"No próprio dia da batalha, as verdades podem ser pinçadas em toda a sua nudez, perguntando apenas;
porém, na manhã seguinte, elas já terão começado a trajar seus uniformes."

(Sir Ian Hamilton)



sábado, 12 de março de 2011

PERSONAGENS DA HISTÓRIA MILITAR - GEORG VON FRUNDSBERG


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*  23/09/1473

+  20/08/1528


Georg von Frundsberg foi um cavaleiro e chefe lansquenete alemão do Sacro Império Romano-Germânico durante a dinastia austríaca dos Habsburgos. Frundsberg era filho de Ulrich von Frundsberg e sua esposa Barbara von Rechberg em Mindelheim, numa velha linhagem de cavaleiros tiroleses que se instalaram na Suábia Superior.

Lutou a serviço do Imperador do Sacro Império Maximiliano I, contra a Suíça durante a Guerra da Suábia de 1499 e, no mesmo ano, integrou as tropas Imperiais enviadas para ajudar Ludovico Sforza, Duque de Milão, contra os franceses. Ainda servindo a Maximiliano, tomou parte em 1504 na guerra pela sucessão do ducado da Bavaria-Landshut, lutando contra os Condes Pfalz, Philipp e Ruprecht. Distinguiu-se durante a batalha de Regensburgo. Maximiliano pessoalmente distinguiu-o com o título de cavaleiro. Mais tarde, lutou também nos Países Baixos.

Convencido da necessidade de um corpo nativo de infantaria treinado, Frundsberg auxiliou Maximiliano na organização dos Lansquenetes. Um ano depois foi feito comandante dos lansquenetes nos países mais ao sul. Depois disso, Frundsberg teve uma vida de guerras ininterruptas, em campanhas pelo Império ou pelos Habsburgos. Em 1509, tornou-se "Capitão de Campo Superior" do Regimento Lansquenete (força de ocupação) e participou da guerra contra a República de Veneza, ganhando fama para si e seus homens, após defender a cidade de Verona contra numerosos ataques.

Depois de curta visita à Alemanha, retornou para a península italiana onde, entre 1513 e 1514 conquistou os louros da vitória por suas lutas contra franceses e venezianos. A paz sendo celebrada, retornou ao seu país à frente da infantaria da Liga da Suábia, que auxiliou Ulrich, duque de Württemberg, a recuperar seus domínios em 1519.

Durante a Dieta de Worms em 1521, proferiu palavras de encorajamento a Martinho Lutero e, durante a Guerra Italiana de 1521-1526, Frundsberg ajudou a comandar o Exército Imperial através da Picardia. Quando o rei Francisco I da França apareceu no campo de batalha com a força de aproximadamente quarenta mil homens, a retirada estratégica de Carlos V salvou-lhe a vida. Frundsberg considerou esta retirada em Valenciennes como "a maior sorte e a mais apropriada medida durante a guerra".

Soldado mercenário lansquenete

Depois de terminada a campanha da França, em 1522, Frundsberg resignou-se do comando dos lansquenetes, mas foi reconduzido na marcha de seis mil homens até o norte da Itália, numa dura travessia pela neve alta pelos Alpes Italianos, até a batalha de Bicocca, próximo a Milão, em abril. Mercenários suíços a pé lutaram ao seu lado no front. A vitória imperial em Bicocca permitiu a recuperação do domínio de Carlos V sobre Gênova e Milão, e também da maior parte da Lombardia.

Em 1525, após um breve descanso em Mindelheim, como "Maior Capitão de Campo" da Nação Alemã (tendo doze mil homens e vinte e nove porta-bandeiras), foi novamente enviado á Itália do norte para socorrer Pavia e o Ducado de Milão. Apesar do reforço de seis mil homens, dos quais alguns espanhóis, enfrentou na batalha um inimigo duas vezes mais numeroso e sagrou-se vencedor, na batalha de Pavia. Esta foi sua mais famosa vitória - coroada com a captura do próprio Rei de França, que foi então mantido prisioneiro.

Apenas um ano mais tarde, quando a guerra na Itália foi renovada, recebeu um chamado de auxílio das tropas imperiais na Lombardia, para decidir a guerra. Obteve então 36 mil táleres alemães para organizar um novo exército, quantia que era insuficiente. Durante sua permanência em Mindelheim, Frundsberg pediu dinheiro emprestado, vendeu a prataria da casa e jóias da esposa, a fim de adquirir os fundos restantes para organizar suas tropas. Em menos de três semanas reuniu mais de doze mil homens e novamente cruzou os Alpes, em meados de novembro de 1526. Uniu-se ao Condestável de Bourbon perto de Piacenza e marchou para Roma. Entretanto, a ordem e a disciplina foram quebradas próximo a Modena, no dia 13 de março de 1527, quando nenhuma batalha decisiva ocorrera após meses de campanha pela Itália. O pagamento dos mercenários vencera e não fora quitado e, ao final, Frundsberg não conseguiu reunir seus lansquenetes e restabelecer o comando.

A insubordinação abalou o velho comandante, que sofreu um ataque. Incapacitado de recuperar seu vigor físico, foi removido para a Alemanha depois de tratamento em hospitais italianos. Atormentado pela situação de seus mercenários, a quem chamava de "filhos amados", com a perda de seu patrimônio e a morte de um dos filhos, morreu no seu castelo em Mindelheim, legando a fama de soldado competente e cavalheiresco, fiel servo dos Habsburgo.

Seu filho Caspar (1500–1536) e seu neto Georg (morto em 1586) foram soldados distintos. Com a morte deste último, a família extinguiu-se.  Durante a 2ª Guerra Mundial, a 10ª Divisão Panzer das Waffen-SS foi batizada de Frundsberg, em homenagem ao antigo militar alemão.

 
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domingo, 6 de março de 2011

MUSEU MILITAR CONDE DE LINHARES

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Inaugurado em 12 de outubro de 1998, o Museu Militar localiza-se em São Cristóvão, Rio de Janeiro.

Construído de agosto de 1920 a outubro de 1921, o prédio do Museu Militar Conde de Linhares foi ocupado inicialmente pela 1ª Companhia de Metralhadoras.

Mais tarde seviu de aquartelamento da Companhia de Intendência, onde eram formados os oficiais do Serviço de Intendência, os quais, com a transferência da Escola Militar do Realengo para Resende, passaram a compor o efetivo da Academia Militar das Agulhas Negras.

