"No próprio dia da batalha, as verdades podem ser pinçadas em toda a sua nudez, perguntando apenas;
porém, na manhã seguinte, elas já terão começado a trajar seus uniformes."

(Sir Ian Hamilton)



terça-feira, 2 de julho de 2013

ARQUIVO MALVINAS - DECISÃO DE AFUNDAR NAVIO ARGENTINO FOI TOMADA EM ALMOÇO

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Os documentos abertos do National Archives, de Londres, revelaram que a decisão de afundar o cruzador General Belgrano, maior navio argentino, durante a Guerra das Malvinas, em 1982, foi tomada durante um almoço da primeira-ministra Margaret Thatcher com seus ministros em Chequers, casa de campo da premiê britânica.

Londres decidiu que qualquer navio ou submarino argentino que ameaçasse as forças britânicas poderia ser afundado, mesmo que estivesse fora da área de exclusão criada para delimitar o conflito. A principal preocupação era o porta-aviões argentino 25 de Maio. O alvo, porém, foi o Belgrano, que foi torpedeado no dia 2 de maio pelo submarino HMS Conqueror. O navio foi a pique matando 323 marinheiros. Outros 700 foram resgatados.

Os documentos indicam que, no dia 5 de maio, o ministro da Defesa britânico, John Nott, afirmou em um jantar de representantes da OTAN que "a decisão fora tomada por um grupo de ministros liderados por Thatcher".

O Belgrano foi construído em 1935. Sobrevivente do ataque japonês a Pearl Harbor, em 1941, foi revendido à Argentina após a 2ª Guerra pelos EUA. Embora antiquado, seus canhões aterro­rizavam a Marinha britânica. Seu afundamento é considerado um crime de guerra pelos argen­tinos. O ex-vice-chanceler Andrés Cisneros disse ontem que o afundamento do Belgrano foi proposital, com a intenção de chocar os argentinos e impedir qualquer alternativa negociada para o conflito.

O cruzador General Belgrano sendo abatecido em Ushuaia, sul da Argentina, em abril de 1982, um mês antes de ser afundado pelo submarino britânico



Os documentos revelam detalhes sobre os esforços de outros governos para uma trégua entre Londres e Buenos Aires, entre eles uma proposta de reunião que o presidente mexicano, José López Portillo, tentou organizar entre o general Leopoldo Galtieri e Thatcher em Cancún.

Nos últimos 20 anos, diversos historiadores britânicos haviam sustentado que Thatcher pensou seriamente em bombardear a Argentina. Mas, até o momento, nenhum documento oficial corrobora essa teoria.

Três documentos confirmam que assessores de Thatcher planejaram bombardeios na Patagônia, principalmente a bases áreas. No entanto, os documentos mostram que os ataques eram considerados apenas pelos assessores da premiê.

Os arquivos também indicam  que os EUA estiveram a ponto de comunicar à ditadura argentina uma manobra militar britânica para demonstrar a Galtieri que o país permaneceria neutro. O plano havia sido elaborado pelo secretário de Estado Alexander Haig, que pretendia avisar que os britânicos atacariam a ilha Geórgia do Sul.

A ideia de Haig era comunicar "de forma imprecisa" os planos britânicos quando fosse tarde demais para que os argentinos preparassem uma reação. Os americanos estavam preocupados com o destino dos militares argentinos, que haviam colaborado na luta anticomunista. No entanto, Haig foi dissuadido pelo embaixador britânico nos EUA, Nicholas Henderson. Ele disse que a antecipação da manobra teria um efeito devastador sobre a estratégia de Londres.

Fonte: Estadão

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quinta-feira, 13 de junho de 2013

LANÇAMENTO DO LIVRO "UM CÉU CINZENTO" NO RECIFE

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Aos amigos do Recife e arredores, ficarei honrado com suas presenças.


domingo, 9 de junho de 2013

LIVRO "UM CÉU CINZENTO: A HISTÓRIA DA AVIAÇÃO NA REVOLUÇÃO DE 1932"

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Caros amigos leitores do Blog História Militar, é com satisfação que comunico o pré-lançamento do meu primeiro livro solo, Um céu cinzento: a história da aviação na Revolução de 1932.


