"No próprio dia da batalha, as verdades podem ser pinçadas em toda a sua nudez, perguntando apenas;
porém, na manhã seguinte, elas já terão começado a trajar seus uniformes."

(Sir Ian Hamilton)



quarta-feira, 8 de julho de 2015

A ORIGEM DO NOME DAS OPERAÇÕES MILITARES

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Batizar operações militares serve para melhorar o moral das tropas e tem efeito de propaganda, mas por vezes falta inspiração aos autores, como se vê neste título


Por José Francisco Botelho

Em 19 de março de 2011, navios e submarinos americanos cruzaram o mar Mediterrâneo rumo ao litoral da Líbia. Pela primeira vez em mais de uma década, o Exército dos EUA participava de uma ação militar apoiada pela maior parte da população árabe. O objetivo era destruir as forças do ditador Muamar Kadafi, há 40 anos no poder. O regime, sacudido por uma rebelião interna, reagiu com o massacre de civis. A intervenção militar tinha aval da ONU e contava com a adesão de países como a França e o Reino Unido. Apesar da seriedade da situação, risinhos irônicos se espalharam pelo mundo, enquanto os mísseis americanos Tomahawk choviam sobre as Forças Armadas líbias. Por que tanta graça em uma hora tão grave? O motivo era o nome da operação americana: Odissey Dawn, que em português quer dizer "Aurora da Odisseia". A esdrúxula combinação de palavras, com suas vagas e malsucedidas intenções poéticas, foi um prato cheio para humoristas como Jon Stewart: "Isso mais parece título de algum álbum do Yes". (A banda de rock progressivo tem em seu currículo pérolas como Contos dos Oceanos Topográficos e Chaves da Ascensão 1 e 2.)

 

O ditador foi derrubado, mas é improvável que a Aurora da Odisseia continue despertando, daqui a meio século, sentimentos solenes como os que envolvem a Operação Overlord - codinome para a invasão aliada nas costas da Normandia, o dia D da 2ª Guerra. O contraste entre a força de alguns codinomes e a - digamos - esquisitice de outros levou muita gente a se perguntar: afinal de contas, quem escolhe o nome dessas operações militares e de que forma se dá o "batismo"? Ironias à parte, essa questão aponta para um interessante - e pouco conhecido - capítulo na história militar. Dar nomes a operações é um hábito com várias funções - entre elas, levantar o moral dos soldados e fazer boa propaganda. "É natural que os soldados sintam-se mais motivados por participar em uma operação denominada Tempestade no Deserto do que Colinho da Mamãe", diz Cesar Machado Domingues, historiador e editor da Revista Brasileira de História Militar. "Da mesma forma, algumas expressões bem escolhidas podem influenciar favoravelmente a opinião pública." Mas também operações que fracassaram por causa de nomes mal bolados, como você vai ver a seguir.


Letras, números e santos

Lá nos primórdios da humanidade, fazer guerra era relativamente simples. Bastava juntar um bando de correligionários, reunir algumas lanças e correr para o terreno do vizinho. Com o tempo, as coisas se complicaram. Os exércitos se dividiram em cavalaria, infantaria, artilharia etc. Navios - e, bem mais tarde, aviões - foram acrescentados à equação. Os exércitos passaram de algumas centenas a centenas de milhares de soldados. Em meados do século XIX, a arte da guerra estava tão cheia de variáveis que foi preciso dar nomes específicos a cada movimentação de tropas. "Nome", no caso, é hipérbole: na época, as operações eram batizadas com letras ou números, como Diretiva 1 e Plano de Operações Y.

