"No próprio dia da batalha, as verdades podem ser pinçadas em toda a sua nudez, perguntando apenas;
porém, na manhã seguinte, elas já terão começado a trajar seus uniformes."

(Sir Ian Hamilton)



sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

MORRE O MAJOR "DICK" WINTERS, COMANDANTE DA COMPANHIA EASY

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Faleceu no último dia 2 de janeiro em Palmyra, Pennsylvania, EUA, de causas naturais aos 92 anos de idade, o famoso comandante da Easy Company, Major Richard "Dick" Winters, celebrizado pela série Band of Brothers da HBO.

 Nascido em Ephrata, Pennsylvania, Winters trabalhou em uma série de empregos para pagar sua faculdade, na qual graduou-se em junho de 1941. Na esperança de encurtar seu tempo de serviço militar, decidiu alistar-se no Exército em 25 de agosto daquele ano, passando pelo treinamento básico na Carolina do Sul. Com o ataque japonês a Pearl Harbor, as coisas mudaram de figura, e Winters foi selecionado para a Escola de Aspirantes a Oficial em abril de 1942, e lá conheceu seu futuro colega de guerra Lewis Nixon. Comissionado 2º Tenente em julho, decidiu juntar-se à infantaria paraquedista, recebendo ordens para se apresentar ao 506º Regimento de Infantaria Paraquedista em Camp Toccoa, Georgia. Lá, Winters recebeu o comando do 2º Pelotão da Companhia E ("Easy Company"), e ganhou o respeito dos soldados devido à sua competência e espírito de liderança.

Chegando à Inglaterra em setembro de 1943 - já como parte da 101ª Divisão Aerotransportada - o 506º Regimento iniciou uma dura fase de treinamento em Wiltshire, que resultou no crescimento de tensões entre Winters e o comandante da Easy Company, Capitão Herbert Sobel. Winters duvidava da capacidade de Sobel de exercer liderança em situações de combate, e sua opinião era compartilhada por muitos sargentos da unidade. Após uma troca de acusações e um manifesto oficial dos sargentos, o comandante do 506º, Coronel Robert Sink, decidiu remover Sobel e substituí-lo pelo 1º Tenente Thomas Meehan III.

Durante os saltos noturnos que precederam o desembarque na Normandia, o avião que levava Meehan foi derrubado pela aertilharia antiaérea alemã, e Winters passou a atuar como comandante da Easy já no dia 6 de junho de 1944. Neste mesmo dia, ele liderou um ataque a uma bateria alemã de obuseiros 105 mm que atiravam sobre a praia de Utah. O exemplar assalto coordenado por Winters, conhecido como Ataque de Brécourt Manor, ainda é ensinado na academia de West Point como exemplo de ataque à posições fixas. Com apenas 13 homens, ele destruiu a posição inimiga, guardada por 50 soldados, e ainda capturou um mapa das defesas alemãs na área. Por esta ação ele foi condecorado pelo General Omar Bradley com a Distinguished Service Cross e promovido a Capitão.

"Dick" Winters durante o treinamento de paraquedismo em 1942

Em setembro, a 101ª tomou parte na Operação Market-Garden, saltando sobre a Holanda. Numa encruzilhada, os paraquedistas entraram sob fogo de metralhadora alemã. Winters fez um reconhecimento e chamou o restante de seu pelotão para auxiliar no ataque à posição defensiva alemã. Embora tenha estimado a defesa inimiga em cerca de 50 homens, na verdade Winters concluiu com sucesso um ataque a uma força de 300 soldados alemães. Pouco depois, ele foi promovido a Oficial Executivo do 2º Batalhão, e nessa posição tomou parte na defensiva da cidade de Bastogne, na Bélgica, durante a ofensiva alemã de dezembro de 1944. Segurando a cidade contra uma força alemã muito maior, a 101ª sofreu muitas baixas, mas resistiu por uma semana até a chegada das tropas do 3º Exército do General George Patton.

Em março de 1945, Winters recebeu o comando do 2º Batalhão, liderando-o por um período de relativa pouca atividade, desde o Reno até a Bavária no fim de abril. No começo de maio, ele recebeu a ordem de capturar Berchtesgaden, o retiro montanhês de Hitler. No dia 5, a Easy Company chegou ao Ninho da Águia, a casa construída para o Führer no topo das montanhas bávaras.

Após a guerra, Winters foi trabalhar com seu amigo Nixon até 1951, quando foi reconvocado para serviço ativo durante a Guerra da Coreia. Winters treinou oficiais por algum tempo, entrando para a reserva novamente em 1952. Casado e pai de dois filhos, ele abriu uma empresa de insumos agropecuários em Hershey, Pennsylvania, atuando como fornecedor por todo o estado. Em 1992, foi entrevistado pelo historiador Stephen Ambrose para seu livro "Band of Brothers: Easy Company, 506th Regiment, 101st Airborne from Normandy to Hitler's Eagle's Nest", que foi transformado pela HBO na mundialmente famosa minissérie "Band of Brothers" em 2001.

Winters interpretado pelo ator Damian Lewis na minissérie "Band of Brothers".



Apesar da saúde frágil de seus últimos anos, bem como uma dura batalha contra o Mal de Parkinson, Dick Winters continuou o quanto pôde a participar de eventos públicos, e recentemente uma campanha foi iniciada para construir uma estátua sua na Normandia. William "Wild Bill" Guarnere, que serviu sob o comando de Winters na Easy, disse: "Quando ele dizia 'vamos', ele estava bem na frente. Nunca ficava para trás. Era um líder personificado".

Desejando apenas uma cerimônia simples para a família e amigos, Dick Winters pediu que seu falecimento fosse mantido em segredo até que o enterro fosse realizado, o que aconteceu no dia 8 de janeiro de 2010. Winters deixa esposa (Ethel) e dois filhos (Tim e Jill).

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terça-feira, 11 de janeiro de 2011

OSPREY PUBLISHING LANÇA LIVRO SOBRE A FEB

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Uma boa surpresa da editora britânica Osprey Publishing para lançamento no mês de março de 2011 é "Brazilian Expeditionary Force in World War II", dos autores César Campiani Maximiano e Ricardo Bonalume Neto. Enquanto Maximiano é um versado historiador da FEB, tendo escrito quatro livros sobre o tema, Bonalume é jornalista especializado em temáticas militares.


O livro em si é uma obra inédita e há muito tempo necessária. Isso porque virtualmente não há literatura sobre a FEB em inglês, muito menos um livro conciso que lide especificamente com os aspectos militares do envolvimento brasileiro na Segunda Guerra Mundial. Este título tem tudo para - pelo menos começar a - preencher este vácuo. O ilustrador, Ramiro Bujeiro, é um colaborador constante da Osprey, e pode-se esperar bons resultados de seus desenhos (como já podemos notar pela capa).


