"No próprio dia da batalha, as verdades podem ser pinçadas em toda a sua nudez, perguntando apenas;
porém, na manhã seguinte, elas já terão começado a trajar seus uniformes."

(Sir Ian Hamilton)



domingo, 21 de novembro de 2010

TORNE-SE UM ESPECIALISTA EM HISTÓRIA MILITAR


Você quer se tornar um especialista em História Militar?


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A Unisul Virtual está ofertando na modalidade a distância ao Curso de Especialização em História Militar (Turmas 2011).

É uma excelente oportunidade para estudar e debater aspectos quase sempre deixados à margem em Cursos de Graduação.

As inscrições estarão abertas até o dia 05/01/2011.

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EVENTO - REINAUGURAÇÃO DA CASA DA FEB


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sexta-feira, 19 de novembro de 2010

A GUERRA DOS TRINTA ANOS (1618 - 1648)


Entre 1618 e 1648, aconteceu na Europa um conflito que marcou a transição do feudalismo para a Idade Moderna. A Guerra dos Trinta Anos envolveu uma série de países no entorno da região onde hoje está a Alemanha, e teve como elemento catalisador as disputas religiosas decorrentes das reformas protestantes do século XVI. Mas as causas dessa guerra também incluem a luta pela afirmação do poder de monarquias européias, com disputas territoriais e conflitos pela hegemonia.


As causas da Guerra dos Trinta Anos também passam pelos problemas da aliança da dinastia dos Habsburgos e do Sacro Império Romano-Germânico com a Igreja Católica. Essa aliança de religião com Estado, uma herança medieval, não mais se adaptava a um mundo no qual o poder das monarquias nacionais era cada vez mais forte.

A vinculação entre o Império e a Igreja fazia com que os ideais de independência política tivessem um viés religioso, como é o caso da Boêmia, palco dos episódios que se constituíram no estopim do conflito.

Por que aconteceu a Guerra?

As tensões religiosas cresceram na Alemanha no último quarto do século XVI. Durante o reinado de Rodolfo II, a ação católica foi extremamente agressiva. Foram destruídas várias igrejas protestantes, além de uma série de medidas contra a liberdade de culto. Contra tais atitudes, foi fundada em 1608 a União Evangélica. Em resposta, foi fundada, no ano seguinte, a Liga Católica - o que permite imaginar que um conflito não demoraria para aparecer.

Na região tcheca da Boêmia, havia um impasse: a maioria da população era protestante, mas o rei, Fernando II, era católico. Fernando II era da dinastia dos Habsburgos, também duque da Estíria e da Áustria e futuro imperador do Sacro Império. Católico fervoroso, educado pelos jesuítas e herdeiro da aliança entre os Habsburgos e o papado, Fernando reprimiu violentamente os protestantes, destruindo templos e impondo o catolicismo como única religião permitida no reino.

Os Defensores da Fé, ramo boêmio da União Evangélica, lideraram a reação a Fernando. Invadiram o palácio real em 23 de maio de 1618, e atiraram os defensores do rei pela janela do segundo andar, episódio conhecido como a "Defenestração de Praga", considerado o marco inicial da guerra.



Período palatino-boêmio (1618-1624)

Comandados pelo conde Matias von Thurn, os protestantes obtiveram algumas vitórias, estendendo a revolta para outras regiões. A cidade de Viena (hoje capital da Áustria), centro do poder Habsburgos, foi sitiada em 1619. A coroa da Boêmia foi entregue a Frederico V, líder da União Evangélica e eleitor do Palatinado (território administrado por conde palatino).

É preciso lembrar que os protestantes não eram um grupo único. Havia grandes divergências entre luteranos e calvinistas, o que enfraqueceu os protestantes e abriu espaço para a contra ofensiva católica.

Em 8 de Novembro de 1620, um exército da Liga Católica, liderado pelo germânico João T'Serklaes Von Tilly, venceu os protestantes na Batalha da Montanha Branca. Após essa vitória muitos rebeldes foram condenados à morte e todos perderam seus bens.

O protestantismo foi proibido nos domínios imperiais e a língua tcheca substituída pela alemã. Em 1623, Fernando II da Germânia, imperador desde 1619, com a ajuda da Espanha e da região alemã da Baviera, conquistou o Palatinado de Frederico V. A coroa da Boêmia, até então escolhida por voto, tornou-se hereditária dos Habsburgos.

No final de 1624, o Palatinado, agora entregue a Maximiliano I, duque da Baviera, era novamente católico. Com isso teve fim o primeiro período conhecido como Palatino-Boêmio.



Período dinamarquês (1624-1629)

Essa segunda fase da guerra, que ficou conhecida como período dinamarquês, marcou o início da internacionalização do conflito.

Fernando II quis obrigar os protestantes a devolver as propriedades católicas que haviam sido tomadas. Contra essa medida, os protestantes pediram ajuda a Cristiano IV, rei da Noruega e da Dinamarca e também detentor do ducado de Holstein, no Sacro Império.

Fernando II

Protestante e interessado em obter territórios e reduzir o poder Habsburgo sobre seus domínios em Holstein, Cristiano declarou guerra contra os Habsburgos, contando com o apoio de guerreiros holandeses. Cabe lembrar que a Holanda, recém independente do reino espanhol dos Habsburgos, era predominantemente protestante.

