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segunda-feira, 23 de março de 2015
sábado, 7 de março de 2015
PENSAMENTO MILITAR - HERÁCLITO DE ÉFESO
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"É preciso saber que em tudo existe guerra, que conflito é justiça e que é pelo conflito que todos os seres entram em existência e desaparecem"
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Heráclito de Éfeso
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pensamento militar
sábado, 28 de fevereiro de 2015
INVASÕES BRITÂNICAS NO RIO DA PRATA
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Causou enorme
espanto e sentimento de impotência entre os sul-americanos o deslocamento da
Royal Navy, a Marinha Real Britânica, em direção às frias águas do Atlântico
Sul durante a Guerra das Malvinas, no ano de 1982. Reproduziu-se, naquela
ocasião, o que fora um grande tormento um século e meio antes para as então
jovens nações sul-americanas logo depois do Movimento da Independência - a
"diplomacia das canhoneiras". A todos veio à memória que aquele tipo
de operação punitiva permeou por várias vezes as relações das potências
europeias com os povos sul-americanos durante o século XIX.
Ingleses no
Rio da Prata
Para os
argentinos, a ameaça de uma intervenção naval britânica não trazia nada de
inusitado. Na verdade, a Guerra das Malvinas, ocorrida em 1982, foi o quarto
enfrentamento entre os súditos de Sua Majestade e os habitantes do Prata desde
os tempos colônias. Nesta rememoração, selecionamos dois desses confrontos: o
primeiro deles ocorrido entre 1806 e 1807, conhecido como as Invasões Inglesas,
e o segundo, aquele que se deu com a ocupação das ilhas Malvinas, em 1833.
Descontando-se
as constantes ações de corsários ingleses na bacia do Prata, a primeira e mais
séria demonstração de interesse britânico em se apossar de Buenos Aires ocorreu
quando Sir Home Popham, atrás de "lucro e glória", como ele mesmo
escreveu, organizou em 1806 uma expedição naval com fins da sua conquista, sem
que para tanto tivesse recebido qualquer autorização oficial para isso.
Ele fora
informado por um negociante norte-americano que a cidade de Buenos Aires, muito
mal defendida, possuía uma considerável reserva em dinheiro avaliada em US$ 27
milhões, o que imediatamente fez crescer-lhe a cobiça.
Sir Home Popham, o invasor de Buenos Aires
Visualizou, por
igual, a possibilidade de furar o protecionismo mercantil do decadente império
espanhol, esperando fazer com que as mercadorias vindas de Londres penetrassem
em definitivo no interior do continente Sul-Americano. Quem ocupasse a
embocadura do Rio da Prata faria cair todo o cone sul em suas mãos.
Sir Home
Popham, primeiro invasor de Buenos Aires
Tomando Buenos
Aires, Popham desejava ter acesso direto a um desconhecido e exótico mercado.
Contudo, os mercadores ingleses se frustraram mais tarde com o fato de que o hinterland
do Cone Sul, formado pelas províncias de Entre-Rios, Corrientes e do Paraguai,
era praticamente despovoado, estando longe das expectativas de formar um
público consumidor relevante. Mas isso foi mais tarde.
O almirante
inglês organizou então um comboio naval que transportaria 1,6 mil soldados e
que teria como ponto de partida a recém-conquistada Cidade do Cabo, na África
Austral, ocupada pelos britânicos em 25 de julho de 1805, e também a Ilha de
Santa Helena, no Atlântico.
Num primeiro
momento, a força expedicionária inglesa não teve dificuldades em tomar a
capital do então Vice-Reino do Prata em 25 de junho de 1806, tendo em vista que
a principal autoridade espanhola, o vice-rei Sobremonte, retirou-se para
Córdoba sem resistir, levando consigo 9 mil onças de ouro do seu patrimônio.
