"No próprio dia da batalha, as verdades podem ser pinçadas em toda a sua nudez, perguntando apenas;
porém, na manhã seguinte, elas já terão começado a trajar seus uniformes."

(Sir Ian Hamilton)



domingo, 22 de maio de 2016

REINAUGURADOS OS FORTES DE SÃO DIOGO E DE SANTA MARIA EM SALVADOR

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Há pouco mais de um ano e meio, o Comando da 6ª Região Militar cedeu à Prefeitura de Salvador, por intermédio de termo de cessão de uso de áreas, espaços dentro dos Fortes em contrapartida da revitalização desses sítios, que permitirá a reabertura à visitação dos soteropolitanos e dos turistas. Os Fortes permanecem sob a administração da 6ª RM. Todavia, a gestão dos espaços adaptados será de responsabilidade da Prefeitura Municipal.
 
As riquezas naturais e a posição geográfica fizeram de Salvador uma cidade, historicamente, almejada. A defesa territorial foi estabelecida por meio da construção de fortalezas ao longo de todo o litoral da Baía de Todos os Santos. Os imponentes Fortes de São Diogo e de Santa Maria compõem alguns dos monumentos arquitetônicos que contam, hoje, a história militar da cidade.

 
No Forte de São Diogo, uma área de 90 m² foi adaptada para abrigar o Espaço Carybé de Artes e, no Forte de Santa Maria, em área semelhante, foi instalado o Espaço Pierre Verger da Fotografia Baiana. Nesses locais, serão realizadas exposições artísticas de alta tecnologia e interatividade para visitação pública. Em complemento, os Fortes contarão com agradáveis ambientes gastronômicos, no perfil de bistrô. Assim, em seu aniversário de 467 anos, a cidade recebeu um “abraço de entretenimento” para todos os soteropolitanos e para o público em geral.

Fonte: Exército Brasileiro

quinta-feira, 12 de maio de 2016

DESCOBERTO DIÁRIO QUE CONTA A HISTÓRIA DE CERCO ANGLO-PORTUGUÊS NA GUERRA PENINSULAR

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O título não desvenda muito. “Journal 1811”, da propriedade de John Squire, um oficial do exército inglês, é nada mais nada menos que um importante documento que nos conduz à história do século XVIII, num momento em que Napoleão tentava expandir o seu império. E para qualquer português, há algo na capa que nos capta imediatamente a atenção. A palavra “Alentejo”, no canto superior direito.

Tudo porque, neste diário, o oficial inglês, elogiado pelo seu especial talento para a escrita, descreve alguns detalhes técnicos do cerco anglo-português de 1811 a Badajoz, liderado pelo Duque de Wellington.

Mas como foi um diário de um oficial inglês, que escreve sobre o Alentejo, parar a uma livraria de livros em segunda mão na Tasmânia? “Os donos anteriores colecionaram centenas de milhares de livros”, explicou Mike Gray, um dos proprietários da Cracked and Spineless. “Alguns deles estavam num armário, por isso pedi a uma pessoa interessada em livros antigos para ver se encontrava alguma coisa. Trouxeram-me o diário e eu pensei 'está bem, talvez uns 20 dólares, mas vou verificar’”, acrescentou.

O interior do diário encontrado na Austrália quase por acaso
 
O que Mike Gray não esperava era que os especialistas viessem a considerar este diário um verdadeiro achado. John Squire é conhecido pelos historiadores por ser referido várias vezes em relatórios do Duque de Wellington. Há inclusive cartas da autoria de Squire na British Library.

Para Gavin Daly, perito na Guerra Peninsular da Universidade da Tasmânia, este diário é um “tesouro”, tendo adiantado à BBC que a correspondência entre a caligrafia do diário e a do oficial do exército britânico já foi confirmada.

O vida de John Squire após o cerco de Badajoz foi curta: o oficial inglês morreu em 1812, vítima de doença.

Fonte: BBC

IMAGEM DO DIA - 12/5/2016

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Arqueiros normandos disparam suas flechas durante reencenação da Batalha de Hastings, travada no ano de 1066 no curso da invasão normanda à Inglaterra.

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quarta-feira, 11 de maio de 2016

AS RAÍZES HISTÓRICAS DA SÚBITA DESINTEGRAÇÃO DO IRAQUE

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O atual avanço do Estado Islâmico - milícia sunita anteriormente conhecida como Isis - é, essencialmente, uma tentativa de reacomodar fronteiras regionais definidas por razões políticas. Junto com a dificuldade de controlar o conflito na Síria, o avanço do grupo é a tentativa mais séria atualmente de redesenhar o mapa do Oriente Médio.


Se não for barrada, a milícia - que já declarou um califado no leste da Síria e oeste do Iraque - pode por em risco não apenas as minorias étnicas e religiosas iraquianas, mas o próprio Iraque como Estado soberano. O Iraque parece se desintegrar a cada crise e uma das questões é quando tudo começou a sair errado.