Foi sede também do Centro de Preparação de Oficiais da Reserva (CPOR), passando em seguida a ser ocupado pela  5ª Brigada de Cavalaria Blindada, a qual permaneceu até 1996.

Em 1998 foi fundado o Museu Militar, que homenageia Dom Rodrigo de Souza Coutinho Teixeira de Andrade, o Conde de Linhares, nascido em Chaves, Portugal, em 1745.

Em 1808, o Conde de Linhares acompanhou a transferência da Corte Portuguesa para o Brasil, onde exerceu as funções de Ministro da Guerra e dos Negócios Estrangeiros. Criou a Academia Real Militar, construiu a Casa da Pólvora e remodelou o Arsenal de Guerra do Rio de Janeiro. Faleceu nesta cidade no ano de 1812.

Carro de combate Renault FT-17 existente no acervo do MMCL

Recentemente, com o apoio de órgãos do Estado, Prefeitura, Fundação Cultural Exército Brasileiro e da iniciativa privada, encerraram-se em quase sua totalidade o que restava das adaptações e reformas, dando início a uma nova etapa do MMCL, agora como Centro Cultural, abrindo suas portas ao público em 6 de maio de 2001.

Hoje o museu conta com exposições de longa duração, como a evolução do armamento brasileiro e da tropa da Força Expedicionária Brasileira.  Além disso, o Museu dispõe de espaços para eventos que abrigam diversas exposições culturais. Consulte a programação no link:

http://www.fortedecopacabana.com/modules/mastop_publish/?tac=Inicio


Visitas:

Av. Pedro II, 383 - São Cristóvão
Rio de Janeiro - RJ, 20941-070
Tel:(21) 2589-9581
Exposições: terça a domingo e aos feriados das 10 às 17hs
Militares, menores de 10 anos, maiores de 80 anos e  grupos escolares têm entrada franca.

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LIVROS - HISTÓRIA DA GUERRA CIVIL AMERICANA



História da Guerra Civil Americana John D. Wright.  M. Books, 224 págs.




O livro traz as mais importantes batalhas, os principais conflitos, os mais importantes eventos e a descrição histórica abrangente de um dos períodos mais sanguinários e contravertidos da América do Norte. Ricamente ilustrado com fotos de personagens que vivenciaram e fizeram a história.

A Guerra Civil Americana é um dos momentos históricos mais importantes na formação econômica e social de todo mundo, notadamente nas Américas e Europa, nos últimos três séculos.

O livro descreve toda a evolução do conflito, através de um texto objetivo e claro, em sequência cronológica, que facilita ao leitor a perfeita compreensão dos envolvimentos e das consequências que a Guerra Civil promoveu e provocou.

O texto é amplamente ilustrado, mostrando personagens importantes e marcantes, em fotos inéditas e exclusivas de época.


Sobre o autor

John D. Wright é Doutor em comunicação pela Universidade do Texas e lecionou em três universidades norte-americanas. Foi repórter da revista Time e escreveu extensivamente para a People e a Reader’s. Escreveu dois livros anteriores sobre a Guerra Civil: The Language of the Civil War (2001) e o Oxford Dictionary of Civil War Quotations (2006). Contribuiu para vários outros livros, incluindo o Oxford Dictionary of National Biography, o Oxford Dictionary of British and American Culture e o Collins Dictionary of the English Language. Digest.


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terça-feira, 1 de março de 2011

MORRE AOS 110 ANOS O ÚLTIMO VETERANO AMERICANO DA 1a GUERRA MUNDIAL

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Frank Buckles, considerado o último veterano americano da 1a Guerra Mundial, morreu aos 110 anos, segundo a imprensa dos EUA nesta segunda-feira (28).

Em depoimento ao jornal americano "The Washington Post", a filha de Buckles disse que ele morreu neste domingo em sua fazenda em Virgínia Ocidental.

Buckles comemorou seu aniversário de 110 anos no último dia 1º de fevereiro. Ele se juntou ao Exército aos 16 anos. Natural de Missouri, Buckles estava entre os cerca de cinco milhões de americanos que, entre 1917 e 1918, participaram da 1a Guerra Mundial.

Frank Buckles em foto recente (à esquerda) e no tempo em que serviu durante a 1a Guerra Mundial


Buckles foi motorista de ambulância durante a guerra. Em 1941, enquanto trabalhava como civil em Manila, nas Filipinas, foi capturado pelos invasores japoneses e mantido preso por 38 meses durante a 2a Guerra Mundial.

Dedicou seus últimos anos a militar a favor da construção de um memorial da 1a Guerra Mundial em Washington, e testemunhou sobre o tema diante de uma comissão do Senado em dezembro de 2009.

O presidente Barack Obama se disse "inspirado" pela história de vida de Buckes, e fez referência "a uma vida destacada que nos lembra o verdadeiro sentido do patriotismo e nossas obrigações para com os demais norte-americanos", segundo um comunicado da Casa Branca.

Nascido em 1901 no Missouri, Frank Woodruff Buckles alistou-se quando os Estados Unidos entraram em guerra, em abril de 1917, depois de ficar sabendo do conflito pelos jornais.

Inicialmente, as Forças Armadas o rejeitaram porque ele tinha apenas 16 anos, mas posteriormente Buckles conseguiu enganar o exército, dizendo que tinha 21 anos e foi finalmente recrutado.

Segundo o "The Washington Post", com a morte de Buckles, um australiano de 109 anos e uma britânica de 110 anos são considerados os últimos sobreviventes dos 65 milhões de pessoas que serviram na guerra entre 1914 e 1918.

Fonte: AFP
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ANIVERSÁRIO DO BLOG HISTÓRIA MILITAR

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Mais um ano de conhecimento e de História Militar.

O BLOG HISTÓRIA MILITAR comemorou ontem dois anos de atividades.  Queremos agradecer a você, leitor ou colaborador, que faz o sucesso do nosso BLOG.  Agradecemos pelas participações e sugestões.

Continue conosco em 2011 e muito obrigado.

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sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

IMAGEM DO DIA - 25/02/2011


Durante a Guerra do Peloponeso (431 aC - 404 aC) um hoplita espartano finaliza um oponente ateniense


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PENSAMENTO MILITAR - PAZ E GUERRA


"Se queres a paz, prepare-se para a guerra"

Publius Flavius Vegetius, imperador romano

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

GUERRA CIVIL CHINESA (1927 - 1949)

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Guerra Civil Chinesa (1927–1937/1946–1949) é o nome dado a uma série de conflitos entre forças chinesas nacionalistas e comunistas. Sua localização temporal é discutível e, de modo geral, refere-se à Guerra Civil Chinesa apenas como a fase final ocorrida após o término da 2ª Guerra Mundial. O conflito, no entanto, remonta ao fim da dinastia Qing, em 1911.