O conteúdo do livro não discorre somente sobre nossa Divisão de Infantaria Expedicionária, mas também sobre o 1º Grupo de Caça e a 1ª Esquadrilha de Ligação e Observação, fazendo também um apanhado geral sobre a participação brasileira no conflito e a situação político-militar reinante na década de 1930. E claro, há também a seção de análise dos uniformes usados por nossos soldados.

Conforme já se tornou uma prática pela editora Osprey, o livro foi formulado depois de uma pesquisa de intenção de títulos, realizada pela internet em 2009, onde sagrou-se vencedor o tema FEB.

É aguardar para conferir ...


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IMAGEM DO DIA - 11/01/2011

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Soldado sérvio alimentando uma metralhadora durante a Guerra da Iugoslávia

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sábado, 8 de janeiro de 2011

OS TRÊS GRANDES E A CONFERÊNCIA DE TEERÃ

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Por Peter Philipp


Churchill e Roosevelt encontram-se com Stalin em 28 de novembro, em Teerã. É combinada uma coordenação dos ataques soviéticos à Alemanha nazista com o iminente desembarque dos aliados na Normandia. Joseph Stalin mantém os planos militares para expansão do comunismo em segredo e faz exigências que se confirmam no prosseguimento da 2ª Guerra Mundial.


O primeiro-ministro da Grã-Bretanha, Winston Churchill, e o presidente dos Estados Unidos, Franklin D. Roosevelt, já se haviam se encontrado no Cairo para falar sobre a 2ª Guerra Mundial e fazer planos para o futuro da Europa, da Turquia e do  Extremo Oriente.

Antes de tentarem em vão a adesão da Turquia à aliança ocidental contra a Alemanha nazista e de nomearem Dwight D. Eisenhower como comandante supremo da iminente invasão da Normandia, os dois deixaram a cidade às margens do Nilo e viajaram para Teerã. Lá, eles haviam marcado um encontro de três dias com o presidente da União Soviética, Joseph Stalin.


Novo papel para a União Soviética no pós-guerra

Churchill foi ao encontro do líder comunista com desconfiança, mas Roosevelt estava convencido de que eles teriam que se arranjar de alguma maneira com a União Soviética e que este país teria um papel importante na Europa e no mundo do pós-guerra. E isso deveria ocorrer no contexto de uma nova organização mundial, ambicionada por Roosevelt e muitos americanos e destinada a assumir as tarefas da comunidade internacional fracassada. Sem a União Soviética, tal organização seria ineficaz.

Os Estados Unidos e a Grã-Bretanha já estavam tentando há tempos deter as invasões alemãs. Roosevelt tinha consciência de que um futuro pacífico depois da Grande Guerra dependeria, decisivamente, das relações com a União Soviética.

Para Washington e Londres, esse futuro já estava traçado na mensagem de Roosevelt ao Congresso em 1941, na qual ele se referiu especialmente a quatro liberdades: de opinião, de religião e a libertação do medo e da miséria. As duas potências ocidentais declararam essas liberdades como metas de guerra em seu acordo conhecido como Carta do Atlântico e acrescentaram o direito à autodeterminação e rejeição de conquistas territoriais por meio de guerras.

Do ponto de vista de Roosevelt, o que fosse acertado entre os dois aliados atlânticos deveria servir de base para um tratado com a União Soviética e a China, pois só as quatro nações juntas poderiam assumir a responsabilidade para a preservação da paz no mundo.

Stalin, Churchill e Roosevelt: os três grandes em Teerã


Stalin faz reivindicações e esconde seus planos

Numa retrospectiva histórica, constata-se que essa era uma visão fantástica, idealista. Churchill e Roosevelt encontraram, em Teerã, um Stalin cordial. O chefe do Kremlin não tinha abandonado sua idéia de vitória do comunismo, mas sabia que o seu país precisava do apoio do Ocidente. A União Soviética tinha de suportar o maior fardo da guerra e para Stalin estava claro que isso iria afetar também o seu sonho de expansão do comunismo.

Em Teerã, combinou-se, em primeiro lugar, que Moscou deveria coordenar seus ataques contra a Alemanha com o iminente desembarque planejado pelos aliados ocidentais na Normandia. Mas Stalin também pôde fazer algumas exigências, indicando o que se confirmaria depois no decorrer da Guerra: ele reivindicou a Prússia Oriental e as fronteiras que foram asseguradas à União Soviética nos acordos com Berlim e Helsinque, em 1939 e 1940.

A idéia de uma organização não foi detalhada em Teerã. Nem houve acordo sobre o futuro da Polônia e, no que se referia ao Irã, a declaração conclusiva do encontro dos "Três Grandes" dizia que o país parcialmente ocupado receberia a sua independência de volta depois da Grande Guerra.

Há tempos que Stalin estava fazendo planos, em Moscou, para a divisão da Europa e a ampliação das fronteiras da União Soviética. Ele, porém, não revelou seus planos militares aos parceiros ocidentais.

O líder soviético mostrou-se ao mesmo tempo muito insatisfeito com o projeto de transformar a Alemanha e uma série de outros Estados da Europa Central e do Leste Europeu em nações agrícolas. Stalin viu no plano uma tentativa do Ocidente de frear a expansão da União Soviética e, em vez disso, defendeu uma balcanização do Leste Europeu e um enfraquecimento da França e da Itália.

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domingo, 2 de janeiro de 2011

IMAGEM DO DIA - 02/01/2011

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Por ocasião da Guerra dos Bôeres (1899), um esquadrão de cavalaria do 5º Regimento Real de Lanceiros Irlandeses durante uma patrulha

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MORRE GERALDINE DOYLE, ÍCONE DA MULHER TRABALHADORA DA 2ª GUERRA MUNDIAL

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CHICAGO (AFP) - Geraldine Doyle, conhecida em todo o mundo por sua imagem no cartaz que ilustrou o trabalho da mulher durante a Segunda Guerra Mundial, morreu no domingo passado, aos 86 anos, informou um funcionário do asilo onde vivia.


O cartaz mostrava 'Rosie, a rebitadora', uma operária de uma fábrica de Michigan com o braço forte mas um delicado cabelo envolto em um lenço vermelho e branco afirmando: "We can do it!" ("Podemos fazer isto!")

A mensagem se tornou um ícone do movimento feminista nos Estados Unidos durante anos.

Doyle não percebeu que era famosa até ver a reprodução do cartaz em uma revista em 1982.