Poder para poucos

 

As fronteiras do Oriente Médio hoje são, em grande parte, um legado da Primeira Guerra Mundial. Foram estabelecidas pelas potências coloniais com o fim e a divisão do Império Otomano. A Grã-Bretanha, potência colonial, impôs no atual Iraque o reino Hachemita, que prevaleceu sobre outras comunidades, como xiitas e curdos - uma dinâmica recorrente na história turbulenta do país. A monarquia foi derrubada por um golpe do partido Baath, um movimento nacionalista e de modernização semelhante ao que levou Gamal Nasser ao poder no Egito.


Com a queda da monarquia, assume Saddam Hussein, cabeça de um regime dominado pela facção sunita que também reprimiu reivindicações dos xiitas e curdos. O apoio do Ocidente a Saddam durante a guerra Irã-Iraque só fortaleceu sua liderança brutal.


Mas o governo do Partido Baath foi destruído pela invasão americana e britânica de 2003. Saddam Hussein foi deposto, julgado e executado pelo novo governo iraquiano. O exército iraquiano foi desmontado e deu lugar a novas forças de segurança.  A guerra que os neoconservadores americanos tinham imaginado como meio de levar a democracia à região, estabelecendo novos arranjos políticos e unindo todas as comunidades, produziu um sistema dominado por um estado de maioria xiita. Foi essa maioria que elegeu o primeiro-ministro Nouri al-Maliki, que acusou a população sunita de governar ignorando as necessidades de outras comunidades.

O Oriente Médio após a 1ª Guerra Mundial: as fronteiras estabelecidas pelas potências coloniais estão nas raízes da instabilidade regional



Muitos haviam se perguntando, depois da guerra, se o Iraque poderia permanecer um Estado unitário e uma das razões por trás da questão foi o nível significativo de autonomia alcançada pelos curdos no norte do país.


Atualmente, as forças armadas da região do Curdistão, onde está uma das mais ricas reservas de petróleo, combatem os militantes do Estado Islâmico. O Curdistão também recebeu refugiados que fugiram da ofensiva do EI. Porém, um elemento central desta receita deixou de existir a partir da retirada das tropas americanas do país.




Novo sectarismo


Apesar de planos iniciais de manter um contingente militar no Iraque para assessorar o exército iraquiano, Bagdá e Washington não chegaram a um acordo sobre esse tema. As últimas tropas americanas se retiraram em dezembro de 2011, deixando a segurança do país nas mãos das suas próprias forças de segurança.


Os Estados Unidos tinham feito progressos significativos na luta contra os grupos jihadistas ligados à Al Qaeda ao se aproximar de outros grupos sunitas. Sem os americanos, estes acordos entraram em colapso. Os sunitas ficaram cada vez mais vulneráveis a um exército dominado pelos xiitas. Os excessos das forças de segurança do Iraque serviram de incentivo para grupos extremistas recrutarem militantes sunitas.


Um grande paradoxo da derrubada de Saddam Hussein pelas tropas americanas é que a destruição do Iraque como força regional acelerou e facilitou o crescimento do Irã. Teerã enxergou os xiitas iraquianos como aliados em uma batalha regional mais ampla. Talvez por causa do apoio iraniano, o triunfo do primeiro-ministro Nouri al-Maliki provocou a rejeição de grupos sunitas, piorando a situação de segurança na região.

A derrubada de Saddam Hussein pela coalizão liderada pelos EUA acelerou o crescimento do Irã na região.



Recentemente, o avanço dos militantes do EI resultou em um fato inédito: Irã e os Estados Unidos dialogaram, pela primeira vez, sobre a situação no Iraque, não como inimigos, mas como potências regionais preocupadas com um rival comum.




Jihad regional


O sectarismo e a divisão entre sunitas e xiitas são vistos por muitos analistas como o dilema do ovo e da galinha: o problema seriam as diferenças sectárias ou as falhas do Estado iraquiano nos âmbitos social e econômico, gerando mais divisões?


Apesar da riqueza em petróleo, a maioria dos iraquianos vive em condições de pobreza e os níveis de corrupção no país são altos.  O premiê iraquiano, acusado de favorecer seus seguidores, continua no poder apesar das críticas da oposição e mesmo de Washington, e agora tenta um terceiro mandato. 


Os iraquianos, mesmo focados em seus próprios problemas, notaram como as correntes da Primavera Árabe vieram e se foram: a transformação política no Egito e, claro, os conflitos na vizinha Síria. O apoio dos países do Golfo aos militantes sunitas extremistas facilitou o surgimento e a consolidação de grupos como o EI, com uma agenda regional cada vez mais ambiciosa. O crescimento da dissidência jihadista na Síria também teve implicações para o outro lado da fronteira. Há relatos consistentes de que o governo sírio de Bashar al-Assad subestimou esses insurgentes e se concentrou mais na luta contra os militantes mais moderados, apoiados pelo Ocidente. Isso deu espaço para o EI estabelecer suas próprias estruturas em áreas de baixo controle.