Mas a ação militar holandesa, de 1625 a 1627, foi derrotada. Em 1629, foi publicado o Édito da Restituição, um documento que anulava todos os direitos protestantes sobre as propriedades católicas expropriadas a partir da Paz de Augsburgo. Em 22 de Maio de 1629, o rei Cristiano aceitou o Tratado de Lübeck, que o privava de mais alguns territórios germânicos, significando o fim da Dinamarca como potência européia. O imperador Fernando II alcançou o auge de seu poder.



Período sueco (1630-1635)

O terceiro período da guerra, chamado de período sueco (1630 a 1635), marcou o início da ação do cardeal de Richelieu, ministro de Luis XIII e verdadeiro governante da França. Apesar de ligado à Igreja Católica, o cardeal Richelieu queria barrar o avanço dos Habsburgos na Europa, o que o fez ficar do lado dos protestantes. Nesse sentido, Richelieu convenceu o rei da Suécia, Gustavo II Adolfo, a atacar o império de Fernando II.

Gustavo II Adolfo queria o domínio sobre o Sund, estreito que separa o mar do Norte e o mar Báltico e que garante controle comercial e estratégico da região. Para tanto, era necessária a obtenção de uma ilha ao norte da Dinamarca, dominada pelos Habsburgos.


Depois de uma série de vitórias contra as forças imperiais entre 1630 e 1632, Gustavo II Adolfo morreu na batalha de Lützen. Seus sucessores não tiveram o mesmo sucesso. Derrotados definitivamente na Baviera, em 1634, os suecos tiveram que se retirar do território alemão. O fracasso da tentativa de usar os suecos para derrubar os Habsburgos levou o cardeal Richelieu a lançar a França diretamente na guerra.



Período francês (1635-1648)

Em 1635, a França declarou guerra aos Habsburgos, iniciando o quarto e último período, chamado justamente de período francês.

O cardeal Richelieu, que chegou a apoiar protestantes para derrubar a dinastia Habsburgo, tocou guerra contra a Espanha, a Áustria e outros domínios habsburgos dentro da Europa. Richelieu defendia que o Estado deveria se pautar por parâmetros políticos, e não religiosos. Era partidário também do princípio da razão de Estado, fundamental nas relações internacionais da Europa moderna.

Tropas oponentes se enfrentam na batalha da Montanha Branca

Com o apoio dos Países Baixos, da Suécia e das regiões protestantes alemãs, Richelieu chegou a mobilizar um exército de mais de cem mil homens. Além de aniquilar o poder Habsburgo, seu objetivo era consolidar a França como principal potência continental européia.

Entre 1635 e 1644 os franceses e seus aliados impuseram uma séria de derrotas aos Habsburgos em todos os seus núcleos de poder na Europa, tornando sua posição insustentável. Já em 1645, representantes do Império de Fernando II da Germânia tentaram negociações de paz.

As hostilidades estenderam-se até 1648, quando o cerco sueco a Praga e francês a Munique, além da ameaça de ataque a Viena, levaram o imperador a capitular. Os termos de paz foram impostos pelos vencedores na chamada Paz de Vestfália, de 1648.

Entre as conseqüências, o tratado, que marcou o fim da guerra, deu independência aos Países Baixos (até então sob o domínio espanhol) e estabeleceu princípios de acordos entre os países utilizados até pela diplomacia e pelo direito internacional.

Também fortaleceu a importância do poder temporal - político, não religioso - nos Estados e a diminuição da presença de Igreja nas monarquias européias.

Piqueiros e mosqueteiros suecos em uma maquete no museu de Estocolmo




sexta-feira, 5 de novembro de 2010

A ARTE DA CAMUFLAGEM NA 2ª GRANDE GUERRA

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Durante a 2ª Guerra Mundial, a equipe de engenheiros militares norte-americanos precisou esconder a fábrica de aviões da Lockheed em Burbank-Califórnia, ocultando-a de um possível ataque aéreo japonês.

Cobriram-na, então, com camuflagem, fazendo com que parecesse uma região rural típica do interior dos EUA, com pequenas fazendas.

As imagens impressionam. Confira ...








 
É ou não é a camuflagem no estado da arte ?
 
 
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segunda-feira, 1 de novembro de 2010

PENSAMENTO MILITAR - TESTEMUNHO DE UM PILOTO KAMIKAZE



"Eis-me finalmente incorporado às Unidades Especiais. Os 30 dias que restam vão ser minha verdadeira vida. Chegou a hora. O treinamento para a morte me espera: um aprendizado intenso para morrer com beleza. Parto para o combate contemplando a imagem trágica da pátria. Sou um homem entre outros. Nem bom nem mau. Nem sou superior nem sou um imbecil. Sou decididamente um homem."


(22 de fevereiro de 1945, é a última mensagem do piloto japonês Okabe Hirabazau para sua família. Dias depois ele morreria, aos 24 anos, em um ataque aéreo suicida às Filipinas realizado pela Marinha do Japão.)


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OS TÚNEIS CHINESES

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Em 1937, ao começarem as hostilidades entre China e o Japão, por ocasião da Guerra Sino-Japonesa, os aldeões chineses escavaram covas a fim de evitar a perseguição dos japoneses e construíram porões sob suas casas. Os soldados japoneses logo descobriram tais esconderijos. Os chineses ajustaram-se à nova situação e conectaram entre si os porões das casas vizinhas, estabelecendo uma intrincada rede de túneis.