"Olhe, sou eu!", reagiu a modelo, segundo sua filha.


O nome "Rosie, a rebitadora" se inspirou na música de 1942 que homenageava as mulheres que assumiram o controle das fábricas quando os homens partiram para a guerra.

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sábado, 1 de janeiro de 2011

PERSONAGENS DA HISTÓRIA MILITAR – FERNANDO II

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* 09/07/1578 – Graz, Áustria

+ 15/02/1637 – Viena, Áustria


No dia 9 de julho de 1578, nasceu o futuro imperador Fernando, na Áustria. Obstinado pelo catolicismo, acabou sendo um dos protagonistas da Guerra dos Trinta Anos, contra o soberano protestante Frederico V.

Natural de Graz, na Áustria, Fernando foi educado em um colégio jesuíta em Ingolstadt, no sul da Alemanha. Em 1617, tornou-se rei da Boêmia, e, no ano seguinte, da Hungria. Em 1619, sucedeu o imperador Matthias no Sacro Império Romano-Germânico.

Chamado "Imperador da Contra-Reforma", foi radical inimigo dos protestantes. Casou-se com Maria Ana da Baviera. Seu objetivo era impor o absolutismo católico romano em seus domínios.

No chamado Sacro Império Romano do Ocidente, um dos reis alemães era eleito pelos príncipes e bispos, sendo coroado pelo papa como Imperador da Cristandade. Todos os outros reis deviam respeitá-lo como tal. Mas, com a Reforma protestante, instalou-se um conflito entre os príncipes eleitores.

Na Boêmia, os grupos protestantes se rebelaram contra o imperador católico, construíram uma igreja evangélica num reduto católico e entronizaram o príncipe eleitor calvinista Frederico V, que estendia seu poder até o Palatinado e era o chefe da União Protestante contra os católicos.


Guerra dos Trinta Anos

Os principais adversários foram, do lado católico, Fernando II, e do lado protestante, Frederico V. O recém-coroado Fernando mandou as tropas de seu aliado, o duque Maximiliano da Baviera, para a Boêmia. Era a eclosão da Guerra dos Trinta Anos, a primeira grande guerra europeia. Na primeira batalha, Maximiliano conseguiu controlar os revoltosos rapidamente.

Frederico do Palatinado teve de fugir. Em Praga, o imperador vingou-se dos revoltosos com a execução pública de 27 nobres, líderes do levante. Para reprimir a insatisfação popular, enviou para a Boêmia tropas comandadas por Albrecht von Wallenstein, um comandante alemão sedento de guerra.

Na década de 1620, parecia que Wallenstein iria impor a paz na Boêmia, mas então outros países europeus entraram no conflito. Os holandeses invadiram a Renânia para enfrentar os exércitos da Espanha e dos Habsburgos, comandados pelo poderoso general Spinosa. Em 1626, uma força dinamarquesa comandada pelo monarca Cristiano IV invadiu a Alemanha pelo norte, para apoiar os protestantes.

Wallenstein ofereceu-se a Fernando II para expulsar os dinamarqueses com um exército organizado por conta própria – e teve sucesso. Como prêmio, tornou-se príncipe imperial. Em 1630, o exército do influente rei sueco Gustavo Adolfo II (1611–1632), protestante, invadiu o norte da Alemanha e avançou para a Renânia e Baviera no ano seguinte. As tropas comandadas por Fernando II conseguiram expulsá-lo.


Diplomacia

Os protestantes alemães procuraram soluções pacíficas para o conflito, o que culminou no  chamado Acordo de Paz de Praga, de 30 de maio de 1635. Esse acordo, porém, foi de pouca duração. A França e a Espanha intervieram, desencadeando mais uma série de lutas, que só terminaram em 1648, com a Paz de Vestfália, na qual foi reconhecida a liberdade religiosa dos calvinistas e dos demais protestantes.

Fernando II casou-se pela segunda vez com Eleonora Gonzaga de Mântua, em 1622, morrendo em Viena em 15 de fevereiro de 1637. Além das razões religiosas, entretanto, outros motivos haviam levado à guerra, inclusive disputas sucessórias e territoriais,  bem como questões comerciais.

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sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

FELIZ ANO NOVO !

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Dentro de algumas horas, um Ano Novo vai chegar a esta estação.

Se não puder ser o maquinista, seja o seu mais divertido passageiro.

Procure um lugar próximo à janela desfrute cada uma das paisagens que o tempo lhe oferecer, com o prazer de quem realiza a primeira viagem.

Não se assuste com os abismos, nem com as curvas que não lhe deixam ver os caminhos que estão por vir.

Procure curtir a viagem da vida, observando cada arbusto, cada riacho, beirais de estrada e tons mutantes de paisagem.

Desdobre o mapa e planeje roteiros.

Preste atenção em cada ponto de parada, e fique atento ao apito da partida.

E quando decidir descer na estação onde a esperança lhe acenou não hesite.

Desembarque nela os seus sonhos...

Desejamos que a sua  viagem pelos dias de 2011, seja de


PRIMEIRA CLASSE  ...

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IMAGEM DO DIA - 31/12/2010



Durante a Guerra Austro-prussiana de 1866, um batalhão de caçadores austríaco prepara-se para embarcar para o front na estação ferroviária ao norte de Viena

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ARMAS - FUZIL CHASSEPOT

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O Chassepot, oficialmente conhecido como o Fuzil modèle 1866, era um fuzil de repetição de ferrolho, famoso por ser a arma empregada pelas tropas francesas durante a Guerra Franco-Prusiana. Substituiu a uma grande variedade de fuzis de antecarga Minié, muitos dos quais tinham sido modificados como fuzis de retrocarga em 1867 (Fuzil Tabatière). Sendo uma grande melhora com respeito aos fuzis militares existentes em 1866, o Chassepot marcou o início de era dos fuzis de ferrolho. A partir de 1874, o fuzil foi modificado com facilidade para empregar cartuchos metálicos - com a denominação de Fuzil Gras.

Antoine Alphonse Chassepot

O fuzil era fabricado pela Manufacture d'Armes de St. Etienne (MAS), Manufacture d'Armes de Châtellerault (MAC) and Manufacture d'Armes de Tulle (MAT). Vários destes fuzis foram fabricados sob licença na Inglaterra (Potts and Hunt), Bélgica (diversas empresas de Lieja), bem como em Placentia e Brescia (posteriormente Itália). O número aproximado de fuzis Chassepot disponíveis para o Exército francês em 1870, era de 1.200.000 unidades. A fabricação do Chassepot foi cancelada em fevereiro de 1875, quatro anos após o final da Guerra Franco-Prusiana.