O generalíssimo Chiang Kai-shek


As hostilidades irromperam em 1927, durante a expedição de Chiang Kai-shek ao norte, com o expurgo de antiesquerdistas do Kuomintang ("Partido Nacional do Povo", nacionalista, fundado pelo médico Sun Yat-sen) e uma série de levantes comunistas urbanos fracassados. O poder comunista foi então melhor estabelecido na área rural, e seus defensores utilizavam táticas de guerrilha para neutralizar a força nacionalista, que era superior. Após uma campanha de três anos, Chiang finalmente conseguiu destruir os sovietes Jiangxi (bases rurais comunistas) criados por Mao Tsé-Tung, mas, após a Grande Marcha (1934-1935), os comunistas conseguiram reinstalar-se em Yan'an, no norte do país.

Os confrontos entre os dois lados reduziram-se com a invasão japonesa de 1937, e, até o final da 2ª Guerra Mundial, em 1945, uma difícil trégua foi mantida, enquanto se lutava contra um inimigo comum. A violência interna irrompeu logo após o final da guerra, ressurgindo em uma base muito maior em abril de 1946 - depois de o general norte-americano George Marshall ter fracassado em conseguir um acordo estável.
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Durante o primeiro ano do conflito, as tropas nacionalistas obtiveram ganhos territoriais, incluindo a capital comunista de Yan'an. Entretanto, logo em seguida, o moral do Kuomitang começou a desmoronar face às bem-sucedidas operações militares dos comunistas, diminuindo a confiança em sua administração, e, no final de 1947, uma vitoriosa contraofensiva comunista estava a caminho.

Em novembro de 1948, Lin Piao completou a conquista da Manchúria, onde os nacionalistas perderam meio milhão de homens, muitos dos quais desertaram para o lado comunista. Na China Central, os nacionalistas perderam Xandong e em janeiro de 1949 foram derrotados na batalha de Huai-Huai (perto de Xuzhou). Pequim caiu em janeiro, e Nanjing e Xangai em abril.

Mao Tse-tung proclama a criação da República Popular da China em 1949

A República Popular da China foi proclamada em 1º de outubro de 1949 e a vitória comunista completou-se quando o governo nacionalista fugiu de Chongqing para Taiwan, em dezembro daquele ano.

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sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

ARMAS – OBUSEIRO BL Mk.1 26cwt DE 6 POLEGADAS





O peso da arma nome desta peça de artilharia – 26 cwt (quintais), ou 1.320 kg / 2.912 libras – a diferencia de dois outros obuseiros britânicos de 6 polegadas em operação no mesmo período.

Desenvolvido em 1915 para substituir os modelos anteriores de 25 e 30 quintais, tornou-se o obuseiro médio de sítio padrão da Grã-Bretanha na 1ª Guerra Mundial, com mais de 3.600 unidades produzidas até o fim do conflito.

Obuseiro 26 cwt em ação durante a 1ª Guerra Mundial

Era um projeto simples, com flecha tipo caixa oca de metal, sistema de recuo hidropneumático e culatra com sistema de fechamento tipo parafuso. Foi produzido originalmente para disparar granadas de schrapnel de 45 kg (100 libras), mas seu alcance era insuficiente. Por este motivo, a munição foi aos poucos sendo substituída por uma granada de 39 kg (98 libras), inclusive do tipo alto-explosivo.

Ainda que muitos obuseiros 26 cwt tenham sido distribuídos para outros exércitos, os que permaneceram na Grã-Bretanha foram adaptados com pneumáticos a fim de serem tracionados por viaturas, servindo até o início da 2ª Guerra Mundial na África do Norte.

Bateria de obuseiros 26 cwt australiana em posição no perímetro de Tobruk em 1941


Características:

Calibre: 6 polegadas (152mm)
Peso (completo): 3.693 kg
Comprimento do tubo: 13,3 calibres (2,218m)
Elevação:  0º a +45º
Conteiramento: 8º
Velocidade inicial da granada: 427 m/s
Alcance máximo: 10.425 m
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domingo, 6 de fevereiro de 2011

PERSONAGENS DA HISTÓRIA MILITAR – 1º SARGENTO JOVITA FEITOSA

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Jovita Alves Feitosa, nascida em Tauá, em março de 1848, filha de Maximiano Bispo de Oliveira e de Maria Alves Feitosa, se destacou pela bravura e destemor, durante a luta contra o Paraguai.

Nesse tempo, com apenas dezesseis anos, órfã de mãe, residia com um tio em Jaicós, no Piauí, e participava vivamente do clamor criado com o patriótico movimento contra o invasor Francisco Solano Lopez, apossando-se do forte de Coimbra no ano de 1864, à margem do Rio Paraguai, facilmente conseguido por causa da precária situação em que se encontravam os brasileiros.

A expedição paraguaia avançava pelo sul de Mato Grosso, encaminhando-se para a colônia militar de Dourados. Vitoriosos, seguiram para a colônia de Miranda, depois Nioaque, encontrando poucos brasileiros e mal armados.

Pretendiam assim chegar até Corumbá, já tendo conseguido a interrupção das comunicações entre a capital da província e o Rio de Janeiro.

Por pouco tempo o sul de Mato Grosso tornou-se território paraguaio. López pretendia formar outra frente de guerra, atravessando a Argentina para atacar o Rio Grande do sul. O Presidente da nação vizinha negou a passagem das tropas por terras argentinas, o que ocasionou uma declaração de guerra, em março de 1865, com a invasão pelos paraguaios da província de Corrientes.

No Rio de janeiro as noticias das invasões causaram revolta, e o Imperador Pedro II estimulou o patriotismo entre os homens, com a frase: “ O BRASIL ESPERA QUE CADA UM CUMPRA O SEU DEVER. “.

Jovita mobilizou a cidade e o campo para que fossem lutar pela pátria. Misturava-se com os soldados, desprezando todos os preconceitos da época. Atendendo ao apelo do Imperador, as mães ofereciam os filhos para a luta, as damas doavam suas joias, e Jovita, como nada tinha a oferecer, arquitetou um plano: cortando os cabelos e usando um chapéu de couro, assim se disfarçou em soldado, indo-se apresentar em Teresina, onde se agrupavam os Voluntários da Pátria. E tinha apenas dezessete anos.