SINOPSE

Há oitenta anos irrompia em São Paulo um levante político-militar contra o Governo Provisório de Getúlio Vargas. Sob a bandeira da constitucionalização do país, unidades do Exército Brasileiro sediadas no estado, todo o efetivo da Força Pública de São Paulo e milhares de voluntários partiram para a luta. O Governo Federal, por sua vez, empregou todos os meios à sua disposição para sufocar o movimento. Durante quase três meses, cerca de 300 mil homens se enfrentaram em combates que, muitas vezes, lembravam a guerra de trincheiras da 1ª Guerra Mundial.

Nesse cenário, uma nova arma se impunha no seio das forças armadas brasileiras: a Aviação. E foi exatamente durante a Revolução de 1932 que os aviões de combate foram empregados com intensidade até então nunca vistas no Brasil. Pelo lado federal, o Exército e a Marinha utilizaram suas respectivas aviações e, no campo oposto, os paulistas organizaram uma força aérea improvisada, porém, eficiente. A Revolução Constitucionalista foi marcada por combates aéreos, bombardeio contra tropas e contra cidades, aviões abatidos pelo fogo antiaéreo, lançamento de panfletos de propaganda e culminou, em seus derradeiros dias, com um ataque aéreo contra um cruzador da Marinha que bloqueava o porto de Santos.

Um céu cinzento: a história da aviação na Revolução de 1932 é o resultado de quase sete anos de detalhada pesquisa e tem, como propósito, contar a história dos homens e máquinas voadoras que escreveram, nos céus de São Paulo, um importante capítulo da História Militar brasileira.


O AUTOR

Carlos Roberto Carvalho Daróz é oficial de Artilharia do Exército Brasileiro, historiador militar, professor e pesquisador. Nascido no Rio de Janeiro, obteve seu bacharelado em Ciências Militares pela Academia Militar das Agulhas Negras e diplomou-se Mestre em Operações Militares na Escola de Aperfeiçoamento de Oficiais. Paralelamente a vida militar, desenvolveu sua carreira acadêmica. Com licenciatura em História pela Universidade Salgado de Oliveira, especializou-se em História Militar pela Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro e pelo Instituto de Geografia e História Militar do Brasil. Atua como professor do Colégio Militar do Recife e do curso de pós-graduação em História Militar, da Universidade do Sul de Santa Catarina. É membro do Instituto de Geografia e História Militar do Brasil e pesquisador associado do Centro de Estudos e Pesquisa em História Militar, da Diretoria do Patrimônio Histórico e Cultural do Exército Brasileiro.

Historiador militar da nova geração, possui dezenas de artigos e trabalhos de História Militar, publicados na Revista do Exército Brasileiro, A Defesa Nacional, Revista da Universidade da Força Aérea e outros periódicos especializados. É palestrante frequente de temas relacionados à História Militar, tanto no meio militar, quanto na academia.

Neto de ex-combatente da Revolução de 1932, produziu Um céu cinzento: a história da aviação na Revolução de 1932, como contribuição para a história de tão importante episódio do Período Republicano e da aviação  brasileira.


FICHA TÉCNICA

Um céu cinzento: a história da aviação na Revolução de 1932
Autor: Carlos Roberto Carvalho Daróz
Editora: Editora Universitária da UFPE
ISBN: 978-85-415-0195-8

324 páginas
54 fotografias
5 tabelas
13 perfis de aviões coloridos

Preço: R$ 45,00

 
COMO ADQUIRIR SEU EXEMPLAR ?