O Chassepot foi chamado assim em homenagem a seu inventor, Antoine Alphonse Chassepot (1833-1905) que, desde 1857, tinha construído vários modelos experimentais de fuzis de retrocarga. O desenvolvimento da Guerra de Secessão norte-americana ou as mais próximas de Prússia contra a Dinamarca ou contra Áustria demonstrou claramente a superioridade das armas de retrocarga com cartuchos integrais (que incluem o fulminante). Baseando no sistema de agulha e cartucho combustível do fuzil Dreyse, este desenvolveu seu próprio fuzil.

Em uma competição contra os sistemas Fave e Plumere, realizada em 11 de julho de 1866 no campo de Châlons sul Marne, o sistema de Chassepot saiu-se vencedor. No mês seguinte obteve a patente francesa pela invenção de um "fuzil de agulha do chamado sistema Chassepot". Prevendo o sucesso de seu sistema, registou também patentes na Bélgica, Espanha e Estados Unidos.

Mecanismo de disparo do fuzil Chassepot


Em combate

Adotado para o serviço em momentos em que tinha lugar um intenso debate, a raiz do sucesso obtido pelo fuzil prusiano Dreyse na Batalha de Sadowa (3 de julho de 1866), no ano seguinte o Chassepot foi empregado em combate pela primeira vez, na batalha de Mentana. As tropas francesas equipadas com Chassepots derrotaram as forças dirigidas por Giuseppe Garibaldi devido ao maior alcance e velocidade de disparo de seus fuzis, com respeito às obsoletas armas de antecarga dos garibaldinos. O relatório enviado ao Parlamento francês mencionava que "Lhes Chassepots ont fait merveille!", em uma tradução livre: "os Chassepots fizeram maravilhas!". A verdade era que as pesadas balas cilíndricas de chumbo disparadas a grande velocidade pelo fuzil Chassepot produziam feridas bem mais graves do que as produzidas pelo fuzil Minié.

O fuzil foi utilizado pelo exército francês pouco depois de terminada a segunda intervenção francesa no México (1862-1867) e durante a Guerra Franco-Prusiana (1870-1871), bem como em diversos conflitos coloniais contemporâneos.

Na Guerra Franco-Prusiana, o Chassepot demonstrou ser superior ao fuzil alemão Dreyse ao dobrar o alcance deste último. Apesar de ser de um calibre inferior (11 mm diante de 15,4 mm do fuzil alemão), o cartucho do Chassepot tinha maior quantidade de pólvora e, portanto, maior velocidade inicial (33% superior à do Dreyse), obtendo uma trajetória mais estável e um maior alcance (próximo aos 1.300 metros). Graças ao comprimento do cano, conseguia uma precisão e penetração superiores. Os Chassepots foram responsáveis pela maior parte das baixas prusianas durante este conflito.

Atirador francês armado com fuzil Chassepot durante a Guerra Franco-Prussiana


O fuzil Chassepot foi substituído no Exército Francês, a partir de 1874, pelo fuzil Gras, que empregava um cartucho metálico. Muitos dos Chassepots foram modificados para usar este cartucho (Fuzil modelo 1866/74). Também foi usado pelo Exército peruano e o pelo Exército boliviano na Guerra do Pacífico (1879-1884).


No Brasil

O Brasil chegou a estudar a sua adoção para a guerra do Paraguai, sendo ela uma das armas que passaram pelos testes competitivos que foram feitos a partir de 1868. Não foi a escolhida, contudo, a Roberts sendo adotada para testes em grande escala.

Apesar disso, em 1872, o Império se viu frente à uma nova ameaça de guerra no Sul, em torno das excessivas reivindicações territoriais feitas pela Argentina após a derrota do Paraguai (ela pedia cerca de 50% do território do inimigo derrotado, o que não era aceitável para o Império).

Como uma forma de enfrentar a ameaça de conflito, o ministro da Guerra informou no relatório daquele ano, que o governo tinha adquirido 8.631 "espingardas Chassepot, que foram compradas por motivos que não são desconhecidos, e porque era a única espécie de arma moderna de que havia provisão nos mercados da Europa".

Essas armas, entretanto, nunca foram distribuídas oficialmente ao Exército, apesar da Comissão de Melhoramentos ter preparado e mandado publicar uma edição de 3.000 exemplares de um manual dela. Não havia razões de repassá-las para a tropa, quando já havia a decisão de compra das Comblain.



Características


Peso - 4,63 kg
Comprimento - 1,30 m (sem baioneta); 1,88 m (com baioneta)
Munição - Cartucho de papel 11 mm Chassepot
Calibre - 11 mm
Funcionamento - Repetição
Alcance útil - 1.200 a 1.300 m

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domingo, 26 de dezembro de 2010

IMAGEM DO DIA - 26/12/2010

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Durante a Guerra Civil Espanhola, um bombardeiro Savoia-Marchetti SM-81nacionalista lança suas bombas sobre os subúrbios de Madri

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PERSONAGENS DA HISTÓRIA MILITAR - GENERAL POLIDORO

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* 02/11/1800? - São Miguel da Terra Firme-SC

+ 13/01/1879 – Rio de Janeiro-RJ


Filho do Coronel João Florêncio Jordão, Polidoro da Fonseca Quintanilha Jordão nasceu em São Miguel da Terra Firme, Santa Catarina, no dia 2 de novembro de 1800. Após concluir o curso de humanidades, assentou praça em 7 de fevereiro de 1824, como Cadete da Escola Militar. Promovido ao posto de alferes em 1824, tenente em 1825 e capitão em 1827, integrou o Imperial Corpo de Engenheiros na Guerra dos Farrapos, sob as ordens do então Barão de Caxias. Como capitão do 1° Corpo de Artilharia de Posição, foi nomeado juiz de uma comissão, formada em 1831, para examinar os estrangeiros no Exército e na Armada que não haviam aderido à nacionalidade brasileira.

Foi promovido ao posto de major em julho de 1837, tenente-coronel em 1841 e coronel em 1851. Neste último ano, o Coronel Polidoro teve atuação notável na implantação do telégrafo no País.


Na Guerra da Tríplice-Aliança

Em 1856, foi promovido a Brigadeiro, tendo ocupado a Pasta da Guerra em 1862, no Gabinete do Marquês de Olinda. Quando irrompeu a Guerra da Tríplice-Aliança, foi solicitada pelo general Osório, comandante-chefe do Exército Imperial no Teatro de Operações, a nomeação de um oficial de confiança que pudesse substituí-lo em seus impedimentos. Foi então o General Polidoro nomeado pelo governo, não somente para os impedimentos de Osório, mas também para substituir o visconde de Porto Alegre no comando do 2° Corpo de Exército.

