"No próprio dia da batalha, as verdades podem ser pinçadas em toda a sua nudez, perguntando apenas;
porém, na manhã seguinte, elas já terão começado a trajar seus uniformes."

(Sir Ian Hamilton)



terça-feira, 26 de outubro de 2010

LANÇAMENTO DE LIVRO - O PROJETO DO SUBMARINO NUCLEAR BRASILEIRO

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Nosso BLOG tem a honra de divulgar o lançamento da obra “O Projeto do Submarino Nuclear Brasileiro. Uma História de Ciência, Tecnologia e Soberania", de autoria de Fernanda das Graças Corrêa, nossa amiga e colega da História Militar.



Sobre a Autora

Fernanda das Graças Corrêa é Mestre em História Comparada com ênfase em Relações Internacionais, Segurança e Defesa Nacional/ Pró-Defesa pela UFRJ, Especialista Lato Sensu em História Militar Brasileira pela UNIRIO, Graduada em História pela UGF. Possui extensão em Energia Nuclear pela Associação Brasileira de Energia Nuclear, em Estratégia Marítima pela Fundação de Estudos do Mar, Estratégias de Empresas pela FGV e em Inteligência pela Empresa Inteligência Operacional. Foi pesquisadora do Departamento de História Marítima e Naval da Diretoria do Patrimônio Histórico e Documentação da Marinha, do Núcleo de Estudos Estratégicos da Unicamp e da Pós-Graduação em Ciências Aeroespaciais da Universidade da Força Aérea.


Sinopse

Este livro foi baseado em sua dissertação de mestrado apresentada à UFRJ em novembro de 2009. A especialista faz parte de um programa do Ministério da Defesa em parceria com o Ministério da Educação e Cultura e o do Ministério da Ciência e Tecnologia, chamado Pró-Defesa, em que realizou uma pesquisa multidisciplinar e inovadora na História do Brasil.

Além de trazer os assuntos da Defesa Nacional para serem debatidos pela sociedade brasileira, Fernanda Corrêa analisou a história do projeto do submarino nuclear numa conjuntura nacional e internacional, demonstrando as razões que motivaram os governos a apoiar o Projeto e a não apoiar. Embora o projeto do submarino nuclear brasileiro pertença a uma concepção estratégica do governo de Ernesto Geisel, na década de 1970, ele remonta a década de 1930, quando a ciência nuclear passou a ser incentivada pelo Governo de Getúlio Vargas.

Apesar de erros cometidos por militares no passado recente, o projeto do submarino nuclear brasileiro é fruto de uma parceria intensa entre civis e militares em instituições e laboratórios brasileiros durante e após a ditadura. A pesquisa chega até o ano de 2010. Em função de ser um empreendimento político-militar complexo e por ainda haver cerceamentos político-econômicos, o projeto do submarino nuclear brasileiro ainda não pôde ser concluído. Espera-se, que com o Acordo Militar Brasil-França de 7 de setembro de 2009, o Governo consiga, por meio da transferência de tecnologia, viabilizar a conclusão do primeiro submarino de propulsão nuclear brasileiro. A História é fundamental para se entender o cenário que os atores envolvidos com a Defesa Nacional se encontram no tempo presente, para a sociedade conhecer as vulnerabilidades do Estado brasileiro e auxiliar o Governo na formulação de uma política estratégica nacional que atenda as reais necessidades da sociedade.


Ficha Técnica

Fernanda das Graças Corrêa, 284 pgs.

Publicado em: 25/08/2010

Editora: Capax Dei

ISBN: 978-85-98059-15-0

Preço: R$ 50,00

Já à venda em livrarias do País.



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sexta-feira, 22 de outubro de 2010

IMAGEM DO DIA - 22/10/2010

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Já durante a 1ª Guerra Mundial, o bombardeio estratégico começava a mostrar suas possibilidades.  Na imagem acima, os integrantes de um esquadrão do Royal Flying Corps britânico posam diante de um bombardeiro Handley-Page 0/400 em 1918

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O SISTEMA MILITAR HOLANDÊS DO SÉCULO XVII

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A revolta holandesa (1565-1609) produziu o que é geralmente considerada pela historiografia militar como o primeiro sistema militar moderno. A luta entre holandeses e seus senhores espanhóis durou cerca de meio século e não oficialmente concluída, na medida em que os espanhóis tentaram resistir à rebelião até 1648. O poder militar e a riqueza dos Habsburgos espanhóis acabaram por ser vencidos pelas forças holandesas, mas foi somente na última década do século XVI que Maurício de Nassau - filho do príncipe-regente assassinado Guilherme de Orange, o Taciturno - recebeu o comando do esforço de guerra holandês. Maurício trabalhou incansavelmente para a reforma do sistema militar, a fim de tirar vantagem da crescente disponibilidade e eficácia das armas de fogo. Seus adversários Alba e Parma, que eram vassalos do rei da Espanha, eram muitas vezes desfalcados em função da guerra na França e muitos dos primeiros sucessos holandeses ocorreram devido à ausência do Exército Espanhol de Flandres e de seus generais mais experientes. Quando Alba e Parma voltaram à Holanda, os espanhóis inverteram a situação, vencendo a maioria dos embates com os holandeses.

Justus Lipsius influenciou profundamente Maurício. O calvinismo e a filosofia neo-estóica de Lipsius, forneceram ao príncipe de Nassau as bases para reformar o exército holandês, cujas inovações se estenderam muito além dos Países Baixos. Diversos soldados e oficiais a serviço da Holanda eram alemães, ingleses, escoceses e huguenotes provenientes de outros países da Europa protestante, ao passo que a rainha Elizabeth contribuiu com grandes somas em dinheiro e tropas para a causa holandesa. Com as reformas de Nassau, o sistema militar holandês tornou-se a escola para os exércitos protestantes do século XVII.