No Recife: diretamente com o autor

Pelos correios:
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1) Deposite R$ 50,00 (livro R$ 45,00 + frete R$ 5,00) na conta abaixo:
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- Comprovante de depósito anexado
- Endereço para remessa do livro (não se esquecer do CEP)
- Informação se deseja ou não dedicatória. Caso positivo, informar o nome da pessoa a quem será dedicado o livro.

3) Aguarde a chegada do seu livro e boa leitura
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quarta-feira, 22 de maio de 2013

PENSAMENTO MILITAR - HISTÓRIA MILITAR E A ARTE DA GUERRA




É na História Militar que vamos buscar a fonte de toda a Ciência Militar.” 

(Almirante Alfred Mahan, estrategista e geopolítico norte-americano) 

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ENCONTRADO UM VALENTINE INTACTO NA POLÔNIA

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Foi encontrado e recuperado na Polônia um carro de combate Valentine Mk.IX, fabricado em fevereiro de 1943, na Grã-Bretanha, e cedido aos soviéticos através do Programa Lend-Lease. O blindado estava tentando atravessar o rio Varta, que estava congelado, em janeiro de 1945, mas o seu peso de 17 toneladas foi demais para o gelo, que se rompeu, fazendo-o afundar no leito lamacento do rio. O carro de combate está em perfeitas condições, uma vez que não sofreu danos de batalha, e pode ser facilmente restaurado. Mas essa descoberta vai além, pois este tipo de carro foi aposentado da ordem de batalha soviética em meados dos anos 1944, e passou a ser utilizado para reconhecimento e exploração.

O Mk.IX entrou em serviço em 1942 e era bastante apreciado pelos soviéticos por sua confiabilidade e design simples, motivo pelo qual foram solicitadas mais unidades. Embora já fosse considerado obsoleto na Grã-Bretanha, devido ao apreço dos soviéticos sua produção continuou em 1943, ao invés de ser encerrada.  Na lista a seguir, podemos ver as formações soviéticas que utilizaram o Valentine Mk.IX.  O exemplar encontrado na Polônia pertence, certamente, a uma delas:


- 3º Corpo Blindado

- 16º Corpo Blindado

- 19º Corpo Blindado

- 3º Corpo Blindado de Guardas

- 1º Corpo Mecanizado

- 5º Corpo Mecanizado

- 3º Corpo Mecanizado de Guardas

- 9º Corpo Mecanizado de Guardas

- 154º Regimento Blindado

- 250º Regimento Blindado

- 4º Regimento Mecanizado de Guardas

- 6º Regimento Mecanizado

- 87º Regimento Mecanizado

A seguir, algumas imagens da recuperação do Valentine Mk.IX









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quarta-feira, 8 de maio de 2013

sexta-feira, 3 de maio de 2013

OS GRANDES EXÉRCITOS DA DINASTIA HAN



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A Dinastia Qin levantou a Grande Muralha, mas foi a Dinastia Han a responsável por tê-la ampliado em grande escala, transformando-a em uma ferramenta fundamental para a defesa do território chinês.  Tendo durado de 206 a.C. a 220 d.C., a Dinastia Han marcou uma fase importante e próspera da história chinesa, estabelecendo as bases do confucionismo, que permeou todos os regimes do país até o final do Império.

A Dinastia Han pode ser dividida em dois períodos: a Ocidental, que durou de 206 a.C. a 8 d.C., e a Oriental, que governou o Império Chinês de 25 a 220 d.C.  Tamanha foi a influência da ideologia deste período que o povo chinês, até hoje, se refere a si mesmo como povo Han.

Todo o avanço registrado durante este período esteve atrelado a grandes conquistas territoriais, que fizeram das tropas chinesas que defenderam o Império durante todos aqueles séculos algumas das mais aguerridas de todos os tempos.