Tão logo chegou ao Paraguai, com o aumento dos padecimentos do General Osório em decorrência de ferimento recebido, assumiu o comando do 1° Corpo, iniciando seus trabalhos por ocasião da Batalha de Curupaití, onde as forças sob seu comando enfrentaram com heroísmo a metralha do inimigo acorbertado por entricheiramentos inacessíveis.

Após a guerra foi, por muitos anos, diretor da Escola Militar do Rio de Janeiro.


Homenagens

Polidoro recebeu do Imperador Pedro II o título nobiliárquico de Visconde de Santa Teresa. Foi condecorado com a grã-cruz da Imperial Ordem de São Bento de Avis, dignitário da Ordem do Cruzeiro, comendador da Imperial Ordem da Rosa, com as medalhas do Mérito e Bravura Militar e a da Guerra do Paraguai.

Fachada do 13º Grupo de Artilharia de Campanha, Grupo General Polidoro


Seu nome foi dado à antiga rua Berquó, no bairro carioca de Botafogo, uma das mais tradicionais da cidade do Rio de Janeiro, em memória a seus serviços prestados, em sessão da câmara municipal.

Por intermédio da Portaria Ministerial nº 283, de 15 de março de 1995, o 13º Grupo de Artilharia de Campanha do Exército Brasileiro, com sede em Cachoeira do Sul-RS, recebeu a designação histórica de Grupo General Polidoro.

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sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

MURALHA DA CHINA PODE SER MAIOR DO QUE SE IMAGINAVA

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A Grande Muralha da China pode ser ainda maior do que se pensava, indica a primeira pesquisa detalhada a estabelecer o comprimento do monumento histórico.

Depois de dois anos, a pesquisa concluiu que a Grande Muralha tem 8.850 quilômetros de comprimento. Até agora, acreditava-se que o comprimento da muralha era de 5 mil quilômetros.  As medições anteriores eram baseadas principalmente em registros históricos.

O novo estudo, conduzido pela Administração Estatal de Patrimônio Cultural e pela Administração Estatal de Topografia e Cartografia, usou tecnologias de GPS e infravermelho para localizar algumas áreas que haviam sido ocultadas ao longo do tempo pela ação de tempestades de areia, informou a agência estatal chinesa.




De acordo com as novas descobertas, as seções da muralha somam 6.259 quilômetros, além de outros 359 quilômetros de trincheiras e 2.232 quilômetros de barreiras defensivas naturais, como montes e rios.


Dinastia Ming

Especialistas afirmam que as partes recém-descobertas da muralha foram construídas durante a Dinastia Ming, que reinou na China de 1368 a 1644.

As pesquisas deverão prosseguir por mais 18 meses e mapear seções da muralha construídas durante as dinastias Qin (221 a 206 a. C.) e Han (206 a. C. a 94 d. C.).

Criada para proteger a fronteira norte do império chinês, a Grande Muralha da China é, na verdade, uma série de muralhas cuja construção começou no século 5 a. C. e que foram unidas pela primeira vez no reinado de Qin Shi Huang, por volta de 220 a. C.

O monumento foi declarado patrimônio mundial pela Unesco em 1987.

Fonte: BBC


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quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

IMAGEM DO DIA - 22/12/2010

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Durante a Revolução Constitucionalista de 1932, visando a superar o bloqueio imposto pelo Governo Provisório, os paulistas converteram parte de seu parque industrial para a produção bélica, além de oficinas menores.  Na imagem, crianças e adolescentes fabricando capacetes de aço - modelo Tommy - para equipar as unidades de voluntários paulistas.

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DEZ BATALHAS EM JERUSALÉM

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Jerusalém é uma cidade sagrada para três religiões monoteístas e um dos mais antigos campos de batalha do mundo. A seguir, listamos dez das mais importantes batalhas ocorridas em Jerusalém, desde a Antiguidade até os dias recentes:


1) Em 1000 a.C. Jerusalém limitava-se a apenas uma colina, ao sul da cidade atual. O rei judeu Davi tomou a cidade dos cananeus infiltrando tropas pelo túnel de Warren, utilizado para captar água da fonte de Giom.


2) Graças ao reservatório conhecido como tanque de Siloé, que recebia água por um túnel subterrâneo, Jerusalém resistiu ao assédio do rei assírio Senaqueribe, em 701 a.C.


3) Os babilônios invadem a cidade pelo norte, seu lado mais vulnerável, e destroem o templo judaico.


4) Em 164 a.C. os judeus rebelam-se contra os helenistas e tomam o templo, mas foi só em 114 a.C. que conseguem tomar a fortaleza de Akra, construída perto do templo e hoje em lugar ignorado.

Cerco romano a Jerusalém no ano 70

5) Tropas romanas capturam a fortaleza Antônia e penetram na cidade por brechas em outras partes da muralha em 70. Tem início a diáspora judaica.


6) Cruzados capturam Jerusalém em 1099, atacando com torres de assalto em três pontos das muralhas. Tancredo de Hauteville ataca a noroeste, na direção da basílica do Santo Sepulcro. Godofredo de Bouillon ataca a porta de Herodes ao norte e Raimundo de Toulouse ataca ao sul, sem sucesso, a porta de Sião. As tropas de Bouillon entram na cidade e abrem por dentro a porta dos leões para o resto dos invasores.


7) O sultão Saladino obriga a rendição de Jerusalém. As forças muçulmanas avançam pelo lado norte, mais vulnerável.


8) Durante a 1ª Guerra Mundial, em 1917, após derrotar os turcos, o general britânico Edmund Allenby entra na cidade a pé pela porta de Jafa.


9) Na 1ª Guerra Árabe-israelense (1948-1949), os jordanianos da Legião Árabe capturam a Cidade Velha, mais uma vez, avançando pelo norte.


Tropas israelenses entrando na Cidade Velha em 1967

10) Em 7 de junho de 1967, durante a Guerra dos Seis Dias, paraquedistas israelenses retomam a Cidade Velha, penetrando principalmente pela porta dos Leões.

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NOTÍCIAS DO FRONT

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Sai em livro a compilação do jornal da FEB na 2ª Guerra Mundial. Mesmo oficial, a história é comovente


Por DudaTeixeira


“Mestre Pracinha é um fantasma branco na paisagem branca. Só destoa o que aparece da sua cara, morena, mas não é muito. Um dizia para o companheiro, seu colega de patrulha: ‘Oh negro, você está se esquecendo do alvaiade [tinta branca] (...). É para passar na cara. Com esse focinho preto, o tedesco te manja de longe e atira’”.


