mil integrantes de um regimento de Devonshire durante a batalha de Passchendaele.

Mas quão reais são os eventos históricos em que o novo filme se baseia? E por que a grande parte dos críticos já o colocou como favorito ao Oscar?


Baseado "vagamente" em fatos reais

O longa se passa em um cenário verdadeiro: a Primeira Guerra Mundial, que transcorreu de 1914 a 1918 e teve como cenário central o continente europeu, principalmente o norte da França. Mais de 17 milhões de pessoas morreram no conflito.

Segundo o diretor relatou em um podcast da revista especializada Variety, a história de 1917 se baseia no relato que seu avô, Alfred Mendes, lhe fez na infância. "Havia uma história que era um fragmento do relato de meu avô, que lutou na Primeira Guerra. Era a história de um mensageiro que tinha um recado para levar. E isso era tudo que podia contar", relembra o diretor. 

"Essa história, ou esse fragmento, permaneceu comigo e obviamente eu a ampliei e fiz mudanças enormes, mas a essência é a mesma." Alfred Mendes, que nasceu na ilha caribenha de Trinidad e Tobago, se mudou para o Reino Unido e se juntou ao Exército britânico que lutou no norte da França.

Cena real da Batalha do Passchendaele: morte e sofrimento em meio ao lamaçal

No longa, os personagens principais são o soldado Blake (Dean-Charles Chapman, de Game of Thrones), seu companheiro Schofield (George MacKay, de Capitão Fantástico), o general Erinmore (Colin Firth, de O Discurso do Rei) e o coronel MacKenzie (Benedict Cumberbatch, de Sherlock).

Mas nenhum deles existiu na realidade. Alguns apontam que Blake se inspira no avô de Sam Mendes, que escreveu um livro de memórias sobre sua participação da Primeira Guerra Mundial.

E como aponta o portal History and Hollywood, o maior combate retratado no longa pode ser a batalha de Passchendaele ou a terceira batalha de Ypres, que durou de 31 de julho a 10 de novembro de 1917.


A técnica

Como o próprio diretor afirmou ao receber um prêmio por 1917, esta é uma obra para ser vista no cinema. Isso porque uma de suas principais características é ser narrado em dois planos-sequência.

"A estratégia audaciosa de Mendes por trás das câmeras tem chamado bastante atenção. Filmando em longas tomadas com a menor quantidade de cortes possíveis na edição, o diretor cria a ilusão de um movimento contínuo em meio a soldados que avançam por batalhas e campos enlamaçados", escreve a crítica Caryn James na BBC. E acrescenta: "A técnica é deslumbrante, mas é mais do que um truque: aumenta a tensão e o imediatismo da imagem, o que permite nos conectarmos com os dois heróis".

Longa foi filmado no Reino Unido e contou com cerca de 500 figurantes

Estima-se que o filme custou mais de US$ 90 milhões (R$ 372 milhões) e conte com mais de 500 figurantes. 

"A história de meu avô não era nada romântica. Não era sobre heroísmo ou valentia, mas sim sobre um soldado que teve ou não a sorte de sobreviver à guerra", afirmou Mendes à revista especializada The Hollywood Reporter.

"E foi por isso que minha ideia sempre foi: por que não grudamos o público nessa experiência de uma maneira que parece não se romper nunca, em um filme que se parece com o tique-taque de um relógio, no qual experimentamos o que acontece em tempo real a cada segundo?"

Fonte: BBC


segunda-feira, 27 de janeiro de 2020

HÁ EXATOS 75 ANOS O EXÉRCITO VERMELHO LIBERTAVA O CAMPO DE EXTERMÍNIO DE AUSCHWITZ

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Em um cenário desesperador, os soldados evacuaram o maior campo de concentração nazista. Cerca de 1,5 milhão de pessoas morreram no local

No final da guerra, prevendo a vitória dos aliados, os alemães começaram a destruir crematórios e documentos enquanto evacuavam os prisioneiros de Auschwitz. Os que não conseguiam andar foram deixados lá e liberados pelo Exército Vermelho em 27 de janeiro de 1945. Lá, cerca de 1,5 milhão de pessoas morreram, a maioria em câmaras de gás.