Para surpresa
dos britânicos, os portenhos não demoraram em reagir. Uma aliança entre
comerciantes espanhóis, burocracia estatal-militar e estancieiros crioulos,
representados, respectivamente, por Alzaga, Liniers e Pueyrredón, retomaram a
cidade com certa facilidade.
Fonte:
Terra
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domingo, 22 de fevereiro de 2015
EUROPA CRIA ACERVO PARA LEMBRAR 1ª GUERRA
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No centenário do conflito, instituição ligada à UE roda o continente em busca de objetos de quem fez parte da história. Coleção inclui carta do então combatente Hitler a colega de trincheira.
Por Rodrigo Vizeu
Quando era pequeno, o alemão Markus Geiler, 46, sempre ouvia que só
existia graças à Bíblia. No caso, um exemplar específico, atravessado
por um estilhaço de obus e que salvou seu avô na Primeira Guerra
Mundial. A guerra eclodiu há cem anos, quando o herdeiro do
trono austro-húngaro, Francisco Ferdinando, foi morto por um
nacionalista sérvio, levando à escalada que envolveu a Europa e o mundo.
Aos 23 anos, o avô de Markus, o soldado alemão Kurt Geiler, lutava em
Verdun (França), uma das batalhas mais mortíferas do conflito. Dormia,
usando a Bíblia como travesseiro, quando os franceses jogaram o
explosivo dentro do abrigo alemão. Todos morreram, exceto Geiler. "Essa Bíblia é um memorial antiguerra, mostra como ela é cruel e sem sentido", conta o neto do soldado.
Markus tornou a história conhecida por meio de um projeto da fundação
holandesa Europeana, ligada à União Europeia, que roda o continente para
catalogar e fotografar objetos e documentos da época da guerra. A ideia é tornar público e de fácil acesso um material que se manteve restrito às famílias por cem anos. A entidade já digitalizou mais de 125 mil itens privados, além de
reunir outros 400 mil antes espalhados em bibliotecas, centros culturais
e arquivos audiovisuais.
Em outubro, o site com todos esses
documentos (http://europeana1914-1918.eu), hoje em inglês e outras dez
línguas, estará em português, marcando a campanha de coleta em Portugal.
Uma coleta no Rio de Janeiro está planejada para março de 2015, em
parceria com o arquivo da cidade.
Uma descoberta de grande
repercussão, via doação anônima, foi um cartão postal enviado em 1916
pelo então cabo do Exército alemão e futuro ditador Adolf Hitler. Após ter sido ferido em combate na França, Hitler foi para Munique, na
Alemanha, e de lá enviou o postal a um amigo de trincheiras, Karl
Lanzhammer. Aquele que seria o pivô da Segunda Guerra Mundial
diz estar sob tratamento dentário e demonstra ansiedade para voltar a
combater na Primeira: "Vou me apresentar como voluntário para o front
imediatamente".
Brasil
Apesar
da participação marginal do Brasil na Grande Guerra, duas histórias
trágicas recolhidas pela Europeana têm ligação com o país.
O jovem italiano Ernesto Pascotto emigrara com a família para o Brasil e decidiu visitar a terra natal em 1915. Ao chegar lá, a Itália entrou na guerra ao lado da França e do Reino
Unido. Pascotto acabou obrigado a se alistar e enviado para um campo de
treinamento. Nas cartas divulgadas por um parente, o soldado
reclama de ser obrigado a lutar e diz esperar que a guerra acabe antes
que ele esteja pronto para o combate. No entanto, o desejo não se cumpriu. Pascotto acabou morto em combate em dezembro do mesmo ano em que foi alistado.
