"No próprio dia da batalha, as verdades podem ser pinçadas em toda a sua nudez, perguntando apenas;
porém, na manhã seguinte, elas já terão começado a trajar seus uniformes."

(Sir Ian Hamilton)



sábado, 4 de setembro de 2010

FORTALEZA DE N.S. DOS PRAZERES - ILHA DO MEL


A Fortaleza de Nossa Senhora dos Prazeres de Paranaguá, também referida como Fortaleza da Barra ou Fortaleza de Paranaguá, localiza-se na praia da Fortaleza, no sopé do morro da Baleia (hoje da Fortaleza), na ilha do Mel, litoral do estado do Paraná, no Brasil.

Portão principal da Fortaleza da Ilha do Mel

Nas primeiras décadas do Século XVIII eram grandes as preocupações com a segurança de Paranaguá contra os ataques de navios piratas franceses, ingleses e espanhóis que infestavam os mares aprisionando embarcações carregadas de ouro e prata, bem como pilhando e destruindo as povoações costeiras.

Apesar de Paranaguá não ter despertado maior interesse por parte dos piratas, os corsários aportavam apenas para refrescar-se de suas longas viagens e abastecer-se de água e alimentos sem cometer nenhum ato de pirataria.

Mesmo assim o povo vivia aflito e com medo, na expectativa de ataques de surpresa.

A inquietação dominou o povoado quando da presença de um navio pirata francês, comandado pelo Capitão Bolorot, o qual adeentrou a baia em direção à vila, perseguindo um galeão espanhol carregado de prata. Como anoitecia, o pirata ancorou na enseada da ilha da Cotinga. A população amedrontada implorava o auxílio e proteção da padroeira Nossa Senhora do Rosário, com rezas e procissões, enquanto uma forte tempestade lançava o navio pirata contra rochedos próximos da Cotinga afundando-o.

Este episódio foi decisivo.

A construção de fortificações se tornara uma necessidade para a defesa do porto e da vila. Inicialmente o governo português providenciou para que se colocasse duas roqueiras (antigo canhão de ferro que atirava pedras) na Ilha das Peças, dominando a entrada do canal do norte, e duas peças no continente, além da colocação de sentinelas no Morro das Conchas, na Ilha do Mel, transmitindo sinais a Paranaguá para acusar a presença de embarcações de vela redonda, uma característica dos navios piratas.

Tal medida parecia suficiente até que com a elevação do Brasil a Vice-Reino em 1763, cogitou-se oficialmente da construção de uma fortaleza na Baía de Paranaguá. D. Luiz de Souza Botelho Mourão, ao assumir a Capitania de São Paulo tinh ordens de reforçar a defesa da costa meridional para prevenir ataques marítimos dos espanhóis do Rio da Prata e construir as fortalezas de Santos e Paranaguá. Foi seu parente e Ajudante de Ordens, D. Afonso Botelho de Sampayo e Souza quem ficou encarregado da construção da Fortaleza de Nossa Senhora dos Prazeres.


As obras foram iniciadas em 1766 e ganhando forma com os blocos rochosos talhados por mestres canteiros enviados por D. Luiz e que eram cuidadosamente assentados pelos escravos. As muralhas de 1,5 metros de espessura em quatro fachadas foram levantadas até a altura de 7 metros. Nelas, sobre as pedras da base, foram colocadas cinco guaritas salientes. Em 1769, a fortaleza tinha seu portão instalado na muralha norte e também já estavam concluídas as prisões com janelas gradeadas, o aquartelamento, a cozinha, a enxovia, a capela, a Casa do Comando e a Casa da Pólvora. Sobre as plataformas de terrapleno foram instaladas baterias com suas 12 peças que podiam abrir fogo para todos os lados e alcançar embarcações que passasem pelo canal sudeste.

Na última década do Século XVIII a Fortaleza foi relegada ao abandono e seus canhões foram removidos para a Fortaleza de Santos até que, lá pelos idos de 1815, Ricardo Carneiro dos Santos recuperasse o Forte com o aval do Governo. Em um ano foram restaurados os alojamentos, a capela e a Casa do Comando e recolocados os canhões que retornaram de santos. Hoje está definitivamente desativada sendo tombada como patriônio pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional desde março de 1972.


Ações bélicas da Fortaleza

A Fortaleza de Nossa Senhora dos Prazeres não teve uma atuação bélica permanente, excetuando-se o caráter preventivo e assustador pela sua própria existência. Mesmo assim, pode-se considerar que a Fortaleza marcou a história da colonização paranaense pelo litoral, como também durante a 2ª Guerra Mundial, quando tornou-se a sentinela de vigilância contra submarinos que pretendessem invadir as águas de Paranaguá.


Os Farrapos e a Fortaleza

A Fortaleza da Ilha do Mel, com uma guarnição vinda do Rio de Janeiro e sob o comando do Tenente Joaquim Ferreira Barbosa, protegia o livre trânsito das embarcações do governo imperial pelo Canal Sueste, único navegável para barcos de maior calado.

Estourava a Guerra dos Farrapos e os farroupilhas, sem medir conseqUências, entregavam o comando de uma esquadra de lanchões de guerra ao marinheiro e aventureiro Giuseppe Garibaldi e aos mercenários que o acompanhavam. Eles atacavam as embarcações do império brasileiro para pilhagem e saques, principalmente entre o Rio de Janeiro, Santos e São Francisco do Sul.

Foi em 31 de outubro de 1839 que uma escuna e um lanchão farroupilhas atreveram-se a capturar a sumaca Dona Elvira e penetrar na Barra de Paranaguá. Os canhões da Fortaleza atiraram, obrigando os invasores a retroceder. O vento colaborou e a escuna fez rumo Norte enquanto o lanchão, mais pesado, por ali parou. Foi o tempo suficiente para que uma lancha com vinte homens comandada pelo Alferes Manoel Antonio Dias saisse-lhe ao encalço. Abordou-o e aprisionou a tripulação de aventureiros que Garibaldi trouxera para a America e com os quais entrara para o serviço naval da República Piratini.

Presumia-se que o próprio Garibaldi estivesse a bordo da escuna fugitiva o que não impediu que o comandante da Fortaleza fizesse retornar a lancha Dona Elvira remetendo os mercenários presos para Paranaguá.

A fortaleza vista do mar


O episódio do Cormorant

O episódio mais célebre da Fortaleza da Ilha do Mel foi a luta, em 1850, com o cruzador HMS Cormorant da marinha inglesa.

No inicio do século XIX surgiram as primeiras tentativas para proibição do tráfico negreiro da África para o Brasil. Já existiam leis proibindo esse tráfico, porém tais determinações não eram cumpridas, principalmente no sul. O Porto de Paranaguá converteu-se num dos maiores centro de contrabando de escravos os quais, ali desembarcados eram transportados em seguida parfa outros pontos do Brasil. Por sua vez a Inglaterra que por diversas razões, principalmente econômicas, não desejava aa continuação do tráfico negreiro no Brasil, firmou um acôrdo com o Brasil em 1845, o "bill Aberdeen", o qual permitia a perseguição de navios negreiros pela marinha inglesa, até mesmo na costa brasileira. Foi daí que surgiu o sério incidente com o cruzador britânico HMS Cormorant  na Baía de Paranaguá em 1850.