Padioleiros do exército chinês transportando um ferido em um dos túneis

Também estes foram descobertos pelos japoneses, que os bloquearam e inundaram, obrigando, assim, os chineses a abandoná-los. Mas a paciência e a engenhosidade do povo chinês não tinham limites.

Seu próximo passo foi conectar os túneis de uma aldeia a outra. Dessa maneira, foi construído um sistema de comunicações subterrâneas, estendendo-se ao longo de quilômetros. E ali, além do abrigo, encontraram os chineses meios de eliminar centenas de soldados japoneses. Com efeito, depois de permitir a entrada dos inimigos, os chineses fechavam as entradas e inundavam as galerias. Também, em alguns trechos, deixavam armadilhas que se fechavam a retaguarda das colunas japonesas que se aventuravam nas profundidades. Além disso, nas entradas faziam fogueiras, enchendo de fumaça as passagens e matavam os japoneses.

Em seguida, construíram túneis paralelos aos anteriores, com maior profundidade, onde alojavam centenas de aldeões. Depois, fizeram túneis paralelos e distanciados. Restava então só a tarefa de reconhecer também ao longe, o inimigo do amigo. Tal expediente foi simples, bastava ver os pés. Um pé descalço ou calçado de sandália era um aldeão. Um pé calçado com bota significava soldado inimigo.

Entrada de um túnel

Em contrapartida, os japoneses idealizaram diversos ardis para aniquilar os chineses ocultos nos túneis. Uma delas constituía em amarrar num porco um tubo de gás letal, molhando-o com combustível e deitando-lhe fogo. O porco, aterrorizado, corria pelo túnel. Os aldeões, porém, sanaram este perigo construindo fossas cheias de água, onde os porcos caíam.

A luta subterrânea foi terrível. Milhares de aldeões foram vítimas e milhares de japoneses os seguiram pelos caminhos da morte.

O uso de túneis mostraria sua eficiência vinte anos depois, durante a Guerra do Vietnã.

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terça-feira, 26 de outubro de 2010

LANÇAMENTO DE LIVRO - O PROJETO DO SUBMARINO NUCLEAR BRASILEIRO

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Nosso BLOG tem a honra de divulgar o lançamento da obra “O Projeto do Submarino Nuclear Brasileiro. Uma História de Ciência, Tecnologia e Soberania", de autoria de Fernanda das Graças Corrêa, nossa amiga e colega da História Militar.



Sobre a Autora

Fernanda das Graças Corrêa é Mestre em História Comparada com ênfase em Relações Internacionais, Segurança e Defesa Nacional/ Pró-Defesa pela UFRJ, Especialista Lato Sensu em História Militar Brasileira pela UNIRIO, Graduada em História pela UGF. Possui extensão em Energia Nuclear pela Associação Brasileira de Energia Nuclear, em Estratégia Marítima pela Fundação de Estudos do Mar, Estratégias de Empresas pela FGV e em Inteligência pela Empresa Inteligência Operacional. Foi pesquisadora do Departamento de História Marítima e Naval da Diretoria do Patrimônio Histórico e Documentação da Marinha, do Núcleo de Estudos Estratégicos da Unicamp e da Pós-Graduação em Ciências Aeroespaciais da Universidade da Força Aérea.


Sinopse

Este livro foi baseado em sua dissertação de mestrado apresentada à UFRJ em novembro de 2009. A especialista faz parte de um programa do Ministério da Defesa em parceria com o Ministério da Educação e Cultura e o do Ministério da Ciência e Tecnologia, chamado Pró-Defesa, em que realizou uma pesquisa multidisciplinar e inovadora na História do Brasil.

Além de trazer os assuntos da Defesa Nacional para serem debatidos pela sociedade brasileira, Fernanda Corrêa analisou a história do projeto do submarino nuclear numa conjuntura nacional e internacional, demonstrando as razões que motivaram os governos a apoiar o Projeto e a não apoiar. Embora o projeto do submarino nuclear brasileiro pertença a uma concepção estratégica do governo de Ernesto Geisel, na década de 1970, ele remonta a década de 1930, quando a ciência nuclear passou a ser incentivada pelo Governo de Getúlio Vargas.

Apesar de erros cometidos por militares no passado recente, o projeto do submarino nuclear brasileiro é fruto de uma parceria intensa entre civis e militares em instituições e laboratórios brasileiros durante e após a ditadura. A pesquisa chega até o ano de 2010. Em função de ser um empreendimento político-militar complexo e por ainda haver cerceamentos político-econômicos, o projeto do submarino nuclear brasileiro ainda não pôde ser concluído. Espera-se, que com o Acordo Militar Brasil-França de 7 de setembro de 2009, o Governo consiga, por meio da transferência de tecnologia, viabilizar a conclusão do primeiro submarino de propulsão nuclear brasileiro. A História é fundamental para se entender o cenário que os atores envolvidos com a Defesa Nacional se encontram no tempo presente, para a sociedade conhecer as vulnerabilidades do Estado brasileiro e auxiliar o Governo na formulação de uma política estratégica nacional que atenda as reais necessidades da sociedade.