O trecho, que descreve a angústia dos soldados brasileiros tentando manter-se camuflados em meio à neve nos Apeninos sob o fogo das baterias nazistas, é de autoria de Rubem Braga, correspondente do Diário Carioca na Itália, durante a 2ª Guerra Mundial. “Tedesco” é como se chamava o idioma germânico em português e, em italiano, é alemão. Braga usa o termo já popularizado entre os “pracinhas”, os soldados da Força Expedicionária Brasileira (FEB), que entre julho de 1944 e maio de 1945 lutaram ao lado dos americanos contra as tropas fascistas de Hitler e, por algum tempo, de Mussolini.

Tedesco como sinônimo de alemão, não se sabe a razão, só aparece hoje em crônicas esportivas, em referência à seleção de futebol alemã. Já “oh negro” não é mais aceitável como tratamento. Nas fileiras da FEB eram absolutamente corriqueiros. O temor ali não era ofender com epítetos racistas o colega de trincheira, o temor era se destacar como alvo na neve branca.

A história da FEB, composta de 15.000 combatentes na linha de frente, dos quais 500 morreram, teve sua versão oficial contada nas páginas de O Cruzeiro do Sul. O jornal tinha quatro páginas e circulou entre os brasileiros na Itália durante cinco meses, duas vezes por semana. Produzido pelos próprios militares e impresso em uma gráfica em Florença, com tiragem de 5.000 exemplares, O Cruzeiro do Sul não tinha outra ambição que não a de manter a soldadesca informada sobre coisas corriqueiras do Brasil (compra e venda de jogadores de futebol) e do que o alto-comando achava que eles poderiam saber sobre o andamento da guerra. Quando sobrava um espaço em branco nas páginas do jornal, os editores punham sempre o mesmo anúncio: “cuidado com os espiões”. A advertência significava evitar correr atrás das mulheres italianas e não conversar com os rapazes. “Em boca fechada não entra mosca... nem bala”.

Finda a guerra, exemplares esparsos do jornal foram preservados em bibliotecas, mas nenhuma delas chegou a ter a coleção completa. É justamente isso, os 34 exemplares, a coleção completa, que foi tirado do fundo do armário pelo coronel Roberto Mascarenhas, neto do marechal João Baptista Mascarenhas de Moraes, comandante da FEB. As páginas foram copiadas e reunidas no recém-lançado livro O Cruzeiro do Sul. Há relatos escritos por diversos soldados – um poema lamenta a recusa das italianas em ceder aos encantos dos pracinhas -, cartas familiares e textos dos correspondentes de guerra integrados à FEB. Além de Rubem Braga, O Cruzeiro do Sul teve como colaboradores os correspondentes de guerra Joel Silveira, de O Jornal, e Francis Hallawell, da BBC. Jornalistas no front usavam farda e desfrutavam os privilégios inerentes à patente de capitão, entre eles o direito de frequentar cassino dos oficiais e compartilhar com eles os alojamentos.

Eles podiam falar de tudo, desde que fossem patriotas. Do contrário, seriam acusados de favorecer o inimigo”, diz o historiador José Murilo de Carvalho. Essa limitação não torna O Cruzeiro do Sul menos relevante como um registro delicioso da participação heroica dos voluntários brasileiros na Itália.


Fonte: Revista Veja

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sábado, 11 de dezembro de 2010

IMAGEM DO DIA - 11/12/2010

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Durante a Guerra Ítalo-turca (1911-1912), tropas italianas marcham em direção a Trípoli


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RESENHA - THE PACIFIC



The Pacific (EUA, 2010, HBO)


Ao voltar para casa depois de quatro anos lutando contra os japoneses, o americano Robert Leckie (James Badge Dale) é tratado com desdém por um motorista que também combateu na 2ª Guerra – só que no front europeu: “enquanto estive em Londres e em Paris, você foi mais um soldado raso que viu apenas a selva e a malária”, dispara ele.



A cena do décimo e último episódio da série da HBO contém uma ironia amarga, pois, depois do que se viu nos 500 minutos anteriores, a última conclusão possível é que Leckie e seus colegas – baseados em figuras reais – viveram situações extremas, talvez sem par na história das guerras.

Produzida por Steven Spielberg e Tom Hanks, The Pacific consegue ser ainda mais bem sucedido do que o retrato do conflito na Europa fornecido pela dupla em Band of Brothers (2001), tanto no exame do impacto da guerra sobre os combatentes quanto na reconstituição das operações militares.

O box de DVD traz bons atrativos. Uma ótima pedida é começar pelos extras – nos quais se inclui um documentário que elucida como as diferenças culturais dificultavam o combate com os japoneses.

Fonte: Veja


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quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

DOSSIÊ 80 ANOS DA REVOLUÇÃO DE 1930




Está disponível no portal do CPDOC da Fundação Getúlio Vargas um dossiê comemorativo dos 80 anos da Revolução de 1930. Faz parte do dossiê uma entrevista inédita com o historiador Boris Fausto, que faz um balanço de seu livro “A Revolução de 1930”, passados 40 anos de sua primeira edição.


Confira no portal do CPDOC/FGV: http://cpdoc.fgv.br/revolucao1930
 
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DOCUMENTO - RELATÓRIO DA PRIMEIRA EXPEDIÇÃO CONTRA O ARRAIAL DE CANUDOS

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Relatório do Tenente Pires Ferreira,
Comandante da 1a Expedição Contra Canudos


"Combate de Uauá – Logo que chegamos ao arraial, no dia dezenove, mandei estabelecer o serviço de segurança, postando guardas avançadas nas quatro estradas que ali conduzem em distancia conveniente, afim de evitar qualquer surpreza; nomeei o pessoal de ronda, e conservei toda a força no acantonamento. O dia vinte passou-se sem nenhum incidente notavel, a não ser o abandona do arraial à noite, e furtivamente, por quase todos os habitantes. Das informações que colhi consta que assim procederam com receio da gente do Antonio Conselheiro. Inclino-me, porém, a crer que se achavam mancommunados com esta para atraiçoarem a força publica, como o fizeram, pois que até os poucos que ficaram no arraial não foram offendidos pelos bandidos, e garantiram-me antes do combate que ali não havia fanaticos, nem adeptos do Antonio Conselheiro; que este e o seu povo se achavam em Canudos, de onde não sahiriam, não obstante terem elles a certeza quando isso me affirmaram de que os mencionados bandidos se achavam a quatro léguas de distancia, dirigidos por Quimquim Coyam, e viram atacar a força na madrugada do dia immediato.