O Capitão Herbert Schomberg, comandante do navio inglês, tinha conhecimento do contrabando de negros em Paranaguá, mas desconhecia que os mesmos eram desembarcados nas ilhas vizinhas, onde os escravagistas iam buscá-los para depois vendê-los sem nenhum problema. Os escravos, vindos da África, ficavam numa espécie de quarentena para se recuperar da longa e estafante viagem nos navios negreiros, onde vinham amontoados como gados e com uma precária alimentação que os deixava em estado de subnutrição. Vítimas fáceis do escorbuto, encontravam em algumas ilhas o limão em quantidade para recuperá-los na constante e forçada ingestão de vitaminas para combater a doença.

A 29 de junho de 1850, perto da Ilha da Cotinga, o Capitão Schomberg aprisionou os brigues Dona Ana e Sereia, bem como a galera Campeadora, quando já estavam de porões vazios. Tal fato provocou a revolta dos moradores locais, principalmente dos jovens que viam tal ato como invasão e desrespeito, ainda mais estimulados pelos ricos proprietários de naus contrabandistas e ricos negociantes de escravos, o que culminou com a ação do comandante de um nos navios brasileiros, o Astro, o qual, para não ser apanhado pelos ingleses afundou a embarcação com dezenas de negros presos nos porões. Para a população foi o estopim.

Comerciantes de Paranaguá protestaram inconformados com a violação das águas territoriais brasileiras e, principalmente por não estarem as embarcações com escravos a bordo. De nada adiantavam os protestos e como nãoi houve acôrdo com o comandante inglês, vinte e seis homens da Vila resolveram dar combate ao cruzador na barra. Saíram de Paranaguá em vários botes e lanchas com destino à Fortaleza da Ilha do Mel, a qual encontrava-se em situação precária e incapaz de fazer frente ao armamento mais moderno e potente do cruzador inglês. Mesmo assim, sem se intimidar, levavam tudo que se fizesse necessário para colocar os canhões do Forte em ação: areia, cimento pólvora, balas, além de ferragens e carpinteiros para colocá-los em funcionamento. Destacaram-se neste episódio os jovens Joaquim Caetano de Souza, José Francisco do Nascimento e Manoel Ricardo Carneiro que tiveram a iniciativa de "lavar a honra ultrajada".

De um lado o cruzador inglês, com as suas três presas a reboque, rumava para a barra devendo forçosamente passar pelo canal sudeste, ao largo da Fortaleza. De outro lado os vinte e seis voluntários civis, auxiliados por alguns soldados e com experiência de alguns veteranos conseguiram colocar as 12 peças de artilharia em funcionamento. O choque era iminente entree o cruzador e a Fortaleza.

Foram 40 minutos de tiros, entusiasmo e perigo, culminando com o HMS Cormorant avariado em uma das rodas de propulsão e um dos barcos a reboque também atingido. Não houve baixas na Fortaleza, apenas um marinheiro inglês morreu a bordo de um dos brigues aprisionados.

Embora com um poderio de fogo muito superior ao da Fortaleza, o Capitão Schomberg não reagiu, preferindo esquivar-se atirando apenas contra as rochas que flanqueiam a muralha. Saiu da linha de fogo do Forte, abrigando-se para reparos na enseada em frente ao Morro das Conchas. Ao prosseguir viagem o Capitão Schomberg mandou incendiar os dois brigues, levando a reboque a galera Campeadora.

De volta a Paranaguá, os defensores da Fortaleza foram recebidos com júbilo. A Inglaterra, ferida em seu orgulho, exigiu reparos aos danos físicos e morais. A questão foi encerrada com um pedido de desculpas do Brasil. Ao final, restou uma vítima indefesa dos acontecimentos: o Capitão comandante da Fortaleza foi punido e rebaixado a soldado de terceira categoria depois de ser elogiado pelo Presidente da Província em oficio datado de 22 de julho de 1850.
 
Durante a Revolução Federalista (1893-1895) foi tomada por tropas rebeldes oriundas do Sul, pelo mar.
 
 
No século XX
 
Desguarnecida, no início do século XX sediou um Batalhão de Artilharia (1905), ocasião em que foi construído um edifício para Quartel de Tropa. A antiga Caserna foi transformada em Refeitório e Cozinha. Nela se destacavam três casas, Capela e um Paiol de Munições, quando passou a aquartelar a 4ª Bateria Independente em 1909. Foram-lhe projetados melhoramentos em 1911 e, em 1913 serviu de base para uma bateria no morro da Baleia, de cuja guarnição passou a servir de Caserna no contexto da 1ª Guerra Mundial (1914-1918), servindo como base militar de proteção à costa. Esta Bateria  ficou artilhada com quatro canhões Armstrong C-40, de 120 mm, retirados do Cruzador Tamandaré, o que, embora necessitando confirmação (essa embarcação estava artilhada com dez peças de 150 mm, mas com apenas duas de 120 mm), pode ter ocorrido entre 1913 e 1915, quando aquela embarcação deu baixa.
 
Canhão de 120mm existente na fortaleza
 
Tombada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional a partir de 1938, durante a 2ª Guerra Mundial (1939-1945), aquartelou cerca de duzentos homens, tendo o seu comandante respondido a inquérito pela destruição da vegetação de caixeta na encosta do morro e por ter aberto um portão no muro traseiro da fortaleza, sem a devida autorização. A guarnição operava um holofote, sendo desmobilizada em agosto de 1954.

Após ser desativada, a fortificação permaneceu abandonada. Reduto "hippie" na década de 1970, na década de 1980 foi palco de uma "caça ao tesouro", alimentada pela lenda do Padre Thiago e pela descoberta, nas suas dependências, de um cofre contendo papéis antigos e moedas de pouco valor. O conjunto sofreu intervenção de restauro entre 1985 e 1995, em parte graças a recursos do Banco Mundial, passando a abrigar um pequeno museu na Casa da Guarnição, e o posto local da Polícia Florestal.

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quarta-feira, 1 de setembro de 2010

OS PRIMEIROS NAVIOS ENCOURAÇADOS




A celebrada Batalha de Hampton Roads, travada em março de 1862 durante a Guerra Civil Americana, revelou ao mundo ocidental uma nova forma de enfrentamento naval: o choque entre os navios-encouraçados, quando o USS Monitor, da União, combateu o confederado CSS Virginia. O surgimento do encouraçado, no entanto, ocorreu quase trezentos anos antes e muito longe dali, no extremo-oriente.

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Um novo Japão
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Toyotomi Hideyoshi era um homem confiante, não sem razão. Nascido camponês, envolveu-se na interminável série de guerras civis que assolaram o Japão durante o século XVI. Por meio do talento – e não do berço – ascendeu na hierarquia e tornou-se o braço direito de Oda Nobunaga, o general que depôs o xogum Ashikaga Yashiaki.


Hideyoshi sucedeu a Nobunaga após sua morte e conseguiu unificar o Japão pela primeira vez em mais de um século. Hideyoshi sabia que uma maneira eficaz de manter o país unificado seria conduzir uma guerra externa e supunha que possuía os meios necessários para tal empreitada. O Japão tinha milhares de soldados experientes e calejados em batalha e, desde que adotara espingardas com dispositivo de disparo com mecha, armara seu exército com essas armas. Assim, Hideyoshi planejou conquistar primeiro a Coreia, depois a China e, finalmente, as Filipinas.



Os navios-tartaruga
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Os planos de Hideyoshi eram conhecidos na Coreia e lá um oficial chamado Yi Sun-sin preparou-se para frustrá-los. As instituições militares coreanas, a exemplo de outras nações orientais, não possuíam separação entre seu exército e sua marinha. Yi tornou-se oficial em 1576, comandou guarnições de fronteira ao longo do rio Yalu e combateu os nômades jurchens antes de ser nomeado almirante. Por experiência, sabia que a maior ameaça à Coreia seria uma invasão marítima pelo Japão, o que o levou a modificar completamente a esquadra coreana.
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Por mais de um século a marinha coreana baseava-se no kobukson, ou navio-tartaruga. Essas embarcações possuíam dois ou três conveses, sendo o superior coberto por um teto recurvado de madeira, com cerca de 25 cm de espessura. O teto curvo dava aos navios coreanos a aparência de uma tartaruga flutuante.



