"No próprio dia da batalha, as verdades podem ser pinçadas em toda a sua nudez, perguntando apenas;
porém, na manhã seguinte, elas já terão começado a trajar seus uniformes."

(Sir Ian Hamilton)



sexta-feira, 26 de outubro de 2012

PERSONAGENS DA HISTÓRIA MILITAR - ROBERT CAPA



* 22/10/1913 - Budapeste, Hungria

+ 25/05/1954 - Thai-Binh, Vietnã


Robert Capa, cujo nome verdadeiro era Endre Ernő Friedmann, foi um dos mais célebres fotógrafos de guerra.  Nascido na Hungria, Capa cobriu os mais importantes conflitos da primeira metade do século XX: a Guerra Civil Espanhola, a Guerra Sino-Japonesa, a Guerra Mundial na Europa, no Norte da África, a Guerra Árabe-israelense de 1948 e a Guerra da Indochina.

Durante seus estudos secundários sentiu-se atraído pelos meios culturais marxistas. Fichado pela polícia, teve que se exilar em 1930 em Berlim, onde se inscreveu na Faculdade de Ciências Políticas e aproximou-se do meio jornalístico. Encontrou trabalho na "Dephot" (Deutscher Photodienst), a maior agência de jornalismo da Alemanha naquela época.

Sua carreira de fotógrafo começou no fim do ano de 1931, ao fotografar Leon Trótski, em meio a diversas dificuldades durante um congresso em Copenhagen. O surgimento do nazismo e a condição judaica de Endre fizeram com que, em 1932 , ele deixasse Berlim, dirigindo-se para Viena e, depois, Paris.

Em 1934 encontrou Gerda Taro e, no ano seguinte, ambos criaram o personagem Robert Capa, repórter mítico de nacionalidade estadounidense. Friedmann passou a viver com Gerda, também fotógrafa e produtora. O pseudônimo Robert Capa logo alcancou notoriedade e, em 1936, Capa e Gerda Taro partiram em reportagem para cobrir a Guerra Civil  Espanhola, onde Gerda encontraria a morte no ano seguinte.

Em 1938, Capa foi à China para fotografar o conflito sino-japonês, retornando à Espanha em 1940, logo que a França caiu sob o domínio nazista. Retirou-se em seguida para os Estados Unidos, onde começou a trabalhar para a revista Life.  Posteriormente viajou para a Inglaterra e depois para a Argélia.

Em Junho de 1944 participou do desembarque aliado na Normandia, o Dia D, onde tirou as mais famosas fotografias do evento. Depois da guerra, com David Seymour, Henri Cartier-Bresson e George Rodger, fundou a Agência Magnum (constituída oficialmente em 1947). Nos primeiros tempos, ocupou-se na organização da estrutura, partindo em seguida para o "terreno".

Foto de Capa mostrando soldados americanos desembarcando sob fogo na praia de Omaha durante o Dia D


Robert Capa fotografou a Guerra Civil Espanhola, onde tirou a sua  foto mais famosa e mais controversa ("A morte do soldado legalista"), a Guerra Sino-Japopnesa e a 2ª Guerra Mundial com lentes normais, o que fez com que ele se tornasse um dos mais importantes fotógrafos europeus do século XX.

Capa morreu em ação, na Guerra da Indochina, em 25 de maio de 1954, ao pisar sobre uma mina terrestre. Seu corpo foi encontrado com as pernas dilaceradas.  A câmera permanecia entre suas mãos.


ENCONTRO DE VIATURAS MILITARES PRESERVADAS EM BELO HORIZONTE

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quarta-feira, 24 de outubro de 2012

DIA DO AVIADOR E DA FORÇA AÉREA BRASILEIRA - 23 DE OUTUBRO

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23 DE OUTUBRO 

DIA DO AVIADOR E DA FORÇA AÉREA BRASILEIRA


Aos aviadores de ontem e de hoje, a homenagem do Blog História Militar.


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sábado, 20 de outubro de 2012

IMAGEM DO DIA - 20/10/2012

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Imagem dramática mostrando o instante exato em que o piloto de um Messerschmitt Me-109 alemão salta de paraquedas, após sua aeronave ter sido abatida por um caça da RAF

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sexta-feira, 19 de outubro de 2012

A UM PASSO DO CONFRONTO NUCLEAR





Crise dos mísseis em Cuba completa 50 anos.  EUA e URSS estiveram perto de se enfrentar, mas testemunhos apontam para blefes de ambos os lados


Por João Batista Natali


A crise começou em 14 de outubro de 1962, e o mundo chegou bem perto de um confronto nuclear. Naquele dia, um avião americano de espionagem U-2 registrou, em Cuba, a construção de uma base de lançamento de mísseis soviéticos.

