"No próprio dia da batalha, as verdades podem ser pinçadas em toda a sua nudez, perguntando apenas;
porém, na manhã seguinte, elas já terão começado a trajar seus uniformes."

(Sir Ian Hamilton)



quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

CAMPO DOS AFONSOS COMEMORA CEM ANOS

 

 


Foi no Campo dos Afonsos que surgiu a 1ª escola de pilotos do País; de lá também saíram combatentes em décadas de revoluções
 
 
Quando voar ainda era uma aventura em aviões de madeira e tela amarrados com corda de piano e motores de carro para decolar de ruas e pousar em praias, um grupo de amantes da aviação procurava, no Rio, um local para o primeiro campo de aviação do País. A comissão do Aero Club Brasileiro escolheu uma região na zona oeste, propriedade do Ministério da Justiça. Ali, no terreno cedido "a título precário" em 12/12/12, nasceu o Campo dos Afonsos.
 
"Aqui começou a ser delineado o poder aeroespacial do Brasil", diz a cientista política Maria José Machado de Almeida, professora da Universidade da Força Aérea (Unifa). A instituição fica ao lado da Base Aérea dos Afonsos - hoje em uma região urbanizada.
 
Ali foram criados a primeira escola brasileira de aviação militar, o Correio Aéreo Nacional e a primeira unidade aérea (o Grupo Misto de Aviação) e construído o avião M-7, nos anos 1930. Também pelos Afonsos passou boa parte das conspirações e revoluções que agitaram a República brasileira em seus primeiros 70 anos. Dali saíram combatentes dos movimentos de 1922, 1924, 1930, 1932 e 1935.

O Zeppelin chegando ao Campo dos Afonsos

 
Os cem anos do campo foram investigados por pesquisadores do Centro de Memória do Ensino da Unifa, coordenados pela tenente-coronel e doutora em Educação pela Universidade de São Paulo (USP) Maria Luiza Cardoso. Em sua busca pelo passado, os pesquisadores do núcleo localizaram a origem do local na época colonial.
 
Ali, na segunda metade do século 17, surgiu o engenho de cana de Luiz Paredes, um cristão novo (judeu convertido), cuja filha, Inês Paredes, que tivera com uma escrava, casou-se com João Afonso de Oliveira. Assim, o lugar acabou conhecido como Fazenda dos Afonsos. Logo, porém, mudaria de dono. "Em 1713, a Inquisição chegou e fez uma devassa nas propriedades de judeus cristão novos", conta o historiador Gustavo de Mello, do Museu Aeroespacial.
 
A propriedade foi parar com um provedor das Ordens da Candelária e da Santa Casa de Misericórdia. Com o passar dos anos, mudou de donos e parte foi doada para o Ministério da Justiça. Foi lá que, em 12 de dezembro de 1912, foi cedida a área para o campo do Aero Club.
 

O Campo dos Afonsos hoje
 
 
Em uma época em que os aviões despontavam como arma de guerra, os militares logo chegaram aos Afonsos. Em 1914, foi fundada ali a Escola Brasileira de Aviação, criada pelo Exército com apoio de italianos. Em poucos meses, contudo, a experiência fracassou. A unidade foi desativada, mas membros do Aero Club como o tenente Bento Ribeiro e o italiano Ernesto Darioli passaram a ensinar aviação a quem quisesse aprender.
 
Evolução. Iniciada em 1919, a Missão Militar Francesa, de certa forma, encerrou no Brasil a fase da "aviação de arco e flecha", como se diz no meio aeronáutico. Logo após a Primeira Guerra Mundial, os instrutores da França, na nova Escola de Aviação Militar, trouxeram para os brasileiros uma doutrina de uso racional dos aviões. "Havia outras experiências de aviação no Brasil", afirma o pesquisador Mauro Vicente Sales. "Foi no Campo dos Afonsos que ela surgiu de maneira sustentada, com instrução de pilotos, operários e mecânicos."
 
Com os anos, o Campo dos Afonsos virou o primeiro aeroporto do Rio. Em 1925, aviões Breguet 14 da Companhia Latécoère, da França, saíram dali para Buenos Aires, para estabelecer uma linha área postal. Dois anos depois, já com o nome de Aeropostale, passou a operar as comunicações da Europa com o Brasil. Com sede no Campo dos Afonsos, a empresa, depois, passaria a se chamar Air France.
 
