"No próprio dia da batalha, as verdades podem ser pinçadas em toda a sua nudez, perguntando apenas;
porém, na manhã seguinte, elas já terão começado a trajar seus uniformes."

(Sir Ian Hamilton)



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terça-feira, 27 de setembro de 2022

IMAGEM DO DIA - 27/9/2022

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1º Regimento de Guardas a Pé britânico avança para atacar Blenheim, em 2 de agosto de 1704, durante a Guerra de Sucessão Espanhola


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terça-feira, 17 de outubro de 2017

IMAGEM DO DIA - 17/10/2017

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Durante a Guerra de Sucessão Espanhola (1701-1714), tropas do 1º Regimento de Guardas a Pé britânico avançam para atacar Blenheim, em 2 de agosto de 1704

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quinta-feira, 11 de abril de 2013

O EXÉRCITO BRITÂNICO DO DUQUE DE MARLBOROUGH



 


Um dos chefes militares que fugiram do comum nas operações do último século da Idade Moderna foi John Churchill, Duque de Marlborough (1650-1722).  As ações que caracterizam sua capacidade de liderança e seu gênio militar ocorreram durante a Guerra de Sucessão espanhola (1701-1711).  Nesse conflito, importante para a Europa e também para o Brasil (durante ele ocorreram a perda da colônia do sacramento e as duas invasões francesas no Rio de janeiro, em 1710 e 1711), eram adversários principais, de um lado, França, Espanha e Baviera e, do outro, Inglaterra, Áustria, Holanda e Estados alemães da Dieta de Ratisbona.
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A França, esgotada pelas guerras anteriores de Luís XIV, estava em situação crítica do ponto de vista militar, pois suas forças careciam de instrução, disciplina e equipamento.  Com exceção do Marechal Villars, os chefes militares eram escolhidos por suas qualidades de cortesãos, sem nenhum valor militar.
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Em contrapartida, o Exército inglês, sob o comando de Churchill, embora constituído de voluntários de toda a Europa Ocidental, comportando apenas um terço de ingleses, era bem treinado por seu comandante em manobrar sob fogo e resistir com tenacidade aos ataques adversários.  Além disso, Churchill instaurou uma disciplina férrea.
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A infantaria de Churchill era constituída por batalhões de 700 a 900 homens armados de fuzil e baioneta, formados em três ou quatro fileiras.  O fogo era comandado simultaneamente por um pelotão em várias fileiras, enquanto os franceses atiravam por fileira.  Quando um batalhão era envolvido, formava um quadrado e estava habituado a se deslocar nessa formação.  Cada batalhão compreendia uma companhia de granadeiros, munidos de granadas de mão e machados, que encabeçavam o ataque aos pontos fortificados ou a transposição de obstáculos.
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Granadeiro britânico do Exército de Marlborough

A cavalaria carregava à espada, porém, os dragões eram armados de mosquetões, podendo atuar como infantes quando apeavam, mantendo o terreno conquistado pelo fogo.
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A artilharia disparava projetis maciços a 400 metros e caixas de metralha a 300 metros.  Churchill tinha um cuidao todo especial com sua artilharia, ele próprio escolhia, por diversas vezes, suas posições de bateria.
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Surpresa, velocidade e manobra eram os pontos em que Churchill pôs mais ênfase, a ponto de levar Napoleão a julgá-lo bem superior a Frederico II e a outros grandes chefes da Idade Moderna.  Para Churchill, o que importava era a destruição do exército inimigo e não o assédio a praças fortes.  Porém, essas idéias, tão em contraste com as que predominam na época, encontraram numerosos opositores.  Para limitar ainda mais sua liberdade de manobra, havia a timorata, mesquinha e egoísta política de segurança da Holanda – a financiadora do Exército Britânico -, voltada para as operações em suas fronteiras, eriçadas de praças fortes.
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Quando Churchill pôde, ocasionalmente, vencer essa política, na quadra em que os franceses ameaçavam atuar no vale do Danúbio para pôr fora de ação a Áustria (1704), foi possível aos ingleses e alemães – estes comandados pelo príncipe Eugênio – obterem a brilhante vitória de Blenheim, das mais decisivas da Europa e, também, do mundo.
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John Churchill, primeiro duque de Marlborough