O presidente John Kennedy, em pouco tempo, decretou uma quarentena aérea e naval da ilha governada por Fidel Castro. Para os americanos, a prioridade era impedir que chegassem bombas atômicas para os lançadores em instalação. Kennedy também exigiu que o líder soviético Nikita Khruschov interrompesse aquela "ameaça à segurança interna dos Estados Unidos".

A tensão durou 14 dias. Em 28 de outubro, o secretário-geral da ONU, o birmanês U Thant, anunciou um acordo pelo qual os russos repatriariam o armamento. Em troca, e em carta reservada a Khruschov, Kennedy prometeu retirar da Turquia mísseis nucleares Júpiter, apontados contra a União Soviética.

Imagens feitas por aviões espiões americanos mostrando a instalação de base de mísseis em Cuba



A crise dos mísseis não traz mais muitos segredos. Uma dezena de seminários reuniu, até os anos 90, acadêmicos e protagonistas já aposentados. O que eles relatam são dimensões factuais que se sobrepõem umas às outras naquele momento agudo da Guerra Fria. Havia, em primeiro lugar, as ameaças reais sofridas por Cuba. O regime local, instalado em janeiro de 1959, declarou-se comunista em 1961. Naquele mesmo ano, a CIA patrocinou a malograda operação na baía dos Porcos, invasão de exilados armados para reconquistar o país.

O problema estava em saber, em 1962, se uma nova investida militar americana estava a caminho. Robert McNamara, o secretário da Defesa, afirmou em dois encontros acadêmicos bem posteriores que não era o caso. Foi também o que disse, em 1989, o influente secretário de imprensa da Casa Branca, Pierre Salinger.  Mas tudo indica que Kennedy blefava para manter Moscou sob tensão. É a explicação que se dá às "diretrizes 314 e 316", nomes de código de uma nova invasão, que o almirante americano Robert Dennison disse ter recebido. O Kremlin acreditava que a ameaça era real e tentou alopradamente proteger seu pequeno aliado.

A ameaça: de Cuba, os mísseis soviéticos poderiam atingir, rapidamente, qualquer parte do território americano

      
As relações entre as superpotências estavam, àquela altura, bem azedas. Os americanos reagiam na defensiva depois da crise de Berlim, quando em 1961 os russos bloquearam o abastecimento da cidade e, em seguida, construíram o muro entre os setores oriental e ocidental.

Em princípio, seria por aquela região, na divisa entre os dois blocos, que deveria permanecer confinada a Guerra Fria. Os soviéticos seriam dissuadidos por resposta nuclear americana se invadissem território ocidental. E aconteceria o mesmo com os americanos caso invadissem a Alemanha Oriental ou a Polônia. Pequeno detalhe: um confronto nuclear acabaria com a humanidade.

Quanto ao regime cubano, os encontros acadêmicos demonstram de forma patética o papel de Fidel como coadjuvante, sem nenhum poder de interlocução. Se os mísseis fossem instalados, os cubanos não teriam acesso aos códigos de disparo, afirmou anos depois um dos filhos de Khruschov, engenheiro envolvido na operação.

Assim, não passou de pura bravata a afirmação de Ernesto Che Guevara ao "Daily Worker", jornal comunista britânico, de que seu regime, para evitar nova invasão, pretendia lançar pequenos artefatos nucleares em território americano. Simples assim: uma guerra atômica preventiva. Pura insensatez.

Destróier americano intercepta um cargueiro soviético que transporta mísseis durante o bloqueio marítimo a Cuba


Há, por fim, dois blefes soviéticos nessa história. Eles deixaram vazar para os EUA que instalariam em Cuba 42 bombas atômicas. Os americanos acreditaram que era uma parcela pequena do arsenal inimigo em potencial. Mas, com o fim da URSS, ficou patente que as 42 bombas eram quase tudo o que Moscou possuía.

Por fim, a CIA foi informada de que 10 mil soldados soviéticos estavam em Cuba, somando-se aos 270 mil das forças locais. Era mentira: os soviéticos eram em verdade 47 mil. Ou seja, uma suposta nova invasão envolveria diretamente bem mais gente do Exército Vermelho, com consequências inimagináveis.