Em 24 de maio de 1930, o dirigível LZ-127 Graf Zeppelin chegou ao Campo dos Afonsos. "Quando o Zeppelin pousou aqui pela primeira vez, houve o primeiro engarrafamento da história do Rio", conta Mello.
 

 
Fonte: O Estado de São Paulo

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domingo, 9 de dezembro de 2012

PERSONAGENS DA HISTÓRIA MILITAR - GENERAL ISIDORO DIAS LOPES



* 30/06/1865 - Dom Pedrito-RS

+ 27/05/1949 - Rio de Janeiro-RJ



Isidoro Dias Lopes nasceu em Dom Pedrito (RS), em 1865.

Militar, entrou para o Exército como voluntário em 1883, fixando-se no 13º Batalhão de Infantaria, sediado em Porto Alegre. Propagandista da República, apoiou, da capital gaúcha, o movimento que pôs fim ao Império. Em 1893, abandonou o Exército para participar da Revolução Federalista, desencadeada no Rio Grande do Sul contra o governo de Floriano Peixoto. Com a derrota dos federalistas, partiu para o exílio em Paris, em 1895.

De volta ao Brasil no ano seguinte, anistiado, retornou ao Exército e estabeleceu-se no Rio de Janeiro, dando seguimento à sua carreira militar. Em 1923, já como general reformado e residindo em São Paulo, deu início às articulações contra o governo de Artur Bernardes. No ano seguinte, escolhido pelos conspiradores como o líder do movimento, viajou pelos estados de São Paulo, Paraná e Rio Grande do Sul estabelecendo contatos nos meios militares e elaborou, junto com Joaquim Távora, um plano de ocupação da capital paulista.

Após sucessivos adiamentos, o levante foi finalmente deflagrado no dia 5 de julho de 1924, data escolhida em homenagem ao levante ocorrido dois anos antes no forte de Copacabana, no Rio de Janeiro, que dera início às rebeliões tenentistas no país. Em São Paulo, os insurretos prenderam os comandantes da Força Pública estadual e da 2ª Região Militar (2ª RM). Os rebeldes contaram, também, com a importante participação do major da Força Pública paulista, Miguel Costa. O presidente do estado, Carlos de Campos, abandonou a cidade, que passou ao controle dos rebeldes. Tropas leais ao governo federal sitiaram, então, a capital paulista, que passou a sofrer violentos bombardeios que atingiram a população civil. Autoridades municipais e representantes da indústria e do comércio buscaram promover negociações entre os rebeldes e o governo federal, mas fracassaram.

No final de julho, Isidoro ordenou a retirada dos rebeldes da capital em direção ao Paraná, onde, meses depois, reuniram-se com as tropas rebeladas no interior gaúcho sob a liderança de Luís Carlos Prestes. Da junção dos dois grupos nasceu a Coluna Prestes, que durante cerca de dois anos percorreu o interior do Brasil em campanha contra o governo de Artur Bernardes. Por contar já nessa época com aproximadamente 60 anos, Isidoro não era o mais indicado para comandar um exército cuja estratégia fundamental de luta seria a guerra de movimento. Por isso, decidiu-se que ele se fixaria na Argentina, de onde organizaria a rede de apoio externo às operações.

Em fevereiro de 1927 - quando os efetivos da Coluna, já desgastados pelo longo período de marcha, internaram-se em território boliviano e encerraram aquela fase da luta -, a maioria dos principais líderes do movimento juntpu-se a Isidoro, em Paso de los Libres, na Argentina, onde estabeleceram o quartel-general revolucionário. Isidoro mantinha grande prestígio entre seus liderados, que, nessa ocasião lhe deram o título de "marechal da revolução". Na prática, porém, a marcha da Coluna havia feito de Prestes um nome reconhecido amplamente como o principal líder revolucionário, dado que nem mesmo Isidoro questionava.


O General Isidoro rodeado por lideranças paulistas no início da Revolução Constitucionalista de 1932


Em 1930, com a derrota eleitoral da Aliança Liberal, coligação oposicionista que havia lançado o nome de Getúlio Vargas para concorrer à sucessão do presidente Washington Luís, a questão da derrubada do governo federal pelas armas voltou à ordem do dia. Isidoro declarou, então, apoio ao movimento. Opondo-se à radicalização defendida por Prestes, declarou não acreditar na capacidade das massas populares de governarem o país. Seu nome foi cogitado para assumir a chefia militar da revolução, mas acabou preterido pelo do general Góes Monteiro. Com a deflagração do movimento, no mês de outubro, dirigiu-se a São Paulo para assumir o comando da 2ª RM em nome dos revolucionários.