A’s cinco horas da manhã do dia vinte e um, fomos surprehendidos por um tiroteio partido da guarda avançada, colocada na estrada que vae ter a Canudos. Esta guarda, tendo sido atacada por uma multidão enorme de bandidos fanaticos, reistiu-lhes denodamente, fazendo fogo em retirada. Por essa occasião o soldado da segunda companhia Theotonio Pereira Bacellar, que por se achar muito estropeado não poude acomlpanhar, a guarda foi degolado por um bandido. Immediatamente, dispuz a força para a defensiva, fazendo collocar em distancia conveniente do acantonamento uma linha de atiradores, que causou logo enormes claros nas fileiras dos bandidos. Estes, não obstante, avançaram sempre, fazendo fogo, aos gritos de viva o nosso Bom Jesus! Viva o nosso Conselheiro! Viva a monarchia! etc., etc., etc, chegando até alguns a tentarem cortar a facão os nossos soldados. Um delles trazia alçada uma grande cruz de madeira, e muitos outros traziam imagens de sanctos em vultos. Avançaram e brigaram com incrivel ferocidade, servindo-se de apitos para execução de seus movimentos e manobras. Pelo grande numero que apresentaram foram por algumas praças calculados em tros mil! Há, porém, nisso exagero, proveniente de erro de apreciação; seriam uns quinhentos, mais ou menos, os que nos atacara, divididos em varios grupos, que procuravam envolver a nossa força e apoderar-se do arraial, o que não conseguiram devido às energicas providencias que tomei, effecazmente auxiliado pelos officiaes e a disciplina das praças. Conseguiu, entretanto, grande numero delles, apoderar-se de algumas casas abandonadas, que se achavam desguarnecidas por insufficiencia da força e de onde nos fizeram algum mal, mas, sendo necessario incendiar as dictas casas, afim de desalogja-los, o que conseguimos depois de alguma trabalho.

Chegados a esta phase do combate, depois de mais de quatro horas de luta, conhecendo que elles já se achavam desmoralizados, pela dificuldade com que respondiam, ao nosso fogo, e porque já tentavam fugir, passei a tomar a offensiva, e fiz perseguil-os até meia legua de distancia, morrendo muitos delles nessa occasião, e ficando o resto completamente desbaratado. Não levei mais longe a perseguição e mandei toca a retirar, por constar-me, achar-se um grande reforço delles um pouco adiante, e por estar a nossa gente cançada e sem alimentar-se desde a véspera. Além disso cumpria-me reunir os elementos que me restavam, afim de resistir a uma nova aggressão que porventura se desse. Seria pouco mais ou menos meio dia, quando terminou essa luta, com o regresso de nossas praças ao acantonamento, sem que durante a perseguição tivesse soffrido prejuízo algum. Na phase mais aguda do combate, houve fogo incessante e renhido de parte à parte, durante mais de quatro horas. Todos os officiaes, inferiores e praças portarem-se nessa emergência com um heroísmo e uma disciplina sem par, o que muito concorreu para seu bom exito, faltando-me palavras com que possa exprimir o procedimento nobre, correcto e enthusiasmador de que deram exhuberantes provas, honrando assim a corporação a que pertencemos.

Os inimigos deixaram no campo e dentro das casas que occupavam mais de cento e cincoenta cadaveres, sendo incalculavel o numero de feridos que tiveram e dos que foram morrer pela estrada, ou dentro das catingas. As nossas perdas foram aliás insignificantes quanto ao numero, sendo, porém, dolorosamente sensíveis e lamentaveis, por terem sido victimados pelas balas dos bandidos o distincto e temerario alferes Carlos Augusto Coelho dos Santos, o bom e destemido segundo sargento Hemeterio Pereira dos Santos Bahia, os valorosos cabo de esquadra Manoel Francisco de Souza, anspeçada Antonio Joaquim do Bomfim, soldados Herculano Ferreira de Araujo, Victorino José dos Santos e João Chrysostomo de Abreu, além do já mencionado Bacellar, que foi degollado no começo da ação, tendo sido assim a primeira victima. Ficaram feridos: gravemente - cabos de esquadra Cesario João dos Santos, Manoel Antonio do Nascimento, Pedro Leão Mendes de Aguiar, anspeçadas Tiburtino de Oliveira Lima, Minervino Bello da Cruz, soldados José Antonio Moreira, Casemiro de Freitas Passos, João Ferreira de Pinho e Virgilio Manoel dos Reis; levemente - cabos de esquadra Athanazio Felix de Sant'Anna e Salustiano Alves de Oliveira, anspeçadas João Evangelista de Lima e Raphael Pereira Cardoso, soldados - Antonio Bispo de Oliveira e Feliciano José dos Santos. Faleceram, tambem na luta, os paisanos Pedro Francisco de Moraes e seu filho João Baptista de Moraes, que nos serviam de guias, e que se portaram com galhardia na ocasião do combate, juntando-se à força e enfrentando os bandidos. Eram ambos casados e deixaram familia sem recursos. Perdemos, portanto, um oficial, um inferior, um cabo de esquadra, um anspeçada e quatro soldados, que com os dois paisanos guias dão um total de dez homens mortos no referido combate. Me cumpre ainda notar que alguns casos de morte se deram por excessos de bravura, praticados pelas victimas que se expunham sem necessidade ás balas do inimigo. Os cadaveres do official e das praças foram cuidadosamente sepultados na capella do arraial, os dos bandidos ficaram insepultos por não dispormos de tempo, pessoal, nem dos instrumentos necessarios para o enterramento delles. Fomos forçados a retirar para Joaseiro, na tarde do mesmo dia do combate, não só para evitar o mal que poderia advir da decomposição de tantos corpos, como tambem pela falta de viveres e outros recursos em Uauá.

Os bandidos estavam armados em grande parte com carabinas Comblain e Chuchu, outros tinham bacamartes, garruchas e pistolas, e quasi todos traziam, além das armas de fogo, grandes facões, foices e machados. O dr. Antonio Alves dos Sanctos, medico adjunto do exercito, que acompanhou a força, prestou -reas serviços durante o combate, tratando as praças feridas com interresse e desvelo, mostrando-se na altura da humanitaria missão que lhe fôra confiada; tendo, porém, depois de terminada a luta apresentado symptomas de desaranjo mental, entreguei os feridos logo que cheguei ao Joaseiro aos cuidados do facultativo civil dr. Antonio Rodrigues da Cunha Melo, que se encarregou do tratamento, fazendo-o com dedicação, solicitude e interesse, operando até algumas praças, no que foi auxiliado pelo cirurgião dentista Brigido Pimentel, que muito se prestou durante alguns dias com incansavel zelo.