Ficha Técnica

Fernanda das Graças Corrêa, 284 pgs.

Publicado em: 25/08/2010

Editora: Capax Dei

ISBN: 978-85-98059-15-0

Preço: R$ 50,00

Já à venda em livrarias do País.



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sexta-feira, 22 de outubro de 2010

IMAGEM DO DIA - 22/10/2010

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Já durante a 1ª Guerra Mundial, o bombardeio estratégico começava a mostrar suas possibilidades.  Na imagem acima, os integrantes de um esquadrão do Royal Flying Corps britânico posam diante de um bombardeiro Handley-Page 0/400 em 1918

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O SISTEMA MILITAR HOLANDÊS DO SÉCULO XVII

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A revolta holandesa (1565-1609) produziu o que é geralmente considerada pela historiografia militar como o primeiro sistema militar moderno. A luta entre holandeses e seus senhores espanhóis durou cerca de meio século e não oficialmente concluída, na medida em que os espanhóis tentaram resistir à rebelião até 1648. O poder militar e a riqueza dos Habsburgos espanhóis acabaram por ser vencidos pelas forças holandesas, mas foi somente na última década do século XVI que Maurício de Nassau - filho do príncipe-regente assassinado Guilherme de Orange, o Taciturno - recebeu o comando do esforço de guerra holandês. Maurício trabalhou incansavelmente para a reforma do sistema militar, a fim de tirar vantagem da crescente disponibilidade e eficácia das armas de fogo. Seus adversários Alba e Parma, que eram vassalos do rei da Espanha, eram muitas vezes desfalcados em função da guerra na França e muitos dos primeiros sucessos holandeses ocorreram devido à ausência do Exército Espanhol de Flandres e de seus generais mais experientes. Quando Alba e Parma voltaram à Holanda, os espanhóis inverteram a situação, vencendo a maioria dos embates com os holandeses.

Justus Lipsius influenciou profundamente Maurício. O calvinismo e a filosofia neo-estóica de Lipsius, forneceram ao príncipe de Nassau as bases para reformar o exército holandês, cujas inovações se estenderam muito além dos Países Baixos. Diversos soldados e oficiais a serviço da Holanda eram alemães, ingleses, escoceses e huguenotes provenientes de outros países da Europa protestante, ao passo que a rainha Elizabeth contribuiu com grandes somas em dinheiro e tropas para a causa holandesa. Com as reformas de Nassau, o sistema militar holandês tornou-se a escola para os exércitos protestantes do século XVII.

Nassau atribuiu grande importância à hierarquia e à disciplina e determinou a formação de um corpo de oficiais profissionais, baseando-se nos ensinamentos de Lipsius e nas lições de Flávio Vegécio. Os oficiais superiores eram selecionadas entre os nobres holandeses ou nomeados pelo príncipe-regente, enquanto que, nos níveis mais baixos, os oficiais procediam da classe média, cuja riqueza privada lhes permitia subsidiar o custo de manter uma companhia. Apesar da diferença na origem, todos estavam sujeitos à mesma disciplina e recebiam o mesmo treinamento militar, e eram obrigados a incutir o mesmo em suas tropas.

Príncipe Maurício de Nassau


Cada companhia holandesa, comandada por um capitão, possuía tenentes e alferes, juntamente com cinco sargentos. A proporção de oficiais em relação aos soldados era maior nessas formações, permitindo uma melhor disciplina e maior controle durante o combate. Nassau não se limitava a aplicar este sistema nos regimentos holandeses, mas exigia de seus aliados a mesma organização. As companhias estrangeiras e seus capitães, em serviço junto aos holandeses, após liberadas ao final das campanhas, levavam toda essa experiência de serviço militar para seus países de origem.

O sistema militar holandês foi incorporado pelos exércitos sueco e inglês, no início do século XVII. Gustavo Adolfo II, rei da Suécia, empregou oficiais formados segundo o modelo holandês para treinar e liderar seus regimentos, e usou as idéias holandesas para desenvolver seu próprio sistema, utilizando as formações mais compactas e atribuindo maior ênfase ao poder de fogo. Em comparação com o exército holandês, as companhias suecas possuíam uma quantidade semelhante de oficiais, mas o número de sargentos era ligeiramente maior. O sistema de Gustavo Adolfo também foi muito bem sucedido, conforme foi demonstrado durante a Batalha de Breitenfeld (1631), quando os suecos venceram o exército do Sacro-Império Germânico que, embora poderoso, era organizado com base em um sistema militar mais antigo.

O sistema militar holandês também influenciou o Novo Exército inglês de Oliver Cromwell, na medida em que grande parte das tropas de Nassau eram de origem inglesa.


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sexta-feira, 15 de outubro de 2010

EVENTO - I ENCONTRO IMPERIAL DE VIATURAS MILITARES ANTIGAS



HOMENAGEM - DIA DOS PROFESSORES

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A todos os colegas professores de História (e também das demais disciplinas), a nossa homenagem pelo dia de hoje.





SER PROFESSOR


É buscar dentro de cada um de nós
forças para prosseguir, mesmo com toda pressão,
toda tensão, toda falta de tempo...

Esse é nosso exercício diário!
Ser professor é se alimentar do conhecimento
e fazer de si mesmo janela aberta para o outro.