Nassau atribuiu grande importância à hierarquia e à disciplina e determinou a formação de um corpo de oficiais profissionais, baseando-se nos ensinamentos de Lipsius e nas lições de Flávio Vegécio. Os oficiais superiores eram selecionadas entre os nobres holandeses ou nomeados pelo príncipe-regente, enquanto que, nos níveis mais baixos, os oficiais procediam da classe média, cuja riqueza privada lhes permitia subsidiar o custo de manter uma companhia. Apesar da diferença na origem, todos estavam sujeitos à mesma disciplina e recebiam o mesmo treinamento militar, e eram obrigados a incutir o mesmo em suas tropas.

Príncipe Maurício de Nassau


Cada companhia holandesa, comandada por um capitão, possuía tenentes e alferes, juntamente com cinco sargentos. A proporção de oficiais em relação aos soldados era maior nessas formações, permitindo uma melhor disciplina e maior controle durante o combate. Nassau não se limitava a aplicar este sistema nos regimentos holandeses, mas exigia de seus aliados a mesma organização. As companhias estrangeiras e seus capitães, em serviço junto aos holandeses, após liberadas ao final das campanhas, levavam toda essa experiência de serviço militar para seus países de origem.

O sistema militar holandês foi incorporado pelos exércitos sueco e inglês, no início do século XVII. Gustavo Adolfo II, rei da Suécia, empregou oficiais formados segundo o modelo holandês para treinar e liderar seus regimentos, e usou as idéias holandesas para desenvolver seu próprio sistema, utilizando as formações mais compactas e atribuindo maior ênfase ao poder de fogo. Em comparação com o exército holandês, as companhias suecas possuíam uma quantidade semelhante de oficiais, mas o número de sargentos era ligeiramente maior. O sistema de Gustavo Adolfo também foi muito bem sucedido, conforme foi demonstrado durante a Batalha de Breitenfeld (1631), quando os suecos venceram o exército do Sacro-Império Germânico que, embora poderoso, era organizado com base em um sistema militar mais antigo.

O sistema militar holandês também influenciou o Novo Exército inglês de Oliver Cromwell, na medida em que grande parte das tropas de Nassau eram de origem inglesa.


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sexta-feira, 15 de outubro de 2010

EVENTO - I ENCONTRO IMPERIAL DE VIATURAS MILITARES ANTIGAS



HOMENAGEM - DIA DOS PROFESSORES

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A todos os colegas professores de História (e também das demais disciplinas), a nossa homenagem pelo dia de hoje.





SER PROFESSOR


É buscar dentro de cada um de nós
forças para prosseguir, mesmo com toda pressão,
toda tensão, toda falta de tempo...

Esse é nosso exercício diário!
Ser professor é se alimentar do conhecimento
e fazer de si mesmo janela aberta para o outro.


Ser professor é formar gerações, propiciar o
questionamento e abrir as portas do saber.

Ser professor é lutar pela transformação...
É formar e transformar,
através das letras, das artes, dos números... da História.


Ser professor é conhecer os limites do outro.
E, ainda assim, acreditar que ele seja capaz...

Ser professor é também reconhecer que
todos os dias são feitos para aprender...
Sempre um pouco mais...

Ser professor
É saber que o sonho é possível...
É sonhar com a sociedade melhor...
Inclusiva...
Onde todos possam ter acesso ao saber...


Ser professor é também reconhecer que somos,
acima de tudo, seres humanos, e que temos licença para rir, chorar, esbravejar.

Por que assim também ajudamos a pensar e construir o mundo.

(autoria desconhecida)



Parabéns e que Deus os abençoe!



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quinta-feira, 14 de outubro de 2010

IMAGEM DO DIA - 14/10/2010

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Guerra Hispano-americana, 1898.  Soldados negros do Exército dos EUA - os "soldados-búfalo" -  durante uma inspeção de armamento na ilha de Cuba.

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O MOTIM DE 1915 EM CINGAPURA

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Em pleno curso da 1ª Guerra Mundial, o Exército Britânico enfrentou um motim de soldados indianos na guarnição de Cingapura, um dos baluartes do Império de Sua Majestade no continente asiático. A rebelião demonstrou a difícil relação entre colonizadores e colonizados, inclusive no seio de suas forças armadas.




Placa alusiva ao motim de 1915 na entrada do  Victoria Memorial Hall

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No meio da tarde do dia 15 de fevereiro de 1915, um segunda-feira, 815 soldados do 5° Batalhão de Infantaria Ligeira do Exército Indiano, juntamente com cem guias malaios da Bateria de Mulas da Artilharia de Montanha se amotinaram contra o comando britânico. Deixando seus quartéis, dispararam contra um grupo de cinco oficiais britânicos, matando três. Os outros conseguiram escapar e fugiram atrás de ajuda, conseguindo reunir forças suficientes junto a outras unidades militares para debelar a rebelião.

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Uma coluna de cerca de cem amotinados segui em direção ao quartel de Tanglin, onde havia 309 prisioneiros de guerra alemães, inclusive os integrantes da tripulação do cruzador SMS Emdem. Sem nenhum aviso prévio, os rebeldes dispararam contra a guarda do quartel, matando todos os seus integrantes, mas não antes que um guarda conseguisse correr por todo o pátio sob fogo pesado para acionar o alarme. Os amotinados tentaram convencer os alemães a se juntarem a eles, mas apenas 17 destes, mais três holandeses, decidiram unir-se ao movimento. Os demais se recusaram e permaneceram onde estavam, por não terem nada a ver com a rebelião e por considerarem um ato desonroso.

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Outros amotinados seguiram para Keppel Harbour e Pasir Panjang, onde mataram muitos homens e mulheres que transitavam pelas ruas, inclusive um juiz. Ao cair da noite, as autoridades começara a organizar uma força efetiva para enfrentar a ameaça. Fuzileiros navais e marinheiros da tripulação do HMS Cadmus desembarcaram e foram mobilizadas outras tropas da guarnição que não tinham se amotinado. Uma mensagem de rádio foi enviada à Índia, além de ter sido solicitado apoio a alguns navios de guerra aliados que estavam nas proximidades.