Arbeit machr frei ("O trabalho liberta", em português). Era essa a inscrição na entrada do maior campo de concentração nazista. Erguido em 1940 nos subúrbios da cidade de Oswiecim, na Polônia, ele tinha três partes: Auschwitz I, a mais antiga; Auschwitz II-Birkenau, que reunia o aparato de extermínio; e Auschwitz III-Buna, com cerca de 40 subcampos de trabalho forçado.

As primeiras vítimas do nazismo foram poloneses, seguidos de soviéticos, ciganos e prisioneiros de guerra. Em 1942, o campo voltou-se para a destruição em massa dos judeus. Os presos eram obrigados a usar insígnias nos uniformes conforme a categoria – motivo político era um triângulo vermelho; homossexual, um rosa. Muitos foram usados em experimentos médicos.


Fornos de Hitler

Entre as muitas vítimas estava Olga Lengyel. Uma judia que vivia com o marido e os  filhos na cidade de Cluj, capital da Transilvânia. Ao ouvirem relatos sobre as atrocidades cometidas pelos nazistas em terras ocupadas, não acreditaram que isso poderia se tornar um pesadelo real. 

Oficiais do Exército Vermelho conversando com prisioneiros libertados
 
Em 1944, o seu marido, que era médico, seria deportado para a Alemanha. Ela acreditava que o companheiro poderia ser enviado para suprir a falta de médicos, e assim optou por segui-lo com os filhos. Contudo, era uma emboscada. O destino final da família seria Auschwitz. No local, Olga perdeu a sua família. Entretanto, sobreviveu para contar a sua trajetória. Em Os Fornos de Hitler, Olga detalhou um dos primeiros relatos sobre o horror dos campos de extermínio nazistas. 

"(...) Os alemães deixavam vivos alguns milhares de deportados de cada vez, mas apenas para facilitar o extermínio de milhões de outros. Faziam tais vítimas executar seu trabalho sujo. Elas faziam parte do sonderkommando. Trezentas ou quatrocentas serviam em cada forno do crematório. Seu dever consistia em empurrar os condenados para dentro das câmaras de gás e, depois que o assassinato em massa tivesse sido cometido, abrir as portas e transportar os cadáveres."

Hoje, Auschwitz é um museu que preserva a memória do maior genocídio da História.

Fonte: Aventuras na História


sábado, 25 de janeiro de 2020

RÚSSIA CRIARÁ O MAIOR ARQUIVO DE DOCUMENTOS DA SEGUNDA GUERRA MUNDIAL

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A Rússia criará o maior arquivo de documentos da Segunda Guerra Mundial e vai torná-lo acessível tanto para os seus cidadãos como para os de outros países, declarou Vladimir Putin, numa intervenção na Assembleia Federal (Parlamento).

O arquivo será “o maior e mais completo de documentos escritos, fotografias e filmes relativos à Segunda Guerra Mundial e será acessível aos cidadãos do nosso país como do mundo inteiro. Vemos neste trabalho o nosso dever de país vencedor desta guerra e a nossa responsabilidade para as futuras gerações”, afirmou Putin.

O presidente russo também sublinhou a obrigação da Rússia em conservar a verdade sobre a Segunda Guerra Mundial e opor-se às tentativas de falsificação da história.

“O 9 de Maio é a maior e mais sagrada festa para a Rússia. A memória (da guerra) é mais que um tributo ao passado histórico, também serve o nosso futuro porque fortalece a nossa unidade. Defender a verdade sobre a Vitória é nossa obrigação, caso contrário o que diremos aos nossos filhos se permitirmos que a mentira se propague como uma peste pelo mundo inteiro? Devemos opor os factos à descarada mentira e às tentativas de reescrever a história”, finalizou.