Cartão postal enviado por Adolf Hitler em 1916
Outra história com final triste é a dos Davroux, uma família francesa
que vivia em São Paulo e decidiu voltar quando a guerra eclodiu porque o
pai, Jacques, se achava no dever de defender a pátria, contra os
conselhos dos parentes que haviam permanecido na França. Ele
embarcou num navio com a mulher, Marthe, e os dois filhos. A bordo,
conviveram civilizadamente com alemães que viajavam com o mesmo
propósito. Já no front, em março de 1915, Davroux relata a falta
de avanços militares, típica da guerra de trincheiras, e reclama da
proibição de ir ao funeral da mãe e do desinteresse de seus superiores
em fornecer roupas e equipamentos para as tropas, o que o obrigava a
usar um uniforme de bombeiro parisiense. Quatro meses depois, ao
atacar com seu pelotão uma bem armada trincheira alemã, Davroux, que
chegara a oficial, foi baleado na barriga, morrendo na hora.
Em uma carta de caligrafia torta e tremida, diferente de suas demais, a recém-viúva Marthe relata a morte. "Não posso imaginar infelicidade igual. Parece que ele ainda está ao
meu lado, meu desafortunado Jacques! Nunca me recuperarei de tamanha
dor."
A última carta digitalizada é de 1921. Seis anos após a
morte, o corpo do militar, enfim, foi transferido do cemitério do front
para Paris. Marthe, que nunca se casaria novamente, afirma: "Eu esperava incessantemente o corpo de meu pobre Jacques".
Fonte: Folha de São Paulo
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terça-feira, 10 de fevereiro de 2015
"HERÓI OCULTO" É CONDECORADO AOS 105 ANOS POR TER SALVO MAIS DE 600 CRIANÇAS DO NAZISMO
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Um inglês que salvou mais de 600
crianças dos nazistas no início da Segunda Guerra Mundial foi
condecorado na República Tcheca com a mais alta honraria do país – a
Ordem do Leão Branco.
Nicholas Winton, de 105 anos, tinha apenas
29 anos em 1939 quando conseguiu oito trens para levar 669 crianças – a
maioria delas judias – da Tchecoslováquia quando eclodiu a Guerra. Elas
foram conduzidas para a Inglaterra e para a Suécia, onde ficaram livres
das ações dos nazistas.
Setenta e seis anos depois, o britânico participou de uma cerimônia no Castelo de Praga, onde recebeu o prêmio. Em seu discurso, ele agradeceu aos britânicos que aceitaram receber as crianças em suas casas.
"Quero
agradecer a todos vocês por essa tremenda expressão de agradecimento
por algo que aconteceu comigo há quase 100 anos", disse Winton. "Fico
muito contente que algumas das crianças ainda estejam aqui para me
agradecer."
"Eu agradeço aos britânicos por dar uma casa para
eles, por aceitá-los e, claro, a enorme ajuda dada por muitos tchecos
que fizerem o que puderam para lutar contra os alemães e tentar tirar as
crianças do país", finalizou.
'Sem medo'
A missão notável do homem apelidado de "Schindler britânico" veio à tona somente no final de 1980. Mas
tudo começou em 1938, após a ocupação nazista da região dos Sudetos -
nome usado para as áreas de pré-guerra na Tchecoslováquia. Winton
visitou campos de refugiados fora de Praga e decidiu ajudar as crianças a
conseguirem licenças britânicas, da mesma forma como as crianças de
outros países foram resgatadas no "kindertransport".
Na época, ele
era um corretor de ações em Londres, e vinha de uma família judia
alemã, então estava bem consciente da urgência da situação.
"Eu sabia do que estava acontecendo na Alemanha mais do que muita gente e, com certeza, mais do que os políticos", disse à BBC. "Nós
tínhamos pessoas ficando conosco que eram refugiados da Alemanha
naquela época. Alguns que sabiam que suas vidas estavam em perigo."
Mas ele ressaltou que não teve medo de ajudar. "Não houve nenhum medo pessoal envolvido." Winton
conseguiu lotar oito trens com crianças que saíram da Tchecoslováquia,
antes da eclosão da Guerra. Mas um nono trem, o que estava ainda mais
cheio – com 250 crianças – não conseguiu cruzar a fronteira antes do
conflito tomar conta do país.