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O cruzador francês Montcalm, cuja tripulação auxiliou na contenção do motim

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Em suas ações, os rebeldes cercaram o bangalô do Coronel Martin, comandante da guarnição, o qual se interpunha na direção da estrada para a cidade de Cingapura. O coronel e alguns homens permaneceram cercados por toda a noite, até que foram libertados ao amanhecer por voluntários armados e civis. Tal ação foi tão bem sucedida que foi possível capturar boa parte da artilharia que estava em poder dos amotinados, embora custasse aos voluntários um morto e cinco feridos. Os amotinados dispersos, apesar de continuarem inquietando a população e as tropas da guarnição britânica com atiradores isolados.

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Na quarta-feira, 17 de fevereiro, o cruzador francês Montcalm e alguns navios de guerra menores russos e japoneses chegaram ao porto. Essas unidades navais desembarcaram numerosa tropa de fuzileiros que, imediatamente, avançaram sobre os amotinados. A batalha que se seguiu abalou a organização dos rebeldes: um grande número se rendeu de imediato, outros conseguiram fugir e internaram-se na selva. Boa parte desses fugitivos tentou se evadir, atravessando o Estreito de Johore, mas foram cercados e capturados pelas forças do exército do Sultão de Johore. Nesse tempo, alguns rebeldes que permaneceram escondidos na floresta permaneceram inquietando os britânicos e os franceses com fogo de sniper dirigido contra suas tropas.
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Em 20 de fevereiro, seis companhias do 5° Regimento Territorial de Shropshire britânico chegaram de Rangun, na Birmânia, aliviando os marinheiros e fuzileiros navais. O reforço possibilitou eliminar o foco do motim em curto espaço de tempo.

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Dois dias depois, em 22 de fevereiro de 1915, foram instauradas as devidas cortes marciais, que resultaram na condenação à morte por fuzilamento de grande número de soldados amotinados, além de outras penas menores conforme o envolvimento no motim. A maior das execuções públicas ocorreu com uma companhia de 110 homens disparando, de uma só vez, contra 22 amotinados condenados. Os rebeldes que haviam se rendido precocemente foram enviados para lutar na África contra as tropas alemãs do General Von Lettow Vorbeck.
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Além dos militares, o inquérito provou que um comerciante indiano também se envolveu no movimento, enviando mensagens ao cônsul turco em Rangun oferecendo-lhe ajuda e incentivando a guarnição indiana naquela cidade a também se amotinar. Da mesma forma que os principais líderes do movimento, o comerciante também foi fuzilado.
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O saldo do motim: sipaios amotinados são executados em cerimônia pública
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Como balanço final do motim de 1915, foram registradas, entre os britânicos, 47 vítimas fatais (33 militares e 14 civis); um fuzileiro naval francês e três marinheiros russos foram feridos nos combates. O motim levou as autoridades britânicas a determinarem o serviço militar obrigatório para todos os cidadãos britânicos de 18 a 55 anos residentes em Cingapura.

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

IMAGEM DO DIA - 08/10/2010



Primeira notícia sobre a Revolução de 1930. publicada no jornal Correio do Povo

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DOCUMENTO – ARMISTÍCIO ASSINADO PELA ITÁLIA COM AS NAÇÕES ALIADAS


O General Castellano, em trajes civis, é cumprimentado pelo General Eisenhower, Comandante-supremo aliado, após a assinatura do armistício que pôs a Itália fora da guerra


Às 17h15 de 3 de setembro de 1943, o General Castellano, representante do governo do Marechal Badoglio, assinou, no quartel-general aliado, na localidade de Casibile, Sicília, o armistício com as nações aliadas. Reproduzimos as cláusulas do histórico documento:

1o - Cessação imediata de toda atividade hostil das forças armadas italianas

2o - A Itália fará todo o possível para privar a Alemanha de facilidades que possam desfavorecer as Nações Unidas.

3o - Serão imediatamente entregues ao chefe supremo aliado todos os prisioneiros ou internados das Nações Unidas, nenhum dos quais será evacuado para a Alemanha nem agora nem nunca.

4o - Translado imediato da frota e da aviação italiana aos lugares determinados pelo chefe supremo aliado, que fixará os detalhes para o desarmamento.

5o - O chefe supremo aliado poderá requisitar a marinha mercante italiana para fazer frente às necessidades do seu programa militar e naval.

6o - Rendição imediata aos Aliados da Córsega e de toda a Itália, tanto ilhas como região peninsular, para seu uso como base de operações ou outros fins que os Aliados considerem conveniente.

7o - Imediata garantia de livre emprego pelos Aliados de todos os aeródromos, e portos navais em território italiano.

8o - Imediata retirada, para a Itália, de todas as forças italianas que cessarão a sua atuação na guerra atual, nas zonas em que se encontrem lutando.

9o - Garantia do governo italiano de que, caso seja necessário, utilizará as forças armadas disponíveis para assegurar o imediato e exato cumprimento de todas as condições deste armistício.

10o - O chefe supremo aliado se reserva o direito de adotar qualquer medida que, na sua opinião, possa ser necessária para a proteção dos interesses das forças aliadas. O governo italiano fica obrigado a tomar medidas administrativas ou outras que o chefe aliado requerer e, principalmente, o chefe supremo aliado estabelecerá um governo militar aliado em qualquer parte do território italiano, segundo julgue conveniente, em benefício dos interesses militares das Nações Unidas.


11o - O chefe supremo aliado terá pleno direito de impor os meios de desarmamento, desmobilização e desmilitarização.

12o - Mais tarde serão fixadas outras condições de caráter político, econômico e financeiro que a Itália terá a obrigação de cumprir.

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terça-feira, 5 de outubro de 2010

NOTÍCIA - MARINHA COMEÇA A RETIRAR MINAS DE MARAGOGI-AL

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A Capitania dos Portos de Alagoas divulgou que dará início esta tarde à remoção de seis artefatos bélicos (minas aquáticas flutuantes) encontrados na cidade de Maragogi, no litoral norte do Estado, a 131 quilômetros de Maceió. A operação estava marcada para começar na próxima sexta-feira, mas foi antecipada devido à programação de apoio logístico da Força Aérea Brasileira (FAB), que levou as equipes da Marinha, do Rio de Janeiro para Maceió. Os militares desembarcaram ontem à tarde, no Aeroporto Internacional Zumbi dos Palmares. Eles vão acompanhar toda a operação de remoção e desativação das minas.