Réplica de um navio-tartaruga em museu coreano.   Pode-se observar o convés curvo com pontas de lança para evitar abordagens inimigas


Os navios eram propelidos tanto por velas como por remos e portavam, normalmente, 40 canhões. Pontas de lanças e lâminas de espadas eram fixadas no convés e no teto, a fim de desestimularem as ações de abordagem. Havia portinholas para canhões na blindagem e seteiras, através das quais flechas incandescentes podiam ser disparadas. A modificação que Yi implementou foi acrescentar placas de ferro ao teto e às laterais, tornando os navios-tartaruga ainda mais resistentes.


Ataque à Coreia

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Hideyoshi atacou em maio de 1592 e conseguiu conquistar Pusan. Poucos dias depois, os navios-tartaruga encouraçados de Yi-Sun-sin atacaram uma frota japonesa de 800 embarcações e conseguiram repeli-la, afundando ou queimando 26 navios japoneses. Em terra, contudo, o exército japonês não encontrou maiores problemas e, após investir pela península coreana, alcançou e subjugou Seul em apenas dezenove dias. O exército invasor, no entanto, precisava ser abastecido e Yi e seus navios-tartaruga mantiveram-se ocupados. Nos meses de maio e junho, a marinha coreana expulsou diversas flotilhas de abastecimento japonesas, afundando 72 navios inimigos no processo.


Almirante Yi Sun-sin: sob seu comando, a marinha da Coreia impediu a invasão japonesa


Embora o Japão tivesse abundância de armas de fogo portáteis, o mesmo não ocorria com a artilharia. Apesar dessa deficiência, Hideyoshi também instalou canhões pesados em seus navios e procurou protegê-los com placas de ferro. O sucesso de Yi Sun-sin, contudo, não se resumia na posse dos navios-tartaruga. O almirante coreano desenvolveu novas formações táticas, como a chamada “formação em rede de pesca” – um “V” invertido que visava ao cerco das formações inimigas enquanto nelas concentrava o fogo dos canhões por ambos os flancos. Uma ação típica ocorreu quando, com apenas 180 navios, atacou uma poderosa frota japonesa com 800 embarcações, resultando na destruição de cerca de 400 navios inimigos. Diante de tantos reveses, os japoneses se retiraram em 1593.



Novas investidas japonesas


Hideyoshi, no entanto, não desistira de seus planos na Coreia e planejou nova invasão, mas, em primeiro lugar, teria que eliminar o poder naval de Yi Sun-sin. Em 1597 um japonês, passando-se por espião coreano, informou sobre a chegada iminente de uma imensa esquadra japonesa e propôs enviar Yi Sun-sin e seus navios a um local determinado a fim de interceptar o inimigo. O rei coreano Seonjo ordenou que Yi Sun-sin levasse seus navios ao local indicado, mas o almirante recusou-se, pois sabia que a área era repleta de rochedos submersos e que poderia perder todos os seus navios. Diante da recusa, Yi Sun-sin foi torturado e continuou se negando a cumprir a ordem. O rei, então, ordenou que o almirante fosse executado, mas voltou atrás em função da intercessão da maioria de seus oficiais, que destacaram o histórico de Yi na defesa do país. Em vez de matá-lo, o rei rebaixou-o a soldado raso.


Um navio-tartaruga coreano ataca uma embarcação-capitanea japonesa com seus canhões

Um novo almirante, Won Kyun, foi nomeado para o comando da esquadra e, após demitir todos os oficiais ligados à Yi, conduziu os navios até a área sugerida, onde perdeu todas as embarcações. Rapidamente, o rei Seonjo restituiu Yi em suas funções, e este iniciou imediatamente a construção de uma nova frota de navios-tartaruga. Os coreanos possuíam apenas doze navios prontos quando uma nova frota de 133 navios japoneses apareceu. Yi a atacou com sua dúzia de navios e destruiu 31 embarcações inimigas, as demais fugiram.
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Os japoneses tentaram nova invasão mas, em novembro de 1598, na Batalha da Baía de Chinhae, Yi afundou duzentos dos quatrocentos navios inimigos, mas perdeu a vida nesse combate. Essa batalha encerrou a guerra e os marinheiros japoneses levaram a notícia do fracasso a um agonizante Hideyoshi, que morreria pouco depois. Sem a liderança do xogum, os japoneses renunciaram a seus sonhos de conquista.

Não fora por Yi Sun-sin - que venceu cada uma das 22 batalhas navais que travou e não perdeu sequer um navio – o Japão certamente teria conqusitado a Coreia no final do século XVI. Alguns historiadores sustentam que poderia também ter subjugado a China e, se os japoneses assumissem o controle dos mares orientais da Coreia, nada os impediria de anexar as Filipinas, onde as forças coloniais espanholas teriam sido facilmente superadas pelos japoneses.
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A campanha naval coreana com seus navios-tartaruga representou o debut do encouraçado no mar, que atingiria seu apogeu séculos mais tarde em plena era da Revolução Industrial.





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domingo, 29 de agosto de 2010

MAIS CINCO MINAS DA 2a GUERRA MUNDIAL SÃO ENCONTRADAS EM ALAGOAS

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Apesar dos setenta anos que nos separam, parece que, no Nordeste do Brasil, a 2a Guerra Mundial continua bastante presente.

No dia 11 de maio desse ano, funcionários que trabalhavam em uma obra de saneamento encontraram uma mina marítima enterrada a menos de dois metros de profundidade na areia da praia, no centro de Maragogi-AL.

Três meses após encontrar uma mina marítima enterrada no litoral de Maragogi (135 km de Maceió-AL), a Marinha anunciou que outras cinco minas utilizadas para destruir navios durante a Segunda Guerra Mundial foram localizadas na cidade litorânea.

Das cinco minas, três estão na parte urbana da cidade (sendo duas no centro) e duas enterradas na areia da praia. Há ainda a suspeita de que uma sexta mina esteja enterrada na parte urbana, mas as autoridades não confirmam.


Militares da Polícia Militar de Alagoas removendo a mina encontrada em maio no litoral de Maragogi-AL


Segundo o capitão dos Portos em Alagoas, André Pereira Meire, as minas estão localizadas em áreas de grande concentração de moradores e necessitam de uma grande operação para serem retiradas, transportadas e detonadas em segurança. O trabalho, porém, só deve ser realizado após as eleições de outubro, a pedido da Prefeitura de Maragogi.

"Essas minas foram enterradas por moradores em áreas que, naquela época, há 70 anos, não eram ocupadas. Só que a cidade cresceu e hoje elas estão em áreas urbanas", afirmou.

Segundo Meire, todo o trabalho deve durar 25 dias. Uma equipe do Batalhão de Engenharia de Fuzileiros Navais virá do Rio de Janeiro para auxiliar no trabalho. "Vários órgãos vão participar dessa operação, como prefeitura, Secretaria de Saúde, Polícia Militar e Corpo de Bombeiros, já que precisaremos interditar uma área de 150 metros de cada uma das minas e, claro, precisamos estar prontos se algo der errado", explicou.

Apesar de não saber se as minas ainda têm potencial explosivo, Meire afirma que a remoção é necessária. "Um raio, por exemplo, pode detonar um artefato explosivo. E vamos supor que, daqui a 15 anos, por exemplo, esse assunto caia no esquecimento e alguém vá escavar e cause uma explosão. Por isso foi decidido, após análise de equipe técnica, que as minas serão retiradas.

