"No próprio dia da batalha, as verdades podem ser pinçadas em toda a sua nudez, perguntando apenas;
porém, na manhã seguinte, elas já terão começado a trajar seus uniformes."

(Sir Ian Hamilton)



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segunda-feira, 30 de maio de 2022

PERSONAGENS DA HISTÓRIA MILITAR - GENERAL GERHARD VON SCHARNHORST

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* 12/11/1755 - Bordenau, Alemanha

+ 28/6/1813 — Praga, República Tcheca

Gerhard Johann David von Scharnhorst foi chefe do estado-maior e general prussiano, notável por seus escritos, reformas no exército e liderança durante as Guerras Napoleônicas.


Scharnhorst nasceu em Bordenau, próximo a Hanôver, numa família de fazendeiros. Dedicou-se aos estudos e assim garantiu a sua admissão na academia militar de Wilhelmstein. Aproveitou seu tempo livre para melhorar a sua educação e seus conhecimentos literários e, em 1783, foi indicado à nova escola de artilharia de Hanôver. Scharnhorst já havia fundado um jornal militar que, sob vários nomes, existiu até 1805 e, no ano de 1788, escreveu e publicou o "Manual para oficiais nas se(c)ções aplicadas do serviço militar" e subsequentemente o "Manual militar para uso em campo" (1792).

A renda gerada pela venda de seus livros era o seu principal sustento, uma vez que ainda ocupava a patente de tenente e a fazenda em Bordenau era pouco lucrativa para manter a sua esposa (Clara Schmalz, irmã de Theodor Schmalz, primeiro diretor da Universidade de Berlim) e a sua família.


Campanhas militares

Sua primeira campanha foi em 1793 nos Países Baixos, na qual serviu com excelência sob as ordens do Duque de York. Em 1794 ele fez parte da defesa de Menen e comemorou a fuga da guarnição inimiga em seu livro "Defesa da cidade de Menen" (1803), que junto com "As origens da boa sorte dos franceses na Guerra Revolucionária" compreendem suas obras mais conhecidas. Foi promovido a major e uniu-se ao estado-maior do contingente de Hanôver.

Depois da Paz de Basileia, em 5 de março de 1795, Scharnhorst retornou a Hanôver. Sua fama espalhou-se pelos exércitos de vários estados aliados e, desde então, recebeu vários convites pedindo pela sua transferência. Tal acontecimento acabou por levá-lo ao rei Frederico Guilherme III, da Prússia, que lhe concedeu um título de nobreza, a patente de tenente-coronel e um salário duas vezes maior do que ele recebia em Hanôver (1801). Foi contratado pela Academia de Guerra de Berlim, que teve Clausewitz como um de seus estudantes, e fundou a sociedade militar berlinense. 

Scharnhorst serviu como tenente-comissário do Duque de Brunswick na guerra de 1806 e foi ferido em Auerstadt (14 de outubro de 1806). Uniu-se a Blücher nos últimos estágios da desastrosa campanha da quarta coalizão e acabou preso pelos franceses após a derrota na batalha de Lübeck (7 de novembro de 1806), sendo rapidamente trocado por outro prisioneiro. 

Posteriormente Scharnhorst teve um papel importante na liderança dos corpos-de-exército do general Wilhelm von l'Estocq, os quais serviram junto com os russos na batalha de Eylau, fato que lhe garantiu a mais alta honraria militar da Prússia, a Ordem Pour le Mérite.


Reforma do exército prussiano

Tornou-se evidente que as habilidades de Scharnhorst superavam as de um mero oficial de estado-maior. Educado sob as tradições da Guerra dos Sete Anos, Scharnhorst teve sua experiência militar expandida gradualmente e havia abandonado as formas antiquadas de guerra, compreendendo que somente um exército nacional e uma política de luta em batalhas decisivas daria a resposta adequada para a situação política e estratégica provocada pela Revolução Francesa. 

Scharnhorst  foi contratado pela Academia de Gierra de Berlim


Alguns dias após a assinatura do Tratado de Tilsit, foi promovido a major-general e tornou-se chefe da comissão de reforma que incluía os mais jovens e melhores oficiais da Prússia, como Gneisenau, Grolman, Boyen e Clausewitz. O próprio barão de Stein integrou a comissão e garantiu a Scharnhorst acesso livre ao rei Frederico Guilherme III, assegurando a sua promoção a general-ajudante-de-campo. Os planos de reforma logo despertaram as suspeitas de Napoleão, obrigando Frederico Guilherme a suspendê-los ou cancelá-los.