Churchill, então, precisava marchar com suas forças da Flandres para o alto Danúbio, despistando as tropas francesas que guarneciam a fronteira leste da França.  Além disso, a marcha fugia completamente às condições normais em que então se combatia.  Para contornar as enormes dificuldades que ela apresentava para ser cumprida com êxito, Churchill adotou as seguintes providências: emprego de destacamentos precursores para para preparar o estacionamento e a alimentação para o grosso; obtenção de créditos com os banqueiros aliados para a aquisição dos suprimentos necessários ao Exército (não existia ainda o Serviço de Intendência); compra de milhares de pares de calçados antes de lançar a tropa na transposição dos terrenos acidentados; construção das pontes necessárias no itinerário de marcha, uma delas com a finalidade de iludir os franceses quanto à sua verdadeira direção; e, finalmente, transporte de artilharia e trens pelo Reno em grande parte do percurso.
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Quando feita a junção com as tropas do Príncipe Eugênio, Churchill se defrontou com os franco-bávaros em Hochstadt (Blenheim ou Plentheim), no dia 13 de agosto de 1704, percebeu o ponto fraco do dispositivo inimigo, no centro, e, juntamente com seu companheiro de comando, orientou uma força adequada para ruptura, conseguindo a penetração e o envolvimento de grande parte das forças adversárias.
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Em Ramillies (1706), Oudenarde (1708), Malplaquet (1709), estas ainda em companhia de Eugênio, e Arleux (1711), Churchill obteve novas vitórias sobre os franceses.

Fonte: Adaptado de A Arte da Guerra, de Francisco Ruas Santos

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segunda-feira, 9 de abril de 2012

IMAGEM DO DIA - 09/04/2012

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Tropas espanholas do Regimento das Astúrias realizando uma carga de baioneta durante a Guerra de Sucessão Espanhola


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sexta-feira, 4 de novembro de 2011

BATALHA DE RAMILLIES (1706)






Na manhã de 23 de maio de 1706, o Exército francês do Marechal Villeroi entrou em posição a oeste do alinhamento Ramillies – Autre-Église.  John Churchill – o Duque de Marlborough – que precedera o grosso de seu exército, reconhecendo o terreno, descobriu que, na região de Ramillies, havia elevações do terreno que permitiam a realização de movimentos sem que os franceses pudessem perceber.  Por outro lado, verificou que a posição inimiga se estendia de Autre-Église a Taviers, apoiando-se nessas localidades e nas de Offus e Ramillies, numa extensão de 5 km. O terreno era lamacento e os caminhos estavam em péssimo estado; logo o Exército Francês não teria condições de se reunir, ou seja, os elementos de uma ala não poderiam socorre a outra.



Tomada de dispositivo

Conforme a praxe da tática linear, os franceses não dispunham de unidades em reserva.  Embora não pudesse estar certo disto, Churchill concluiu que Vileroi ia desenvolver suas forças em linha côncava, voltada para os ingleses.  Avaliando a situação, Churchill concluiu que teria toda a vantagem na adoção de um dispositivo inicial convexo voltado para os franceses.  Assim, poderia deslocar, eventualmente, unidades de uma ala para outra, pela corda do arco, enquanto o adversário deveria percorrer o próprio arco.

Todavia, o deslocamento de unidades de uma para outra ala devia ser feito com velocidade e a coberto das vistas do inimigo.  O meio para isto era a depressão, com cerca de 2 km, existente no campo inglês.  Churchill estimou que, ao perceber o movimento, percorridos esses dois quilômetros, os franceses não mais teriam tempo para fazer-lhe frente.  De resto, as fintas e o combate frontal e fixador que Churchill pretendia realizar no setor norte e no centro impediriam o inimigo de assim reagir.

Marechal Villeroi, comandante francês em Ramillies


Villeroi, aproveitando lições aprendidas na Batalha de Blenheim, colocou no centro de seu dispositivo a cavalaria.  Infelizmente, não foi possível identificar a existência da depressão do terreno, cuja utilização seria decisiva para a manobra de Churchill.

A partir das 11:00 h, devido principalmente aos reconhecimentos procedidos pelos chefes, o Exército Britânico – 60 mil homens e cem canhões – entrou em posição.  Na direita do dispositivo, encontrava-se parte da melhor infantaria aliada, notadamente contingentes ingleses, cujo valor combativo era conhecido pelo adversário, o que o induziu a crer que o esforço principal dos aliados seria ao norte; atrás dessa infantaria, havia 39 esquadrões de cavalaria.  No centro, expressivos efetivos de infantaria e, na esquerda, efetivos de cavalaria de valor semelhante aos que lhes faziam frente, além de quatro batalhões holandeses próximos a Traviers.


A batalha e suas fases

A idéia de manobra dos britânicos era a seguinte:  atacar para fixar o inimigo ao centro, realizar um ataque diversionário ao norte, deslocar os esquadrões de cavalaria do norte para o sul e, com o máximo efetivo, esmagar a ala sul dos franceses.  A batalha de Ramillies transcorreu em quatro fases:

Na 1ª fase, entre 13:30h e 14:10h, a artilharia britânica abriu fogo no centro e abriu um corredor por onde ocorreria o movimento da cavalaria do norte para o sul.  Os aliados atacaram a linha francesa em Autre-Église, Offus, Ramillies e Taviers.