ARMAMENTO - O fuzil Mannlicher, de que se acha ainda armado o batalhão, comquanto seja de repetição e de grande alcance, com seu projectil dotado de uma força de penetração extraordinaria, e dando ao tiro uma justeza admiravel, comtudo não compensa com essas bôas qualidades, alliadas a muitas outras que possui, o prejuizo resultante da extrema delicadeza de seu mecanismo que facilmente se estraga, ficando o fuzil reduzido a simples arma branca, quando adaptado no extremo do cano o componente sabre-punhal. Basta um pouco de poeira ou um simples grão de areia, introduzido na camara, para que não possa o ferrolho funccionar. Acontece, além disso, que com o fogo um pouco prolongado os carregadores não podem entrar no deposito com o numero de cartuchos regulamentar, dilata-se o aço do cano que, aumentado de diametro, difficulta a introducção dos cartuchos para o tiro simples, não podendo a arma funccionar como as de repetição. Dahi um grande numero de armas incapazes para o seu mister na ocasião opportuna, como aconteceu no combate em que tive de tomal-as das mãos das praças, afim de ver si conseguia fazel-as funccionar, sendo infructiferos todos os esforços nesse sentido. Mesmo em muitas das armas que funccionavam, o extractor, peça de grande delicadeza, perdia a necessaria justeza e enfraquacia a móla, deixava de extrahir o cartucho, que tinha de ser extraido á mão, o que prejudicou a rapidez do tiro. Esse armamento não convém ao nosso exercito, por não dispor ainda este de meios de transporte facil, rapido e commodo, de que dispoem os exercitos europeus; não merece a confiança dos officiaes, nem das praças que delles se utilizam, por não poderem contar, com segurança, com seus bons effeitos numa emergencia qualquer. Não obstante os assiduos cuidados que tive pela boa conservação do armamento das praças, pois que como é intuitivo do estado delle dependeria, em grande parte, em uma dada circumstancia, a victoria ou derrota de nossa força, ainda assim tive o desprazer de observar o que venham de referir. Durante o combate muitas armas flcaram tambem inutilizadas por outros motivos, umas perderam os respectivos ferrolhos que saltaram com a violencia do choque na defesa á arma branca, outras tiveram as coronhas partidas a talho de fação ou por balas; algumas ficaram com a camisa do cano inutilisada por bala, muitas seus sabres punhais, e ainda outras com os depositos arrebentados. A poeira e as escabrosidades das estradas, o calor de um sol abrasador e insupportavel, as condições em que foram feitas as marchas, sem commodidade de ordem alguma, tudo isso, frustrando os meus previdentes cuidados, deram o resultado acima apontado. Acontece ainda que essas armas que serviram na campanha de S. Paulo e Paraná, em mil oitocentos e noventa e quatro, já se achavam bastante usadas, tendo a mór parte dellas soffrido concertos. Outras fossem as condições de resistencia e solidez de seu mecanismo, e melhor teria sido o resultado obtido na luta.

FARDAMENTO - O das praças que compuzeram a força de meu commando ficou bastante estragado, em estado mesmo de não poder continuar a servir, devido a acção dos raios solares, da chuva e da poeira, e ainda do uso constante que delle fizeram, por necessidade, pois que não só marchavam, como dormiam com elle, á noite, sobre o solo nú e barrento das estradas, pela falta de barracas; e também pela necessidade de conservar-se a força sempre em armas em sitios cuja topographia nos era desconhecida, e onde não podiamos fiar em informações adrede preparadas, com o intuito de nos illudir. Muitas praça tiveram ainda algumas peças de seus uniformes, perdidas por completamente inutilizadas, como fossem tunicas de flanella cinzenta e calça de panno garance, rasgadas pelos galhos das arvores e espinhos das picadas, estrada, etc. Algumas perderam na marcha as gravatas de couro, ourtas tiveram no combate os gorros e os capotes crivados de balas ou cutilados a facão, em farrapos e ensanguentados. Ainda outros perderam os gôrros, levados pelas balas. O calçado incapaz de resistir a uma marcha tão longa, e por tão maus caminhos, estragou-se, ficando um grande numero de praças descalças.

DICIPLINA - Foi mantida em toda sua plenitude, sem que tivessem havido, infracção alguma digna de nota, durante todo o periodo de meu commando.

Quartel da Palma, na Bahia, 10 de dezembro de 1896
(a) Manuel da Silva Pires Ferreira, tenente"

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Fonte: Memória Lida no Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, por Aristides Augusto Milton, 1ª edição: Rio de Janeiro, Imprensa Nacional, 1902, 145 p.



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SUBMARINO BRITÂNICO DA 2a GUERRA MUNDIAL SERÁ RESTAURADO

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O trabalho para restaurar a embarcação, que é o único submarino britânico da 2a Guerra Mundial que resta, deve começar em maio de 2011, no custo estimado de £7 milhões. Será a maior restauração do HMS Alliance desde a década de 1960.

O HMS Alliance ainda navegando na década de 1960.  Podia disparar dez torpedos de 21 libras

Sob os novos planos, o projeto inclui novas instalações elétricas e mecânicas para ajudar a conservar o submarino, além da construção de uma doca seca. E como parte dos melhoramentos, o diretor do Real Museu de Submarinos de Gosport, Bob Mealings, disse que quer fazer o máximo para atingir a comunidade.

Estamos entusiasmados que os planos para o Projeto de Conservação do Alliance tenham sido aprovados tão facilmente. É uma prova de que a comunidade valoriza seus artefatos históricos e vê os benefícios que a restauração do Alliance pode trazer”, disse ele. “O Alliance é a peça mais importante por aqui. É a jóia da coroa do museu. Sem ele, simplesmente não há museu”.

Até agora, £4,9 milhões já foram levantados. O museu quer conseguir o dinheiro que falta até o começo do próximo ano para que o trabalho possa prosseguir no calendário. O submarino está desesperadamente precisando de reparos após preocupações serem levantadas de que partes da estrutura possam cair no mar. O projeto irá interromper a deterioração do submarino e melhorar os acessos de visitantes ao museu.


O submarino HMS Alliance atualmente no Real Museu de Submarinos de Gosport

Também haverá um novo conjunto de escadas montado na proa, uma nova plataforma de visitação e novos pontões. “Temos recolhido fundos por um ano, e estou confiante que podemos conseguir o resto do dinheiro”, acrescentou Mealings. Este é o maior projeto de restauração desde que ele chegou aqui em 1981 e é sua maior restauração desde os anos 1960. Enquanto o trabalho acontecer, o museu ficará sempre aberto”.


Fonte: The Portsmouth News
 
 
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