Logo nos primeiros meses do novo governo, porém, começou a se indispor com Vargas em torno da questão do comando político do estado de São Paulo. Em janeiro de 1931 escreveu ao presidente criticando o interventor federal João Alberto e o comandante da Força Pública, Miguel Costa. Ainda em 1931, foi substituído do comando da 2ª RM por Góes Monteiro e recusou convite de Vargas para assumir a interventoria federal no Estado do Rio. Passou a defender, então, a volta do país ao regime constitucional, participando das articulações da Revolução Constitucionalista de 1932, em São Paulo. Assumiu posição de destaque nesse movimento e acabou deportado para Portugal após a sua derrota. Voltou ao país em 1934, anistiado. Em 1937, já afastado das disputas políticas, criticou o golpe de Vargas que instaurou a ditadura do Estado Novo.

O general Isidoro morreu no Rio de Janeiro, lúcido e forte, em 1949.


Fonte: FGV - CPDOC


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segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

CARTA REVELA PLANOS DE NAPOLEÃO DE EXPLODIR O KREMLIN

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Especialistas dizem que a carta é uma raridade e escrita por meio de códigos

 


Uma carta escrita por Napoleão Bonaparte que continha, por meio de códigos, planos para destruir o Kremlin foi vendida por um preço dez vezes maior que o estimado, totalizando 150 mil libras (US$ 243,5 mil). O documento é de 20 de outubro de 1812. Especialistas dizem que a carta é uma raridade e escrita por meio de códigos que Napoleão utilizava para tentar evitar interceptação. A carta também revela as dificuldades da desastrosa invasão russa por Napoleão.

"Às três horas, na manhã do dia 22, eu vou explodir o Kremlin", diz a carta, delimitando a rota de retirada e orientando os subordinados para enviar provisões para as cidades no oeste. "Minha cavalaria está em farrapos e muitos cavalos estão morrendo", dizia o documento.

Fonte: Agência Estado 


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quinta-feira, 29 de novembro de 2012

O MISTÉRIO DO NAUFRÁGIO DO ENCOURAÇADO "AQUIDABÃ"






O naufrágio do encouraçado Aquidabã ficou famoso na história naval brasileira como um dos mais terríveis acidentes navais da Marinha do Brasil em tempos de paz. Seus mortos são reverenciados até hoje.

Em abril de 1880 o Ministro da Marinha, Almirante José Rodrigues de Lima Duarte, apresentou um relatório à Câmara dos Deputados sobre a urgência de se modernizar a Marinha Imperial com a adoção de modernos navios encouraçados. A intenção do almirante era a de adquirir duas dessas embarcações junto a estaleiros britânicos e, desse modo, foram encomendados os encouraçados Riachuelo e Aquidabã.

O navio

Classificado como "Encouraçado de Esquadra", foi construído na Grã-Bretanha pelo estaleiro Samuda & Brothers e lançado ao mar a 14 de agosto de 1885. O seu primeiro comandante foi o Capitão de Mar-e-Guerra Custódio José de Melo. Tecnicamente era considerado um dos mais avançados da época, chegando a atingir 16 nós com seus motores de 6.200 HP a vapor. Possuía 93 metros de comprimento por 17 de largura e pesava aproximadamente 5.000 toneladas.

Seu armamento era constituído por quatro canhões de retrocarga de 9 polegadas, em duas torres duplas dispostas diagonalmente, uma a boreste e outra a bombordo; quatro canhões de 5 polegadas no convés superior; 16 metralhadoras (11 de 25 milímetros, 5 de 11 milímetros) e cinco tubos para lançamento de torpedos.