Moradores de Maragogi estão assustados. "Fico com receio porque sei que essa bomba pode causar uma grande explosão", disse a comerciante Maria Aparecida, que vende artesanato na orla da cidade.


Primeira mina detonada

No dia 11 de maio desse ano, funcionários que trabalhavam em uma obra de saneamento encontraram uma mina marítima enterrada a menos de dois metros de profundidade na areia da praia, no centro da cidade. Militares do esquadrão antibombas da Polícia Militar foram até o município, retiraram e detonaram a bomba em uma área deserta.

Porém, devido à força dos explosivos, estilhaços da bomba foram arremessados a quase 1 km de distância e atingiram casas, hotéis e estabelecimentos comerciais, que protestaram contra a detonação em uma área próxima aos prédios.  À época, os militares explicaram que escolheram o local por conta da dificuldade em remover a bomba para mais longe. Segundo eles, não havia um lugar completamente seguro para detonação.


Fonte: Uol - Via Correio da Paraíba
 
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sexta-feira, 27 de agosto de 2010

IMAGEM DO DIA - 27/08/2010

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Composição ferroviária destruída no pátio da estação da Mooca, São Paulo, durante a revolução de julho de 1924.


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A QUEDA DE CONSTANTINOPLA (1453)

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Constantinopla era uma das cidades mais importantes do mundo.  Ela funcionava como uma parte para as rotas comerciais que ligavam a Ásia a Europa por terra, além de ser o principal porto nas rotas que vinham e iam entre o Mar mediterrâneo e o Mar Negro. O cisma entre as Igrejas Ortodoxa e Católica manteve Constantinopla distante das nações ocidentais. A ameaça turca fez com que o Imperador João VIII Paleólogo, promovesse um concílio em Ferrara, na Itália, onde as diferenças entre as duas igrejas foram resolvidas rapidamente.


Constantino XI e Maomé II

Com a morte de seu pai João VIII, Constantino assume o trono no ano seguinte. O novo imperador era uma pessoa popular, tendo lutado na resistência bizantina no Peloponeso frente ao exército otomano, no entanto,  seguia a linha de pensamento de seu pai na conciliação das duas igrejas, o que gerava desconfiança não só ao Sultão Murad II - que via tal acordo como uma ameaça de intervenção das potências ocidentais na resistência à sua expansão na Europa -, mas como também ao clero bizantino.

Constantino XI, o último imperador bizantino

Já no ano de 1451, Murad II morre, e seu jovem filho Maomé II faz sua sucessão e,.já no princípio de seu reinado, faz a promessa de não violar o território bizantino, o que fez aumentar ainda mais a confiança de Constantino. Sentindo-se seguro, no mesmo ano o imperador bizantino decidiu exigir o pagamento de uma anuidade para a manutenção de um prícipe otomano que era mantido como refém, em Constantinopla. Ultrajado com a exigência, Maomé II ordenou os preparativos para fazer um cerco total à capital binzantina.


Ataque turco

No dia 6 de abril de 1453 começa oficialmente o cerco à cidade bizantina, quando o grande canhão disparou o primeiro tiro em direção ao vale do Rio Lico. Até então considerada imbatível, em menos de uma semana  a muralha começou a ceder, tendo em vista que ela não foi construída para suportar ataques com canhões. O ataque otomano restrigiu-se apenas a uma frente, o que colaborou prara para que o tempo e a mão-de-obra dos bizantinos fossem suficientes para suportarem o cerco.

Constantinopla e suas defesas na época bizantina

Os turcos evitaram o atque pela costa, tendo em vista que, deste lado, as muralhas eram reforçadas por torres com canhões, o que poderia trazer grandes dificuldades à sua frota. No início do assédio, porém, os bizantinos obtiveram duas vitórias animadoras. No dia 20 de abril os bizantinos avistaram os navios enviados pelo Papa, juntamente com outro navio grego com grãos da Sicília, as embarcações chegaram com êxito ao Corno de Ouro.

Já no dia 22 de abril, o Sultão aplicou um golpe ardiloso nas defesas bizantinas. Impedidos de cruzar a corrente que fechava o Corno de Ouro, o Sultão mandou que contruíssem uma estrada de rolagem ao norte de Pera, por onde os seus navios podessem ser puxados por terra, contornando a barreira.

Com os navios colocados em uma nova frente, os bizantinos logo não teriam soluções para reparar suas muralhas. Sem opção, os bizantinos se viram coagidos a contra-atacar, então, no dia 28 de abril, arriscaram um ataque surpresa aos turcos no Corno de Ouro que, no entanto, não logrou êxito.


O último ataque

No dia 28 de maio as tropas receberam ordens de Maomé II para descansarem e realizarem o ataque final no dia seguinte. Após dois meses de intenso combate, pela primeira vez não se ouviu o barulho dos canhões e das tropas em movimento.

Artilheiros otomanos posicionam um grande canhão diante das muralhas de Constantinopla


Para tentar levantar o moral para o momento decisivo, todas as igrejas de Constantinopla tocaram seus sinos durante todo o dia. Na madrugada do dia 29 de maio de 1453, Maomé II concentrou um ataque concentrado no vale do Lico.

Por aproximadamente duas horas os soldados bizantinos sob o comando de Giustiniani conseguiram resistir ao ataque, mas as tropas já estavam cansadas, e teriam ainda que enfrentar o exército regular de 80 mil turcos.

Um grande canhão conseguiu abrir uma brecha na muralha, pela qual os turcos concentraram o ataque. Tendo chegado a esse ponto, Constantino em pessoa coordenou uma cadeia humana que manteve os turcos ocupados enquanto a muralha era consertada.

Após uma hora de combate intenso, os janízaros, que escalavam a muralha com escadas, ainda não haviam conseguido entrar na cidade. Preocupados com os ataques no Lico, os bizantinos cometeram o erro de deixar o portão da muralha noroeste semi-aberto.


A muralha exterior de Constantinopla sucumbe diante dos canhões otomanos

Com isso, um destacamento otomano conseguiu por ali invadir o espaço entre as muralhas interna e externa. Com o comandante Giustiniani ferido e levado para o navio, os soldados gregos ficaram sem liderança, lutaram desordenadamente contra os disciplinados turcos. Tem-se como momento final quando o Imperador Constantino XI levantou sua espada e partiu para o combate, onde nunca mais foi visto, resultando na queda de Constantinopla.


De acordo com a periodização da História mais corrente no Ocidente, a queda de Constantinopla marcou o fim da Idade Média e o início da Era Moderna.


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quarta-feira, 25 de agosto de 2010

UNISUL - SEMINÁRIO VIRTUAL



Acompanhe o seminário da Unisul Virtual sobre o tema A evolução do pensamento militar ocidental nas guerras dos séculos XIX e XX, realizado ontem e conduzido pelos professores Karla Leonora Dahse Nunes e Cel Luiz Carlos Carneiro de Paula.

http://unisul.streambrasil.com/ONDEMAND-UV/hist_militar240810.htm


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terça-feira, 24 de agosto de 2010

NOTÍCIA - FELIPE CAMARÃO HOMENAGEADO EM NATAL

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A Prefeitura do Natal lançará nesta terça-feira (24), às 16h, na Praça Sete de Setembro, um Selo e um CD em homenagem a Felipe Camarão, o índio Poti, que nesta data completa 362 anos do seu falecimento. Na ocasião, serão carimbados alguns selos, ato que será acompanhado pelo secretário municipal de Defesa Social, Sérgio Leocádio, representando a prefeita Micarla de Sousa, e pelo general Fernando Maurício Duarte Melo, comandante da Brigada Felipe Camarão.