Foi a partir da 1ª Guerra que as operações ganharam nomes. Os pioneiros foram os alemães. "Atribuir um nome em código tinha dois objetivos: aumentar a segurança e facilitar o planejamento", afirma o historiador Carlos Daróz, da Universidade do Sul de Santa Catarina. Os codinomes escondiam o verdadeiro objetivo de um plano: em vez de escrever em seus documentos "projetos para a invasão da França na primavera de 1918", os oficiais alemães tascavam uma referência religiosa - São Jorge e São Miguel são dois exemplos pioneiros. "Isso deixaria os inimigos na dúvida caso documentos secretos fossem capturados", explica Daróz. Já naquela época o pessoal se preocupava com o lado marqueteiro da coisa. A Alemanha estava perdendo, e a alusão a seres semidivinos era uma tentativa de dar ânimo aos soldados.

Na 2ª Guerra, dois dos principais protagonistas do conflito, Winston Churchill e Adolf Hitler, tinham obsessão por batizar ações de guerra, de preferência com nomes grandiosos e inesquecíveis. O primeiro-ministro britânico escreveu um manual sobre o assunto. Para Churchill, um bom nome deveria evitar palavras banais, mas sem transparecer excesso de confiança. "Afinal de contas, o mundo é amplo, e o raciocínio inteligente proverá um número ilimitado de nomes sonoros, que nada revelem sobre o caráter da operação, mas que tampouco levem alguém a dizer, algum dia, que seu pobre filho morreu na operação Joaninha ou Peixinho Dourado", escreveu Churchill (que mesmo em documentos não perdia a verve de humorista diletante).


Pecando pelo excesso

Foi Churchill quem transmitiu o entusiasmo pelo tema aos americanos. Em 1943, o Alto Comando dos EUA planejou um bombardeio aos campos de petróleo da Romênia. A ação foi batizada de Espuma de Sabão. Horrorizado com a falta de elegância, Churchill convenceu os aliados a trocar o codinome para Onda Sísmica. Ninguém sabe ao certo quem escolheu o nome da principal operação aliada no Front Ocidental - mas é bem provável que o primeiro-ministro britânico tenha dado pitacos no batismo da Overlord (Senhor Supremo). Nesse caso, o conselho sobre evitar o excesso de confiança foi deixado de lado. Tudo bem, pois a operação foi um sucesso e os aliados venceram.

  Operação Barbarossa, em 1941. Seu nome, que fazia referência à expansão do rei Frederico Barbarossa para o Oriente, no século XII, poderia ter comprometido a operação
 
Hitler foi bem menos feliz em suas escolhas. Aos nomes das operações nazistas, não faltava grandiosidade, mas discrição. Veja o caso do megalomaníaco plano de invasão da União Soviética em 1941, a Operação Barbarossa - referência a Frederico Barbarossa, monarca do século XII que expandiu o domínio germânico para terras ao leste da Alemanha. O nome era certamente inspirador - mas poderia ter revelado as intenções da Alemanha se caísse em mãos soviéticas. "Não se sabe por que motivo os alemães deram uma indicação tão clara de que seu plano era invadir a URSS", diz Daróz, da Unisul. Hitler deu sorte, pois o nome não vazou (embora a Barbarossa tenha fracassado de qualquer jeito). Com a Operação Leão Marinho, de 1941, foi diferente. Hitler decidiu invadir a Inglaterra por mar e ocupar o país. A ideia era desembarcar 70 mil soldados por meio de veículos anfíbios. Mas o serviço de inteligência britânico interceptou uma mensagem cifrada de rádio que falava no tal "Leão Marinho" - e os oficiais logo sacaram que a ideia de Hitler era atravessar o canal da Mancha.

Após a 2ª Guerra, na Guerra Fria e até os dias de hoje, foram os americanos que mais batizaram operações (veja ao lado). Mas todo Exército gosta de dar nome a suas ações. Os franceses, por exemplo, escolhem expressões sonoras e evocativas. Se os americanos foram à Líbia de Aurora da Odisseia, as forças francesas chamaram sua expedição de Harmattan - referência ao vento quente e seco que sopra sobre o Saara em março. Bem, digam o que quiserem sobre os franceses, mas ninguém pode negar que os caras sabem escolher um nome.