O plano foi descoberto. As formas femininas a denunciaram e mulheres curiosas descobriram que as orelhas eram furadas. Mesmo assim, foi aceita pelo exemplo de tão admirável lição de patriotismo, com a obrigação de usar um saiote sobre a farda.

Mulher valente, audaciosa, teve seu gesto admirado em todo o país. Exercendo função militar, esteve em São Luís, Paraíba e Recife, causando entusiasmo em todos. Era aplaudida, presenteada, cantada em versos e hinos. A heroína estava então preparada para a viagem ao Rio de janeiro, em companhia de quatrocentos e sessenta soldados.

A jovem Jovita Feitosa com o uniforme dos Voluntários da Pátria

Um mês após a partida, chegava à capital brasileira sendo entusiasticamente ovacionada pela multidão que esperava curiosa a Companhia dos Voluntários, tendo entre eles a figura de uma mulher.

Os jornais noticiaram com destaque o fato; o povo aclamava-a com entusiasmo pó onde ela passava e assim a admirável Jovita viveu os mais intensos momentos de glória.

Passados alguns meses, o Ministro da Guerra, Visconde de Cairu, põe por terra a aspiração da jovem, negando-lhe permissão para a frente de combate. Dava-lhe apenas o direito de agregar-se ao Corpo de Mulheres que iria prestar serviços compatíveis com a natureza feminina, na guerra contra os vizinhos paraguaios.

Resolveu permanecer no Rio de Janeiro, decepcionada com o acontecido e fortemente amargurada, sentindo se desfazerem os seus sonhos de jovem patriota e de mulher guerreira que ela era.

Jovita chegou ao posto de primeiro-sargento, e recebeu homenagens e presentes por sua participação no conflito da Tríplice-Aliança; entretanto, teria se suicidado em 1867 por não se conformar com o esquecimento que se seguiu. Outras versões, contudo, relatam que ela teria retornado ao teatro da guerra, no Paraguai, onde teria falecido na Batalha de Acosta Ñu.

Ficou o seu exemplo digno da admiração de todos os brasileiros.


Fonte: Academia Tauaense de Letras

 
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sábado, 29 de janeiro de 2011

PRISIONEIROS NA GUERRA CIVIL AMERICANA


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Nos grandes conflitos do século XX, o trato com os prisioneiros de guerra foi motivo de muitas preocupações para os comandantes militares. Durante a Guerra Civil Americana (1861-1865), o problema já se apresentava.

Prisioneiros de guerra sepultando companheiros mortos em um campo de detenção


Durante as fases iniciais da guerra, nem o exército da União nem o da Confederação pensaram muito sobre o que fazer com os prisioneiros de guerra. Se soldados fossem capturados, era comum que os comandantes locais elaborassem acordos para trocá-los de maneira improvisada.

Mas, durante o ano de 1862, o número de prisioneiros feitos por ambos os lados cresceu rapidamente, quando baluartes como o Forte Donelson se renderam, superando os recursos locais dos comandantes. Em julho de 1862, ambos os lados concordaram com um sistema formal de troca de prisioneiros. O arranjo vigorou até que os confederados começaram a capturar soldados negros que lutavam pela União. Tais soldados ou eram mortos ou vendidos como escravos ou aprisionados sem esperança de troca. Como retaliação, a União suspendeu as trocas de prisioneiros.

Assim, daí em diante os soldados capturados foram mantidos em campos, que iam desde velhos fortes até outros que pouco mais eram do que paliçadas de madeira cercando descampados. Em seu interior, os prisioneiros dispunham de recursos limitadíssimos.

Prisão de Andersonville


O campo de pior reputação foi a prisão de Andersonville, do Exército Confederado. O tratamento dado aos internos era sofrível e boa parte ddas dezenas de milhares de soldados da União morreu nele em função de doença, fome, frio e negligência em geral. A indignação pelas condições encontradas em Andersonville foi tamanha, que seu comandante, o suíço Heinrich Wirz,  foi enforcado após a guerra.

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LIVRO - 50 LÍDERES MILITARES QUE MUDARAM A HISTÓRIA DA HUMANIDADE

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50 Líderes Militares que Mudaram a História da Humanidade. William Weir. M. Books, 304 pág.



O livro não celebra a guerra, antes, volta sua atenção para os líderes que o autor afirma terem tido maior impacto sobre a história universal. Os 50 líderes militares que mudaram o mundo não foram necessariamente os "melhores" líderes, nem os estrategistas mais inovadores, nem os táticos mais astutos e nem mesmo as pessoas mais corajosas, sagazes ou admiráveis. Foram, entretanto, os homens e mulheres que, por bem ou por mal, entraram no campo de batalha e deixaram o mundo bastante diferente após sua saída.

O leitor vai ficar fascinado com as histórias, as proezas e o heroísmo de muitas figuras que pensava já conhecer, de Alexandre, o Grande, a Guilherme, o Conquistador, e de Simón Bolívar, a Mao Tsé-tung. E ficará intrigado com as vidas daqueles cujos  nomes talvez nem reconheça.


Alguns, como Gêngis Khan, foram brilhantes. Outros, como Ivan, o Terrível, foram, quando muito, generais medianos. Joana d'Arc é oficialmente uma santa, enquanto Adolf Hitler é universalmente considerado um monstro. Átila, o Huno, violentou, pilhou e matou brutalmente milhares, e Mao Tsé-tung matou milhões a mais até mesmo do que Hitler.

O leitor talvez já conheça a historia da maioria dos lideres relacionados neste livro. Pode respeitar alguns e não valorizar outros, mas, depois de ler 50 Líderes Militares que Mudaram a Historia da Humanidade, reconhecerá que estes foram líderes que impactaram de forma marcante a breve história da humanidade neste planeta.


Sobre o autor

William Weir, ex-correspondente de guerra e fotógrafo do exército americano na Guerra da Coréia, escreveu oito livros, inclusive o bestseller 50 Batalhas que Mudaram o Mundo. Além de ter servido no Exército, Weir foi repórter de jornal e especialista em relações públicas. Seus artigos apareceram no New York Times, na Gun Digest e na War, Literature & Camp. Ele está hoje aposentado e mora em Guilford, Connecticut, com sua esposa, Anne.