Fonte: Sputnik


domingo, 19 de janeiro de 2020

A GUERRA DO PACÍFICO: O MARTÍRIO DA BOLÍVIA



Feriado mais importante no país é exigir o mar de volta ao Chile


Por Fábio Marton

Todo 23 de março, celebra-se o Dia do Mar na Bolívia. É uma espécie de Carnaval patriótico, em que adultos e crianças se vestem de marinheiro ou usam fantasias com chapéu de barco, ondas ou qualquer outro tema "oceânico" e desfilam rumo à plaza Eduardo Albaroa. Também valem roupas de soldado ou os trajes tradicionais dos povos de língua quéchua e aimará, etnias da maioria da população do país. O presidente faz um discurso. Acontecem salvas de canhões e paradas militares, inclusive da Marinha boliviana.
A Bolívia não tem mar. E esse é o ponto do Dia do Mar.


Um pedaço de Marte

A Guerra do Pacífico, como ficou conhecida, colocou Chile contra Bolívia e Peru de 1879 a 1883. Em números absolutos, foi mais modesta que a Guerra do Paraguai, envolvendo cerca de 70 mil combatentes, contra 350 mil. Mas suas consequências e seus ressentimentos seriam bem mais dramáticos. "Como a maioria dos conflitos no que posteriormente seria conhecido como Terceiro Mundo, a Guerra do Pacífico foi um grande momento para os povos envolvidos, mas acabou largamente ignorada fora da região", afirma o historiador Bruce W. Farcau em The Ten Cents War. 

Historicamente, a região não valia nada. Era um pedaço de terra seca, sem rios, no deserto mais inclemente do mundo - o Atacama, onde o período entre duas chuvas se mede em décadas. E uma precipitação anual 20 vezes menor que nas partes mais secas do deserto do Saara. Não há nenhuma vida vegetal ou animal ali, exceto no litoral, onde nevoeiros oferecem alguma umidade a líquens e cactos. A região é comumente usada por equipes de filmagem quando querem recriar o ambiente de Marte, como na série Space Odissey (2004), da BBC. (Perdido em Marte, de 2015, não; esse foi filmado na Jordânia).


Fronteiras tensas

O Atacama é o deserto mais letal do mundo, mas não só por falta de água. Alguém tentando cruzar a fronteira entre Peru e Chile, ao norte de Arica, vai se deparar com uma "atração" inusitada: campos minados, marcados por placas em espanhol, inglês e aimará. 113 121 minas antipessoal e antitanque foram plantadas na fronteira pelo governo Pinochet (1973-1993) e vem sendo removidas desde 2000, mas apenas 9,34% do total foi desativado, segundo dados do governo chileno.

Batalha travada durante a Guerra do Pacífico 

As encrencas do Chile não se limitaram ao norte. Em 1978, quando ditaduras militares dominavam ambos os países, Chile e Argentina quase entraram em guerra por causa de três ilhas minúsculas no canal de Beagle, que faz a passagem do oceano Atlântico para o Pacífico e corta os dois países. A Argentina chegou a preparar uma invasão militar das ilhas, que considerava suas, mas desistiu na última hora. Até o papa teve de intervir: com o fim do regime militar argentino, o presidente Raúl Alfonsín assinou no Vaticano um acordo com Pinochet, entregando as ilhas ao Chile. Pinochet, de seu lado, plantou também minas na fronteira com a Argentina.

Mas mesmo um tirano como Pinochet teve seu momento de iluminação - ou, quem sabe, solidariedade a outros ditadores militares. Em 1972, quando a Bolívia estava sob a ditadura do general Hugo Banzer e o Peru sob a do general (de esquerda) Juan Velasco Alvarado, ele propôs entregar uma faixa de terra à Bolívia, ligando o país à cidade de Arica. Os bolivianos deveriam entregar uma faixa equivalente ao Chile, incluindo aí o território da faixa marítima. Os bolivianos ficaram exultantes, mas, como Arica originalmente era parte do Peru, não da Bolívia, os acordos com o Chile exigiam a consulta ao Peru antes da entrega. O ditador peruano não gostou e propôs que os 3 países dividissem Arica. Acabou ficando tudo como estava - e está.