A atitude de Winton ficou 'oculta'
por 50 anos – ele não contou a ninguém o que fez – até que sua mulher
encontrou um livro de recordações e descobriu. Quando questionado
pela BBC sobre o que achava que tinha mudado daquela realidade de 70
anos atrás para a que vive hoje, o homem de 105 anos não foi muito
otimista. "Acho que não aprendemos com os erros do passado", disse. "O
mundo hoje está em uma situação mais perigosa do que jamais esteve e
considerando que agora temos armas de destruição em massa que podem
acabar com qualquer conflito, nada está seguro mais."
Fonte: BBC Brasil
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terça-feira, 13 de janeiro de 2015
MUDANÇA DE QG DO BLOG HISTÓRIA MILITAR - CARLOS DARÓZ
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Depois de cinco anos muito produtivos, o nosso Blog deixa seu quartel-general no Recife e segue para Niterói, de onde continuaremos a divulgar e estimular o conhecimento da História Militar.
Em função da viagem faremos um breve recesso no Blog e retornaremos com novidades a partir de fevereiro.
Um feliz 2015 para todos.
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domingo, 4 de janeiro de 2015
FORTE DE ÓBIDOS
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O Forte dos Pauxis
O forte imperial
O forte na República
O Forte de Santo Antônio dos Pauxis de Óbidos localiza-se à margem esquerda do rio Amazonas, dominando o
estreito de Óbidos, no estado do Pará.
A importância da posição
estratégica de Óbidos, trecho onde o rio Amazonas possui sua menor largura foi
determinado desde a expedição do Capitão-mor Pedro Teixeira (1637-1639), visto
que, uma vez dominada, poderia impedir a entrada de navios inimigos no rio:
"O maior estreito,
onde este rio recolhe [as] suas águas, é de pouco mais de um quarto de légua, na altura de 2º 40', lugar que,
sem dúvida, destinou a Divina Providência, estreitando ali este dilatado mar
doce, para que ali se construísse uma fortaleza para impedir a passagem a
qualquer armada inimiga, por maiores forças que traga, entrando pela principal
boca deste grande rio, porquanto, entrando pelo rio Negro, ali deveria ser posta a
defesa."[i]
O estreito de Óbidos, trecho de menor largura do rio Amazonas. Pedro Teixeira já identificara sua importância estratégica
O Forte dos Pauxis
Erguido por determinação do
Governador e Capitão-general do Estado
do Maranhão, Antônio de Albuquerque
Coelho de Carvalho, foi um dos quatro fortes (os outros foram o Forte do Paru
de Almeirim, o Forte de São José da
Barra do Rio Negro, e o Forte dos
Tapajós de Santarém) erguidos pelo maranhense Capitão Francisco
da Mota Falcão, às próprias custas,
nos locais que lhe fossem indicados, em troca de receber o governo vitalício de
uma delas. Por motivo de falecimento
deste empreiteiro, as obras foram concluídas por seu filho Manoel da Mota Sequeira em 1698, em taipa de pilão, artilhado com quatro peças de
pequeno calibre e guarnecido por um destacamento. Foi denominado como Presídio
dos Pauxis, nome da tribo indígena que habitava a área, descida pelos
frades franciscanos da Piedade juntamente com indígenas do rio Trombetas para a sua construção, e para esse fim ali
agora aldeados.
Recebeu a denominação de Forte
de Óbidos quando a aldeia dos
Pauxis foi elevada à categoria de vila com o nome de Óbidos, em 25 de março de 1758.
Além de defesa estratégica, essa estrutura funcinou como um Registro, atendendo
à fiscalização para cobrança dos dízimos da Coroa Real, das embarcações que
percorriam o grande rio, de ou para a Capitania
de Mato Grosso e Capitania de São José do Rio Negro.