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terça-feira, 25 de janeiro de 2011

IMAGEM DO DIA - 25/01/2011

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Soldados da Real Artilharia a Cavalo britânica sob ataque de tropas afegãs na batalha de Maiwand, durante a 2ª Guerra Anglo-Afegã, em 1880

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RECUPERADO UM P-39 AIRACOBRA DA 2ª GUERRA MUNDIAL

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Uma aeronave Bell P-39Q Airacobra, que havia sido fabricada na fábrica a oeste de Nova York em 1943, começou a retornar para casa após ter ficado no fundo de um lago russo desde 1944.

Essa aeronave em particular foi um dos 4.719 P-39s enviados para a União Soviética através do programa norte-americano Lend-Lease, que provisionou as forças aliadas com material de guerra antes e após os EUA entrarem na 2ª Guerra Mundial.  O “Miss Lend-Lease“, como o caça foi chamado por Ira G. Ross, do Niagara Aerospace Museum, que efetuará a restauração, serviu com um esquadrão da Força Aérea Soviética que operava na fronteira com a Finlândia.

A descoberta em 2004 é rara desde que, restos do piloto, encontrados junto com artefatos chaves, estavam juntos da aeronave, e que fornecem sinais do mistério de porque a aeronave de repente quebrou a formação enquanto o esquadrão se deslocava para um aeródromo mais próximo do combate.

O P-39Q Miss Lend-Lease ao ser retirado do lago.  Pode-se observar a pintura e as insígnias soviéticas perfeitamente preservadas


O “Miss Lend-Lease” era o P-39Q-15BE (s/n 44-2911), um dos últimos do modelo Q-15 Airacobra produzidos pela Bell Aircraft Corporation, em Buffalo, New York. O Airacobra (batizado pelos britânicos) foi desenvolvido como um interceptador de grande altitude, mas um inadequado supercharger limitava seu teto operacional efetivo em 12.000 pés no máximo. A aeronave foi projetada ao redor de seu armamento, um canhão Oldsmobile T9 de 37 mm e duas metralhadoras de 12mm, tudo localizado no nariz da aeronave. Com todas essas armas localizadas na frente, o único lugar para colocar o motor foi atrás do piloto.

Um eixo de mais de 3 metros dividido em duas partes conectava a hélice e o motor, passando pelo cockpit, muito parecido com um sistema de transmissão de um carro. O P-39 também foi feito com quatro metralhadores de 7mm montadas nas asas, mas muitas forças aéreas preferiram remover essas para melhorar o desempenho.

A história completa pode ser acessada no site http://www.eaa.org/


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quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

IMAGEM DO DIA - 20/01/2011

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Tropas irregulares árabes executam uma emboscada a um comboio de suprimentos israelense durante a Guerra de Independência de Israel em 1948

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OS EXÉRCITOS VIKINGS

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Durante os séculos IX e X, a Europa foi varrida por saqueadores organizados. Na Europa central e oriental, a ameaça vinha dos magiares montados; no Mediterrâneo, dos sarracenos; e no norte europeu, dos povos nórdicos. De todos esses grupos errantes, movidos pelo desejo de pilhagem e pelo amor à violência, os corsários pagãos da Escandinávia são os mais conhecidos.

Piratas vikings, armados com lanças, espadas e achas, cruzavam os mares da Escandinávia em naus longas movidas por velas ou remos. Os da Noruega atacavam alvos, sobretudo, na Irlanda e na Escócia; os vikings dinamarqueses atacavam a Inglaterra e o noroeste da Europa; os suecos assolavam a Rússia e a Ucrânia, tendo chegado até mesmo ao Império Bizantino.



Os primeiros saqueadores viajavam e lutavam a pé assim que desembarcavam. Entretanto, depois de se haverem defrontado com cavalarias europeias, adaptaram-se rapidamente e, para preservarem o elemento surpresa, começaram a seguir a cavalo até seus alvos, embora preferissem lutar desmontados.

A dimensão dos exércitos vikings permanece controversa. Os primeiros ataques foram, provavelmente, desfechados por pequenas forças, de um ou dois navios, cada qual com sessenta homens. Com o tempo, as forças de assalto uniram-se e, na década de 850, milhares podiam tomar parte em pilhagens ao longo da costa da Europa.

Capacete viking do século X

O Grande Exército viking que assolou a Inglaterra e a Europa ocidental era uma força substancial. Ainda assim, é provável que consistisse em uns poucos milhares  de homens, embora nunca tenha chegado aos assombrosos 40 mil vikings mencionados por uma testemunha do cerco de Paris, em 885.

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segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

IMAGEM DO DIA - 17/01/2011

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Tropas francesas de Montcalm celebrando a vitória na Batalha de Carillon, durante a Guerra dos Sete Anos em 1758

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1ª GUERRA DO GOLFO COMPLETA 20 ANOS

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Há vinte anos começava no Oriente Médio a 1ª Guerra do Golfo, onde uma coalizão internacional, liderada pelos EUA, venceu o Iraque em uma rápida  e vigorosa operação militar




À meia-noite no Iraque, o prazo estipulado pela ONU para a retirada das tropas iraquianas do Kuwait expira e o Pentágono se prepara para começar as operações de ataque a fim de expulsar pela força o Iraque de sua ocupação do vizinho rico em petróleo, que havia durado cinco meses.

Às 04h30 de 16 de janeiro de 1991, o primeiro caça-bombardeiro decola da Arábia Saudita e, em seguida, de porta-aviões navegando pelo Golfo Pérsico, alçando voo para missões de bombardeio sobre o Iraque. Durante todo o dia, aparelhos da coalizão militar liderada pelos Estados Unidos bombardearam objetivos em Bagdá e em seus arredores, enquanto o mundo acompanhava os acontecimentos pela televisão através de imagens transmitidas via satélite de Bagdá e de outros lugares. Poucas horas depois do início das hostilidades, a Casa Branca anunciava formalmente que a Operação Tempestade no Deserto, o codinome dado à maciça ofensiva contra o Iraque, havia começado.

A operação foi conduzida por uma coalizão internacional sob o comando do general norte-americano Norman Schwarzkopf, composta por forças de 32 nações, como Grã-Bretanha, Egito, França, Arábia Saudita e Kuwait. Durante as seis semanas que se seguiram, as forças aliadas engajadas numa pesada guerra aérea com o objetivo de destruir a infraestrutura militar e civil do Iraque encontraram pequena resistência efetiva da força aérea iraquiana ou de suas defesas antiaéreas.

