"No próprio dia da batalha, as verdades podem ser pinçadas em toda a sua nudez, perguntando apenas;
porém, na manhã seguinte, elas já terão começado a trajar seus uniformes."

(Sir Ian Hamilton)



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terça-feira, 6 de dezembro de 2022

OS COMANDANTES PARA ALÉM DO "GENERAL INVERNO"

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As conquistas contra o Grande Exército de Napoleão e a máquina nazista de Hitler foram muitas vezes atribuídas ao inverno extremo na Rússia. No entanto, dar tanto crédito ao clima minimiza a importância dos líderes militares do país. O lendário comandante Aleksandr Suvorov disse certa vez: “Você não conquistará não em número, mas por habilidade”. Os oficiais nesta lista, incluindo o próprio Suvorov, são prova disso.


Por Oleg Skripnik

Até o século XVIII, os comandantes militares dos exércitos russos eram geralmente membros da aristocracia. Um corpo completo de oficiais surgiu somente sob Pedro, o Grande, após uma derrota pesada em Narva que forçou o Tsar a modernizar as forças armadas. Durante o reinado de Catarina, a Grande, a reputação dos oficiais russos se espalhou por toda a Europa. No início do século XX, a Rússia perdeu um número considerável de líderes militares na Primeira Guerra Mundial e na Guerra Civil, mas uma nova geração de líderes surgiu durante a Segunda Guerra.


Dmítri Khvorostínin, século XVI

Khvorostínin era o “homem de apagar incêndio” do tsar Ivan, o Terrível. Era enviado para comandar tropas ao longo das frentes mais difíceis e quase sempre venceu suas batalhas. Assim que repeliu as tropas suecas na fronteira norte do país, Khvorostinin recebeu a missão de salvar os moradores da Rus Kievana dos tártaros. Após mais uma vitória, foi então enviado ao Báltico para lutar contra os lituanos.

Na Guerra da Livônia (contra coalizão formada por Dinamarca, Grão-Ducado da Lituânia, Reino da Polônia e Suécia), os exércitos europeus eram superiores ao russo em termos de tecnologia, mas Khvorostínin conseguiu afastá-los por meio de ataques agressivos e estratégicos.

Khvorostínin era o “homem de apagar incêndio” do tsar Ivan, o Terrível

“Ele é o seu principal homem, que é ainda mais necessário em tempo de guerra”, escreveu o embaixador inglês Giles Fletcher sobre Khvorostínin, em seu livro Sobre o governo da Rus, publicado em 1591. Talvez seja por causa dessa reputação que Khvorostínin não foi executado depois de descumprir uma das ordens de Ivan. Em vez disso, o tsar ordenou que ele se vestisse com roupas femininas e moesse farinha.


Aleksandr Suvorov (1730-1800)

Aleksandr Suvorov era considerado um excêntrico. Ficou conhecido por correr nu à noite, dançar valsa fora do ritmo nas festas imperiais, trombando deliberadamente em outros casais, e chegar para o almoço usando apenas um sapato. Quem que conhecia Suvorov, porém, não se deixava levar por sua aparência. “A Espada Russa, Flagelo dos Turcos e Tempestade dos Poloneses. Violento nas ofensivas, destemido por natureza, era a imagem de Átila”, descreveu Luís XVIII em suas memórias.

Aleksandr Suvorov em 1799

Por esses motivos, Suvorov foi, talvez, o maior comandante russo de todos os tempos. Não perdeu uma única de suas 63 batalhas, ainda que, por vezes, enfrentasse inimigos muito superiores  em quantidade. Concentrava as forças no ataque, e sua estratégia ofensiva se baseava na velocidade e na confiança em seus homens. Aliás, era bastante querido entre os militares. Hábil em logística, treinava seus soldados para que tivessem iniciativa e astúcia em vez de focar exercícios repetitivos.

A vitória mais famosa de Suvorov foi sua campanha acerca dos Alpes. Em 1799, o Exército russo na Suíça foi cercado. Estavam sem munição, sem comida, e as botas já estavam gastas. Teria sido um milagre manter-se firme sob tais circunstâncias: Suvorov assumiu o desafio, conduzindo seus exércitos por montanhas nevadas, lagos e um inimigo hostil. Ao final, os russos escaparam e perderam menos homens que os franceses.