Já em 1749, sob o comando do Capitão Balthazar Luiz Carneiro, necessitava de
reparos mais sérios:
"(...) suposto tenha
só a cortina da parte do mar arruinada e que só desta reedificação careça, e de
emboço e reboco; contudo esta Fortaleza se acha edificada sobre uma alta
ribanceira, a qual o tempo tem demolido, de sorte que dificilmente pode passar
qualquer homem entre a beirada da dita ribanceira e a Fortaleza, e achando-se
assim esta no princípio de cair nas primeiras invernadas, parece que seria mais
acerto fazer-se a dita Fortaleza de novo, por se não pôr no perigo de perder-se
o dispêndio, recuando-a para dentro, o que fosse necessário."[ii]
Na falta de recursos do Governo, o
Capitão Ricardo Antônio da Silva
Leitão, comandante da praça, procedeu-lhe reparos, louvados pelo governador e
Capitão-general do Estado do Grão-Pará
e Maranhão, Francisco Xavier de
Mendonça Furtado (1751-1759) àquele
oficial por Ofício de 9 de março de 1753.
Naquele momento, o forte contava apenas com três canhões, sete balas de artilharia, 2 arrobas e 18 libras de pólvora,
20 libras
de chumbo, 46 libras de balas de mosquetaria, cinco baionetas, reduzindo-se o efetivo ao
capitão comandante, um tenente, um sargento ajudante e seis praças.
Canhões do Forte de Óbidos apontados para o rio Amazonas
Em 1758, a aldeia dos Pauxis foi elevada à
categoria de vila com o nome de Óbidos. A fortificação encontrava-se em mau
estado de conservação, por notícias anteriores do Mestre de Campo José Miguel Aires, e posteriores, de Henrique José de Vasconcelos.
Anos mais tarde, o efetivo estava
reduzido a um soldado e a um sargento, sendo que, à falta de soldados, a esposa
deste já havia dado guarda mais de uma vez.[iii]
Em 1784 a
fortificação constituía-se em um pequeno quadrado de muralhas, os ângulos reentrantes
e dois meio-baluartes.
O forte imperial
Apesar de recomendações para a sua
reconstrução durante o período colonial (1749-1784), desabada a cortina pelo
lado do rio, apenas no Segundo Império é que a praça foi recuperada, com a
elevação da vila a cidade, em 2
de outubro de 1854. Nesse ano, o governo imperial
iniciou a reconstrução, sob a orientação do Major de Engenharia Marcos Pereira de Salles, na forma de
um reduto semicircular com parapeitos à barbeta, artilhado com dez peças de
diferentes calibres, entre as quais quatro canhões Armstrong.
No Relatório do Ministério da
Guerra de 1858, o Brigadeiro Jerônimo Francisco Coelho informava terem se despendido nas
obras, até à data, 72 000$000 réis, sendo necessário gastar ainda mais:
·
12:000$000 réis em
obras de arremate;
·
68:000$000 réis para
erguer uma bateria complementar, ao lume d'água;
·
21:000$000 réis para
novas baterias, no sopé da serra
da Escama, a cavaleiro, e de uma Capela;
·
88:000$000 para a fortificação da margem oposta
do estreito de Óbidos
Em 1860, a fortificação foi
visitada em passagem pelo Tenente-Coronel Hilário Maximiniano Antunes Gurjão,
herói da batalha
de Itororó, que acompanhava o então presidente da Província.
Canhões coloniais com seus projéteis preservados diante do Forte de Óbidos
O incidente com os navios a vapor
peruanos "Morona" e "Pastazza" (1862), que desobedecendo
ordens de Belém, forçaram a sua passagem em frente a Óbidos, recebendo o
primeiro apenas um tiro inofensivo no costado, demonstrou a fragilidade da
fortificação, bem como a necessidade dessas obras complementares de defesa,
para as quais o Ministro da Guerra, Ângelo
Moniz da Silva Ferraz, chamava a atenção em 1866.