O Aquidabã na Revolta da Armada

Como a sua couraça não protegia igualmente todo o navio, chegou a ser apelidado de "Encouraçado de Papelão" pelo seu primeiro comandante, Custódio de Melo.  Em novembro de 1891, o Aquidabã cumpriu um papel decisivo na reação à tentativa de golpe de estado contra o Marechal Deodoro da Fonseca. Foi de um de seus canhões que saiu o tiro de advertência à Esquadra de São Bento, chegando a danificar o campanário da Igreja de Nossa Senhora da Lapa dos Mercadores no centro do Rio de Janeiro. O encouraçado atingiu o ápice de sua carreira em 1893, no início da Revolta da Armada, quando voltou a ter a bordo o agora Almirante Custódio de Melo, na chefia de uma rebelião contra o governo do Marechal Floriano Peixoto. O navio cruzou três vezes a baía de Guanabara, resistindo à artilharia de costa e, ainda por cima, levando a bordo o oficial que o chamara de "Encouraçado de Papelão". A partir daí, o seu apelido passaria a ser "Casaca de Ferro".


Em Abril de 1894 encontrava-se nas àguas da Baía Norte da Ilha de Santa Catarina. Durante o combate naval de 16 de abril, junto à Fortaleza de Santa Cruz de Anhatomirim, foi torpedeado pelo contratorpedeiro Gustavo Sampaio, vindo a afundar parcialmente. Posto a flutuar, foi levado ao Rio de Janeiro para reparos superficiais.

As reformas e modenizações

 

O navio rumou em seguida para a Alemanha e para a Grã-Bretanha, para sofrer as recuperações necessárias no casco e máquinas e na artilharia. Somente em 1897 voltou a navegar, com um armamento ainda mais poderoso: dois canhões Armstrong de 203mm, quatro de 120mm e 15 metralhadoras Nordenfeld.


 O encouraçado Aquidabã em 1906, ano de seu afundamento


Algum tempo depois o Aquidabã retornou ao estaleiro para ser transformado em embarcação para experiências de transmissão de telégrafo sem fio. As mudanças foram basicamente, a retirada dos dois mastros militares (instalados durante a reforma), os tubos de torpedo acima da linha d'água e a instalação de um mastro para a transmissão de dados telegráficos.

 

 

A tragédia

 

No dia 21 de janeiro de 1906, quando fundeado na baía de Jacuecanga, em Angra dos Reis, junto com o cruzador Barroso e o cruzador Tamandaré, quando faltavam poucos minutos para as 11 horas da noite, por razões até hoje desconhecidas, o Aquidabã sofreu uma violenta explosão em um paiol contendo cordite, partindo-se ao meio e vindo a afundar. Pereceram no desastre 212 homens da sua tripulação, inclusive parte da comitiva ministerial que procedia a estudos sobre o novo porto militar, o seu comandante e grande parte da oficialidade do vaso de guerra. Salvaram-se apenas noventa e oito pessoas.

A pouca distância, a bordo do cruzador Barroso, o Ministro da Marinha, Júlio César de Noronha, assistiu à explosão do encouraçado, encontrando-se entre as vítimas, o seu próprio filho, o Guarda-Marinha Mário de Noronha e um sobrinho, o Capitão-Tenente Henrique de Noronha, além do Contra-Almirante Rodrigo José da Rocha e do Contra-Almirante João Candido Brazil, Patrono do Corpo de Engenheiros Navais da Marinha Brasileira.

Modelo 3D do encouraçado Aquidabã


A notícia da catástrofe espalhou-se imediatamente, tornando-se manchete dos principais periódicos de todo o mundo. Segundo o pesquisador da área educacional, Ivanildo Fernandes, no dia no naufrágio, foi emitida a seguinte nota de pesar, Expediente de 27/01/1906, dirigida ao Presidente Rodrigues Alves, no qual estavam alunos da Academia do Commercio:

Illm. Exm. Sr. Dr. Francisco de Paula Rodrigues Alves, Dignissimo Presidente da Republica. Rio de Janeiro, 27 de janeiro de 1906.—Ante o tragico episodio occorrido na enseada de Jacitecanga, os alumnos Academia de Commercio do Rio de Janeiro [atual Universidade Candido Mendes no Rio de Janeiro] e os seus collegas da Escola Commercial da Bahia, respeitosa e profundamente consternados, veem manifestar a V. Ex. a sua solidariedade na magua que ora compunge a alma da Patria. O momento actual representa para a Republica a mais dura e commovente das provações que ella já ha soffrido. A V. Ex., como dignissimo o directo representante do povo brazileiro, de que somos obscura parcela, cabe receber a expressão da mais sentida condolencia pelo infortúnio que experimentamos. Affeitos e confiados no animo torto de V. Ex., tão sobejamente provado, estamos certos do que a angustia por que passa neste momento a vida nacional, produzirá, longo de desanimo, a vontade de prosoguir no louvável e extraordinario resurgimento observado no governo de V. Ex. Digne-se, pois, permittir V. Ex. que reiteremos os nossos pezames sentidos pela horrorosa, catastrophe que privou o Brazil de um pugilo do tão distinctos e devotados servidores. A nossa dor é, como a de todo o Brazil, inteira, intensa, eterna e inexprimivel. Muito respeitosamente. — A Commissão. Alvaro de Mello.—Julio de Abreu Gomes.—Percilio de Carvalho. (Fonte: DOU de 01/02/1906, p. 637)