Mapa mostrando o esquema de manobra utilizado pela coalizão para invadir o Iraque em 1991
 
 
As forças de terra iraquianas foram de pouca ou nenhuma utilidade nesta fase da Guerra e as únicas significativas medidas de retaliação tomadas pelo chefe iraquiano Saddam Hussein foram o lançamento de mísseis Scud contra Israel e a Arábia Saudita. Saddam esperava que os ataques com mísseis iria provocar a entrada de Israel no conflito, afastando desse modo o apoio árabe à guerra. A pedido dos Estados Unidos, contudo, Israel se manteve a parte.

Em 24 de fevereiro começava uma grande ofensiva por terra e as forças armadas iraquianas, obsoletas e pobremente armadas, foram rapidamente superadas. O Kuwait foi libertado em menos de quarto dias e a maior parte do exército do Iraque se rendeu, retirou-se para o Iraque ou foi destruída. Em 28 de fevereiro, o presidente George Bush (pai) declarou o cessar-fogo, tendo o Iraque se comprometido a honrar os termos de paz da coalizão e das Nações Unidas. Cento e vinte e cinco soldados norte-americanos foram mortos na 1ª Guerra do Golfo Pérsico e outros 21 tidos como desaparecidos em ação.
 
Colhido pela ofensiva terrestre da coalizão, um carro de combate iraquiano arde em chamas no deserto saudita
 

Em 20 de março de 2003, uma segunda guerra entre o Iraque e uma coalizão de países, desta vez bem menor mas também liderada pelos Estados Unidos, teve início. Não foi transmitida livremente pela televisão e o objetivo estabelecido era remover Saddam Hussein do poder e ostensivamente encontrar e destruir as armas de destruição em massa fartamente alardeadas. Hussein foi capturado por uma unidade militar norte-americana em 13 de dezembro de 2003, contudo, as armas de destruição em massa jamais foram encontradas.

Embora o presidente George W. Bush tivesse declarado o fim das operações de combate, com a missão cumprida, em 1º de maio de 2003, uma intensa guerra de guerrilha se instalou em todo o país, resultando na morte de milhares de soldados da coalizão e da guerrilha e de centenas de milhares de civis.

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sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

PENSAMENTO MILITAR - PLANOS DE BATALHA


“Cuide para que seu plano e seu dispositivo sejam flexíveis e adaptáveis à situação. Seu plano deve prever e prover a manobra a ser realizada em caso de êxito, de fracasso ou de êxito parcial, que é o caso mais comum na guerra.”


Sir Basil Liddell Hart, militar e estrategista britânico
 
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MORRE O MAJOR "DICK" WINTERS, COMANDANTE DA COMPANHIA EASY

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Faleceu no último dia 2 de janeiro em Palmyra, Pennsylvania, EUA, de causas naturais aos 92 anos de idade, o famoso comandante da Easy Company, Major Richard "Dick" Winters, celebrizado pela série Band of Brothers da HBO.

 Nascido em Ephrata, Pennsylvania, Winters trabalhou em uma série de empregos para pagar sua faculdade, na qual graduou-se em junho de 1941. Na esperança de encurtar seu tempo de serviço militar, decidiu alistar-se no Exército em 25 de agosto daquele ano, passando pelo treinamento básico na Carolina do Sul. Com o ataque japonês a Pearl Harbor, as coisas mudaram de figura, e Winters foi selecionado para a Escola de Aspirantes a Oficial em abril de 1942, e lá conheceu seu futuro colega de guerra Lewis Nixon. Comissionado 2º Tenente em julho, decidiu juntar-se à infantaria paraquedista, recebendo ordens para se apresentar ao 506º Regimento de Infantaria Paraquedista em Camp Toccoa, Georgia. Lá, Winters recebeu o comando do 2º Pelotão da Companhia E ("Easy Company"), e ganhou o respeito dos soldados devido à sua competência e espírito de liderança.

Chegando à Inglaterra em setembro de 1943 - já como parte da 101ª Divisão Aerotransportada - o 506º Regimento iniciou uma dura fase de treinamento em Wiltshire, que resultou no crescimento de tensões entre Winters e o comandante da Easy Company, Capitão Herbert Sobel. Winters duvidava da capacidade de Sobel de exercer liderança em situações de combate, e sua opinião era compartilhada por muitos sargentos da unidade. Após uma troca de acusações e um manifesto oficial dos sargentos, o comandante do 506º, Coronel Robert Sink, decidiu remover Sobel e substituí-lo pelo 1º Tenente Thomas Meehan III.

Durante os saltos noturnos que precederam o desembarque na Normandia, o avião que levava Meehan foi derrubado pela aertilharia antiaérea alemã, e Winters passou a atuar como comandante da Easy já no dia 6 de junho de 1944. Neste mesmo dia, ele liderou um ataque a uma bateria alemã de obuseiros 105 mm que atiravam sobre a praia de Utah. O exemplar assalto coordenado por Winters, conhecido como Ataque de Brécourt Manor, ainda é ensinado na academia de West Point como exemplo de ataque à posições fixas. Com apenas 13 homens, ele destruiu a posição inimiga, guardada por 50 soldados, e ainda capturou um mapa das defesas alemãs na área. Por esta ação ele foi condecorado pelo General Omar Bradley com a Distinguished Service Cross e promovido a Capitão.

"Dick" Winters durante o treinamento de paraquedismo em 1942

Em setembro, a 101ª tomou parte na Operação Market-Garden, saltando sobre a Holanda. Numa encruzilhada, os paraquedistas entraram sob fogo de metralhadora alemã. Winters fez um reconhecimento e chamou o restante de seu pelotão para auxiliar no ataque à posição defensiva alemã. Embora tenha estimado a defesa inimiga em cerca de 50 homens, na verdade Winters concluiu com sucesso um ataque a uma força de 300 soldados alemães. Pouco depois, ele foi promovido a Oficial Executivo do 2º Batalhão, e nessa posição tomou parte na defensiva da cidade de Bastogne, na Bélgica, durante a ofensiva alemã de dezembro de 1944. Segurando a cidade contra uma força alemã muito maior, a 101ª sofreu muitas baixas, mas resistiu por uma semana até a chegada das tropas do 3º Exército do General George Patton.

Em março de 1945, Winters recebeu o comando do 2º Batalhão, liderando-o por um período de relativa pouca atividade, desde o Reno até a Bavária no fim de abril. No começo de maio, ele recebeu a ordem de capturar Berchtesgaden, o retiro montanhês de Hitler. No dia 5, a Easy Company chegou ao Ninho da Águia, a casa construída para o Führer no topo das montanhas bávaras.