Na fase seguinte, sob a cortina dos ataques do norte e do centro, os 39 esquadrões de cavalaria mudaram rapidamente de ala, o que permitiu a Churchill apresentar, uma hora e meia após o início da batalha, sua ala esquerda  nitidamente superior ã ala direita francesa – 108 esquadrões contra 68.  No momento em que a cavalaria aliada atingiu a ala sul, Villeroi, desejando retomar Taviers, ocupada pelos holandeses, contra-atacou, engajando prematuramente sua segunda linha.  Seguiu-se uma confusão até a chegada da cavalaria que veio do norte e, em seguida, a ala direita francesa foi esmagada.  Dezoito esquadrões aliados iniciaram a penetração do dispositivo francês a cerca de 2 km a sudoeste de Ramillies, eanquanto Villeroi tentava reforçar sua ala esquerda com a cavalaria da direita, mas já era tarde: as retaguardas imediatas das linhas de frente estavam cheias de trens que haviam avançado muito, pois os franceses não haviam previsto a batalha nessa posição e nessa jornada.

Mapa mostrando a ruptura das linhas francesas pela cavalaria de Churchill

Em uma terceira fase, iniciada às 18:00h, Churchill, em perfeita ordem, depois de esmagar a flor da cavalaria francesa (da Maison Du Roi), fez uma conversão da direita.  O adversário apresentava-se em duas linhas: a primeira de infantaria e a segunda que começava a constituir com cavalaria, ambas em esquadro.

Na fase final da batalha, a infantaria francesa do braço norte do esquadro, ameaçada de ser tomada de revés, entrou em pânico e os aliados avançaram sobre suas posições, fazendo grande número de prisioneiros e tomando todos os canhões franceses.  A cavalaria britânica perseguiu os fugitivos por longa distância.

Combate corpo-a-corpo em Ramillies


Consequências

A batalha durara cinco horas, tempo excepcionalmente longo para os padrões da época.  Churchill entrou em Bruxelas e em Gand e só não obteve maiores êxitos porque se viu tolhido pelas intervenções inoportunas do governo holandês.


Fonte: Adaptado de A Arte da Guerra, de Francisco Ruas Santos




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sexta-feira, 29 de julho de 2011

PENSAMENTO MILITAR - O SOLDADO E A SOCIEDADE


 

“Amamos nosso Deus e nossos soldados nos momentos de perigo – não antes. Passada a refrega, eles são recompensados: nosso Deus é esquecido, nossos soldados são desprezados”.


De um soldado veterano do exército do Duque de Marlborough

sexta-feira, 24 de junho de 2011

A GUERRA DA RAINHA ANA (1702–1713)

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 A Guerra da Rainha Ana foi a segunda de uma série de quatro guerras lutadas entre a França e a Grã-Bretanha na América do Norte pelo controle do continente, e foi a contrapartida à Guerra de Sucessão Espanhola que teve lugar na Europa.

Rainha Ana, da Inglaterra

Embora o palco decisivo da Guerra de Sucessão Espanhola fosse a Europa, houve lutas consideráveis no Novo Mundo, sobretudo no Caribe e na América do Norte. Nessas regiões, o conflito ficou conhecido como Guerra da Rainha Ana, a monarca inglesa da época. A guerra na América do Norte foi travada pelos franceses e espanhóis contra os britânicos. Todos os três possuíam colônias na região e utilizaram seus próprios colonizadores e colonizados (ameríndios) em suas campanhas.

Entre 1702 e 1704 a luta concentrou-se na América do Norte. Os ameríndios e os colonizadores britânicos das Carolinas atacaram a cidade espanhola de Santo Agostinho. A cidade caiu, mas a guarnição espanhola recuou para um forte e conseguiu repelir os atacantes, que debandaram quando navios de guerra espanhóis chegaram para reforçar os sitiados. No período de 1703-04, ambos os lados promoveram assaltos repentinos contra assentamentos e missões isolados. No norte, os franceses pilharam comunidades britânicas desde o Maine até Connecticut e, em duas ocasiões, desencadearam grandes operações contra a Terra Nova.

Soldado britânico do início do século XVIII


Forças coloniais britânicas tentaram por duas vezes (em 1704 e 1707) capturar Port Royal, na área sob controle francês da Nova Escócia, mas falharam. Port Royal acabou tomada por 4 mil soldados britânicos apoiados por navios de guerra em outubro de 1710 e foi nomeada Annapolis Royal, em homenagem à rainha.

Em julho de 1711, colonizadores e tropas britânicas tentaram tomar Montreal e Quebec, mas a campanha foi abandonada quando diversos navios de transporte afundaram no Rio São Lourenço, após se chocarem com rochedos.

Controle territorial na América do Norte após o Tratado de Utrecht


A Guerra da Rainha Ana foi encerrada com o Tratado de Utrecht, em 1713. Os britânicos obtiveram as maiores vantagens com o tratado: a França cedeu à Grã-Bretanha o controle da Nova Escócia e da Terra Nova, e os britânicos conquistaram o direito de fornecer escravos africanos às colônias espanholas na América do Norte.