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De acordo com a Capitania dos Portos de Alagoas, o trabalho começa às 13h30, na Praia do Antunes, quando serão removidos dois artefatos. Mais duas minas serão retiradas na orla marítima e outras duas localizadas no Centro da cidade. Durante a remoção de cada mina, os moradores serão obrigados a evacuar a região pelo período de três horas, para evitar acidentes durante uma possível detonação acidental. As minas serão levadas para uma área específica em caçambas.

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As primeiras minas foram localizadas em maio deste ano, por operários que faziam serviço de saneamento básico na região central de Maragogi. Os artefatos estavam enterrados em diferentes pontos da cidade e teriam sido arrastados até o continente pelas correntes marítimas, ao logo dos anos.

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Segundo a Marinha, as minas flutuantes foram usadas na Segunda Guerra Mundial. A partir da primeira mina descoberta, foi realizado um levantamento na área e mais seis artefatos foram localizados. O primeiro artefato encontrado foi removido do local e detonado em um trecho de praia deserta, no Centro de Maragogi. Mesmo assim, o impacto da detonação foi tão grande que assustou moradores da região e causou pequenos danos em casas localizadas na redondeza.

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A operação de remoção deve ser concluída até sexta-feira, com a detonação dos seis artefatos em uma área deserta. As minas serão enterradas para minimizar a capacidade destrutiva. Segundo a Marinha, a área será interditada em um perímetro de 150 metros do local de detonação para evitar acidentes.


Fonte: Portal G1


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IMAGEM DO DIA - 05/10/2010

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Helicóptero H-34 do exército francês desembarcando tropas durante uma patrulha na Guerra da Argélia, 1954.  O helicóptero foi amplamente empregado no conflito, demonstrando suas possibilidades em combate.

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OS CANHÕES DA ESQUADRA DE GARIBALDI

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No pátio do Museu Júlio de Castilhos, em Porto Alegre-RS, desde 2003 os visitantes podem conhecer cinco canhões que pertenceram à esquadra de Giuseppe Garibaldi entre os anos de 1836 e 1839. Por longo tempo eles permaneceram no fundo do arroio Santa Izabel, na cidade gaúcha de Camaquã, onde foi travado um embate entre os Farrapos e os Legalistas.
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Segundo notícia transcrita do jornal "A Federação", de dezembro de 1896, os canhões foram abandonados na antiga barra do arroio Santa Isabel, próximo à Vila de São João do Camaquã, hoje município de Camaquã.

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Giuseppe Garibaldi
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Por ocasião do combate travado em agosto de 1839 entre a esquadra imperial, comandada pelo Comandante John Pascoe Grenfell, e a esquadra farroupilha, sob a chefia de Garibaldi e Zeferino Dutra, os farroupilhas se dividiram. Garibaldi seguiu para Laguna com os navios Seival e Farroupilha, enquanto Zeferino Dutra ficou na barra do Arroio Santa Isabel, afluente do Rio Camaquã, com os lanchões Rio Pardo, Independência e Setembrina, onde foi atacado por Grenfell.
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Zeferino Dutra, com o intuito de oferecer resistência, jogou os canhões nas águas da Lagoa Formosa em 14 de agosto de1839, para aliviar o peso e aumentar a mobilidade de suas embarcações. Mas não foi o suficiente. Alcançado pelas forças de Grenfell, foi obrigado a se render e todo o material foi apreendido, menos os canhões, que não se encontravam mais nas embarcações.
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Um dos canhões em exposição
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Mais tarde, em dezembro de 1896, José Divino Vieira Rodrigues, administrador de obras da então vila de Camaquã, realizou uma expedição à citada barra para recuperar os canhões. Desenterradas as peças, foram colocadas sobre sólidos reparos de quatro rodas, como meio de locomoção. Em seguida foram conduzidas por carretas, ao longo da margem do Camaquã até a vila. José Divino propôs a venda das peças ao Governo Brasileiro, que não aceitou.
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Em 1926, os canhões, que então pertenciam à Intendência Municipal de Camaquã, foram resgatados e doados ao museu.
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Os canhões podem ser vistos no museu, localizado no seguinte endereço:

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Museu Julio de Castilhos
Rua Duque de Caxias, 1205 e 1231
Centro - Porto Alegre - RS
Telefone/Fax: (51) 3221-3959

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quinta-feira, 30 de setembro de 2010

PENSAMENTO MILITAR - PLANEJAMENTO X REALIDADE DA BATALHA


"A grande arte é mudar durante a batalha. Ai do general que vai para o combate com um esquema."

Napoleão Bonaparte

GEOGRAFIA MILITAR POR UM GEÓGRAFO BRASILEIRO

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Por Alfredo Durães



Belo Horizonte — Foi um fracasso total. Uma das mais famosas fortificações militares de defesa, a Linha Maginot, criada na França na década de 1930 para repelir possíveis ataques alemães, teve um custo estratosférico, levou anos para ser construída e, na hora do vamos ver, se mostrou totalmente inútil. A Maginot não impediu que o exército alemão (Wehrmacht) ocupasse a França e Hitler posasse para fotos embaixo do Arco do Triunfo, para enorme desilusão dos franceses.