Ser professor é formar gerações, propiciar o
questionamento e abrir as portas do saber.

Ser professor é lutar pela transformação...
É formar e transformar,
através das letras, das artes, dos números... da História.


Ser professor é conhecer os limites do outro.
E, ainda assim, acreditar que ele seja capaz...

Ser professor é também reconhecer que
todos os dias são feitos para aprender...
Sempre um pouco mais...

Ser professor
É saber que o sonho é possível...
É sonhar com a sociedade melhor...
Inclusiva...
Onde todos possam ter acesso ao saber...


Ser professor é também reconhecer que somos,
acima de tudo, seres humanos, e que temos licença para rir, chorar, esbravejar.

Por que assim também ajudamos a pensar e construir o mundo.

(autoria desconhecida)



Parabéns e que Deus os abençoe!



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quinta-feira, 14 de outubro de 2010

IMAGEM DO DIA - 14/10/2010

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Guerra Hispano-americana, 1898.  Soldados negros do Exército dos EUA - os "soldados-búfalo" -  durante uma inspeção de armamento na ilha de Cuba.

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O MOTIM DE 1915 EM CINGAPURA

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Em pleno curso da 1ª Guerra Mundial, o Exército Britânico enfrentou um motim de soldados indianos na guarnição de Cingapura, um dos baluartes do Império de Sua Majestade no continente asiático. A rebelião demonstrou a difícil relação entre colonizadores e colonizados, inclusive no seio de suas forças armadas.




Placa alusiva ao motim de 1915 na entrada do  Victoria Memorial Hall

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No meio da tarde do dia 15 de fevereiro de 1915, um segunda-feira, 815 soldados do 5° Batalhão de Infantaria Ligeira do Exército Indiano, juntamente com cem guias malaios da Bateria de Mulas da Artilharia de Montanha se amotinaram contra o comando britânico. Deixando seus quartéis, dispararam contra um grupo de cinco oficiais britânicos, matando três. Os outros conseguiram escapar e fugiram atrás de ajuda, conseguindo reunir forças suficientes junto a outras unidades militares para debelar a rebelião.

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Uma coluna de cerca de cem amotinados segui em direção ao quartel de Tanglin, onde havia 309 prisioneiros de guerra alemães, inclusive os integrantes da tripulação do cruzador SMS Emdem. Sem nenhum aviso prévio, os rebeldes dispararam contra a guarda do quartel, matando todos os seus integrantes, mas não antes que um guarda conseguisse correr por todo o pátio sob fogo pesado para acionar o alarme. Os amotinados tentaram convencer os alemães a se juntarem a eles, mas apenas 17 destes, mais três holandeses, decidiram unir-se ao movimento. Os demais se recusaram e permaneceram onde estavam, por não terem nada a ver com a rebelião e por considerarem um ato desonroso.

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Outros amotinados seguiram para Keppel Harbour e Pasir Panjang, onde mataram muitos homens e mulheres que transitavam pelas ruas, inclusive um juiz. Ao cair da noite, as autoridades começara a organizar uma força efetiva para enfrentar a ameaça. Fuzileiros navais e marinheiros da tripulação do HMS Cadmus desembarcaram e foram mobilizadas outras tropas da guarnição que não tinham se amotinado. Uma mensagem de rádio foi enviada à Índia, além de ter sido solicitado apoio a alguns navios de guerra aliados que estavam nas proximidades.




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O cruzador francês Montcalm, cuja tripulação auxiliou na contenção do motim

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Em suas ações, os rebeldes cercaram o bangalô do Coronel Martin, comandante da guarnição, o qual se interpunha na direção da estrada para a cidade de Cingapura. O coronel e alguns homens permaneceram cercados por toda a noite, até que foram libertados ao amanhecer por voluntários armados e civis. Tal ação foi tão bem sucedida que foi possível capturar boa parte da artilharia que estava em poder dos amotinados, embora custasse aos voluntários um morto e cinco feridos. Os amotinados dispersos, apesar de continuarem inquietando a população e as tropas da guarnição britânica com atiradores isolados.

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Na quarta-feira, 17 de fevereiro, o cruzador francês Montcalm e alguns navios de guerra menores russos e japoneses chegaram ao porto. Essas unidades navais desembarcaram numerosa tropa de fuzileiros que, imediatamente, avançaram sobre os amotinados. A batalha que se seguiu abalou a organização dos rebeldes: um grande número se rendeu de imediato, outros conseguiram fugir e internaram-se na selva. Boa parte desses fugitivos tentou se evadir, atravessando o Estreito de Johore, mas foram cercados e capturados pelas forças do exército do Sultão de Johore. Nesse tempo, alguns rebeldes que permaneceram escondidos na floresta permaneceram inquietando os britânicos e os franceses com fogo de sniper dirigido contra suas tropas.
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Em 20 de fevereiro, seis companhias do 5° Regimento Territorial de Shropshire britânico chegaram de Rangun, na Birmânia, aliviando os marinheiros e fuzileiros navais. O reforço possibilitou eliminar o foco do motim em curto espaço de tempo.