Fonte: BBC



quarta-feira, 4 de maio de 2016

O REGIMENTO DO GOVERNADOR-GERAL E A DEFESA DO TERRITÓRIO BRASILEIRO





Portugal compreendeu que faltava às capitanias uma autoridade que, vivendo no Brasil, pudesse organizar o seu povoamento e coordenar os esforços de colonização. Nesse sentido, o rei D. João III instituiu, em 1548, a figura do governador-geral, trazendo para o Brasil uma autoridade real que o representasse, sem, contudo, extinguir as capitanias hereditárias.

A capitania da Bahia, cujo capitão-donatário Francisco Pereira Coutinho havia sido morto pelos índios Tupinambás, foi adquirida pela Coroa para sediar a nova administração colonial. Sua localização, mais ou menos centralizada em relação à linha costeira do Brasil, facilitaria as tarefas atribuídas aos governadores-gerais.

O Rei D. João III criou o governo-geral  para organizar o seu povoamento e coordenar os esforços de colonização no Brasil.


Para operacionalizar o novo modelo administrativo, o rei fez publicar, em 17 de dezembro de 1548, o Regimento do Governador-Geral. Contendo 48 artigos, que disciplinavam detalhadamente a instalação do governo, a concessão de sesmarias, a organização do comércio, as medidas para a defesa, e o trato com os índios, invasores e outros mais, o Regimento deixava claro que a ação do Governo-Geral seria complementar às dos donatários: sem maior interferência na administração das capitanias, deveria criar maior ligação entre elas, bem como prestar-lhes o auxílio da Metrópole. 

Soldado besteiro do século XVI. De acordo com o Regimento do Governador-Geral, cada capitania deveria possuir pelo menos 20 bestas para prover sua defesa


O governador seria auxiliado por outras autoridades nomeadas pelo rei: um ouvidor-mor, encarregado da justiça; um provedor-mor, responsável pela administração das finanças, e um capitão-mor, a quem cabiam os encargos da defesa da costa. O Regimento estabelecia alguns pressupostos que os donatários deveriam atender para realizar a defesa de suas capitanias:

"Cada capitão em sua capitania será obrigado a ter ao menos dois falcões, seis berços e seis meios-berços, vinte arcabuzes e pólvora para isso necessária, vinte bestas, vinte lanças ou chuças, quarenta espadas e quarenta corpos d´armas de algodão, dos que na dita terra do Brasil se costumam. Os senhorios de engenho e fazendas [...] hão de ter terras ou casas fortes, terão ao menos quatro berços, dez espingardas com pólvora necessária, dez bestas, vinte espadas, dez lanças ou chuças, e vinte corpos d´armas de algodão. Todo morador das ditas terras do Brasil, que nelas tiver casas, terras ou águas ou navios, terá ao menos uma besta, espingarda, espada, lança ou chuça."

(Regimento de Tomé de Sousa, de 1548.  Disponível em http://educacao.uol.com.br/disciplinas/historia-brasil/brasil-colonia-documentos-2-regimento-de-tome-de-sousa-1548.htm. Acesso em 11 out. 2013)

O Regimento de 1548 estabeleceu, de fato, a primeira organização militar do Brasil. O rei D. João III escolheu, como primeiro governador-geral do Brasil, Tomé de Sousa, militar profissional que havia lutado contra os mouros na África. Juntamente com o novo governador, que chegou à Bahia em 29 de março de 1549, vieram cerca de 600 soldados e 400 degredados, a primeira força militar regular do Brasil, com o objetivo de constituir uma reserva estratégica. Nesse mesmo ano, fundou-se Salvador, a sede do novo Governo-Geral.



Conheça essa e outras histórias lendo

"A guerra do açúcar: as invasões holandesas no Brasil"


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segunda-feira, 2 de maio de 2016

I SIMPÓSIO NACIONAL DE HISTÓRIA MILITAR

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No período de 26 a 28 de abril realizou-se na cidade do Rio de Janeiro o I Simpósio Nacional de História Militar, organizado em parceria pela Universidade Estadual de Londrina, Escola Superior de Guerra e Diretoria do Patrimônio Histórico e Documentação da Marinha.

Realização de debate durante simpósio temático


Durante o simpósio, diversos historiadores, professores, pesquisadores, militares e acadêmicos debateram e apresentaram trabalhos científicos no campo da História Militar.  Na oportunidade, o editor do Blog Carlos Daróz-História Militar apresentou seu trabalho de pesquisa Voando na Grande Guerra: os aviadores brasileiros na 1ª Guerra Mundial.

O editor do Blog apresentando sua pesquisa


Que venha o II Simpósio em 2017. 

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