Após a guerra, Winters foi trabalhar com seu amigo Nixon até 1951, quando foi reconvocado para serviço ativo durante a Guerra da Coreia. Winters treinou oficiais por algum tempo, entrando para a reserva novamente em 1952. Casado e pai de dois filhos, ele abriu uma empresa de insumos agropecuários em Hershey, Pennsylvania, atuando como fornecedor por todo o estado. Em 1992, foi entrevistado pelo historiador Stephen Ambrose para seu livro "Band of Brothers: Easy Company, 506th Regiment, 101st Airborne from Normandy to Hitler's Eagle's Nest", que foi transformado pela HBO na mundialmente famosa minissérie "Band of Brothers" em 2001.

Winters interpretado pelo ator Damian Lewis na minissérie "Band of Brothers".



Apesar da saúde frágil de seus últimos anos, bem como uma dura batalha contra o Mal de Parkinson, Dick Winters continuou o quanto pôde a participar de eventos públicos, e recentemente uma campanha foi iniciada para construir uma estátua sua na Normandia. William "Wild Bill" Guarnere, que serviu sob o comando de Winters na Easy, disse: "Quando ele dizia 'vamos', ele estava bem na frente. Nunca ficava para trás. Era um líder personificado".

Desejando apenas uma cerimônia simples para a família e amigos, Dick Winters pediu que seu falecimento fosse mantido em segredo até que o enterro fosse realizado, o que aconteceu no dia 8 de janeiro de 2010. Winters deixa esposa (Ethel) e dois filhos (Tim e Jill).

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terça-feira, 11 de janeiro de 2011

OSPREY PUBLISHING LANÇA LIVRO SOBRE A FEB

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Uma boa surpresa da editora britânica Osprey Publishing para lançamento no mês de março de 2011 é "Brazilian Expeditionary Force in World War II", dos autores César Campiani Maximiano e Ricardo Bonalume Neto. Enquanto Maximiano é um versado historiador da FEB, tendo escrito quatro livros sobre o tema, Bonalume é jornalista especializado em temáticas militares.


O livro em si é uma obra inédita e há muito tempo necessária. Isso porque virtualmente não há literatura sobre a FEB em inglês, muito menos um livro conciso que lide especificamente com os aspectos militares do envolvimento brasileiro na Segunda Guerra Mundial. Este título tem tudo para - pelo menos começar a - preencher este vácuo. O ilustrador, Ramiro Bujeiro, é um colaborador constante da Osprey, e pode-se esperar bons resultados de seus desenhos (como já podemos notar pela capa).


O conteúdo do livro não discorre somente sobre nossa Divisão de Infantaria Expedicionária, mas também sobre o 1º Grupo de Caça e a 1ª Esquadrilha de Ligação e Observação, fazendo também um apanhado geral sobre a participação brasileira no conflito e a situação político-militar reinante na década de 1930. E claro, há também a seção de análise dos uniformes usados por nossos soldados.

Conforme já se tornou uma prática pela editora Osprey, o livro foi formulado depois de uma pesquisa de intenção de títulos, realizada pela internet em 2009, onde sagrou-se vencedor o tema FEB.

É aguardar para conferir ...


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IMAGEM DO DIA - 11/01/2011

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Soldado sérvio alimentando uma metralhadora durante a Guerra da Iugoslávia

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sábado, 8 de janeiro de 2011

OS TRÊS GRANDES E A CONFERÊNCIA DE TEERÃ

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Por Peter Philipp


Churchill e Roosevelt encontram-se com Stalin em 28 de novembro, em Teerã. É combinada uma coordenação dos ataques soviéticos à Alemanha nazista com o iminente desembarque dos aliados na Normandia. Joseph Stalin mantém os planos militares para expansão do comunismo em segredo e faz exigências que se confirmam no prosseguimento da 2ª Guerra Mundial.


O primeiro-ministro da Grã-Bretanha, Winston Churchill, e o presidente dos Estados Unidos, Franklin D. Roosevelt, já se haviam se encontrado no Cairo para falar sobre a 2ª Guerra Mundial e fazer planos para o futuro da Europa, da Turquia e do  Extremo Oriente.

Antes de tentarem em vão a adesão da Turquia à aliança ocidental contra a Alemanha nazista e de nomearem Dwight D. Eisenhower como comandante supremo da iminente invasão da Normandia, os dois deixaram a cidade às margens do Nilo e viajaram para Teerã. Lá, eles haviam marcado um encontro de três dias com o presidente da União Soviética, Joseph Stalin.


Novo papel para a União Soviética no pós-guerra

Churchill foi ao encontro do líder comunista com desconfiança, mas Roosevelt estava convencido de que eles teriam que se arranjar de alguma maneira com a União Soviética e que este país teria um papel importante na Europa e no mundo do pós-guerra. E isso deveria ocorrer no contexto de uma nova organização mundial, ambicionada por Roosevelt e muitos americanos e destinada a assumir as tarefas da comunidade internacional fracassada. Sem a União Soviética, tal organização seria ineficaz.

Os Estados Unidos e a Grã-Bretanha já estavam tentando há tempos deter as invasões alemãs. Roosevelt tinha consciência de que um futuro pacífico depois da Grande Guerra dependeria, decisivamente, das relações com a União Soviética.

Para Washington e Londres, esse futuro já estava traçado na mensagem de Roosevelt ao Congresso em 1941, na qual ele se referiu especialmente a quatro liberdades: de opinião, de religião e a libertação do medo e da miséria. As duas potências ocidentais declararam essas liberdades como metas de guerra em seu acordo conhecido como Carta do Atlântico e acrescentaram o direito à autodeterminação e rejeição de conquistas territoriais por meio de guerras.

Do ponto de vista de Roosevelt, o que fosse acertado entre os dois aliados atlânticos deveria servir de base para um tratado com a União Soviética e a China, pois só as quatro nações juntas poderiam assumir a responsabilidade para a preservação da paz no mundo.

Stalin, Churchill e Roosevelt: os três grandes em Teerã


Stalin faz reivindicações e esconde seus planos

Numa retrospectiva histórica, constata-se que essa era uma visão fantástica, idealista. Churchill e Roosevelt encontraram, em Teerã, um Stalin cordial. O chefe do Kremlin não tinha abandonado sua idéia de vitória do comunismo, mas sabia que o seu país precisava do apoio do Ocidente. A União Soviética tinha de suportar o maior fardo da guerra e para Stalin estava claro que isso iria afetar também o seu sonho de expansão do comunismo.