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Dois dias depois, em 22 de fevereiro de 1915, foram instauradas as devidas cortes marciais, que resultaram na condenação à morte por fuzilamento de grande número de soldados amotinados, além de outras penas menores conforme o envolvimento no motim. A maior das execuções públicas ocorreu com uma companhia de 110 homens disparando, de uma só vez, contra 22 amotinados condenados. Os rebeldes que haviam se rendido precocemente foram enviados para lutar na África contra as tropas alemãs do General Von Lettow Vorbeck.
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Além dos militares, o inquérito provou que um comerciante indiano também se envolveu no movimento, enviando mensagens ao cônsul turco em Rangun oferecendo-lhe ajuda e incentivando a guarnição indiana naquela cidade a também se amotinar. Da mesma forma que os principais líderes do movimento, o comerciante também foi fuzilado.
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O saldo do motim: sipaios amotinados são executados em cerimônia pública
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Como balanço final do motim de 1915, foram registradas, entre os britânicos, 47 vítimas fatais (33 militares e 14 civis); um fuzileiro naval francês e três marinheiros russos foram feridos nos combates. O motim levou as autoridades britânicas a determinarem o serviço militar obrigatório para todos os cidadãos britânicos de 18 a 55 anos residentes em Cingapura.

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

IMAGEM DO DIA - 08/10/2010



Primeira notícia sobre a Revolução de 1930. publicada no jornal Correio do Povo

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DOCUMENTO – ARMISTÍCIO ASSINADO PELA ITÁLIA COM AS NAÇÕES ALIADAS


O General Castellano, em trajes civis, é cumprimentado pelo General Eisenhower, Comandante-supremo aliado, após a assinatura do armistício que pôs a Itália fora da guerra


Às 17h15 de 3 de setembro de 1943, o General Castellano, representante do governo do Marechal Badoglio, assinou, no quartel-general aliado, na localidade de Casibile, Sicília, o armistício com as nações aliadas. Reproduzimos as cláusulas do histórico documento:

1o - Cessação imediata de toda atividade hostil das forças armadas italianas

2o - A Itália fará todo o possível para privar a Alemanha de facilidades que possam desfavorecer as Nações Unidas.

3o - Serão imediatamente entregues ao chefe supremo aliado todos os prisioneiros ou internados das Nações Unidas, nenhum dos quais será evacuado para a Alemanha nem agora nem nunca.

4o - Translado imediato da frota e da aviação italiana aos lugares determinados pelo chefe supremo aliado, que fixará os detalhes para o desarmamento.

5o - O chefe supremo aliado poderá requisitar a marinha mercante italiana para fazer frente às necessidades do seu programa militar e naval.

6o - Rendição imediata aos Aliados da Córsega e de toda a Itália, tanto ilhas como região peninsular, para seu uso como base de operações ou outros fins que os Aliados considerem conveniente.

7o - Imediata garantia de livre emprego pelos Aliados de todos os aeródromos, e portos navais em território italiano.

8o - Imediata retirada, para a Itália, de todas as forças italianas que cessarão a sua atuação na guerra atual, nas zonas em que se encontrem lutando.

9o - Garantia do governo italiano de que, caso seja necessário, utilizará as forças armadas disponíveis para assegurar o imediato e exato cumprimento de todas as condições deste armistício.

10o - O chefe supremo aliado se reserva o direito de adotar qualquer medida que, na sua opinião, possa ser necessária para a proteção dos interesses das forças aliadas. O governo italiano fica obrigado a tomar medidas administrativas ou outras que o chefe aliado requerer e, principalmente, o chefe supremo aliado estabelecerá um governo militar aliado em qualquer parte do território italiano, segundo julgue conveniente, em benefício dos interesses militares das Nações Unidas.


11o - O chefe supremo aliado terá pleno direito de impor os meios de desarmamento, desmobilização e desmilitarização.

12o - Mais tarde serão fixadas outras condições de caráter político, econômico e financeiro que a Itália terá a obrigação de cumprir.

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terça-feira, 5 de outubro de 2010

NOTÍCIA - MARINHA COMEÇA A RETIRAR MINAS DE MARAGOGI-AL

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A Capitania dos Portos de Alagoas divulgou que dará início esta tarde à remoção de seis artefatos bélicos (minas aquáticas flutuantes) encontrados na cidade de Maragogi, no litoral norte do Estado, a 131 quilômetros de Maceió. A operação estava marcada para começar na próxima sexta-feira, mas foi antecipada devido à programação de apoio logístico da Força Aérea Brasileira (FAB), que levou as equipes da Marinha, do Rio de Janeiro para Maceió. Os militares desembarcaram ontem à tarde, no Aeroporto Internacional Zumbi dos Palmares. Eles vão acompanhar toda a operação de remoção e desativação das minas.

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De acordo com a Capitania dos Portos de Alagoas, o trabalho começa às 13h30, na Praia do Antunes, quando serão removidos dois artefatos. Mais duas minas serão retiradas na orla marítima e outras duas localizadas no Centro da cidade. Durante a remoção de cada mina, os moradores serão obrigados a evacuar a região pelo período de três horas, para evitar acidentes durante uma possível detonação acidental. As minas serão levadas para uma área específica em caçambas.

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As primeiras minas foram localizadas em maio deste ano, por operários que faziam serviço de saneamento básico na região central de Maragogi. Os artefatos estavam enterrados em diferentes pontos da cidade e teriam sido arrastados até o continente pelas correntes marítimas, ao logo dos anos.