Fonte: Aventuras na História

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domingo, 28 de junho de 2015

ENCONTRADOS RESTOS MORTAIS DE SOLDADOS DA 1ª GUERRA MUNDIAL

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As mudanças climáticas estão provocando o derretimento da neve dos Alpes italianos fato que, por sua vez, revelou uma curiosa descoberta: o surgimento de diversos cadáveres da 1ª Guerra Mundial, na maioria, mumificados. O fenômeno trouxe à tona incontáveis restos humanos de batalhas travadas entre a Itália e o Império Austro-húngaro, durante a 1ª Guerra Mundial.

A descoberta aconteceu nas áreas de Presena e Ortles-Cevedale, na pequena cidade italiana de Peio. No local, milícias de ambos os lados construíram uma fortaleza bélica no topo das montanhas geladas, uma área estratégica para guardar as armas pelo seu difícil acesso. Entretanto, o gelo se transformou no verdadeiro e cruel inimigo comum, já que muitos morreram em decorrência da temperatura (abaixo dos 30°C negativos) e avalanches. 

Armamento da 1ª Guerra Mundial surge com o derretimento da geleira

Durante a década de 90, diários, cartas e fragmentos de jornais russos começaram a aparecer. A quantidade de objetos encontrada fez com que residentes da área construíssem um local para guardá-los, que hoje é o atual Museu da Guerra de Peio. Depois disso, em 2004, um guia da montanha achou três corpos mumificados em uma parede congelada, próximo ao pico San Matteo. Os cadáveres eram de soldados austríacos, estavam desarmados e traziam pacotes de ataduras nos bolsos, uma indicação de que poderiam ser enfermeiros austríacos mortos durante a Batalha de San Matteo, de 3 de setembro de 1918.

Desde então, mais de 80 corpos foram encontrados e todos, naturalmente, acabaram mumificados em função do tempo e das condições climáticas. A última cerimônia para as vítimas encontradas ocorreu no final do ano passado. Os corpos eram de dois soldados austríacos, de 17 e 18 anos de idade. Eles morreram nas montanhas e foram enterrados em uma fenda, na geleira, por seus companheiros. A previsão de alguns arqueólogos é que muitos outros corpos ainda serão encontrados. 

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quinta-feira, 18 de junho de 2015

MUSEU DE AERONÁUTICA DO II COMAR

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Situado no interior do aquartelamento do II Comando Aéreo Regional (II COMAR), na cidade do Recife, o Museu de Aeronáutica possui acervo museológico composto por aviões antigos, miniaturas de aeronaves, fotografias, objetos pessoais e diversas peças aeronáuticas.



Criado no dia 23 de outubro de 1995, o museu está abrigado em um edifício construído em 1943, durante a Segunda Guerra Mundial. O prédio foi originalmente sede do Quartel-General das Forças Americanas, responsáveis pelo Atlântico Sul e possuía uma área de abrangência de Belém, no Pará até Caravelas na Bahia. O museu possui como objetivo principal a preservação da história da aviação civil e militar no Brasil, que se iniciou em 1910.




Exposições:


O museu possui sete exposições permanentes: 


- História da Aviação,

- Marechal do Ar Eduardo Gomes,

- Segunda Guerra Mundial,

- Primeiro do Sexto Grupo de Aviação,

- Uniformes da Força Aérea Brasileira,

- Material Bélico e

- Instrumentos Aeronáuticos.


 
O prédio histórico onde se localiza o Museu de Aeronáutica do II COMAR



Acervo e patrimônio:


Objetos relacionados a acontecimentos aeronáuticos de vulto histórico na Região Nordeste. Possui um grande acervo de maquetes de aeronaves, fotografias, documentos de valor histórico, condecorações, distintivos, equipamentos e instrumentos de voo, visores, câmeras, bússolas, manches, manetes, materiais bélicos, uniformes da Força Aérea Brasileira (FAB), diagramas em escala dos aviões que voaram e ainda voam nos céus do Brasil, entre outros objetos.