Scharnhorst deixou Berlim quando a Prússia despachou um exército auxiliar sob as ordens de Napoleão e foi forçada a participar de uma aliança contra a Rússia. Enquanto esteve fora do serviço militar, escreveu um livro sobre armas de fogo, Über die Wirkung des Feuergewehrs (1813). A retirada francesa de Moscou, em 1812, abriu o caminho para o retorno de Scharnhorst ao novo exército nacional da Prússia.

Estátua memorial de Scharnhorst em Berlim

Última campanha

Scharnhorst foi reconvocado ao quartel-general do rei e promovido a chefe do estado-maior de Blücher. O príncipe russo Wittgenstein demonstrou interesse em tê-lo temporariamente em seu estado-maior. Blücher concordou. Na primeira batalha da sexta coalizão, em Lützen (2 de maio de 1813), a Prússia foi derrotada, mas dessa vez Napoleão falhou ao tentar perseguir o exército prussiano. Scharnhorst foi ferido no joelho esquerdo e morreu algumas semanas depois, na cidade de Praga. Scharnhorst estava a caminho de Viena para negociar a intervenção militar austríaca com Schwarzenberg e Radetzky, em 28 de junho de 1813, e sua morte decorreu da falta de cuidados médicos adequados. Pouco antes de sua morte, ele havia recebido a promoção a tenente-general.

Frederico Guilherme III mandou erigir uma estátua em sua homenagem. Várias embarcações alemãs, quartéis da Bundeswehr (Exército alemão) e um distrito da cidade de Dortmund também levam o seu nome.

Fonte: Encyclopædia Britannica 


quinta-feira, 31 de março de 2022

1763: TRATADO CONFIRMA PRÚSSIA COMO POTÊNCIA EUROPEIA

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  Em 15 de fevereiro de 1763, é selada no castelo Hubertusburg, na Saxônia, a paz da Guerra dos Sete Anos, que marcaria a ascensão da Prússia ao rol das potências europeias.


Por Rachel Gessat 

A Guerra dos Sete Anos durou de 1756 até 1763 e envolveu todas as potências europeias da época. A Áustria pretendia recuperar a rica província da Silésia, perdida para a Prússia em 1748, e ao mesmo tempo queria acabar com a ambição prussiana de ascender como potência.

Depois de uma reordenação de forças entre as potências europeias, Maria Teresa, grã-duquesa da Áustria e rainha da Hungria e Boêmia, recebeu o apoio da Rússia, da Suécia, da Saxônia, da Espanha e da França. Do outro lado estavam Prússia, Reino Unido e Hannover.

Em vista dos preparativos da Áustria e da Rússia para um ataque militar em 1757, o Rei da Prússia, Frederico II, decidira tomar a dianteira e ocupara a Saxônia um ano antes. No início de 1757, invadira a Boêmia e conquistara Praga, mas teve de se retirar da região após a derrota em junho do mesmo ano. Em setembro, Hannover, aliado prussiano, foi obrigado a garantir neutralidade depois de ser derrotado pela França.
 

Prússia torna segunda grande potência germânica

Apesar da pressão de todos os lados e de dispor de menos tropas que os inimigos, a Prússia e seus aliados conseguiram impor-se até o final de 1758: em novembro de 1757 derrotaram os franceses na Saxônia; em dezembro, os austríacos na Silésia; e, em agosto de 1758, os russos em Brandemburgo, enquanto Braunschweig expulsava os franceses para as outras margens do Reno.
 
Frederico II, o Grande: no seu reinado a Prússia tornou-se grande potência
 
A Prússia sofreu sua derrota mais amarga para a Rússia e a Áustria em agosto de 1759, no local onde hoje fica Zielona Góra, centro-oeste da Polônia. No começo de 1760, os dois aliados chegaram a ocupar Berlim, mas as tropas prussianas venceram outras duas importantes batalhas. No final do ano seguinte, o Reino Unido cortou as subvenções à guerra. O que salvou a Prússia foi a morte da imperatriz russa Elisabeth, em janeiro de 1762.

Seu sucessor, Pedro III, era um admirador de Frederico, o Grande, com quem selou a paz em 5 de maio de 1762 e assinou uma aliança a 17 de junho. Pouco depois, também a Suécia fez as pazes com a Prússia. Às vitórias sobre a Áustria em julho e outubro, seguiu-se o armistício entre o Reino Unido e a França. A paz definitiva foi então selada em 15 de fevereiro de 1763, na hoje Saxônia. A Prússia receberia o poder sobre a Silésia e devolveria a Saxônia.