A Cerimônia Cívica de lançamento do Selo e do CD, programada pelo comando do exército local, também servirá para sensibilizar o povo norte rio grandense, por meio dos seus representantes do Estado no legislativo federal, para que lute pela aprovação do Projeto de Lei do senado nº 565 de 2009. De autoria do senador Marco Maciel, o projeto pede a inscrição dos nomes daqueles que lutaram bravamente na Batalha dos Guararapes, entre eles Felipe Camarão, no Livro de Heróis da Pátria. Uma vez aprovado, o índio Poti passará a ser o primeiro Herói Nacional Norte rio grandense.


Felipe Camarão, pintado por Vítor Meireles


A programação será aberta com o canto do Hino Nacional seguido da apresentação dos hinos do Rio Grande do Norte e da Cidade do Natal, todos com a participação da Banda da 7ª Brigada de Infantaria Motorizada. Serão realizadas ainda duas apresentações: do Grupo Musical Conexão Felipe Camarão que faz parte da Organização Não Governamental Terra e Mar, e do Dobrado Felipe Camarão cuja origem remonta às músicas militares européias e faz parte do CD. O repertório é formado, além do dobrado, pelo Hino do Município e outras canções militares. O dobrado é de autoria do cabo Elton Jefferson e será executado pela primeira vez.

Os CDs, num total de 300, serão distribuídos com as escolas municipais. O objetivo é fazer com que os hinos que nele constam passem a ser executados em eventos cívicos promovidos ao longo do calendário escolar. A gravação dos referidos CDs foi patrocinada pela Prefeitura do Natal.



FELIPE CAMARÃO

Dom Antônio Felipe Camarão nasceu, provavelmente, na Aldeia Velha (bairro de Igapó), no ano de 1580. Com relação ao seu batismo, Nestor Lima aponta para o dia 13 de junho de 1612. Nesse dia, ao se tornar cristão, o potiguar tomou o nome de Antônio Felipe Camarão, uma homenagem ao santo do dia, Santo Antônio. O segundo nome seria uma homenagem a Felipe IV, rei da Espanha e, finalmente, Camarão, que é a tradução portuguesa do seu nome primitivo em tupi: Poti.

No dia seguinte ao do batizado, Felipe casou com uma de suas mulheres que, na pia batismal, recebeu o nome de Clara. As solenidades de batizado e casamento ocorreram em grande estilo na Capela de São Miguel de Guajeru. Além de grande guerreiro, foi igualmente hábil estrategista. Sua maior vitória foi contra o general Arcizewski, que se sentiu humilhado ao perder para um chefe nativo. São suas as seguintes palavras, transcritas por Antônio Soares, no Dicionário Histórico e Geográfico do Rio Grande do Norte: “Há mais de quarenta anos – disse o general – que não milito na Polônia, Alemanha e Flanders, ocupando sem interrupção postos honrosos, mas só o índio brasileiro Camarão veio abater-me o orgulho”.



Pelo seu desempenho contra os inimigos, o valente chefe potiguar recebeu diversas honrarias, entre elas, o título de Dom, dado por Felipe IV; Brasão de Armas; Capitão-mor e Governador de Todos os índios do Brasil; Comenda dos “Moinhos de Saure”. Seu último combate foi na primeira Batalha dos Guararapes, quando adoeceu e se recolheu ao Engenho Novo de Goiana. Segundo alguns autores, Dom Antônio Felipe Camarão faleceu em 24 de agosto de 1648, sendo sepultado na Várzea, em Pernambuco.


PALÁCIO FELIPE CAMARÃO

O prédio do Palácio Felipe Camarão foi edificado no ano de 1922, pelo construtor Miguel Micussi. A sua inauguração ocorreu no mesmo ano, no dia 7 de setembro, marcando assim o Centenário da Independência do Brasil, na administração do governador Antônio José de Melo e Souza (1920/1924) e do intendente Teodósio Paiva.

A sede da Prefeitura do Natal recebeu o nome de “Palácio Felipe Camarão” através da Lei 359/A, de 1955, em homenagem ao índio Poti, que era o chefe dos Potiguares, tribo que habitava as margens do Rio Potengi.

Fonte: Diário de Natal



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sábado, 21 de agosto de 2010

HISTÓRIA MILITAR NO COLÉGIO MILITAR DO RECIFE

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No último dia 13 de agosto os alunos do Colégio Militar do Recife apresentaram o trabalho interdisciplinar do corrente ano.  Dentre os temas selecionados, coube ao 1° ano do Ensino Médio o trabalho de pesquisa histórica sobre o bicentenário do Brigadeiro Antônio de Sampaio, patrono da Infantaria do Exército Brasileiro.

O 1° ano foi dividido em dez grupos, que estudaram a vida e os feitos militares do Brigadeiro Sampaio ao longo de sua vida militar, desde seu nascimento até sua morte em decorrência dos ferimentos recebidos na Batalha de Tuiuti.

A seguir, algumas fotos da apresentação dos trabalhos pelos alunos do 1° ano do CMR.






PENSAMENTO MILITAR - AS GUERRAS CIVIS



"A guerra com o estrangeiro é uma escoriação no cotovelo; a guerra civil um abcesso que nos devora."


Victor Hugo, escritor e pensador francês

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

ARMAS - SUBMETRALHADORA THOMPSON



Famosa graças aos gângsteres e ao cinema americano, a submetralhadora Thompson era uma arma refinada, com coronha e empunhadura de madeira. Utilizada durante a 2ª Guerra Mundial pelo Exército doa EUA e por seus aliados, com modificações para facilitar sua produção, incluindo a substituição do complicado (e sujeito a falhas) carregador tipo tambor, por um carregador reto convencional (modelo M-1A1).

A arma foi projetada pelo Coronel John T. Thompson entre 1917 e 1919 e fabricada pela Auto-Ordnance Corporation. Era uma arma refinada, com coronha e empunhaduras de madeira e acabamento de muita classe. Tal qual suas correspondentes – MP-40 alemã e Sten britânica, a Thompson foi uma das primeiras submetralhadoras (ou metralhadoras de mão). Foi muito usada pelos gângsteres americanos e pelas forças policiais que os combatiam na década de 1930, e ficou eternizada como o símbolo de Al Capone.


Em serviço

As primeiras versões podiam utilizar um carregador tipo tambor, com 50 cartuchos, que permitia dar uma rajada bem maior de tiros, mas era propenso a falhas. Quando os Estados Unidos entraram na 2ª Guerra Mundial foi introduzido o modelo M-1 (e, depois, o seu sucessor, o M-1A1), que possuía um carregador reto convencional de 20 cartuchos, mais seguro, e sua fabricação foi simplificada para facilitar a produção em massa. Houve ainda a Thompson M-1A2, que tinha um carregador para 30 projéteis. Sua munição era o catucho .45 polegadas ACP.

Comando britânico armado com uma Thompson BSA escalando um penhasco durante treinamento na Escócia


Geralmente usada por oficiais e sargentos, além das tropas blindadas, a Thompson foi a submetralhadora padrão do Exército dos EUA e também foi usada pelos britânicos em diversos Teatros de Operações, tais como na África, na Ásia e no Mediterrâneo. No entanto, tinha a desvantagem de apresentar um recuo muito forte, o que dava uma dificultava a estabilidade da pontaria. Chegou a ser modestamente utilizada durante a Guerra do Vietnam.