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Esse grande episódio da história moderna é lembrado pelo professor e geógrafo Filipe Giuseppe Dal Bó Ribeiro, da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências da Universidade de São Paulo (FFLCH/USP). Ele pesquisou a trajetória da geografia militar desde o século 19 e, no mês passado, apresentou suas conclusões. Ele aponta uma possível forma de aproximação com a geografia acadêmica no Brasil, por meio de informações que contribuam para organizar a defesa do território do país, em especial na Região Amazônica. O geógrafo levantou a bibliografia existente sobre o tema no Brasil, concentrada em instituições militares.
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De acordo com Dal Bó, “o fracasso da Linha Maginot talvez seja o marco do fim da antiga geografia militar, aquela mais topográfica e imbuída de antigas doutrinas sobre a tática militar”. Ele acredita que o marco da nova geografia militar foi a grande Batalha da Normandia (também na Segunda Guerra), que coordenou, de maneira vitoriosa, a travessia das tropas aliadas do Canal da Mancha, numa área muito bem protegida pelos alemães, por meio de uma logística bem estabelecida. “O chamado ‘dia D’ deve ser considerado um marco para a nova geografia militar, pois os fatores geográficos foram ponderados e os obstáculos naturais transpostos por um bom planejamento e por uma boa engenharia militar”, pontua.


Mapa mostrando a extensão da Linha Maginot


Questionado sobre a importância do estudo e da aplicação da geografia militar nos dias atuais, o professor diz que “o conhecimento do território é uma das matérias fundamentais que todo o comandante e seus encarregados devem estudar”. “É importante, desde o comando das menores unidades de combate até os mais altos escalões, onde se discute a estratégia e se desenvolve o conhecimento da geografia. Não podemos considerar apenas as condições do terreno, mas do território com todas as suas complexidades. Toda solução para uma situação tática ou estratégica requer o conhecimento prévio do cenário de onde vai se atuar”, acrescenta.



Dal Bó acredita firmemente que no Brasil esse estudo é fundamental, pois trata-se de um país de dimensões continentais e que tem uma enorme fronteira se relacionando com quase todos os países de seu continente, com exceção de Chile e Equador. “Além de um dos maiores litorais contínuos e navegáveis do mundo, um dos mais extensos mares territoriais e de um espaço aéreo também grandioso, o Brasil é um país muito diverso no que se refere ao relevo, vegetação e solos; com extensas redes hidrográficas que poderiam funcionar como um fator de integração; uma população de quase 200 milhões de pessoas e um território ainda pouco ocupado. É necessário que haja uma contribuição da ciência acadêmica, e nesse caso, a geografia é aquela que muito pode contribuir, por tratar da interação de todos os fenômenos espaciais, tanto físicos quanto humanos e de como eles transformam a organização do território”, diz.

Ele acrescenta que no campo da geografia não há escolas no Brasil que tratem do tema, mas sim instituições militares, como a Escola de Comando do Estado-Maior do Exército e a Escola Superior de Guerra. “A questão da Amazônia não é apenas restrita às suas fronteiras, mas é claro que elas chamam atenção pela sua extensão e pela sua diversidade. Portanto é assunto que deve ser estudado pela geografia militar”, diz.



Inimigos do Brasil? Professor da Universidade de Campinas (Unicamp) e uma das maiores autoridades brasileiras em estratégia militar, o coronel Geraldo Cavagnari, 76 anos, é rápido para devolver a seguinte pergunta: se o Brasil não tem inimigos declarados, por que se preocupar com a defesa do território? “Me diga então quem é o inimigo da França?”, questiona o militar reformado do Exército. Ele mesmo emenda a resposta: “Veja bem, a França não tem nenhum inimigo exposto, mas tem um dos mais modernos exércitos do mundo. Esse é o verdadeiro sentido da segurança nacional. Temos sempre que ter a chamada ‘pronta resposta’”, explica, com a autoridade de quem já foi comandante de inteligência do Exército.

Ele explica que o segmento da geografia militar no Brasil floresceu no começo da década de 1920, com chegada de uma missão militar francesa ao país que teve como tarefa modernizar o Exército. “Essa missão ficou aqui por quase 20 anos, treinando e modernizando nossas tropas, imbuindo o sentimento de organização e estratégia”, explica.

Num cenário de confronto hipotético em fronteiras brasileiras, ele aponta as Forças Armadas da Colômbia como um poderoso inimigo, mas faz ressalvas. “A Colômbia tem um exército moderno e muito bem equipado, treinado inclusive para a guerra de selva. Mas não tem efetivo suficiente para uma penetração profunda. Não teria fôlego para uma ocupação”, decreta.



Outro inimigo, ainda no campo das hipóteses, seria uma aliança de países ao Sul do Brasil, como Paraguai, Uruguai e Argentina. “Essa aliança até poderia ocupar, num primeiro momento, partes do Rio Grande do Sul e do Paraná, mas também não teriam efetivo e força suficiente nem para uma penetração maior em nosso território nem para mantê-la”, argumenta. Cavagnari lembra que para o Brasil obter a tão almejada cadeira no Conselho de Segurança das Nações Unidas, tem que ter Forças Armadas fortes. “Note que já somos uma potência econômica, mas teremos que ser, igualmente, uma potência militar”, conjectura.

.Fonte - Correio Brasiliense

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EVENTO - SHOW AÉREO NO MUSAL

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Amantes da aviação podem ir se preparando para o Show Aéreo do Museu Aeroespacial (Musal) no Rio de Janeiro que será realizado dia 17 de outubro de 2010, domingo.

O evento anual, que reúne milhares de pessoas, terá diversas atrações, como: aeronaves em exposição, helicópteros e aviões de combate, pára-quedismo, Equipe Wingwalking (Balé Aéreo), além da participação especial da Esquadrilha da Fumaça, que brindará o público com um show de arrojo e beleza nos céus.

Maiores informações no site do Musal:

domingo, 26 de setembro de 2010

IMAGEM DO DIA - 26/09/2010

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Fuzileiros do Batalhão Naval combatendo durante a Guerra da Tríplice-Aliança.  Tela de Álvaro Martins

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RESTOS MORTAIS DE SOLDADO DA 1a GUERRA MUNDIAL SÃO ENCONTRADOS NA ITÁLIA

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Os restos mortais de um soldado da 1a Guerra Mundial foram encontrados congelados perto do topo de uma montanha no norte da Itália.

O corpo, provavelmente de um italiano, ainda tem as botas e o uniforme usados na campanha contra as forças do Império Austro-Húngaro entre 1915 e 1918.