No conturbado processo de independência das colônias da América do Sul, o deserto acabou dividido entre o Peru, que conquistou a independência, em 1821, e a Bolívia, liberada em 1825. Os países, que eram simplesmente o "Peru" na época colonial, unificaram-se em 1833, e isso levou a uma primeira guerra com o Chile, entre 1836 e 1839, separando-os novamente. O Chile não queria um vizinho gigante ao norte, mas não levou nenhum território - e nem estava interessado. Isso mudaria radicalmente na década de 1840, quando começou a se explorar um recurso inusitado: o guano, excremento de aves marinhas que, sem chuvas para removê-lo e ressecado pelo sol, forma morros brancos em rochas perto do mar. "Os chilenos nunca se incomodaram com a questão de fronteiras até a descoberta do guano", afirma o cientista político Waltraud Q. Morales em A Brief History of Bolivia.

O guano tem em sua composição o nitrato de sódio, ou salitre, que começava a ser usado em fertilizantes e era matéria-prima na produção de explosivos. Não apenas nas pedras brancas mas também enterrado no solo, havia enormes depósitos de salitre no Atacama. Isso tornou, da noite para o dia, o terreno morto em um dos pontos mais importantes da Terra.

A princípio, o Chile não precisou tomar territórios para se favorecer com isso. Com instituições privadas e governamentais bem mais sólidas que as dos vizinhos, foram as indústrias chilenas, fomentadas por capitais britânico, francês e americano, que rapidamente se instalaram na região, com mão de obra dos próprios chilenos e migrantes do mundo todo, inclusive da China.


Acordo secreto

A situação mudou em 1878, quando o Congresso boliviano tornou nulo um acordo que isentava de impostos a chilena Compañia de Salitres y Ferrocarril de Antofagasta (ferrocarril é "ferrovia" em espanhol e Antofagasta era a cidade mais ao sul do litoral boliviano, na fronteira com o Chile). A Compañia deveria pagar 10 centavos de peso para cada 100 kg de salitre extraídos. A empresa se recusou, e o Congresso boliviano votou por confiscar suas propriedades, marcando o início do processo para 23 de fevereiro de 1879. No dia da execução, 500 soldados chilenos desembarcaram em Antofagasta para proteger a empresa - foram recebidos com festa, já que 95% da população da cidade era chilena.

A princípio, os bolivianos decidiram contornar a situação com eufemismos. A declaração de guerra contra o Chile foi aprovada pelo Congresso em 27 de fevereiro, mas não foi anunciada. Em vez disso, o presidente, Hilárion Daza, preferia falar em "estado de guerra". Em 1º de março, anunciou a expulsão dos chilenos do país. Com ou sem declaração, os chilenos se mexeram. Em 23 de março, 554 soldados chilenos avançaram pelo deserto, rumo à cidade de Calama. Lá enfrentaram e massacraram 135 civis e soldados, comandados pelo engenheiro Eduardo Albaroa - que se tornou o mártir do Dia do Mar e herói na Bolívia.

Artilharia chilena em posição.

O Peru também tentou evitar o pior. Desde 1872, tinha um acordo de defesa secreto firmado com a Bolívia, que exigia que honrasse o compromisso. Os peruanos tentaram sediar um congresso de paz em seu país, mas o Chile, tomando conhecimento do acordo de defesa, preferiu declarar guerra a ambos os países em 4 de abril de 1879.


Ofensiva brutal

Avançar pelo deserto era complicado. O Chile preferiu, então, fazer uma guerra focada em combates navais e invasões anfíbias. O país tinha 7 navios, e o Peru, 6 - a maioria comprada dos americanos após a Guerra Civil que funcionavam a vapor e eram modernos para a época.