Fonte: Folha de São Paulo

segunda-feira, 15 de outubro de 2012

DIA DO PROFESSOR - PARABÉNS A TODOS OS COLEGAS



Caros colegas que dedicam suas vidas aos tablados de todo o Brasil, a minha homenagem.  Não é fácil, mas estamos construindo um Brasil melhor.




Ser professor é professar a fé e a certeza de
que tudo terá valido a pena se o aluno sentir-se feliz
pelo que aprendeu com você e pelo que ele lhe ensinou...

Ser professor é consumir horas e horas pensando

em cada detalhe daquela aula que, mesmo ocorrendo
todos os dias, a cada dia é única e original...

Ser professor é entrar cansado numa sala de aula e,
diante da reação da turma, transformar o c
ansaço

numa aventura maravilhosa de ensinar e aprender...

Ser professor é importar-se com o outro numa

dimensão de quem cultiva uma planta muito rara que
necessita de atenção, amor e cuidado.

Ser professor é ter a capacidade de "sair de cena,

sem sair do espetáculo".

Ser professor é apontar caminhos, mas deixar que
o aluno caminhe com seus próprios pés...

Feliz dia dos Professores!
 
 
 
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domingo, 14 de outubro de 2012

CORPOS DE AVIADORES BRITÂNICOS DA 2ª GUERRA MUNDIAL SÃO ACHADOS NA ALEMANHA







Um grupo de voluntários e historiadores alemães achou os restos mortais de um grupo de aviadores desaparecido, há 69 anos, durante o período da 2ª Guerra Mundial.

Os corpos estavam em destroços de um bombardeiro Lancaster, que caiu nos subúrbios de Frankfurt após ser abatido, segundo matéria do jornal “Telegraph”

Muitos moradores não entenderam a razão pela qual o grupo de alemães insistiu em achar os estrangeiros que haviam bombardeado o território alemão.

No entanto, o líder da missão, Uwe Benkel, disse que sentia o dever de encontrar os militares e trazer conforto a familiares que nunca souberam como seus entes queridos morreram.

- "Muitas pessoas não entenderam o que nós estávamos fazendo e disseram coisas como ‘por que eles estão à procura de pessoas que bombardearam nossas cidades e mataram nossas pessoas?’. No nosso ponto de vista, isso é passado e história. Aconteceu há 70 anos. Nós estamos em outra geração. Nós estamos fazendo buscas de homens que desapareceram, que ainda se encontram no solo" - defendeu Benkel, de 51 anos, em entrevista ao "Telegraph”.

Eles morreram em abril de 1943, quando voltavam para uma base na Inglaterra, depois de terem participado de um ataque a uma fábrica de armamentos Skoda, em Pilsen, na Checoslováquia.

Bombardeiro Avro Lancaster da RAF sobre a Alemanha



Peter Menges, de 83 anos, foi a testemunha que guiou os historiadores britânicos e disse que viu o Lancaster ED427 cair no vilarejo de Laumersheim, próximo a Frankfurt. Dos 327 aviões britânicos que participaram do ataque à fábrica da Skoda, 36 foram abatidos. 

Na época, os alemães chegaram a fazer buscas e encontraram e enterraram dois corpos dos sete membros da tripulação do Lancaster: os atiradores Cope e Watt. Os outros foram registrados como desaparecidos.

Depois da guerra, a Força Aérea britânica tentou encontrar os destroços do avião, mas não obteve sucesso. Foi dito então que a aeronave havia caído no mar e o nome dos desaparecidos foi colocado em um memorial a 20 mil mortos da guerra que não foram enterrados. 

O piloto Alex Boone e o engenheiro de voo Norman Foster



O atirador Ronald Cope e o navegador Cyril Yelland



O atirador Bruce Watt  e o operador Raymond White



Benkel, que trabalha como funcionário do seguro de saúde alemão, começou a pesquisar por aviões desaparecidos há 25 anos, e agora lidera um grupo de voluntários que já examinou mais de 400 aeronaves e recuperou 38 corpos de militares.

Para encontrar o Lancaster britânico, o time de Benkel teve que cavar mais de 5 metros de profundidade em uma área de 100 metros quadrados. 

A escavação em busca do Lancaster e da tripulação, setenta anos depois de sua queda


Além dos restos mortais, eles recuperaram a cabine de fuselagem, o trem de aterragem, um pneu, um paraquedas queimado, ferramentas e munições. Hazel Snedker, que tinha três anos quanto o pai Norman Foster morreu no acidente, disse que a família ficou muito grata com a descoberta.