Após este acidente, a Marinha criou um setor responsável pela identificação dos tripulantes, pois diversos corpos encontrados não puderam ser reconhecidos à época.

Atualmente os destroços repousam a uma profundidade entre 8 e 18 metros de profundidade, ao largo do monumento em homenagem às vítimas da tragédia, inaugurado em 1913 na Ponta do Pasto. A Marinha do Brasil as reverencia anualmente.

Monumento aos náufragos do Aquidabã, em Angra dos Reis-RJ


O Monumento aos Náufragos do Aquidabã trata-se de um obelisco onde se acham as sepulturas de cerca de 60 tripulantes do navio Aquidabã que naufragou no litoral de Angra dos Reis em janeiro de 1906.  O encouraçado era na época o mais potente navio da esquadra naval brasileira, e afundou levando consigo inúmeros oficiais do alto escalão da Marinha.  Este acontecimento mudou os planos de mudar do Rio de Janeiro para a baía de Jacuecanga em Angra, todo o arsenal da marinha, o que constituiria o primeiro porto militar do país.
 
Construído em 1913, o monumento fica localizado na Ponta Leste, na enseada de Jacuecanga, a 16 quilômetros da BR-101.  O acesso se faz por estrada asfaltada através da vila da Petrobrás. 



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sábado, 24 de novembro de 2012

MORRE, AOS 90 ANOS, O HISTORIADOR HERNANI DONATO

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Na manhã da última quinta-feira (22), faleceu no Hospital Sírio Libanês, em São Paulo, aos 90 anos de idade, Hernani Donato, ilustre e renomado escritor, historiador, jornalista, professor, tradutor e roteirista brasileiro. Ocupava a cadeira nº 1 da Academia Sul-Mato-Grossense de Letras e a cadeira nº 20 da Academia Paulista de Letras.

Donato nasceu em Botucatu em 12 de outubro de 1922 e, aos 11 anos, iniciou-se na literatura escrevendo (a quatro mãos com Francisco Marins) o romance infantil “O Tesouro”, publicada em capítulos no suplemento literário de um jornal dos Diários Associados. Estudou dramaturgia (na Escola de Arte Dramática) e sociologia, curso que abandonou para se aventurar em uma expedição que desbravaria uma antiga trilha indígena até o Paraguai, chamada de Caminho do Peabiru.

 


Foi presidente, em duas gestões sucessivas, do Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo. Foi membro da Academia Paulista de História, sócio-correspondente do Instituto Histórico, Geográfico e Genealógico de Sorocaba e do Instituto Histórico e Geográfico de Minas Gerais. Colaborou com várias revistas — entre elas, a Veja — e jornais, e atuou na TV Tupi, TV Record, Nacional (antecessora da TV Globo). Foi funcionário público municipal e federal. Participou da comissão organizadora dos festejos do IV Centenário da cidade de São Paulo (1954) e de outros programas culturais.



Donato deixa uma extensa folha de serviços prestados ao Brasil com uma infinidade de obras literárias que irão se perpetuar. No campo da História Militar, Donato deixou obras importantes, como
Paulistas nas Guerras do Sul, Dicionário das Batalhas Brasileiras e A Revolução de 1932.


Fonte: Jornal Aconteceu Botucatu


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quarta-feira, 21 de novembro de 2012

GRANDES GENERAIS ... GRANDES CONTROVÉRSIAS

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Artigo de opinião sobre a demissão do General Petreaus do cargo de chefe da CIA mergulha em características, pouco destacadas na historiografia, das principais lideranças da história militar dos EUA.