Corpo encontrado no norte do país ainda tem as botas e uniforme usados na campanha contra forças da Áustria entre 1915 e 1918


Os restos foram encontrados a mais de 3 mil metros de altura, perto do topo da montanha Marmolada, a mais alta dos Dolomitas, nos Alpes italianos, e provavelmente foram preservados devido à geleira próxima do local onde foram encontrados.

De acordo com o repórter da BBC em Milão Mark Duff, o recuo das geleiras na região continua revelando segredos guardados há noventa anos e, desta vez, um coletor local de objetos ligados à Primeira Guerra Mundial foi o responsável pela última descoberta.

As fotos tiradas pelo coletor mostram claramente as botas e o uniforme do soldado.

O repórter afirma que a geleira tinha sido escavada por soldados austríacos durante a 1a Guerra Mundial para criar um abrigo das bombas lançadas pelos italianos.  A batalha travada na montanha Marmolada foi uma das mais duras da época.

Atualmente, esquiadores levam poucos minutos para chegar ao topo da montanha graças a teleféricos. Mas, na época, os soldados italianos tiveram que escalar a rocha íngreme, antes de enfrentar soldados inimigos em combates corpo-a-corpo.

No local da batalha fica hoje um museu - um dos de maior altitude na Europa.

 

Fonte: BBC

terça-feira, 21 de setembro de 2010

PERSONAGENS DA HISTÓRIA MILITAR - BRIGADEIRO FRANCISCO XAVIER DA CUNHA


* 03/12/1791 - Torres-Vedras, Portugal

+ 14/12/1839 — Rio Pelotas, RS


Francisco Xavier da Cunha alistou-se na Brigada Real da Marinha em 1800, onde permaneceu até 1809, quando foi transferido para a infantaria, como cadete. No Regimento de Infantaria nº 19 participou da campanha contra Napoleão Bonaparte até 1814, sendo promovido a alferes. Durante esta campanha, foi ferido no combate de 30 de julho de 1813, tendo por isto recebido uma medalha de distinção.

Ao serem organizadas as forças que deveriam auxiliar na conquista da Cisplatina, a elas se incorporou e, promovido a tenente de caçadores, aportou no Rio de Janeiro em 30 de março de 1816.  Em seguida, partiu para o Rio Grande do Sul, participou dos combates, tendo adentrado Montevidéu em 20 de janeiro de 1817.

Em 1821 foi promovido a capitão e naturalizou-se brasileiro três anos depois. Durante a guerra de independência do Uruguai, participou da defesa de Montevidéu e da defesa da ilha de Martim Garcia, na confluência entre os rios Uruguai e Paraná. Depois, recuando para defesa de Sacramento, lutou até 3 de outubro de 1828, depois do acordo de paz celebrado no Rio de Janeiro. Estabeleceu-se então em Porto Alegre, onde foi promovido a tenente-coronel e, posteriormente, a coronel.

Iniciada a Revolução Farroupilha, participou da defesa de Porto Alegre, participando de combates contra os Farroupilhas estabelecidos com uma bateria na praia de Itapoã, tendo, posteriormente, conquistado o Forte de Itapuã em 27 de agosto de 1836. Foi promovido a brigadeiro em 1837.


Era comandante da infantaria em Rio Pardo, na batalha do Barro Vermelho, em 30 de abril de 1838, em que Rio Pardo (até então chamada de "Tranqueira Invicta") foi conquistada pelos farroupilhas.

Em 1839, retornou à corte, quando o governo imperial havia decidido enviar um contingente de tropas ao sul pelo interior com a missão de retomar Lages e depois auxiliar contra o cerco de Porto Alegre pelos Farrapos. Sob seu comando e travando pequenos combates com piquetes farroupilhas em novembro, através dos Campos dos Curitibanos e Campos Novos, chegaram a Lajes, onde retomaram a vila. Dali uma parte da coluna do brigadeiro decidiu seguir em direção ao Rio Pelotas, para invadir o Rio Grande do Sul.

Os Farrapos, derrotados em Lages, se reuniram em um entreposto alfandegário, para cobrança de impostos sobre as tropas de gado e mulas que vinham de Viamão e seguiam para Sorocaba, conhecido como Santa Vitória.

O brigadeiro Francisco Xavier da Cunha, foi informado e para lá dirigiu-se, com seus dois mil homens. Foi surpreendido, em 14 de dezembro de 1839, por Teixeira Nunes que, com sua cavalaria, conseguiu dividir a tropa legalista e a fez retroceder. Em um renhido combate as tropas legalistas foram derrotadas.

O brigadeiro, ferido e protegido por alguns oficiais, tentou escapar e, ao cruzar o Rio Pelotas, morreu afogado.

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II COLÓQUIO DE HISTÓRIA MILITAR DO ARQUIVO HISTÓRICO DO EXÉRCITO


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sexta-feira, 17 de setembro de 2010

A BATALHA DE SALAMINA (480 a.C.) DECIDE O DESTINO DA EUROPA

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Por Matthias von Hellfeld









No século V a.C. o estrategista militar ateniense Temístocles (cerca 525 a.C–459 a.C.) era a figura política dominante. Já em 490 a.C., ele dera início à construção de uma muralha em torno de Atenas e do porto de Pireus. Ao mesmo tempo, ampliou a esquadra de guerra, armando-se para revidar ataques persas.

Há anos que os reis persas pretendiam ganhar terreno na Europa. Em 490 a.C., a primeira tentativa fracassou na cidade de Maratona. Embora superiores, as tropas de invasão persas foram vencidas pela bem preparada infantaria grega, retirando-se em seguida.


Avanço persa

Mas os persas não se deram por vencidos e armaram a maior força de combate da Antiguidade. Para um transporte mais rápido das tropas, o rei Xerxes I (519 a.C.–465 a.C.) construiu um canal através da península de Atos, uma ponte sobre o Helesponto (hoje, Estreito de Dardanelos) e outra sobre o rio Estrímon.