Fuzileiros navais americanos em ação na ilha de Okinawa, 1945.  O soldado da esquerda dispara sua Thompson contra um abrigo japonês


Como aliado dos EUA na 2ª Guerra Mundial, a Força Expedicionária Brasileira recebeu uma considerável quantidade de submetralhadoras Thompson, as quais permaneceram em serviço nas décadas posteriores à guerra.

Soldado da Aviação do Exército dos EUA empunhando uma Thompson durante os primeiros anos da Guerra do Vietnã



As Versões da arma

A Thompson foi fabricada em diferentes versões, dentre as quais destacam-se:

Persuader: versão experimental, municiada por fita de munições, desenvolvida em 1918;

Thompson M-1919: versão inicial de produção. Foram produzidas apenas 40 unidades;

Thompson M-1921: primeiro modelo de produção em larga escala, apelidada de "arma antibandido", em virtude de equipar uma grande número de forças policiais dos EUA;

Thompson M-1923: modelo desenvolvido com a intenção de substituir o fuzil-metralhadora Browning Automatic Rifle no Exército dos EUA. Caracterizava-se por disparar a munição .45 Remington-Thompson, mais potente e com maior alcance que a .45 ACP utilizada nas versões anteriores, com guarda-mão horizontal, bipé e suporte para baioneta. O Exército dos EUA decidiu, no entanto, não adotar o modelo;

Thompson BSA: modelo europeu da Thompson, fabricado sob licença pela Birmingham Small Arms Company (BSA) no Reino Unido, a partir de 1926;

Thompson M-1927: versão com capacidade limitada a tiro semi-automático da M-1921. Esta arma não era classificada como submetralhadora, mas sim como carabina semi-automática. Algumas M-1927 foram construídas a partir da substituição de alguns componentes em unidades do tipo M-1921;

Thompson M-1928: primeiro modelo da Thompson adotado pelas forças armadas dos Estados Unidos (com a designação US Submachine Gun, Cal .45, M1928). Consistia na versão M-1921 com uma cadência de fogo inferior, para corresponder às condições da Marinha dos EUA;

Thompson M-1928A1: variação da M-1928, com alterações que incluíam a substitução do punho frontal por um guarda-mão horizontal e a introdução de uma bandoleira militar;

Thompson M-1: variante introduzida em 1942, resultante de uma maior simplificação da M-1928A1, com coronha fixa, cadência de tiro reduzida para 600-700 tiros por minuto e capacidade limitada a carregadores retos. Oficialmente designada US Submachine Gun, Cal .45, M1;

Thompson M-1A1: versão da M-1 com um registro de tiro simplificado, colocado em ambos os lados da caixa da culatra e reforço da alça de mira.


Diferentes versões da submetralhadora Thompson


Características técnicas

Modelo: M-1A1

Calibre: 11,43 mm (.45)
Comprimento: 813 mm (total) / 267 mm (cano)
Peso: 4,74 Kg (com carregador)
Carregador: Pente com 20 ou 30 cartuchos
Cadência de Tiro: 700 tpm
Velocidade Inicial do Projétil: 280 m/s

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quarta-feira, 18 de agosto de 2010

NOTÍCIA - BOMBA DA 2a GUERRA MUNDIAL PROVOCA FECHAMENTO DE AEROPORTO EM MILÃO

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MILÃO (Reuters) - Uma bomba de 227 quilos, resquício da 2a Guerra Mundial, foi localizada e detonada nesta quarta-feira perto do aeroporto de Linate, em Milão, o que provocou o fechamento parcial do local.

Os voos que chegavam foram impedidos de pousar por várias horas, mas as operações depois voltaram ao normal, informou uma porta-voz do aeroporto.

A bomba foi encontrada durante uma obra perto de Linate, a leste de Milão.


 
Moradores das imediações foram removidos da área e as autoridades interromperam o tráfego de trens em uma linha próxima do local onde o explosivo foi achado.

Uma outra bomba, também de 227 quilos, foi encontrada e detonada em 8 de agosto perto de Linate.


Fonte: Reuters

UNIFORMES - SOLDADO POLONÊS, 1944







II Corpo polonês
Monte Cassino, Itália
2ª Guerra Mundial, 1944



O sargento ao lado pertence à  3ª Divisão de Infantaria, subordinada ao II Corpo polonês que tomou parte dos combates em Monte Cassino, na Itália, em maio de 1944.

O graduado exibe um trofeu muito apreciado pelos soldados aliados - uma bandeira nazista capturada. Seu armamento consiste em um fuzil Lee-Enfield Nº 4 Mk I calibre .303.

Em 1944 os poloneses utilizavam uniformes britânicos e eram diferenciados pelas insígnias de postos e unidades próprias dos poloneses, como a ágia nacional polonesa pintada no capacete tipo Tommy.

A COROAÇÃO DE CARLOS MAGNO E O INÍCIO DO IMPÉRIO CAROLÍNGEO

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Por Matthias von Hellfeld



Na noite de 25 de dezembro de 800, Carlos Magno, rei dos francos, foi coroado pelo papa Leão III imperador romano, tornando-se assim um dos mais poderosos soberanos de seu tempo.  Carlos Magno (cerca 747-814) partiu em direção a Roma em novembro de 799. O Papa lhe pedira ajuda, pois não podia mais se defender contra a oposição na cidade. Depois de Carlos Magno ter conseguido acalmar a situação e Leão III ter apaziguado os ânimos através de um juramento de purificação, ambos participaram de uma missa de Natal na Basílica de São Pedro. Naquela noite, os cidadãos romanos e o episcopado presentes assistiram a um espetáculo de dimensões históricas.


Coroação inesperada ?

Segundo o biógrafo da corte Eginardo (cerca 780-840), Carlos Magno teria se ajoelhado em atitude devocional diante do altar e, por trás, o papa Leão III lhe colocou a coroa de imperador romano. O rei franco estaria aparentemente surpreso com a coroação – pelo menos foi essa a ideia que seu biógrafo nos tentou passar. Talvez Carlos Magno tivesse, no entanto, especulado com a ideia de se tornar imperador, já que, afinal de contas, o Papa dependia de uma ajuda secular, que, na Europa, somente o rei dos francos estaria em condições de garantir.

Carlos Magno no dia de sua coroação no ano 800

A coroa mal havia sido colocada na cabeça de Carlos Magno, quando o Papa se ajoelhou e untou os pés do imperador. Nesse exato momento, os clérigos começaram a recitar a litania da coroação e os cidadãos de Roma a aplaudir fortemente. Com essa cerimônia, o rei dos francos tornou-se imperador romano. A região central de seu imenso império englobaria aqueles países que 1.150 anos mais tarde viriam a fundar a Comunidade Econômica Europeia: França, Alemanha, Itália e Estados do Benelux (Bélgica, Holanda e Luxemburgo).


Base do florescimento cultural da França

Imediatamente após a coroação, Carlos Magno introduziu uma moeda, uma escrita e um sistema de pesos e medidas comuns na França. Em Aachen (Aix-la-Chapelle, em francês), o que sobrou de suas construções dá ideia de como aquela cidade deveria se tornar uma "segunda Roma". Carlos Magno não foi somente o grande comandante que cristianizou e modernizou a Europa, mas também impulsionou as ciências. Ele reuniu em torno de si os mais importantes acadêmicos da época e os incumbiu de compilar todo o saber em curso até então, estabelecendo a base do florescimento cultural da França.

Esta "revolução cultural" esteve intimamente ligada ao mestre Alcuíno (735 – 804), um erudito britânico, com quem Carlos Magno já se encontrara em Parma, em 781. Na Escola Palaciana de Aachen, Alcuíno estabeleceu uma biblioteca com trabalhos de autores da Antiguidade. Tais obras foram copiadas em letra "minúscula carolíngia" e arquivadas.