Por Mark Perry, do FOREIGN POLICY


Em maio de 1934, os repórteres Drew Pearson e Robert Allen publicaram um artigo no jornal Washington Herald no qual acusaram o então chefe do Estado-maior do Exército, general Douglas MacArthur, de ter cometido atos "ditatoriais, insubordinados, desleais, rebeldes e desrespeitosos" durante a Bonus March, uma manifestação da qual participaram mais de 10 mil veteranos da 1.ª Guerra que reivindicavam o pagamento de bonificações que lhes haviam sido prometidas pelo governo, um protesto pacífico.


MacArthur dissolveu o ato com o uso da força - com tanques comandados pelo general George Patton - em julho de 1932, uma decisão que manchou para sempre sua reputação. Enraivecido pelo artigo dos dois jornalistas, MacArthur entrou com uma ação contra eles no valor de US$ 1,75 milhão. Os repórteres ficaram apavorados, pois sabiam que dificilmente poderiam provar suas acusações. A parte interessante vem agora.


Entre os inimigos de MacArthur havia o deputado Ross Collins, um poderoso democrata de Mississippi - de fala arrastada, maxilar pronunciado, o personagem completo - que controlava as verbas destinadas aos militares e morava no prédio Chastleton Apartment na Rua 16, e muitas vezes vira MacArthur no edifício. Collins não gostava de MacArthur e quando descobriu que Pearson e Allen buscavam algo para usar contra o general contou-lhes a respeito das visitas.

General Douglas MacArthur



Pearson e Allen investigaram a indicação de Collins e descobriram que MacArthur, na época com 55 anos, visitava Isabel Rosario Cooper, uma estrela de cinema filipina que conhecera na época do seu último comando em Manila, levara consigo para os EUA, e com a qual estava tendo um caso.


Isabel era jovem e linda e MacArthur a cobria de presentes - enquanto foi chefe do Estado-maior a visitava todos os dias durante seus longos almoços. Mas Isabel se cansou do general, sentindo-se sufocada por suas atenções, então foi morar com seu irmão em Baltimore, onde Pearson e Allen a encontraram. Lá, ela contou aos repórteres o que MacArthur falava a respeito de Herbert Hoover (um "molenga", ele disse), e de Franklin Roosevelt ("aquele aleijado da Casa Branca").


Como era de se prever, quando MacArthur foi informado de que a primeira testemunha a ser chamada no caso seria Isabel, deu um pulo. O processo foi encerrado mediante o pagamento a Isabel de US$ 15 mil - que agora consideraríamos um "suborno" - que foram entregues por seu assessor militar, nada menos que o futuro presidente Dwight Eisenhower.


Escândalo. Inevitavelmente, os detalhes deste escândalo picante circularam por toda Washington, deixando os admiradores de MacArthur - uma multidão - indagando como um homem que realizara tantas façanhas pudera colocá-las em risco de uma maneira tão irresponsável. Agora, 80 anos mais tarde, Washington pergunta-se exatamente a mesma coisa a respeito de David Petraeus.


Os admiradores de Petraeus evitarão, sem dúvida, qualquer comparação do seu herói com o tão denegrido MacArthur, cuja reputação foi terrivelmente abalada ao longo dos anos por causa de seus atos durante a Bonus March e posteriormente por seu confronto com Harry Truman. E destacarão corretamente várias diferenças notáveis: enquanto MacArthur formou-se em primeiro lugar em West Point e recebeu uma das maiores notas da história acadêmica, superado apenas por Robert E. Lee, é difícil acrescentar o termo "acadêmico" ao seu nome. O mesmo não ocorre com Petraeus, que recebeu notas altas em Princeton e foi um dos autores do hoje famoso Manual de Campo de Contrainsurgência do Exército e do Corpo de Fuzileiros Navais dos EUA.


Além disso, MacArthur flertava sem parar com cargos mais altos no governo e sonhava com a presidência - um vírus que, segundo alguns boatos, teria infectado Petraeus, apesar de seus desmentidos categóricos. Tampouco alguém poderia supor que Petraeus confrontaria um presidente a ponto de cometer praticamente uma insubordinação, como MacArthur fez com Harry Truman, que por causa disso tirou dele o comando. MacArthur odiava Truman e comentou a respeito deste sentimento. É difícil imaginar que o cauteloso Petraeus odiasse alguém - principalmente um presidente.