Atividades e espaços:



Desenvolve atividades culturais e educativas, ao proporcionar aos visitantes do museu a oportunidade de participarem de uma formatura militar, como também, assistirem a uma aula sobre a história da aviação e conhecerem o interior de uma aeronave da FAB.

Aeronave pertencente ao acervo do museu



Visitação:

 


O Museu localiza-se no interior do quartel do II COMAR, na Av. Armindo Moura nº 500, Boa Viagem, Recife-PE. 


Aberto a visitação de segunda a quinta das 8h às 12 e 13h30 às 17h e na sexta das 8h às 12h. Visitas guiadas podem ser agendadas.


Ingresso: Entrada gratuita



Contatos:


Tel: (81) 2129-7194 
FAX: (81) 3342-2049


Fonte: II COMAR

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quarta-feira, 10 de junho de 2015

REPARANDO UMA INJUSTIÇA - A TRÁGICA HISTÓRIA DO CAPITÃO CHARLES McVAY

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O cruzador USS Indianapolis (CA-35) meses antes de ser afundado no Oceano Pacífico


Na fria manhã de 6 de novembro de 1968, o barulho de um tiro ecoou na pequena cidade de Litchfield, Connecticut.  Estendido no gramado do jardim de sua casa estava o corpo sem vida do contra-almirante Charles McVay III, veterano da 2ª Guerra Mundial, de 70 anos de idade, e comandante do cruzador pesado USS Indianapolis, por ocasião de seu afundamento em 1944.  Em uma mão estava um revólver e, na outra, um pequeno marinheiro de brinquedo, que havia ganhado de presente de seu pai, muitos anos antes.  O almirante tirara sua própria vida.


Uma vida na Marinha

Charles Butler McVay III nasceu em Ephrata, Pennsylvania, no dia 30 de julho de 1898, em uma família de forte tradição naval.  Seu pai, Charles Butler McVay Jr. era o comandante do tênder  USS Yankton durante o cruzeiro de circunavegação da Grande Esquadra Branca (1907-1909), serviu como almirante durante a 1ª Guerra Mundial e foi comandante-em-chefe da Esquadra Asiática, no início da década de 1930.  Charles III graduou-se na Academia Naval de Anápolis em 1920.  Antes de assumir o comando do USS Indianapolis (CA-35), em novembro de 1944, o Capitão McVay serviu como oficial de inteligência na Junta dos Chefes de Estado-Maior, em Washington.  No princípio da 2ª Guerra Mundial, foi agraciado com a medalha Silver Star, por sua coragem sob fogo.

Já no comando do cruzador USS Indianapolis, liderou seu navio na invasão de Iwo Jima e no bombardeio naval contra Okinawa, na primavera de 1945, durante a qual o Indianapolis abateu sete aviões japoneses, antes de ser atingido por um ataque kamikaze, em 31 de março.  Na oportunidade, a tripulação sofreu severas baixas, inclusive 13 mortos, e o navio foi avariado com gravidade.  Apesar disso, McVay conseguiu levar o navio em segurança até o estaleiro de Mare Island, na Califórnia, para ser reparado.

Capitão Charles Butler McVay III, o desafortunado comandante do USS Indianapolis

Mais tarde, já recuperado, o USS Indianapolis recebeu ordens para transportar para o arquipélago de Tinian partes das bombas atômicas que, mais tarde, seriam lançadas contra Hiroshima e Nagasaki.  Depois de entregar sua carga secreta no destino, o navio partiu na direção de Leyte, nas Filipinas, onde receberia nova missão.

Nas primeiras horas da manhã de 30 de julho de 1945, o Indianapolis foi atacado pelo submarino japonês I-58, comandado pelo tenente-comandante Mochitsura Hashimoto. O comandante Hashimoto disparou seis torpedos, dois dos quais atingiram o cruzador.  O primeiro impacto arrancou cerca de 40 pés da quilha do navio e o segundo atingiu a meia-nau, abaixo da linha d´água.  O Indianapolis adernou 15° imediatamente e afundou em 12 minutos.  De uma tripulação de 1.196 homens, 879 morreram, sendo este o pior desastre no mar da Marinha dos EUA durante a 2ª Guerra Mundial.