O padre Francisco Bernardino de Souza,
referindo-se ao discurso de um deputado amazonense, cita:
"Construiu-se há
pouco tempo um fortim na raiz da serra; esse fortim parece mais um brinquedo de
criança do que um complemento de fortificação; monta três peças sem ter o
necessário espaço para o seu recuo, nem para conter as respectivas guarnições."[iv]
Em 1868, sendo titular da pasta da Guerra João Lustosa da Cunha Paranaguá, foram
procedidas obras como: a construção de uma plataforma corrida em cantaria de Lisboa, arrecadação (armazém) de
armamento e quartel, ficando fechada por duas cortinas, uma a Leste e outra a
Oeste, e protegida pela margem do rio. Montaram esses reparos a 13:000$000 réis.
Pequenos reparos foram procedidos em 1875,
e em 1889, quando se encontrava
classificada como fortificação de 2ª Ordem.[v]
O forte na República
O forte sofreu novas intervenções
de reparos em 1909 e 1911.
No auge da Questão do Acre (1902-1903) foi guarnecido com um
contingente de ocupação. De 1902 a 1911 uma nova estrutura foi levantada, na
serra da Escama, para complemento da sua defesa (Forte Gurjão). À época da 1ª Guerra Mundial, este conjunto
defensivo estava guarnecido pelo 4º
Batalhão de Artilharia (1915),
tendo caído nas mãos dos revolucionários tenentistas de 1924, no Amazonas. A partir de 1930, ambos os fortes foram
desarmados, permanecendo o quartel guarnecido por um destacamento da 8ª Região Militar.
Canhão Vickers-Armstrong de 152,4mm rodeado pela floresta no Forte Gurjão
Durante a 2ª Guerra Mundial, foi ocupado
sucessivamente por uma bateria de Artilharia e por uma Companhia de Infantaria.
Com o fim do conflito, o forte ficou guarnecido por um pequeno contingente
militar, tendo ali funcionado uma estação de rádio do Exército Brasileiro, de grande
utilidade para a população. Em 1967 tudo foi retirado, tendo a Prefeitura
de Óbidos se esforçado para manter o acervo material que restou.[vi]
A partir de 2012, o Forte de Óbidos teve iniciadas obras de
restauração, no contexto do Programa de
Aceleração do Crescimento das Cidades Históricas, patrocinado pelo Ministério
da Cultura. As obras ainda estão em andamento. Atualmente
o Forte de Óbidos está
aberto ao público no centro histórico da cidade, bem como as ruínas do Forte
Gurjão.
Fonte: adaptado da Wikipedia
[i] ACUÑA, Cristóvão d'. Novo descobrimento
do grande rio das Amazonas. 1641. RIHGB.
Rio de Janeiro: Tomo XXVIII, Vol. XXX, Parte I, 2º Trim/1865. p. 187.
[ii] Relatório do Capitão de Ordenanças José
Miguel Ayres acerca do estado das fortificações mantidas ao longo do Amazonas datado de 4 de janeiro de 1749
[iii] D. frei João de São José. Viagem e Visita do Sertão em o Bispado do Grão Pará
em 1762 e 1763.
[iv] SOUZA, Pe. Francisco Bernardino
de (Relator). Comissão do Madeira (3ª parte). 1874. apud: op. cit., p. 66
[v] GARRIDO, Carlos Miguez.
Fortificações do Brasil. Separata do Vol. III dos Subsídios para a História Marítima do Brasil. Rio de Janeiro: Imprensa Naval,
1940, p.19-20.
[vi] OLIVEIRA, José Lopes de (Cel.).
"Fortificações da Amazônia". in: ROCQUE, Carlos (org.). Grande Enciclopédia da Amazônia (6
v.). Belém do Pará, Amazônia Editora
Ltda, 1968, p.745.
sexta-feira, 2 de janeiro de 2015
IMAGEM DO DIA - 02/01/2014
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O kaiser Guilherme II vestindo uniforme de marechal do Império Otomano por ocasião de sua visita a Constantinopla e a Galipoli, em outubro de 1917.
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