Em 5 de abril, os chilenos bloquearam o porto peruano de Iquique. Após uma troca de tiros, o Peru conseguiu expulsar os navios chilenos da cidade e afundar um dos 7 navios da Marinha chilena, mas a um enorme preço: o Independencia, um de seus dois navios mais bem armados, bateu em uma rocha e afundou. Com a retirada chilena, o segundo navio peruano mais poderoso, o Huáscar, passou a circular pelas guarnições costeiras chilenas e fazer ataques esporádicos, atrasando seu avanço. Em 8 de outubro, os chilenos conseguiram capturar o Huáscar, na Batalha de Angamos, e o usaram contra as forças peruanas. Depois disso, ficaram praticamente livres para desembarcar tropas. Em 2 de novembro, baixaram em Pisagua, 500 km ao norte de Antofagasta. Em 19 de novembro, conquistaram Iquique. Com um tanto de excesso de confiança, levaram o que foi seu maior revés na guerra: em 27 de novembro, na Batalha de Tarapacá, uma coluna chilena de 2,3 mil homens enfrentou 4,5 mil peruanos e bolivianos e foi massacrada. Apesar disso, os peruanos não conseguiram manter a posição e recuaram para Arica, e as notícias causaram uma enorme turbulência política. 

Tropas do Exército do Chile com uniformes históricos, que remetem à Guerra do Pacífico.


Em 23 de dezembro, um golpe de estado depôs o presidente peruano, Mariano Ignazio Prado, e o boliviano Hilárion Daza fugiu para a Europa no dia 27. Em 26 de fevereiro de 1880, os chilenos invadiram Ilo, isolando as tropas de reforços via Peru. Em 26 de maio, na Batalha de Tacna, destruíram a maioria do que restava do exército, fazendo com que a Bolívia se retirasse do conflito. Em 7 de junho, liquidavam a fatura na Batalha de Arica, em que 5 mil chilenos venceram 1 903 peruanos, deixando o inimigo sem exército.

Em 23 de outubro, numa conferência mediada pelos americanos no navio USS Lackawanna, em Arica, tentou-se uma solução de paz sem resultados. Os chilenos decidiram ir até o fim. Em 17 de janeiro, 23 mil militares chilenos invadiam a cidade de Lima, defendida por 18 mil civis recrutados às pressas e por sobreviventes do exército. A cidade foi saqueada, as mulheres, estupradas, e mesmo a Biblioteca Nacional teve seu conteúdo transferido para o Chile - 3 778 livros, só devolvidos em 2007.


Paz ressentida

Aos peruanos, restou fazer uma campanha de guerrilha e revolta civil até 1883, quando o Tratado de Ancón encerrou as hostilidades. A Bolívia assinou uma trégua em 1884, e um tratado definitivo de "amizade", cedendo todo seu litoral, em 1904, em troca de livre acesso ao porto de Arica e a construção de uma ferrovia ligando-a à capital, La Paz.

O boom do guano durou pouco: no início do século 20, os alemães criaram formas sintéticas de nitrato e a região perdeu interesse comercial. Mas o Chile aproveitou: "Antes de o nitrato de potássio ser produzido sinteticamente, o Chile já havia explorado fontes naturais de nitratos por muitos anos, à custa das regiões ocupadas da Bolívia e do Peru", afirma o historiador Cesar Augusto Barcellos Guazzelli, da UFRGS. Em 1929, quando os bolsões de guano não tinham mais valor comercial, a região de Tacna, no extremo norte, foi devolvida ao Peru. Na década seguinte, o cobre seria descoberto na região. Hoje, o Peru é o segundo maior produtor do mundo, atrás do Chile. Talvez por isso o ressentimento lá sejam um pouco menor que na Bolívia.


Todo mundo levou um naco

Os bolivianos nunca se esqueceram. Depois da guerra, perderam ainda territórios para o Brasil - o Acre, em 1903 - e para o Paraguai - a região do Chaco, em 1935, após outra guerra tola e sangrenta -, além de outros nacos para Chile e Argentina. A soma é cruel: em 1825, a Bolívia tinha 2,36 milhões de km2. Hoje sua área é pouco maior que 1 milhão de km2. Ou seja, o país perdeu mais da metade de suas terras. Essas regiões ainda aparecem nos discursos nacionalistas, mas o litoral é o topo das prioridades. Por todo o país, há murais e estátuas apontando para o mar, ilustrando os massacres da guerra, pedindo a devolução. 