Tamanhos esforços por parte de Xerxes I não passaram despercebidos pelos gregos. Os investimentos e a dimensão do contingente persa deixavam claro que o rei tinha em mente uma guerra de conquista, primeiramente contra a Grécia e então contra o Sudeste Europeu – para qualquer outro objetivo, o tamanho de seu Exército estaria superdimensionado.

Ao consultar o oráculo de Delfos, Temístocles escutara a profecia: "Protejam-se com uma muralha de madeira", ou seja, os gregos deveriam procurar o combate naval e proteger-se atrás do muro de madeira que representava sua esquadra. Após alguma resistência na Eclésia, a assembleia pública da democracia ateniense, foi aprovada a construção de novos navios de guerra.

Um pouco mais tarde, em 480 a.C, ficou demonstrado quão certo Temístocles estava em seu prognóstico de que a tropa persa seria invencível num campo de batalha. No desfiladeiro das Termópilas, um contingente grego não pôde conter o avanço persa por mais do que alguns dias, sendo então forçado a bater em retirada.



Xerxes I marchou sobre Atenas, depredando-a sem encontrar resistência, pois os atenienses aptos ao combate haviam se retirado para a frota de guerra. A visão da cidade devastada deu aos gregos a certeza de que essa era sua última chance: uma derrota no combate naval significaria o fim da Grécia livre.

Para combater os persas, a frota grega se posicionou no estreito braço de mar a oeste da ilha de Salamina. Após doze horas de batalha, os gregos saíram vencedores. Provavelmente, o fato de os navios gregos serem menores e mais facilmente manobráveis foi decisivo para derrotar a esquadra de Xerxes I. Com a vitória grega foi sustada a ameaça de escravidão na Pérsia, como também o avanço persa na Europa.


Europa contra Ásia

A resistência grega contra os persas representou um marco da história europeia. No caso de uma derrota, não haveria mais barreiras para as tropas persas. Elas teriam ampliado o império persa para a Europa continental.

Nesse caso, tanto a cultura grega quanto o império romano teriam sido soterrados. A partir da Antiguidade greco-romana nasceu a Europa moderna. Caso os persas tivessem vencido a Batalha de Salamina, em outubro de 480 a.C., ela possivelmente se chamaria hoje "Ásia Ocidental" – com população de maioria muçulmana.

Heródoto (490 a.C.–425 a.C.), um dos principais historiadores da Grécia Antiga, deu um suporte ideológico à guerra contra os persas. Para ele, tratou-se de uma "guerra de sistemas". De um lado, estava a Europa da "liberdade e democracia" – afinal de contas foi fundada nessa época a democracia ática, considerada até hoje o berço da Europa democrática. No lado persa-asiático, Heródoto localizou o "despotismo", o sistema da tirania. Dessa forma, o historiador grego dividiu o mundo até então conhecido num par de opostos: Ásia contra Europa e "liberdade contra servidão".

 
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domingo, 12 de setembro de 2010

IMAGEM DO DIA - 12/09/2010


Diversos novos conceitos foram introduzidos na arte da guerra durante a 1a Guerra Mundial, dentre os quais a mecanização e a defesa antiaérea.  Na foto acima, um caminhão Ford do Exército dos EUA armado com metralhadoras Hotchkiss com reparos antiaéreos.


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O MISTERIOSO ROUBO DE BLINDADOS NA BULGÁRIA

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Presos em flagrante em dezembro de 2007, três homens tentavam tirar da Bulgária um antigo Pzkpfw IV, para vendê-lo no mercado negro, onde seu preço facilmente excede 100 mil euros. Dois deles eram alemães, que trabalham para colecionadores cada vez mais famintos por relíquias históricas, e o último era Alexei Petrov, major do Exército Búlgaro.  Hoje, Petrov é réu num julgamento, sob a acusação de formação de quadrilha e podendo ser condenado a 15 anos de cadeia.
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Panzers búlgaros após terem sido desenterrados
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Na época, cerca de 80 tanques e canhões de assalto alemães ainda estavam semi-enterrados na fronteira búlgara com a Turquia, como parte da “Linha Krali Marko”, que visava proteger o país de uma invasão da OTAN durante a Guerra Fria.
.Dois meses antes do grupo ser pego, o lendário Tsaritsa – um canhão de assalto Sturmgeschütz III Ausf. G fabricado em 1943 – desapareceu da área próxima ao vilarejo de Fakia. Dizem que o veículo foi um presente pessoal de Hitler para a rainha-mãe Yoana, daí seu apelido. Acredita-se que foi carregado em um caminhão e levado para a Alemanha, onde foi vendido.

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A história é curiosa não apenas por ser o primeiro roubo de um tanque do Exército Búlgaro, mas por ter causado o início de uma série de medidas para impedir a perda de um dos maiores tesouros militares nacionais, a chamada Coleção de Tanques do Ministério da Defesa.
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Um dos Panzers ainda enterrado na floresta búlgara

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Contudo, muitos argumentam que o trio não poderia ter agido sozinho, e que teriam que ter proteção de alguém dentro do Estado-Maior Búlgaro. Se não fosse pela prisão de Petrov, até hoje tanques poderiam estar desaparecendo do país.

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“Ninguém sabe exatamente como funcionava o esquema e quem participava. Logo após o escândalo, um general deixou o Estado-Maior. O Major Alexei Petrov nunca recebeu uma ordem escrita, mas foi 100% ordenado a ajudar os alemães. Ele estava cumprindo uma ordem verbal, que nunca poderá ser provada”, disse Kaloyan Matev, historiador búlgaro que pesquisa os tanques na fronteira.

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Após a notícia da prisão, o Ministério da Defesa ordenou que todos os tanques fossem removidos da fronteira e levados para Yambol, onde jazem hoje em um pátio.