Resgate tardio

Cerca de 300 dos 1.196 homens perderam a vida no momento do ataque e quando o navio afundou.  O restante da tripulação, mais de 880 homens, permaneceu boiando no mar, sem botes salva-vidas, até que o resgate fosse completado quatro dias mais tarde (100 horas).

Devido ao protocolo da Marinha para salvaguardas as missões secretas, o navio não foi classificado como “atrasado” quando não chegou ao porto na data prevista, e o resgate somente teve início quando um voo de patrulha de rotina localizou os sobreviventes flutuando na imensidão do oceano. Tornou-se parte do folclore afirmar que a maioria das mortos nesses quatro dias foram provocadas por ataques de tubarões, mas, embora estes tenham ocorrido, as maiores causas de mortes foram os ferimentos recebidos no ataque, a desidratação, a exaustão e a ingestão de água salgada. 

Local onde o USS Indianapolis foi afundado


Quando foi atingido, o Indianapolis navegava a uma velocidade de 15 nós, o mar estava calmo, mas a visibilidade era limitada. Quando o cruzador não chegou a Leyte no dia 31, conforme estava previsto, nenhum alerta foi emitido em função do atraso. A omissão foi oficialmente classificada como “um mal-entendido do Sistema de Relatórios de Movimento”.


Controvérsias

McVay foi ferido, mas sobreviveu e estava entre os resgatados. Ele pediu repetidamente explicações à Marinha por ter demorado quase cinco dias para resgatar seus homens, mas nunca recebeu uma resposta. Mais tarde, a Marinha alegou que as mensagens SOS nunca foram recebidas porque o navio estava operando sob silêncio rádio. Registros desclassificados posteriormente, no entanto, mostram que três mensagens SOS foram recebidas separadamente, mas nenhuma foi considerada, pois os analistas acreditaram se tratar de um ardil japonês.

Sobreviventes do USS Indianapolis recolhidos por um destróier norte-americano: com a demora no resgate, mais de 500 homens que haviam sobrevivido ao ataque perderam suas vidas


Houve muita controvérsia sobre o incidente. Em novembro de 1945, McVay foi submetido à corte marcial e condenado por "arriscando seu navio ao não navegar em ziguezague." Hashimoto, o comandante do submarino japonês que tinha afundado o Indianapolis, em seus registros, descreveu a visibilidade na ocasião como baixa. Especialistas em submarinos americanos testemunharam que "ziguezague" era uma técnica de valor insignificante para iludir submarinos inimigos. Hashimoto também testemunhou confirmando essa impressão. Apesar desse testemunho, a decisão oficial foi de que a visibilidade era boa, e o tribunal considerou McVay responsável por falhar ao não navegar em ziguezague.

Um ponto adicional da controvérsia são as evidências de que os almirantes da Marinha dos Estados Unidos foram os principais responsáveis pela colocação do navio em perigo. Por exemplo, o Capitão McVay solicitou uma escolta para o Indianapolis, mas seu pedido foi negado porque a prioridade para os destróieres, na época, era escoltar transportes para Okinawa e resgatar pilotos de B-29 abatidos por ocasião de seus reides contra o Japão. Além disso, o comando naval assumiu que a rota de McVay seria segura nesse estágio da guerra. Muitos navios, incluindo a maioria dos destróieres, foram equipados com equipamento de detecção de submarinos, mas o Indianapolis não foi assim equipado, o que torna a decisão de recusar o pedido de McVay para uma escolta como um erro trágico.