Michael Andreas Barclay de Tolly (1761-1818)

Barclay de Tolly foi comandante do Exército russo durante a invasão da Rússia por Napoleão, em 1812. O imperador francês esperava derrotar as tropas russas na fronteira e forçar o tsar a aceitar seus termos para a paz. Em junho, o Exército francês era muito superior ao russo; Barclay de Tolly sabia que enfrentá-los seria desastroso. A decisão foi recuar, sacrificando sua reputação, queimando aldeias e plantações por onde passavam. E a estratégia funcionou. Em vez de conquistar uma rápida vitória, os franceses foram obrigados a seguir os russos até Moscou.

Os soldados franceses estavam literalmente morrendo de fome e foram atacados por trás pelos cossacos enquanto o inverno se aproximava. A aristocracia exigia, porém, uma batalha corajosa de Barclay em vez de um recuo “vergonhoso”. “Aquele velhaco do Barclay desistiu de uma posição gloriosa”, escreveu o general Piotr Bagration.

Barclay de Tolly retratado em 1829

O comando do exército passou para o general Mikhail Kutuzov, e Barclay de Tolly enfrentou a ira do povo. Foi, inclusive, atingido deliberadamente por um disparo na Batalha de Borodino – mas sobreviveu para ver sua estratégia triunfar. Novamente nomeado comandante após a morte de Kutuzov, Barclay de Tolly conduziu o exército russo ao longo do trajeto até Paris.


Konstantin Rokossôvski (1896-1968)

A crença de Rokossôvski no partido Rodina (União Patriótica Nacional), não foi rompida nem mesmo durante o tempo que esteve preso durante as purgas do final dos anos 1930. Em 1940, Stálin perdoou o futuro Marechal da União Soviética e, um ano depois, essa decisão se mostrou acertada. Após os alemães invadirem a União Soviética, as tropas de Rokossôvski lutaram em pontos cruciais no Fronte Oriental. Sua divisão reteve tanques alemães na Batalha de Moscou, em 1941; no ano seguinte, o exército de Rokossôvski cercou os alemães em Stalingrado; já em 1943, derrotou a Wehrmacht em Kursk, que representou uma reviravolta na guerra.

Rokossôvski foi um dos mais hábeis comandantes soviéticos na 2ª Guerra Mundial

A fama de Rokossôvski, entretanto, vem sobretudo da organização e execução da Operação Bagration, em 1944. Depois de enganar os alemães , fazendo-os acreditar que planejava um ataque pela Ucrânia, o Exército Vermelho atingiu posições alemãs na Bielorrússia. A frente alemã desmoronou. Em dois meses, o Exército Vermelho libertou a Bielorrússia, a Lituânia e o ocidente da Ucrânia dos nazistas.

Fonte: Gazeta Russa


sábado, 7 de outubro de 2017

IMAGEM DO DIA - 7/10/2017

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Tropas polonesas durante a Guerra Russo-Polonesa, 1919

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domingo, 16 de julho de 2017

OS PRIMEIROS PASSOS DOS "CAVALOS DE FERRO"

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Estranho ao exército tsarista, tanque de guerra começou a trilhar sua história na Rússia com base em cópias estrangeiras. Apenas na segunda metade da década de 1920 é que a liderança soviética tomou consciência plena de que a próxima grande guerra na Europa seria a dos combates dos veículos blindados.


Por Alexandr Verchínin


A escola russa de construção de tanques é hoje considerada uma das melhores do mundo. Mas a sua história é construída com base em experiência e continuidade. No início do século XX, a Rússia estava seriamente atrasada nessa área e teve que fazer um enorme esforço tecnológico para recuperar o atraso em relação aos países mais desenvolvidos. A história de como a União Soviética conseguiu, em apenas alguns anos, se colocar em pé de igualdade com as potências construtoras de tanques mais avançadas da época merece ser contada.