Mas as diferenças poderiam terminar aqui. Petraeus e MacArthur têm em comum mais do que uma história de pecadilhos sexuais. Como todos os grandes comandantes, ambos tinham uma ambição ilimitada e um ego imenso, e deixaram atrás de si uma longa lista de inimigos ressentidos e exasperados no Exército americano. Essas qualidades são o fio comum que percorre toda a história dos EUA, pois no panteão dos grandes generais americanos não houve um que fosse um homem modesto.

General David Petraeus: destituído em meio ao escândalo



Voltemos ao começo. George Washington distinguiu-se muito mais como presidente do que como general - foi batido em quase todas as missões, com exceção de Trenton (onde enfrentou o regimento alemão dos hessenos a serviço do Exército britânico) e da última, em Yorktown. Ele promoveu seus favoritos, perseguiu subordinados, foi excessivamente suscetível, irritava-se rapidamente e era impaciente com a estupidez. O fato de termos vencido sob o seu comando foi, como afirma um historiador, "quase um milagre".


Ulysses S. Grant, por outro lado, ganhou praticamente todas as batalhas nas quais ele combateu, mas a um custo terrível. Em Cold Harbor, seus soldados colocaram seus nomes nos uniformes para que seus corpos pudessem ser reconhecidos. "Sua ambição é como um motor", disse seu amigo Billy Sherman. A grande fraqueza de Grant era a bebida - Lincoln chegou a dizer jocosamente que precisava descobrir o que ele bebia para enviar-lhe um novo suprimento. "Preciso dele", dizia Lincoln. "Ele luta."


O grande triunvirato da vitória dos EUA na Europa na 2.ª Guerra - George Marshall, Dwight Eisenhower e Omar Bradley - não tem uma fama muito melhor. Marshall, o consagrado arquiteto do triunfo e, depois de Washington, o nosso general mais emblemático, é praticamente intocável nos anais da nossa história militar, mas há detratores. Ele foi um oficial que se mantinha distante dos colegas; muitos o lembram como uma figura sem nenhum calor humano, inexoravelmente impiedoso na busca dos seus objetivos.


Comentam o mesmo a respeito de Eisenhower, até seus melhores amigos: "Preferiria ser comandado por um árabe", escreveu Patton em seu diário. Outros observaram que, quando a guerra começou, "Ike" era visto regularmente "bajulando" o alto comando. Eisenhower tinha a doença de Lee: promovia e apoiava os amigos - como o general Mark Clark, que, perseguido por um bando de repórteres que o veneravam, insistiu em ser fotografado "do lado bom do seu rosto" e arruinou as operações aliadas na Itália.

Generais Eisenhower (esq) e Patton: permanentes desavenças durante a 2ª Guerra Mundial




Ike, assim como Petraeus e MacArthur, também buscou a companhia feminina como uma pausa em meio aos rigores do comando. A equivalente de Paula Broadwell de Eisenhower foi Kay Summeersby, que o acompanhou em toda parte durante a guerra.


As calúnias são indubitavelmente familiares a Petraeus. Muitos anos atrás, pedi uma reunião discutir a respeito de um ponto da história militar com um grupo de comandantes militares de alto escalão no Pentágono, durante a qual mencionei o nome do general Petraeus. Foi um erro. O clima na sala se tornou pouco confortável e todos calaram totalmente. Depois de um instante, sorri e continuei, ignorando os olhares parados dos oficiais que estavam na minha frente. "Eles o conheciam bem, serviram com ele, e não gostam dele", disse mais tarde meu anfitrião. "É por causa do seu ego. Ele gosta de se promover."


Então chegamos ao ponto: o panteão enlameado dos comandantes militares dos EUA, todos eles manchados por suas ambições e grandes egos, e cobertos de erros. Petraeus enquadra-se nesta descrição. A ambição desmedida e o ego enorme que o levaram à queda são precisamente as qualidades que podem ser encontradas entre os grandes comandantes americanos que o precederam.


Os historiadores notam os embaraçosos escândalos de Isabel, Kay e Paula, mas inevitavelmente se voltam aos momentos que definiram um grande comandante militar, com todos seus erros: o frio e feroz inverno em Valley Forge, a tarde interminável em Gettysburg, o dia em que Doug teve de andar na água em Leyte, ou quando Ike ficou sem palavras em Buchenwald - e quando Dave se pôs de pé no Senado, com o braço direito erguido, e declarou que, embora ninguém saiba "como isso poderá terminar", ele, pelo menos tinha um plano.