- "É um grande alívio saber o qua aconteceu com ele e aonde ele está. Pelo menos agora ele terá uma sepultura com uma placa em sua memória. Meu pai tinha duas irmãs que ainda estão vivas. Sei que a minha tia Joan está muito grata. Ela queria saber o que aconteceu com seu irmão".

Fonte: O Globo Online


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quarta-feira, 10 de outubro de 2012

O ESQUELETO QUE SORRI - ARTIGO DE OPINIÃO

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No seu "Era dos Extremos", Eric Hobsbawm, tão lido no Brasil, falsifica a história para absolver Stálin. Sua versão da 2ª Guerra foi aquela fabricada em Moscou

 Por Demétrio Magnoli

"Eu entendi isso, Edward. Esse esqueleto nunca sorrirá novamente." Leszek Kolakowski, filósofo polonês exilado, concluiu com essas palavras sua réplica ao historiador Edward P. Thompson, que o acusara de trair os ideais socialistas.
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O ano era 1974, seis depois da invasão da Tchecoslováquia pelas Forças do Pacto de Varsóvia. Thompson rasgara sua carteirinha do Partido Comunista britânico em 1956, na hora da invasão soviética da Hungria, mas interpretava o stalinismo como apenas um deplorável desvio no curso da história rumo ao radioso futuro comunista. Kolakowski, porém, sabia mais -e tinha um norte moral melhor.
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Eric Hobsbawm nunca renunciou à sua carteirinha do partido.
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Aos 23 anos, ele assinou com Raymond Williams um panfleto de apoio ao pacto Molotov-Ribbentrop, entre a URSS de Stálin e a Alemanha de Hitler. Na maturidade, atravessou impávido as fogueiras da Hungria e da Tchecoslováquia.
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Em 1994, aos 77 anos, pouco depois da queda do Muro de Berlim, publicou "Era dos Extremos", uma interpretação do século 20 consagrada a desenhar um sorriso no esqueleto já enterrado do stalinismo.
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Hobsbawm, notável narrador do século 19, autor da trilogia das "eras" que desvendou para o grande público a trama da história contemporânea, entregou-se então à falsificação deliberada para restaurar o argumento imoral de Thompson.
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A "era dos extremos" é uma tese paradoxal, cuja síntese emerge na sua introdução: "A vitória da URSS sobre Hitler foi uma realização do regime lá instalado pela Revolução de Outubro. Sem isso, o mundo hoje (com exceção dos EUA) provavelmente seria um conjunto de variações sobre temas autoritários e fascistas, mais que de variações sobre temas parlamentares liberais."
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O totalitarismo stalinista, assegura-nos o historiador, podia ter seus defeitos, mas representava o socialismo e, sem ele, a humanidade teria sido tragada, em definitivo, pelo vórtice do fascismo.
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O tribunal final da História, constituído por um único juiz, o próprio Hobsbawm, oferece um veredicto de absolvição dos processos de Moscou, do gulag, da supressão absoluta da liberdade. A matéria pútrida do "socialismo real" salvou-nos, a todos, de um destino pior, que era tecido pelo capitalismo em crise.
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A narrativa inteira se organiza persuasivamente ao redor da tese, investindo na aposta segura de que o leitor médio carece das informações indispensáveis para refutá-la.
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O regime de Stálin destroçou o comando das Forças Armadas soviéticas nos expurgos dos anos 30, aumentando a vulnerabilidade do país à invasão alemã. A URSS não triunfaria sobre Hitler sem a vasta ajuda militar americana.
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No primeiro e crucial ano do conflito, a aliança firmada pelo pacto Molotov-Ribbentrop converteu a URSS em fornecedora principal de matérias-primas e combustíveis para a máquina de guerra nazista.
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A história de cartolina de Hobsbawm é uma contrafação da história da Segunda Guerra, inspirada diretamente pelas narrativas oficiais fabricada por Moscou no imediato pós-guerra. O esqueleto precisa antes mentir, para depois sorrir.
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A trilogia das "eras", narrativas eruditas escritas em linguagem cristalina, foi a porta de entrada de centenas de milhares de leitores para as delícias da história. "Era dos Extremos" singrou no oceano de autoridade das obras precedentes.
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No Brasil, país onde Hobsbawm tem mais leitores do que na Grã-Bretanha, o livro beneficiou-se de uma recepção laudatória, patrocinada por intelectuais inconformados com as marteladas críticas dos berlinenses daquele 9 de novembro de 1989.
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Fora daqui, porém, nem todos aceitaram sorrir junto com o esqueleto de uma mentira.
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Num ensaio de 2003, o historiador Tony Judt escreveu o epitáfio incontornável: "Hobsbawm recusa-se a encarar o mal face a face e chamá-lo pelo seu nome; nunca enfrenta a herança moral e política de Stalin e de seus feitos. Se ele pretende seriamente passar o bastão radical às futuras gerações, essa não é a maneira de proceder".
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DEMÉTRIO MAGNOLI, 53, é sociólogo e doutor em geografia humana
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Fonte: Folha de São Paulo
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domingo, 7 de outubro de 2012