O exército tsarista conhecia os tanques apenas de ouvir falar deles. Na Rússia pré-Revolução não existia a indústria de tanques - havia apenas alguns projetos e exemplos unitários desta máquina militar. Em 1914, alguns engenheiros russos propuseram vários modelos: o tanque de Porokhovchikov era radicalmente diferente do tanque proposto por Lebedenko, mas ambos provaram ser igualmente inúteis em condições de guerra. O primeiro era, em sua essência, um veículo blindado do tamanho de uma carroça que andava em todo tipo de terreno. O segundo, pelo contrário, era de proporções gigantescas, pesava cerca de 60 toneladas e tinha duas enormes rodas na frente que faziam lembrar uma bicicleta das antigas. O tanque de Lebedenko continua sendo a maior viatura militar jamais criada e entrou para a história com o nome de Tanque do Tsar.

Desesperado para construir um tanque nacional, o governo tsarista foi pelo caminho já testado e decidiu encomendar a técnica militar no exterior. A França estava já se preparando para construir três centenas de tanques Renault para o Exército Imperial quando a Revolução de 1917 frustrou todos os planos. Os tanques franceses apareceram na Rússia, mas não como artigo importado. A Tríplice Entente armou o Exército Branco de Denikin e Wrangel, mas o apoio ocidental ao Exército Branco não ajudou. Após a derrota de Denikin, um desses Renaults foi parar nas mãos do Exército Vermelho, levado para Moscou e então desmontado. Com base neste modelo foi construído o primeiro tanque soviético em série, que recebeu o nome de "Combatente pela Liberdade, Camarada Lênin".


Guerra sobre rodas

Apenas na segunda metade da década de 1920 é que a liderança soviética tomou consciência plena de que a próxima grande guerra na Europa seria a dos combates dos veículos blindados. Em 1924 a União Soviética criou um departamento técnico sob a alçada da Direção-Geral da Indústria Militar – um órgão centralizado que se ocupava da concepção, testes e colocação em serviço de novos tanques. O Estado se ocupou plenamente dos tanques e essa tarefa se tornou uma prioridade nacional.

Em 1926 teve início o primeiro programa soviético de três anos para construção de tanques. Na época, poucos pensavam nos diferentes modos de usar os "cavalos de ferro" em condições de combate, e o tanque era mais concebido como um meio de apoio à infantaria. Foi precisamente essa função que assumiu o novo tanque soviético, que deveria supostamente entrar no exército em 1929. Mais uma vez foi necessário improvisar com base em modelos estrangeiros já existentes. Durante a Guerra polaco-soviética de 1920 um tanque italiano Fiat 3000, fabricado na base do chassi daquele mesmo Renault, foi integrado à cavalaria de Budienny.

O T-18, como este preservado em museu, foi o primeira tanque criado pela URSS


O Pequeno Tanque de Apoio (MC-1) ou T-18 foi o primeiro tanque de criação propriamente soviética. Para o seu tempo, até que não estava mal: tinha um canhão de 37 milímetros, blindagem de 8 mm à prova de balas e atingia 16 km/h. A viatura começou a ser produzida em séria e rapidamente se tornou o núcleo da frota de tanque do Exército Vermelho. Até 1931 foram fabricados cerca de mil unidades do T-18. Mas o progresso tecnológico não parou por aí.

Em 1929 decidiram modernizar as forças blindadas e, por isso, tentaram então o T-18. Porém, o T-20, criado com base nele, já tinha obviamente esgotado o recurso de melhoria que existia nas viaturas da série Renault.

Um verdadeiro achado para os projetistas soviéticos foi o engenheiro norte-americano John Walter Christie, entusiasta e verdadeiro "gênio dos tanques". Ao trabalhar sob encomenda para o governo dos EUA, ele propôs vários projetos de tanques que mudaram qualitativamente a compreensão de construção dessas máquinas, mas Christie era uma espécie de gênio incompreendido no próprio páis. A história da cooperação de Christie com os construtores de tanques soviéticos merece um capítulo à parte. 

Fonte: Gazeta Russa