Fonte: O Estado de São Paulo


segunda-feira, 19 de novembro de 2012

IMAGEM DO DIA - 19/11/2012 - DIA DA BANDEIRA

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Guarda-bandeira da Divisão Blindada durante desfile na Avenida Presidente Vargas, Rio de Janeiro, na década de 1960

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CASA DA FEB - 18º ENCONTRO FEBIANO

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domingo, 18 de novembro de 2012

A CANÇÃO DE ROLANDO E A CONTROVÉRSIA DE RONCESVALES

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No dia 15 de agosto de 778, toda a retaguarda do exército de Carlos Magno foi dizimada por um grupo de montanheses bascos na batalha de Roncesvalles.


Um dos conflitos mais mal explicados da história aconteceu em Roncesvalles, quase na fronteira entre as atuais Espanha e França, nos primórdios da Idade Média.  A versão consagrada afirma que o exército de Carlos Magno, rei dos francos, foi atacado por muçulmanos – o que registra a Canção de Rolando, texto considerado um dos fundadores da língua francesa.  Na verdade, os francos foram atacados por outros cristãos, os bascos, furiosos depois de verem Pamplona, sua cidade mais importante, destruída para não servir futuramente de base às forças islâmicas.

As hostes francas voltavam de uma mal sucedida campanha que pretendia conquistar Zaragoza das mãos dos muçulmanos e dominar os Pirineus, a cadeia de montanhas entre a França e a Espanha, e o rio Elbro, que corta Zaragoza.  O objetivo era criar uma região que servisse como uma barreira defensiva para proteger o reino dos francos das forças islâmicas de Al-Andalus, no sul da Península Ibérica.

Na volta, a coluna passou por Pamplona e, temeroso de um ataque muçulmano, o rei dos francos ordenou que o Exército arrasasse suas muralhas. “Assim evitaria que o possível inimigo se refugiasse em uma cidade fortificada”, escreve o historiador Carlos Alvar em seu livro Carlomagno em Zaragoza.  A destruição de Pamplona teria motivado os bascos a planejarem sua vingança, levada a termo em um vale dos Pirineus, próximo à vila de Roncesvalles, a 8 quilômetros da fronteira com a França.

Rolando jura lealdade a Carlos Magno


Por muito tempo a batalha ficou conhecida como a pior derrota sofrida por Carlos Magno, mas essa versão tem sido refutada.  Carlos Magno mal sentiu essa derrota”, afirma José Luis Corral, da Universidade de Zaragoza. “A importância histórica é escassa, pois não significou nada na política do século VIII.  Já a literéria é enorme, pois foi a inspiração da primeira cantiga de gesta européia e de inúmeros romances e relatos”, diz Corral, referindo-se à Canção de Rolando, escrita no fim do século XI, supostamente por um monge normando chamado Turoldo.

Segundo o poema épico, obra emblemática da literatura francesa, os responsáveis pela chacina dos soldados francos foram 400 mil árabes.  Graças a essa obra, “Rolando se tornaria um dos mais famosos heróis literários do Ocidente, tendo matado milhares de infiéis antes de cair morto em Roncesvalles”, diz Alessandro Barbero em Charlemagne: father of a Continent, inédito no Brasil.

Carlos Magno encontra o corpo de Rolando em Roncesvalles


Em relação ao que realmente aconteceu, o debate suscita mais perguntas do que respostas.  As principais fontes são os Anais Reais dos Francos, do século IX, claros em acusar os “vascones” como autores da cilada.  O tamanho do Exército Franco também é discutido. “Acredito que poderiam ter entre 10 e 12 mil soldados”, diz Armando Besga, da Universidade de Deusto, em Bilbao.  Corral duvida que superasse 5 mil homens, dos quais apenas 500 estariam a cavalo.  Existe o consenso apenas de que não foram os muçulmanos.  Besga acredita que o ataque pode ter sido perpetuado por menos de mil homens, tão cristãos quanto os soldados de Carlos Magno.

Para a história, pode não ter sido uma batalha épica, mas a literatura saiu ganhando e a saga de Rolando, ainda que fictícia, ajudou a mobilizar os cristãos para as Cruzadas, três séculos depois.


Fonte: Aventuras na História

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