Durante a corte marcial a que foi submetido, o Capitão McVay (ao centro) demonstra, com o auxílio de uma maquete,  os locais de impacto dos torpedos


Em 24 de julho de 1945, apenas seis dias antes do naufrágio do Indianapolis, o destróier USS Underhill tinha sido atacado e afundado na área por submarinos japoneses. No entanto McVay não foi informado deste evento e vários outros, em parte devido a questões de inteligência classificada. McVay foi avisado da presença potencial de submarinos japoneses, mas não da real atividade confirmada.


A última vítima do Indianapolis

O Almirante Chester Nimitz, comandante-em-chefe da Marinha dos EUA, revogou a sentença de McVay e reintegrou-o ao serviço ativo. McVay se aposentou em 1949 no posto de contra-almirante.

Enquanto muitos dos sobreviventes do Indianapolis afirmavam que McVay não era o culpado pelo afundamento, as famílias de alguns dos homens que morreram pensavam o contrário:

- "Feliz Natal! O feriado de nossa família seria muito mais alegre se você não tivesse matado meu filho", dizia uma das correspondências recebidas, com frequência, por McVay. 

A culpa que foi colocada sobre seus ombros foi crescendo, até que ele se suicidou em 1968, usando seu revólver da Marinha. McVay foi encontrado em seu gramado, na frente de casa, com um marinheiro de brinquedo que havia sido presenteado por seu pai em uma das mãos. McVay tinha 70 anos. No dia do afundamento do Indianápolis, ele comemorava o seu 47º aniversário.


Reparando uma injustiça - Isentado da culpa

Os sobreviventes do USS Indianapolis se organizaram, e, durante muitos anos, passaram a tentar limpar o nome de seu capitão. Muitas pessoas, desde seu filho Charles McVay IV (1925-2012), o autor Dan Kurzman, que relatou o incidente do Indianapolis na crônica Fatal Voyage, e membros do Congresso, que acreditavam ter o Capitão McVay sido injustamente condenado. Paul Murphy, presidente da Organização dos Sobreviventes do USS Indianapolis, afirmou que "a corte marcial do capitão McVay era simplesmente para desviar a atenção da terrível perda de vidas causada por erros de procedimentos, que não alertaram ninguém sobre a falta do navio."

A notícia do afundamento do USS Indianapolis foi publicada na imprensa dos EUA no mesmo dia em que foi anunciada a rendição do Japão


Mais de 50 anos após o incidente, um estudante de 12 anos de idade, de Pensacola-Flórida, Hunter Scott, foi fundamental na sensibilização para corrigir a injustiça feita com o capitão na corte marcial. Como parte de um projeto escolar para o programa de Dia da História Nacional, o jovem entrevistou cerca de 150 sobreviventes do naufrágio do Indianapolis e avaliou 800 documentos. Seu depoimento perante o Congresso dos Estados Unidos atraiu a atenção nacional para a situação.

Em outubro de 2000, o Congresso dos Estados Unidos aprovou uma resolução na qual que os assentamentos do capitão McVay deviam constar que "ele é isentado pela perda do USS Indianapolis." O presidente Clinton também assinou a resolução. A resolução observou que, embora várias centenas de navios da Marinha dos EUA tivessem sido perdidos em combate na 2ª Guerra Mundial, McVay foi o único capitão a ser submetido à corte marcial para o naufrágio de seu navio.

Em julho de 2001, o Secretário da Marinha Gordon R. England ordenou a retificação dos assentamentos de McVay inocentado-o de todas as acusações pela perda do cruzador.






sábado, 6 de junho de 2015

IMAGEM DO DIA - 06/06/2015 - 71º ANIVERSÁRIO DO DIA "D"

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  Há 71 anos, a guerra na Europa começava a acabar. Tropas de reserva da 3ª Divisão de Infantaria canadense desembarcam na praia Juno, na Normandia, durante o Dia "D" - 6 de junho de 1944


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quinta-feira, 4 de junho de 2015

SEMINÁRIO EM SÃO BORJA-RS DISCUTE A GUERRA DO PARAGUAI

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Informações, regulamento e inscrições:
www.camarasaoborja.rs.gov.br
(55) 3431-1055

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