De 2002 a 2005, esse sentimento voltou a aflorar na "Guerra do Gás", uma série de protestos e greves iniciada pela proposta de exportar gás natural através de uma linha até o Chile, em que sentimentos antichilenos se misturaram a anticapitalistas e antiamericanos. Evo Morales, que vinha de uma carreira em defesa dos plantadores de coca, liderou protestos pela nacionalização do gás e acabou eleito presidente, em 2005, fazendo reformas que incluíram uma nova Constituição.

A atual Constituição boliviana anuncia com todas as letras que "o Estado boliviano declara seu direito irrenunciável ao território que dá acesso ao oceano Pacífico e seu espaço marítimo", a seguir toma o cuidado de acrescentar que isso se dará por "vias pacíficas".

O Chile considera isso um entrave à retomada das relações diplomáticas dos países, paradas desde 1978. É fácil entender por quê: os departamentos ao norte do Chile têm a maior renda per capita e Índice de Desenvolvimento Humano do país graças ao cobre, e o metal responde por metade das exportações chilenas. "Além de uma questão de soberania nacional, isto faria da Bolívia um país competidor com o Chile pelo mercado aberto pelo Pacífico, o que é impensável nos termos atuais da economia latino-americana. Controlando as exportações que passam pelo seu país, os chilenos precisariam de compensações econômicas de vulto para ceder tais direitos", afirma Guazzelli. Os tempos mudam, mas nem tanto.

O caso está no Tribunal de Haia desde 2013. A Bolívia está confiante na vitória. 


Saiba mais

- FARAU, Bruce. The Ten Cents War: Chile, Peru, and Bolivia in the War of the Pacific, 1879-1884. Greenwood Publishing Group, 2000.

- SATER, William. Andean Tragedy: Fighting the War of the Pacific, 1879-1884. University of Nebraska Press, 2007

Fonte: Aventuras na História


quinta-feira, 16 de janeiro de 2020

A BATALHA DA ILHA DE VALCOUR (1776)

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A Batalha Naval da ilha de Valcour teve lugar em 11 de outubro de 1776, no Lago Champlain. A ação principal ocorreu na Baía de Valcour, um estreito entre a ilha de Nova York e a ilha de Valcour. 


A batalha foi uma das primeiras batalhas navais da Guerra de Independência dos EUA e uma das primeiras travadas pela Marinha dos Estados Unidos. Diversos navios da frota americana, sob o comando de Benedict Arnold, foram capturados ou destruídos por uma força britânica sob o comando geral do general Sir Guy Carleton. No entanto, a defesa norte-americana do Lago Champlain deteve os planos britânicos em seus planos para chegar ao vale do Rio Hudson.

Benedict Arnold comandou a frota norte-americana durante a batalha


O comandante britânico Sir Guy Carleton

O Exército Continental tinha se retirado de Quebec para os fortes Ticonderoga e Crown Point em junho de 1776, após as forças britânicas terem sido maciçamente reforçadas. Eles passaram o verão de 1776 fortalecendo essas posições e construindo navios adicionais para aumentar a pequena frota americana já existente no lago. 

O general Carleton possuía um exército de 9.000 homens em Forte Saint-Jean, mas precisava construir uma frota para levá-lo para o lago. Os americanos, durante a sua retirada, tinham capturado ou destruído a maioria dos navios britânicos no lago. No início de outubro, a frota britânica, que era significativamente mais fraca do que a frota americana, estava pronta para o lançamento.