Na realidade, ninguém lucrou com o conflito. Pelo contrário, todos sofreram enormes perdas humanas e financeiras. Frederico, o Grande, e a Prússia consolidaram sua importância na história. O "velho Fritz", como passou a ser carinhosamente chamado pelo seu povo, mandou construir um imponente castelo em Potsdam. A Prússia tornou-se a segunda grande potência germânica, ao lado da Áustria, iniciando um dualismo que se prolongaria pelos próximos 100 anos.

Fonte: DW (transcrição)
 
 

sexta-feira, 2 de agosto de 2019

IMAGEM DO DIA - 2/8/2019

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 Fuzileiros do Regimento de Infantaria de Colburg prussiano durante instrução de tiro no verão de 1811.  

domingo, 3 de setembro de 2017

IMAGEM DO DIA - 3/9/2017

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A Batalha de Kulm foi uma batalha perto da cidade de Kulm e da aldeia de Přestanov, no norte da Boêmia. Foi travada em 29-30 de agosto de 1813, durante a guerra da sexta coligação. 32.000 tropas francesas, sob o comando de Dominique vandamme, atacaram um exército de cerca de 50-60.000 austríacos, russos e prussianos, comandados por Alexander Ostermann-Tolstoy, mas foram derrotados com pesadas perdas em ambos os lados. Na imagem, a infantaria prussiana realiza um ataque com baionetas.

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segunda-feira, 30 de janeiro de 2017

IMAGEM DO DIA - 30/1/2017

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Durante a guerra de 1866, a infantaria prussiana investe contra uma bateria de canhões austríaca

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sexta-feira, 20 de março de 2009

PERSONAGENS DA HISTÓRIA MILITAR - OTTO VON BISMARCK



* 1815, Schönhäusen-Prússia

02/08/1898, Friedrichruh- Prússia


Otto von Bismarck, o chanceler de ferro, foi o estadista mais importante da Alemanha do século XIX. Coube a ele lançar as bases do Segundo Império, ou II Reich (1871-1918), que levou os países germânicos a conhecerem, pela primeira vez em sua história, a existência de um Estado nacional único. Para consolidar a unidade alemã Bismarck desprezou os recursos do liberalismo político, preferindo a política da força.

Em 1862 Bismarck foi nomeado primeiro-ministro e ministro dos Negócios Estrangeiros de Guilherme I, rei da Prússia. Logo percebeu o equívoco dos conservadores alemães em deixarem a causa da unificação alemã aos liberais e aos democratas.

A aliança de todos os alemães em um só regime, vivendo num país integrado, estava desacreditada desde o fracasso da Revolução dos Poetas na assembléia nacional de Frankfurt, fechada em 1849. Bismarck reergueu aquele ideal recorrendo à política que alternava "entre o chicote e o pão-doce", lançando mão da guerra e das negociações diplomáticas, conforme a sua estratégia determinava.

Quando morreu o rei da Dinamarca, Frederico VII (1863), entrou em questão a sucessão dos ducados de Schleswig-Holstein. Bismarck articulou para levar a Áustria a uma guerra contra a Dinamarca, na qual foi vencida. Em 1865, foi organizada uma administração austro-prussiana nos dois ducados e Lauenburg foi anexado à Prússia. Bismarck recebeu o título de conde.

Aproveitando as discórdias entre Berlim e Viena Bismarck levou as negociações ao campo de batalha. Isolou a Áustria e convenceu a França e a Itália a ficarem do seu lado. Com a vitória na batalha de Sadowa (1866), a Prússia anexou diversos territórios e formou a Confederação da Alemanha do Norte. Pouco depois Bismarck se voltou contra os exércitos franceses de Napoleão III e, em janeiro de 1871, no Palácio de Versalhes, foi proclamado o Segundo Império Alemão.

Bismarck foi nomeado chanceler e recebeu o título de príncipe. Meses mais tarde a Alemanha anexou a Alsácia e Lorena - territórios que estarão em litígio entre a França e a Alemanha até a Segunda Guerra Mundial. Entre 1870 e 1890, Bismarck dominou a política internacional européia. Seu sistema se baseava na aliança Alemanha-Áustria-Rússia e no isolamento da França.

Em 1883, formou-se a tripla aliança entre a Alemanha, Áustria e Itália. Em 1887, a Alemanha assinou um pacto de amizade com a Rússia. Após um breve reinado de Frederico III, o poder ficou nas mãos de Guilherme II que, com um projeto de legislação social, desentendeu-se com o chanceler e o constrangeu à renúncia.

O chanceler de ferro recolheu-se à propriedade da família na Prússia, onde morreu aos 83 anos, em 1898, após escrever suas memórias intituladas "Pensamentos e Recordações".

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