Em Teerã, combinou-se, em primeiro lugar, que Moscou deveria coordenar seus ataques contra a Alemanha com o iminente desembarque planejado pelos aliados ocidentais na Normandia. Mas Stalin também pôde fazer algumas exigências, indicando o que se confirmaria depois no decorrer da Guerra: ele reivindicou a Prússia Oriental e as fronteiras que foram asseguradas à União Soviética nos acordos com Berlim e Helsinque, em 1939 e 1940.

A idéia de uma organização não foi detalhada em Teerã. Nem houve acordo sobre o futuro da Polônia e, no que se referia ao Irã, a declaração conclusiva do encontro dos "Três Grandes" dizia que o país parcialmente ocupado receberia a sua independência de volta depois da Grande Guerra.

Há tempos que Stalin estava fazendo planos, em Moscou, para a divisão da Europa e a ampliação das fronteiras da União Soviética. Ele, porém, não revelou seus planos militares aos parceiros ocidentais.

O líder soviético mostrou-se ao mesmo tempo muito insatisfeito com o projeto de transformar a Alemanha e uma série de outros Estados da Europa Central e do Leste Europeu em nações agrícolas. Stalin viu no plano uma tentativa do Ocidente de frear a expansão da União Soviética e, em vez disso, defendeu uma balcanização do Leste Europeu e um enfraquecimento da França e da Itália.

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domingo, 2 de janeiro de 2011

IMAGEM DO DIA - 02/01/2011

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Por ocasião da Guerra dos Bôeres (1899), um esquadrão de cavalaria do 5º Regimento Real de Lanceiros Irlandeses durante uma patrulha

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MORRE GERALDINE DOYLE, ÍCONE DA MULHER TRABALHADORA DA 2ª GUERRA MUNDIAL

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CHICAGO (AFP) - Geraldine Doyle, conhecida em todo o mundo por sua imagem no cartaz que ilustrou o trabalho da mulher durante a Segunda Guerra Mundial, morreu no domingo passado, aos 86 anos, informou um funcionário do asilo onde vivia.


O cartaz mostrava 'Rosie, a rebitadora', uma operária de uma fábrica de Michigan com o braço forte mas um delicado cabelo envolto em um lenço vermelho e branco afirmando: "We can do it!" ("Podemos fazer isto!")

A mensagem se tornou um ícone do movimento feminista nos Estados Unidos durante anos.

Doyle não percebeu que era famosa até ver a reprodução do cartaz em uma revista em 1982.

"Olhe, sou eu!", reagiu a modelo, segundo sua filha.


O nome "Rosie, a rebitadora" se inspirou na música de 1942 que homenageava as mulheres que assumiram o controle das fábricas quando os homens partiram para a guerra.

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sábado, 1 de janeiro de 2011

PERSONAGENS DA HISTÓRIA MILITAR – FERNANDO II

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* 09/07/1578 – Graz, Áustria

+ 15/02/1637 – Viena, Áustria


No dia 9 de julho de 1578, nasceu o futuro imperador Fernando, na Áustria. Obstinado pelo catolicismo, acabou sendo um dos protagonistas da Guerra dos Trinta Anos, contra o soberano protestante Frederico V.

Natural de Graz, na Áustria, Fernando foi educado em um colégio jesuíta em Ingolstadt, no sul da Alemanha. Em 1617, tornou-se rei da Boêmia, e, no ano seguinte, da Hungria. Em 1619, sucedeu o imperador Matthias no Sacro Império Romano-Germânico.

Chamado "Imperador da Contra-Reforma", foi radical inimigo dos protestantes. Casou-se com Maria Ana da Baviera. Seu objetivo era impor o absolutismo católico romano em seus domínios.

No chamado Sacro Império Romano do Ocidente, um dos reis alemães era eleito pelos príncipes e bispos, sendo coroado pelo papa como Imperador da Cristandade. Todos os outros reis deviam respeitá-lo como tal. Mas, com a Reforma protestante, instalou-se um conflito entre os príncipes eleitores.

Na Boêmia, os grupos protestantes se rebelaram contra o imperador católico, construíram uma igreja evangélica num reduto católico e entronizaram o príncipe eleitor calvinista Frederico V, que estendia seu poder até o Palatinado e era o chefe da União Protestante contra os católicos.


Guerra dos Trinta Anos

Os principais adversários foram, do lado católico, Fernando II, e do lado protestante, Frederico V. O recém-coroado Fernando mandou as tropas de seu aliado, o duque Maximiliano da Baviera, para a Boêmia. Era a eclosão da Guerra dos Trinta Anos, a primeira grande guerra europeia. Na primeira batalha, Maximiliano conseguiu controlar os revoltosos rapidamente.

Frederico do Palatinado teve de fugir. Em Praga, o imperador vingou-se dos revoltosos com a execução pública de 27 nobres, líderes do levante. Para reprimir a insatisfação popular, enviou para a Boêmia tropas comandadas por Albrecht von Wallenstein, um comandante alemão sedento de guerra.

Na década de 1620, parecia que Wallenstein iria impor a paz na Boêmia, mas então outros países europeus entraram no conflito. Os holandeses invadiram a Renânia para enfrentar os exércitos da Espanha e dos Habsburgos, comandados pelo poderoso general Spinosa. Em 1626, uma força dinamarquesa comandada pelo monarca Cristiano IV invadiu a Alemanha pelo norte, para apoiar os protestantes.

Wallenstein ofereceu-se a Fernando II para expulsar os dinamarqueses com um exército organizado por conta própria – e teve sucesso. Como prêmio, tornou-se príncipe imperial. Em 1630, o exército do influente rei sueco Gustavo Adolfo II (1611–1632), protestante, invadiu o norte da Alemanha e avançou para a Renânia e Baviera no ano seguinte. As tropas comandadas por Fernando II conseguiram expulsá-lo.


Diplomacia

Os protestantes alemães procuraram soluções pacíficas para o conflito, o que culminou no  chamado Acordo de Paz de Praga, de 30 de maio de 1635. Esse acordo, porém, foi de pouca duração. A França e a Espanha intervieram, desencadeando mais uma série de lutas, que só terminaram em 1648, com a Paz de Vestfália, na qual foi reconhecida a liberdade religiosa dos calvinistas e dos demais protestantes.

Fernando II casou-se pela segunda vez com Eleonora Gonzaga de Mântua, em 1622, morrendo em Viena em 15 de fevereiro de 1637. Além das razões religiosas, entretanto, outros motivos haviam levado à guerra, inclusive disputas sucessórias e territoriais,  bem como questões comerciais.

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