A arquitetura da era carolíngia também se inspirou na Antiguidade. A Capela Palatina de Aachen deveria remeter à "pequena Basílica de Santa Sofia", a igreja de São Sérgio e São Baco, em Constantinopla (atual Istambul). Outras edificações oficiais de sua residência imperial em Aachen eram cópias de construções romanas.


Legado da Antiguidade salvo para a Idade Média

Esse "Renascimento carolíngio" é de fenomenal importância, pois foi através dele que a França tornou-se um elo de ligação entre a Antiguidade e a Europa da Idade Média. A partir daí, a "modernidade medieval" ficou definitivamente influenciada pelas ideias dos mestres da Antiguidade, pela arquitetura romana anterior a Cristo e pelas concepções religiosas de Roma e Constantinopla.

Através dessa interligação da Antiguidade com a Idade Média, Carlos Magno se colocou no mesmo patamar que os grandes heróis. O resgate do legado da Antiguidade foi um processo consciente, porque os acadêmicos partiam da ideia de uma continuidade linear na cultura e na política. Como sua própria cultura era constituída a partir da anterior, era coerente preservar-se o máximo possível das culturas antigas.

Estátua de Carlos Magno em Notre Dame


Carlos Magno também estava convencido da teoria dos "quatro reinos", após cuja queda pairava a ameaça do fim do mundo. Com a transmissão do título imperial ao rei dos francos, o imperador e o império romanos eram mantidos em vida. Com esse translatio imperii, o fim do mundo era (novamente) evitado.

Em termos de concepção política, havia lógica na manutenção e apropriação parcial da cultura, arquitetura, direito, literatura e ciência romanas. Assim, o saber da Antiguidade pôde chegar à Europa medieval. Tudo o que o mundo moderno hoje sabe da Antiguidade deve-se a esse "Renascimento carolíngio", que salvou a herança cultural dos antigos de ser perdida para sempre.

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sábado, 14 de agosto de 2010

IMAGEM DO DIA - 14/08/2010

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Durante a Guerra dos Cem Anos (1337-1453), soldado inglês conduzindo cavaleiros franceses capturados em batalha.

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OPERAÇÃO “PAPERCLIP”

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Numa fria manhã de fevereiro de 1945, o major Robert Staver, do Serviço de Inteligência Militar dos Estados Unidos, desceu no aeroporto de Londres com ordens para se apresentar imediatamente ao Comando de Armas e Munições aliado. Pouco depois ele falava com seus superiores quando foi jogado ao chão por uma formidável explosão no prédio vizinho. Staver tinha sido enviado à Inglaterra para aprender tudo sobre bombas voadoras alemãs e estava sendo recebido pouco amistosamente por uma delas.

Mas Staver era um espião arguto, e tinha a sorte ao seu lado. Uma semana depois de sua chegada à Inglaterra as unidades blindadas do III Exército norte-americano entraram em Bonn e capturaram documentos importantes, entre os quais uma lista completa dos principais cientistas que trabalhavam em Peenemünde, a grande base alemã de foguetes.

Uma cópia desta lista foi entregue a Staver, que voou com ela para Washington, levando também a duplicata do secretíssimo “Relatório de Oslo”, um apanhado de informações reunidas na Europa ocupada pelos agentes do MI-5 (o Serviço Secreto do governo britânico). No conjunto aqueles documentos definiam o perfil do enorme esforço da Alemanha nazista para desenvolver versões ainda maiores (capazes de atingir o território dos Estados Unidos), do míssil balístico A-4 (o famoso V-2), com os quais bombardeavam Londres e outras cidades inglesas desde setembro do ano anterior.

Foguete V-2 sendo lançado contra a Inglaterra

A análise do material recolhido por Robert Staver foi suficiente para que o Pentágono enviasse, no dia 2 de abril, ordens expressas ao general Eisenhower para a captura dos planos, dos mísseis e, se possível, dos próprios técnicos de Peenemünde. O relatório de instruções, classificado como absolutamente sigiloso, estava marcado com o nome de código de “Operação Paperclip” (Operação Clipe de Papel).


Como surgiu a operação

Enquanto isto, na enorme e moderníssima estação de pesquisas construídas na foz do Rio Peene, os cientistas alemãs viviam dias de desassossego. Na sua grande maioria não tinham qualquer simpatia pelo governo nazista de Berlim. Sua aventura começara em 1923, quando alguns deles, então simples entusiastas dos foguetes, haviam fundado, em Berlim, a “Associação para Viagens Especiais”. Do Grupo original faziam parte cientistas de renome como Hermann Oberth, Rudolf Nebel e Willy Ley, aventureiros como Max Vallier e jovens entusiastas, como Werner Von Braun.

Dos pequenos foguetes dos anos 1920 eles passaram gradualmente a modelos maiores até que, em 1938, foram “descobertos” pelas autoridades militares alemãs. De uma hora para outra receberam dinheiro, ajuda e prioridades técnicas. Ganharam novas instalações em Peenemünde e continuaram trabalhando. Seu país estava em guerra e, por isto, o interesse governamental era mais que justificado.

Mas, aos poucos, seus planos de lançar engenhos ao espaço foram sendo preteridos por projetos militarmente mais úteis. Em fins de 1944 aperfeiçoaram o foguete balístico A-4, capaz de levar 1.000 kg de explosivos a 350 km da distância. Por ordem de Hitler aquele engenho foi produzido em série e mudou de nome. Passou a se chamar Vergeltungwaffe nº 2, ou V-2.

Os ingleses, que acompanhavam o esforço de longe, decidiram interrompê-lo arrasando as instalações de Peenemünde. Na noite de 18 de agosto de 1943 um total de 150 bombardeiros pesados da Real Força Aérea (RAF) lançaram sobre Peenemünde mil toneladas de bombas, destruindo quase tudo. Hitler, num acesso de raiva, ordenou a dispersão das fábricas de bombas V-2 e os técnicos de Peenemünde ficaram reduzidos a ensaios com novos modelos ainda maiores daquele míssil, capazes de cruzar o Atlântico e chegar a Nova Iorque.


Uma decisão difícil

Estes ensaios avançaram, mas como admitiram mais tarde os técnicos alemães de Peenemünde , “já não tínhamos mais nenhuma fé na causa do Governo de Berlim”. Pior ainda: eles sabiam que tinham-se transformado em personagens suspeitos para a cúpula nazista e, por pouco, alguns deles - dentre os quais Von Braun - não foram fuzilados por ordem de Hitler.

Esta era a situação no dia 3 de abril de 1945 quando o General Walter Dornberger, Von Braun vários dos seus colegas decidiram deixar Peenemünde. Era impossível continuar ali. Oitenta quilômetros a sudeste os canhões russos já bombardeavam Stetin, enquanto a oeste os blindados dos americanos tomavam Bleicherode.

O General Dornberger ( a esquerda) e o cientista Werner von Braun (de braço quebrado) no momento em que se entregam aos americanos dpois de fugirem de Peeneumünde

Sua decisão , porém, não foi unânime. Alguns especialistas importantes, como Halther Frolic, Schenost, Waldman, Erich Ptze (Diretor de Produção dos míssieis), Werner Braun (especialista em motores), Erich Muller, Helmuth Gottrup e a maioria dos técnicos de nível médio optaram por seguir as ordens e ficar em Peenemünde.

Os demais optaram pela saída. Dornberger, Von Braun e 500 dos seus principais colaboradores embarcaram num comboio de caminhões (por falta de gasolina, acionados com álcool de foguete) carregados com toneladas de planos e desenhos e rumaram para o sul. Seu destino: Oberammergau, nos Alpes.