Em 11 de outubro, Arnold atraiu a frota britânica para uma posição que ele tinha escolhido cuidadosamente para limitar suas vantagens. Na batalha que se seguiu, muitos dos navios americanos foram danificados ou destruídos. Naquela noite, Arnold esgueirou a frota americana para além dos britânicos, iniciando uma retirada em direção a Crown Point e Ticonderoga. O clima desfavorável impediu o recuo americano, e boa parte da frota foi capturada ou incendiada antes que pudesse chegar a Crown Point. Ao chegar na localidade, Arnold verificou que os fortes haviam sido queimados, e se retirou para Ticonderoga.

Mapa mostrando o posicionamento da frota americana ao lado da ilha Valcour

A frota britânica incluía quatro oficiais que mais tarde se tornaram almirantes na Marinha Real: Thomas Pringle, James Dacres, Edward Pellew e John Schank.  A Baía de Valcour, o local da batalha, é hoje um Marco Histórico Nacional dos EUA, preservado pelo governo.

O Forte Ticonderoga preservado


segunda-feira, 13 de janeiro de 2020

SISTEMA DE MÍSSEIS AAe BUK - UM PRODUTO DA GUERRA FRIA



Por Ignácio Cobo

O sistema Buk é um produto clássico do final da Guerra Fria, época em que se pensava em um conflito em larga escala entre blocos antagônicos. Nesse contexto, a artilharia antiaérea era o principal elemento para deter a primeira ofensiva dos aviões inimigos.

Em funcionamento desde 1979, o sistema Buk disseminou-se amplamente nos países satélites da Rússia e afins, como Índia, Síria e, naturalmente, Ucrânia. A experiência das guerras árabe-israelenses e a certeza de que um conflito na Europa teria grande mobilidade levaram os criadores do projeto a concluir que o sistema deveria ser autopropulsado e possuir um radar próprio que o tornasse independentemente de qualquer estação fixa. A solução foi colocá-lo sobre um veículo de esteiras, em um lançador com quatro mísseis associados a um radar monopulso, cuja função era guiar o projétil até o alvo.

Cada veículo precisava ser autônomo no momento do disparo, embora o normal fosse agruparem-se em baterias. Cada bateria incluía um posto de comando a partir do qual se controlavam os disparos dos diversos lançadores, um radar de aquisição para localizar alvos a grande distância e vários veículos de abastecimento de armas.

A partir desse modelo básico, que a OTAN apelidou de Gadfly (“Moscão”), foram desenvolvidas várias versões posteriores, algumas com um radar adicional de onda contínua para melhorar a detecção de aeronaves em voo de baixa altitude. Com um alcance de até 32 quilômetros de profundidade e 22 quilômetros de altitude, o sistema Buk se tornou a espinha dorsal da defesa antiaérea de muitos países.

Evidentemente, o manuseio de um sistema tão sofisticado requer pessoal altamente qualificado. Sejam recrutas ou reservistas que tenham prestado o serviço militar em unidades antiaéreas, os operadores devem ser profissionais treinados, dotados de uma visão muito clara do que está voando lá em cima. Com isso, seria quase impossível confundir um avião civil com um de combate.

Um míssil AAe Buk foi o responsável pela derrubada do voo MH-17 da Malaysia Airlines em 2014


Como elemento adicional, a exemplo do que ocorre na maioria dos sistemas antiaéreos modernos, o Buk possui seu próprio sistema de identificação “amigo ou inimigo” (IFF na sigla em inglês), imprescindível para saber que aeronaves estão circulando. Um radar secundário interroga o avião eletronicamente para perguntar “quem está voando”. O avião, seja comercial ou não, responde automaticamente a este sinal. Se, por algum motivo, não houver resposta, os operadores sabem que não é amigo, mas não podem confirmar que seja inimigo. Nesses casos, assim como quando o IFF não funciona, é preciso aplicar as regras de enfrentamento que definem claramente que não se pode derrubar uma aeronave não identificada como inimiga, exceto para autodefesa.

Fazer isso constitui uma ação criminosa que nenhuma eventual vantagem tática justifica. Dizer que o voo MH-17 da Malaysia Airlines foi confundido com uma aeronave militar não é desculpa. Os operadores deveriam saber.

Fonte: El País