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Segundo a Marinha, as minas flutuantes foram usadas na Segunda Guerra Mundial. A partir da primeira mina descoberta, foi realizado um levantamento na área e mais seis artefatos foram localizados. O primeiro artefato encontrado foi removido do local e detonado em um trecho de praia deserta, no Centro de Maragogi. Mesmo assim, o impacto da detonação foi tão grande que assustou moradores da região e causou pequenos danos em casas localizadas na redondeza.

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A operação de remoção deve ser concluída até sexta-feira, com a detonação dos seis artefatos em uma área deserta. As minas serão enterradas para minimizar a capacidade destrutiva. Segundo a Marinha, a área será interditada em um perímetro de 150 metros do local de detonação para evitar acidentes.


Fonte: Portal G1


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IMAGEM DO DIA - 05/10/2010

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Helicóptero H-34 do exército francês desembarcando tropas durante uma patrulha na Guerra da Argélia, 1954.  O helicóptero foi amplamente empregado no conflito, demonstrando suas possibilidades em combate.

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OS CANHÕES DA ESQUADRA DE GARIBALDI

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No pátio do Museu Júlio de Castilhos, em Porto Alegre-RS, desde 2003 os visitantes podem conhecer cinco canhões que pertenceram à esquadra de Giuseppe Garibaldi entre os anos de 1836 e 1839. Por longo tempo eles permaneceram no fundo do arroio Santa Izabel, na cidade gaúcha de Camaquã, onde foi travado um embate entre os Farrapos e os Legalistas.
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Segundo notícia transcrita do jornal "A Federação", de dezembro de 1896, os canhões foram abandonados na antiga barra do arroio Santa Isabel, próximo à Vila de São João do Camaquã, hoje município de Camaquã.

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Giuseppe Garibaldi
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Por ocasião do combate travado em agosto de 1839 entre a esquadra imperial, comandada pelo Comandante John Pascoe Grenfell, e a esquadra farroupilha, sob a chefia de Garibaldi e Zeferino Dutra, os farroupilhas se dividiram. Garibaldi seguiu para Laguna com os navios Seival e Farroupilha, enquanto Zeferino Dutra ficou na barra do Arroio Santa Isabel, afluente do Rio Camaquã, com os lanchões Rio Pardo, Independência e Setembrina, onde foi atacado por Grenfell.
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Zeferino Dutra, com o intuito de oferecer resistência, jogou os canhões nas águas da Lagoa Formosa em 14 de agosto de1839, para aliviar o peso e aumentar a mobilidade de suas embarcações. Mas não foi o suficiente. Alcançado pelas forças de Grenfell, foi obrigado a se render e todo o material foi apreendido, menos os canhões, que não se encontravam mais nas embarcações.
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Um dos canhões em exposição
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Mais tarde, em dezembro de 1896, José Divino Vieira Rodrigues, administrador de obras da então vila de Camaquã, realizou uma expedição à citada barra para recuperar os canhões. Desenterradas as peças, foram colocadas sobre sólidos reparos de quatro rodas, como meio de locomoção. Em seguida foram conduzidas por carretas, ao longo da margem do Camaquã até a vila. José Divino propôs a venda das peças ao Governo Brasileiro, que não aceitou.
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Em 1926, os canhões, que então pertenciam à Intendência Municipal de Camaquã, foram resgatados e doados ao museu.
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Os canhões podem ser vistos no museu, localizado no seguinte endereço:

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Museu Julio de Castilhos
Rua Duque de Caxias, 1205 e 1231
Centro - Porto Alegre - RS
Telefone/Fax: (51) 3221-3959

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quinta-feira, 30 de setembro de 2010

PENSAMENTO MILITAR - PLANEJAMENTO X REALIDADE DA BATALHA


"A grande arte é mudar durante a batalha. Ai do general que vai para o combate com um esquema."

Napoleão Bonaparte

GEOGRAFIA MILITAR POR UM GEÓGRAFO BRASILEIRO

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Por Alfredo Durães



Belo Horizonte — Foi um fracasso total. Uma das mais famosas fortificações militares de defesa, a Linha Maginot, criada na França na década de 1930 para repelir possíveis ataques alemães, teve um custo estratosférico, levou anos para ser construída e, na hora do vamos ver, se mostrou totalmente inútil. A Maginot não impediu que o exército alemão (Wehrmacht) ocupasse a França e Hitler posasse para fotos embaixo do Arco do Triunfo, para enorme desilusão dos franceses.

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Esse grande episódio da história moderna é lembrado pelo professor e geógrafo Filipe Giuseppe Dal Bó Ribeiro, da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências da Universidade de São Paulo (FFLCH/USP). Ele pesquisou a trajetória da geografia militar desde o século 19 e, no mês passado, apresentou suas conclusões. Ele aponta uma possível forma de aproximação com a geografia acadêmica no Brasil, por meio de informações que contribuam para organizar a defesa do território do país, em especial na Região Amazônica. O geógrafo levantou a bibliografia existente sobre o tema no Brasil, concentrada em instituições militares.
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De acordo com Dal Bó, “o fracasso da Linha Maginot talvez seja o marco do fim da antiga geografia militar, aquela mais topográfica e imbuída de antigas doutrinas sobre a tática militar”. Ele acredita que o marco da nova geografia militar foi a grande Batalha da Normandia (também na Segunda Guerra), que coordenou, de maneira vitoriosa, a travessia das tropas aliadas do Canal da Mancha, numa área muito bem protegida pelos alemães, por meio de uma logística bem estabelecida. “O chamado ‘dia D’ deve ser considerado um marco para a nova geografia militar, pois os fatores geográficos foram ponderados e os obstáculos naturais transpostos por um bom planejamento e por uma boa engenharia militar”, pontua.