PERSONAGENS DA HISTÓRIA MILITAR – HAROLDO II DA INGLATERRA

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* C.1022

+ 14/10/1066 – Hastings, Inglaterra



Haroldo II Godwinson, o último Rei saxão da Inglaterra, reinou de 6 de janeiro a 14 de outubro de 1066. Era filho de Godwin, Conde de Wessex, um dos homens mais poderosos da Inglaterra controlada por Eduardo, o Confessor, e irmão, entre outros, de Tostig Godwinson e Edite de Wessex.

Em 1045, Haroldo foi nomeado Conde da Ânglia Oriental e, nesta posição importante na hierarquia inglesa, apoiou os esquemas do pai contra os nobres normandos que então detinham a maior influência sobre o rei. Por volta de 1051 foram ambos exilados por cerca de um ano, mas depressa recuperaram suas terras. Em 1053, Haroldo sucede a Godwin como Conde de Wessex e torna-se a segunda figura mais importante da política inglesa.

Haroldo alcançou a fama militar ao derrotar o rei de Gwynedd Gruffydd ap Llywelyn, que saqueava o País de Gales, em 1063. Depois casou-se com a viúva de Gruffyd, Edite de Mércia, com quem teve dois filhos, apesar de já estar casado, segundo o ritual dinamarquês, com Ealdgyth.

Em 1065, Haroldo apoiou a rebelião em Nortúmbria contra o seu irmão Tostig. A atitude valeu-lhe a confiança de Eduardo, o Confessor, mas destruiu a relação com o resto da sua família. Tostig fugiu então para a Noruega, onde se jnoua ao rei Haroldo III da Noruega, numa aliança que se haveria de provar fatal para ambos.


Eduardo, o Confessor, morreu no princípio de 1066 sem nenhum descendente legítimo ou ilegítimo. Haroldo II foi eleito seu sucessor e coroado no dia seguinte, 6 de janeiro, mas esta decisão não era unanimemente apoiada. Na Normandia, o Duque Guilherme não desistiu da sua pretensão e iniciou preparativos para uma invasão. Não seria uma ideia original, visto que, na Noruega, Haroldo III e Tostig Godwinson se preparavam para fazer exatamente o mesmo.

Haroldo II tomou então a decisão de lidar com os noruegueses primeiro e dirigiu-se para o Norte. A 25 de setembro ocorreu a Batalha de Stamford Bridge, onde Haroldo derrotou o seu irmão e o rei da Noruega, que morreram durante os confrontos. Três dias depois chegaram as notícias da Invasão Normanda encabeçada por Guilherme. Com cerca de 7.000 soldados inimigos à solta no sul do país, Haroldo não perdeu tempo e ordenou o deslocamento imediato do seu exército. A marcha forçada que se seguiu foi extremamente eficiente, pois cobriu uma distância de cerca de 400 km em menos de duas semanas. Causou, no entanto, uma extrema fadiga nos homens de Haroldo, que seria importante no decurso dos acontecimentos.

Morte de Haroldo II, com uma flechada no olho, registrada na tapeçaria de Bayeux

Em 14 de outubro, Haroldo enfrentou o exército de Guilherme da Normandia na batalha de Hastings. A tapeçaria de Bayeux retrata a sua morte como resultante de uma seta cravada em um de seus olhos. O resultado foi uma vitória definitiva dos normandos e a morte de Haroldo em combate. Com a sua morte terminou a linha anglo-saxónica de Alfredo o Grande e iniciou-se a dinastia Normanda.