Ameaça dos hunos - novas armas

Uma das primeiras motivações para que os Han entrassem em combate começou a se fazer notar ainda na Dinastia Qin: os hunos, estabelecidos no norte da China, já muito poderosos e que, frequentemente, invadiam o sul.  Quando a Dinastia Han assumiu o poder, os hunos passaram a ser a principal ameaça na fronteira.  Para se defender, os chineses ampliaram a Grande Muralha, de 5.000 km erguidos pelos Quin, para 100 mil quilômetros; para combatê-los, organizaram um exército de cavalaria, substituindo a tradicional espada pela faca, que passou a ser a principal arma de combate.
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Soldados chineses da dinastia Han. As armas utilizadas podem ser vistas


Apesar dessa mudança, os Han não abandonaram a espada, ao contrário, a arte da esgrima passou a ser uma verdadeira moda entre a sociedade chinesa.  Tanto funcionários públicos de alta estirpe, quanto intelectuais – e até o imperador – orgulhavam-se de exibir sua habilidade com a arma.  O Han Shu – o Livro de Han – chegava a ter 38 artigos falando sobre a técnica de esgrima usada na época.  Ao mesmo tempo, a técnica de atirar com arco e flecha também foi bastante aprimorada.  Tal habilidade no manuseio das armas talvez explique a pujança dos Han nos campos de batalha.


O Império se expande

O Imperador Wu, que assumiu o trono no ano 141 a.C., consolidou e ampliou o império ao expulsar os xiongnus (normalmente identificados com os hunos) para a atual Mongólia Interior e, com isso, anexou os territórios correspondentes às províncias de Gansu, Ningxia e Qinghai do presente.  A posse dessas regiões permitiu que fosse aberta a Rota da Seda, estabelecendo as primeiras ligações comerciais entre a China e o Ocidente. Foi nessa mesma época que os chineses descobriram que havia outros povos a oeste de suas fronteiras, o Império Romano.  Essa descoberta foi possível porque Wu havia enviado uma missão à Ásia Central para rechaçar os ataques dos hunos, bem como estabelecer uma aliança com os turcos, no intuito de combaterem o inimigo comum.

 Armadura típica utilizada pelos soldados chineses

Em 121 a.C., o exército da Dinastia Han derrotou os hunos no Corredor de Hexi.  Vinte anos depois, a corte da dinastia Han Oriental enviou a Luntai e Quli – que ficavam ao sul das montanhas Tianshan – uma força com centenas de soldados para desbravar terras, liderada por um comandante que também acumulava funções administrativas.  Em 60 a.C., foi criado o Comando de Fronteira das Regiões Oeste – sucedido por uma grande agitação na classe dominante dos hunos -, marcando o início da soberania estatal da Dinastia Han do oeste e fazendo com que Xinjiang se tornasse parte integrante da China.


A dinastia ameaçada

Apesar da expansão, a Dinastia Han passou por dificuldades.  No ano 8 d.C., um oficial rebelde acabou usurpando o trono para estabelecer a curta Dinastia Xin, mas, em 25 d.C., o Imperador Guangwu restabeleceu a Dinastia Han, sediada agora em Luoyang, próximo a Xian, com o apoio das famílias proletárias e mercantis.

Este período, conhecido como Dinastia Han Oriental, foi marcado por grande prosperidade no campo econômico, educacional e científico.  O comércio com os vizinhos do norte e com as civilizações da Europa, através da Rota da Seda, era mais do que intenso.  O período foi extremamente fértil no plano cultural, onde escritores criaram grandes obras literárias, incluindo textos históricos e dicionários.  Nessa mesma fase o Budismo foi introduzido na China.

Soldados de cavalaria da dinastia Han


Declínio

Com o tempo, porém, o poder dos Han começou a declinar, por conta de aquisição de terras, invasões e rixas entre clãs consortes e eunucos.  Mesmo assim, a Rebelião do Turbante Amarelo, promovida pelos camponeses, acabou estourando em 184 d.C. e resultou numa era de chefes guerreiros.

A Dinastia Han era extremamente militarizada e expandiu suas fronteiras para incorporar regiões que, hoje, corresondem ao Tibete, Coreia do Norte e Vietnã.


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