Mapa mostrando a extensão da Linha Maginot


Questionado sobre a importância do estudo e da aplicação da geografia militar nos dias atuais, o professor diz que “o conhecimento do território é uma das matérias fundamentais que todo o comandante e seus encarregados devem estudar”. “É importante, desde o comando das menores unidades de combate até os mais altos escalões, onde se discute a estratégia e se desenvolve o conhecimento da geografia. Não podemos considerar apenas as condições do terreno, mas do território com todas as suas complexidades. Toda solução para uma situação tática ou estratégica requer o conhecimento prévio do cenário de onde vai se atuar”, acrescenta.



Dal Bó acredita firmemente que no Brasil esse estudo é fundamental, pois trata-se de um país de dimensões continentais e que tem uma enorme fronteira se relacionando com quase todos os países de seu continente, com exceção de Chile e Equador. “Além de um dos maiores litorais contínuos e navegáveis do mundo, um dos mais extensos mares territoriais e de um espaço aéreo também grandioso, o Brasil é um país muito diverso no que se refere ao relevo, vegetação e solos; com extensas redes hidrográficas que poderiam funcionar como um fator de integração; uma população de quase 200 milhões de pessoas e um território ainda pouco ocupado. É necessário que haja uma contribuição da ciência acadêmica, e nesse caso, a geografia é aquela que muito pode contribuir, por tratar da interação de todos os fenômenos espaciais, tanto físicos quanto humanos e de como eles transformam a organização do território”, diz.

Ele acrescenta que no campo da geografia não há escolas no Brasil que tratem do tema, mas sim instituições militares, como a Escola de Comando do Estado-Maior do Exército e a Escola Superior de Guerra. “A questão da Amazônia não é apenas restrita às suas fronteiras, mas é claro que elas chamam atenção pela sua extensão e pela sua diversidade. Portanto é assunto que deve ser estudado pela geografia militar”, diz.



Inimigos do Brasil? Professor da Universidade de Campinas (Unicamp) e uma das maiores autoridades brasileiras em estratégia militar, o coronel Geraldo Cavagnari, 76 anos, é rápido para devolver a seguinte pergunta: se o Brasil não tem inimigos declarados, por que se preocupar com a defesa do território? “Me diga então quem é o inimigo da França?”, questiona o militar reformado do Exército. Ele mesmo emenda a resposta: “Veja bem, a França não tem nenhum inimigo exposto, mas tem um dos mais modernos exércitos do mundo. Esse é o verdadeiro sentido da segurança nacional. Temos sempre que ter a chamada ‘pronta resposta’”, explica, com a autoridade de quem já foi comandante de inteligência do Exército.

Ele explica que o segmento da geografia militar no Brasil floresceu no começo da década de 1920, com chegada de uma missão militar francesa ao país que teve como tarefa modernizar o Exército. “Essa missão ficou aqui por quase 20 anos, treinando e modernizando nossas tropas, imbuindo o sentimento de organização e estratégia”, explica.

Num cenário de confronto hipotético em fronteiras brasileiras, ele aponta as Forças Armadas da Colômbia como um poderoso inimigo, mas faz ressalvas. “A Colômbia tem um exército moderno e muito bem equipado, treinado inclusive para a guerra de selva. Mas não tem efetivo suficiente para uma penetração profunda. Não teria fôlego para uma ocupação”, decreta.



Outro inimigo, ainda no campo das hipóteses, seria uma aliança de países ao Sul do Brasil, como Paraguai, Uruguai e Argentina. “Essa aliança até poderia ocupar, num primeiro momento, partes do Rio Grande do Sul e do Paraná, mas também não teriam efetivo e força suficiente nem para uma penetração maior em nosso território nem para mantê-la”, argumenta. Cavagnari lembra que para o Brasil obter a tão almejada cadeira no Conselho de Segurança das Nações Unidas, tem que ter Forças Armadas fortes. “Note que já somos uma potência econômica, mas teremos que ser, igualmente, uma potência militar”, conjectura.

.Fonte - Correio Brasiliense

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EVENTO - SHOW AÉREO NO MUSAL

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Amantes da aviação podem ir se preparando para o Show Aéreo do Museu Aeroespacial (Musal) no Rio de Janeiro que será realizado dia 17 de outubro de 2010, domingo.

O evento anual, que reúne milhares de pessoas, terá diversas atrações, como: aeronaves em exposição, helicópteros e aviões de combate, pára-quedismo, Equipe Wingwalking (Balé Aéreo), além da participação especial da Esquadrilha da Fumaça, que brindará o público com um show de arrojo e beleza nos céus.

Maiores informações no site do Musal:

domingo, 26 de setembro de 2010

IMAGEM DO DIA - 26/09/2010

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Fuzileiros do Batalhão Naval combatendo durante a Guerra da Tríplice-Aliança.  Tela de Álvaro Martins

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