Como o próprio Von Braun escreveu mais tarde, “foi uma decisão difícil de tomar. Na minha mesa de trabalho tinha cinco ordens de Alto-comando para permanecer em Peenemünde. E outras cinco mandando que eu saísse de lá. Todas pediam que os planos e instalações fossem destruídos...”.

Peenemunde foi tomada na semana seguinte pelo 2º Exército Soviético, comandado por Konstantin Rokossowsky. Mas o comboio de Von Braun, cruzando por rodovias sob bombardeiro, conseguiu milagrosamente chegar intacto a Nordhausen, onde um telefonema avisou-os de que os americanos estavam a apenas 20 quilômetros de distância. Von Braun e seus companheiros concordaram que seria uma estupidez perder tantos anos de pesquisa valiosa. Por isso, rumaram para o sul.


Uma presa valiosa

Por ordem de Dornberger 14 toneladas de planos foram escondidos numa caverna em Dorton, depois os cientistas fugiram para Obeyoch, perto da fronteira da Áustria.

Nessa altura, Robert Staver e o agente Charles L. Stewart estavam firmes na busca aos técnicos foragidos. E tinham de andar depressa, já que os russos aparentemente buscavam a mesma coisa, capturando as instalações de mísseis de Rusterort e Carlsberg, nas proximidades de Frischen, e também as de Memel e Erfurt, na Turíngia. Mas chegaram atrasados à linha de montagem das V-2 na firma Mittelwerk, em Nordhausen.

Dias antes, numa verdadeira operação de comandos chefiada pelo Coronel Helger N. Toftoy a 144ª Companhia Motorizada norte-americana “esvaziou” os depósitos de Nordhausen.  Dezenas de mísseis V-2, peças delicadas e toneladas de documentos foram embarcados para o Ocidente em composições ferroviárias. O primeiro trem saiu no dia 22 de maio. Mas o ultimo só partiu no dia 31, horas antes da chegada dos russos. Quando, dias depois, Stalin leu o relatório sobre o acontecido, explodiu “Alguém tem de ser responsabilizado por deixar escapar uma presa tão valiosa...”


Rumo aos EUA

Mas já era tarde. Enquanto em Moscou Joseph Stalin ordenava uma investigação completa, na França o precioso butim tecnológico era embarcado em dezesseis navios cargueiros, rumo aos Estados Unidos. Von Braun (com o braço quebrado em um acidente de automóvel) e seus amigos renderam-se a Charles Steward no dia 5 de maio. Tinham passado as últimas semanas fazendo planos mirabolantes de satélites e vôos à lua, num ambiente paradisíaco de florestas, enquanto a sua volta a Alemanha nazista desmoronava-se nos estertores finais.

Robert Staver, por ordens superiores, levou seus preciosos “hóspedes“ para Paris e depois para Londres, onde eles foram cuidadosamente guardados até viajarem incógnitos para o Novo México com documentos falsos. Von Braun, por exemplo, viajou com o passaporte de Willian Smith.

Von Braun (sentado à direita na foto) apresenta uma maquete do foguete Jupiter C que, em 1958, colocou em órbita o primeiro satélite americano

Nos Estados Unidos a equipe alemã retomou seus laboratórios e instalações e passou a trabalhar para o exército. Gradualmente a vigilância sobre eles foi relaxada e alguns acabaram voltando à Alemanha. Mas a maioria ficou, e deu a sua nova pátria de adoção compensações mais que úteis pelo esforço a eles despendidos. Foram eles que desenvolveram o foguete “Júpiter C” que, em 31 de janeiro de 1958, colocou em órbita o primeiro satélite americano; o foguete “Juno II”, que levou a primeira sonda americana à lua, e os gigantescos foguetes “Saturno”, responsáveis pela primazia americana nos vôos tripulados à lua.

Quando isto aconteceu, os custos da “Operação Paperclip” já tinham sido pagos milhares de vezes.

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

DIVULGAÇÃO - III ENCONTRO DE VIATURAS MILITARES DO FORTE DE COPACABANA




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PERSONAGENS DA HISTÓRIA MILITAR – VICE-ALMIRANTE JOHN PASCOE GRENFELL

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* 30/09/1800 - Battersea, Inglaterra

+ 29/03/1869 – Liverpool, Inglaterra


John Pascoe Grenfell foi um militar inglês a serviço do Império Brasileiro. Filho de John G. Grenfell e Sofia, aos onze anos de idade ingressou na Companhia Britânica das Índias Orientais, a serviço da qual fez diversas viagens à Índia. Em 1819 passou a servir como tenente sob as ordens de Thomas Cochrane, participando das lutas da Guerra de Independência do Chile, inclusive o corte do Esmeralda, onde foi gravemente ferido.

Em 1823 acompanhou Cochrane ao Império do Brasil, já no posto de comandante, juntamente com outros oficiais e soldados europeus, para tomar parte nas lutas da Guerra da Independência do Brasil (1822-1823).

Comissionado como primeiro-tenente, partiu do Maranhão, comandando o brigue Maranhão da Marinha do Brasil, e conseguiu a adesão da Província do Pará ao Império. No exercício dessa comissão, fuzilou cinco paraenses no Largo do Palácio, em 17 de outubro de 1823, tendo mesmo chegado a amarrar, à boca de um canhão, o cônego Batista Campos, que, graças à interferência de amigos, foi salvo da morte. De todos os crimes que lhe foram imputados, o mais célebre foi a chamada "tragédia do brigue Palhaço", onde foram vitimados 256 prisioneiros, detidos no porão daquela embarcação no porto de Belém.

Em 1824, deixou o Pará e, embora houvesse ordem de prisão contra ele, conseguiu escapar. Habilidoso, ofereceu mais uma vez os seus serviços ao Imperador, desta vez para combater os revoltosos republicanos da Confederação do Equador, em Pernambuco. Após derrotá-los, retornou ao Rio de Janeiro, onde, julgado em Conselho de Guerra, foi absolvido de seus crimes.

Posteriormente serviu na Guerra Cisplatina em 1826, tendo participado de combates em Buenos Aires, onde veio a perder o seu braço direito. Retornou para a Inglaterra para restabelecer a sua saúde, voltando ao Brasil em 1828. Em 1829 casou-se com Maria Dolores Masini, em Montevidéu, com quem teve vários filhos.

Brigue da Marinha Imperial brasileira

Durante o Período Regencial foi destacado, em 1836, para reprimir a Revolução Farroupilha, no sul do país. Nomeado comandante das forças navais estacionadas no Rio Grande do Sul, comandou a esquadra imperial na Batalha do Fanfa, à frente de dezoito navios de guerra, escunas e canhoneiras. A esquadra bloqueou o lado sul da ilha do Fanfa, no Rio Jacuí, enquanto que as tropas sob o comando de Bento Manuel fechavam o cerco por terra. Ao final da batalha renderam-se ou foram capturadas várias importantes lideranças farroupilhas: Bento Gonçalves da Silva, Tito Lívio Zambeccari, Pedro Boticário, José de Almeida Corte Real, José Calvet, entre outros.

Em 1841 foi nomeado vice-almirante e, em 1846, cônsul geral do Brasil em Liverpool. Retornou ao Brasil quando da Guerra contra Oribe e Rosas, nomeado comandante-em-chefe das forças navais brasileiras na bacia do Rio da Prata, destacando-se na Passagem de Tonelero.

Em 1852 reassumiu as funções de cônsul na Inglaterra, onde veio a falecer, em 1869.

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