Depois da morte de Haroldo, a coroa de Inglaterra passou para Edgar Atheling que, no entanto, abdicou semanas depois em favor de Guilherme da Normandia
 

 
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quinta-feira, 4 de outubro de 2012

EDITOR DO BLOG MINISTRA PALESTRA NA 10ª BRIGADA DE INFANTARIA MOTORIZADA

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Por ocasião das comemorações do aniversário da 10ª Brigada de Infantaria Motorizada - Brigada Francisco Barreto de Menezes -, com sede no Recife-PE, o editor do Blog História Militar ministrou uma palestra sobre o tema Mestre-de-Campo-General Francisco Barreto de Menezes e as Batalhas dos Guararapes.

Na oportunidade, os oficiais, subtenentes e sargentos da Brigada puderam conhecer parte importante da História Militar brasileira transcorrida na área de atuação da 10ª Brigada e a trajetória do Mestre-de-Campo-General Barreto de Menezes.

 O editor do Blog História Militar ministrando a palestra


O General Lima Neto, comandante da 10ª Brigada de Infantaria Motorizada, faz a entrega de um diploma ao palestrante


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IMAGEM DO DIA - 04/10/2012

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A infantaria prussiana atacando o exército austríaco em Mollwitz, durante as Guerras Silesianas, em 1741


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STALINGRADO

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Hitler cometeu dois erros de estratégia que mudaram o rumo da Segunda Grande Guerra. O primeiro foi subestimar o senso patriótico dos britânicos, ao acreditar numa Inglaterra aliada aos interesses do Terceiro Reich — o que atrasou seus ataques maciços à ilha. O segundo, muito mais grave, lhe custou a vitória: a Operação Barbarossa. Uma série de intrincadas ações militares que supostamente levaria os nazistas aos portões de Moscou e à conquista da Rússia.

Em Stalingrado — que rapidamente alcançou o topo das listas de mais vendidos em todos os países em que foi publicado e recebeu o prêmio Samuel Johnson de Não-Ficção de 1998 —, o historiador Antony Beevor trata da batalha de mesmo nome, onde a máquina de guerra nazista teve sua primeira derrota diante do exército soviético, que resistiu bravamente numa cidade em ruínas. Em agosto de 1942, o exército alemão chegou a Stalingrado e levantou um cerco que duraria pouco mais de um ano. Batizada em homenagem ao ditador e então líder soviético Stalin, a cidade, às margens do rio Volga era, ao mesmo tempo, um alvo moral e estratégico. Seria um duro golpe no orgulho russo ver a cidade com o nome de seu dirigente cair. Mais grave: Stalingrado era a porta para vários poços de petróleo ambicionados por Hitler.


Stalingrado mostra como o temido contingente alemão estava completamente despreparado para o tipo de combate que se seguiu. Acostumado com ataques-relâmpago — que lhe rendeu o controle sobre a Polônia e a França —, Hitler não preparou seus homens para uma guerra corpo a corpo que pudesse levar meses. O rigoroso inverno das estepes russas chegou inclemente, emperrando fuzis, congelando soldados até a morte, dilapidando provisões e tornando metade do equipamento inútil. Beevor se preocupa em mostrar os dois lados da batalha, justapondo e contrapondo pensamentos e estratégias tanto de soldados e oficiais alemães quanto de soviéticos. 

O livro revela como o exército vermelho também carecia de treinamento e logística, o que torna sua resistência ainda mais impressionante. Durante os meses seguintes ao cerco, os oficiais russos espionavam tanto o exército inimigo quanto o seu próprio: vários jovens perderam a vida ao tentar desertar ou passar para as linhas inimigas. Antony Beevor entrevistou vários sobreviventes da Batalha de Stalingrado e descobriu novos e importantes documentos nos arquivos alemães e soviéticos, abertos após a queda do muro de Berlim — incluindo relatórios de interrogatórios, deserções e execuções de prisioneiros. Além de ordens soviéticas para que diversas cidades fossem destruídas a fim de dificultar ao máximo a vida do exército invasor.

Um trabalho que prende o leitor em meio a lutas travadas em condições inumanas, ao lado de civis entrincheirados em um campo de batalha urbano. Antony Beevor formou-se em Winchester e na academia de Sandhurst. Integrou o exército britânico por cinco anos. Publicou The Spanish Civil War, Inside the British Army, Crete – The Battle and the resistance e Paris after the Liberation, 1944-1949. Recebeu os prêmios Samuel Johnson, Hawthornden e o Wolfson de História com Stalingrado


StalingradoAntony Beevor.  Record, 560 pags.


terça-feira, 2 de outubro de 2012