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Os antigamente temidos panzers agora merecem pena – inteiramente cobertos de ferrugem e com muitas peças faltando, enquanto alguns têm buracos de onde partes foram cortadas para venda. Entre eles está um Pzkpfw IV Ausf. F, apelidado de “cabriolet”, porque sua torre inteira foi roubada, certamente vendida como ferro-velho.  No mesmo pátio está o Pzkpfw IV que seria roubado da Bulgária. O caso ainda está em andamento no tribunal militar de Sliven.

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Pzkpfw IV canibalizado apodrecendo na Búlgaria


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O curioso é que, uma semana após sua prisão, os alemães foram liberados por fiança, mas tiveram seus passaportes confiscados e foram proibidos de deixar o país. Contudo, em abril de 2010, foram flagrados em sua cidade natal na Alemanha, dando entrevistas para a mídia local e explicando como cruzaram a fronteira com a Grécia a pé.

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A opinião predominante é que devem receber sentenças simbólicas, do contrário, poderiam ir a público e revelar nomes de oficiais do Estado-Maior envolvidos no caso.

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Fonte: The Sofia Echo, 6 de agosto de 2010

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terça-feira, 7 de setembro de 2010

IMAGEM DO DIA - 07/09/2010 - DIA DA PÁTRIA BRASILEIRA

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Desfile de 7 de setembro de 1959 em Florianópolis.  Banda de música da Base Aérea de Florianópolis desfilando diante do palanque das autoridades

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A CAVALARIA SOVIÉTICA NA 2a GUERRA MUNDIAL




Ao eclodir a 2ª Guerra Mundial, os exércitos das diversas potências beligerantes haviam atribuído às unidades de cavalaria um papel estritamente secundário. Essa arma, que durante séculos se constituíra no elemento decisivo das batalhas, encontrava-se em pleno declínio. Já no decorrer da 1ª Guerra Mundial, as armas de fogo automáticas haviam reduzido a cavalaria à inação por causa das terríveis baixas que causavam entre cavalos e cavaleiros.

Nos meses iniciais do conflito, os beligerantes tentaram, como no passado, lançar suas forças de cavalaria - sabre e lança em punho - contra as linhas inimigas. Estas operações terminaram numa verdadeira carnificina. Pareceu então soar a hora do desaparecimento definitivo da arma de cavalaria. Também o desenvolvimento das forças mecanizadas e blindadas no período anterior à eclosão da guerra de 1939-1945 pareceu confirmar a impressão de que a cavalaria não mais apareceria nos campos de batalha. E assim aconteceu, de fato, durante a primeira fase da blitzkrieg alemã na Europa. O tanque e a aviação conduziram as operações e revolucionaram a concepção e o desenvolvimento das batalhas. Somente os poloneses, numa tentativa desesperada, e na ausência de outros meios, recorreram em 1939 às cargas de cavalaria para enfrentar a maré de aço das formações blindadas alemãs. O resultado dessa luta desigual foi o extermínio da cavalaria polonesa.
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Cavalarianos soviéticos carregando contra tropas alemãs em campo aberto


Quando a luta se estendeu ao território da União Soviética, a cavalaria voltou, contra todas as previsões, a assumir seu valioso papel do passado, como arma de combate. Nas imensas planícies da Rússia meridional, que com o degelo e as chuvas se convertiam em mares de lama, num território que, naquela época, era extremamente pobre em estradas e vias férreas, coberto por enormes extensões de florestas e de pântanos, os elementos motorizados demonstraram pouquíssima aptidão. A cavalaria, portanto, teve que suprir com sua mobilidade as formações motorizadas. Foi o Exército Vermelho o primeiro a vislumbrar acertadamente as possibilidades que o emprego maciço da cavalaria oferecia nesse cenário. Os soviéticos não somente haviam conservado suas veteranas unidades de cavalaria, mas também, com a eclosão da guerra, foram fortalecendo-as continuamente, tanto em número como em eficiência combativa. Para este fim, reforçaram as divisões de cavalaria com regimentos de tanques. O número de efetivos da cavalaria soviética nunca deixou de aumentar e assim, ao terminar a contenda, chegara a reunir um total de 600.000 cavaleiros, cifra que jamais foi alcançada em nenhuma guerra do passado. Impelidos pelas mesmas circunstâncias, os alemães, por sua vez, tiveram que recorrer ao emprego de formações de cavalaria, embora em escala muito menor.


No início da campanha os soviéticos se limitaram a utilizar sua cavalaria para cobrir os setores secundários, existentes entre as principais frentes de luta. Contudo, já na grande contraofensiva diante de Moscou, no inverno de 1941, lançaram ao ataque grandes contingentes de cavalaria. Estas unidades assumiram o papel de forças móveis de perseguição, destinadas a irromper profundamente na retaguarda inimiga, para semear nela o pânico e a desorganização.

Cossacos da cavalaria dando um descanso para os animais

Assim como os cossacos, que em 1812 fustigaram implacavelmente a Grande Armée napoleônica durante sua retirada, os grupamentos de cavalaria, dirigidos pelos Generais Belov e Dovator, apoiados por tropas de esquiadores e tanques, acossaram, sem dar trégua, as colunas alemães em retirada. A partir de 1942, utilizam corpos inteiros de cavalaria em suas grandes ofensivas. As baixas que estas unidades sofrem são sempre muito elevadas, porém os resultados justificam plenamente o seu emprego. Na primavera de 1944, quando tanto os tanques soviéticos como os alemães se atolavam nos imensos lodaçais da Ucrânia, a cavalaria russa prossegue o seu avanço, mantendo o ritmo da ofensiva, que de outro modo estaria completamente paralisada.
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Na batalha de Korsun, frente ao Dnieper, em fevereiro de 1944, a cavalaria tomou a seu cargo o aniquilamento das colunas alemãs que tentaram forçar o cerco e matou a golpes de sabre mais de 20.000 combatentes alemães. Nesse mesmo ano, as divisões de cavalaria são agregadas pelo comando soviético às unidades blindadas nas operações de perseguição. Quando a infantaria se vê travada no seu avanço e tem que renunciar à missão de acompanhar os tanques, a cavalaria a substitui com vantagem e apóia de perto a penetração dos blindados. Por outro lado, quando os tanques se vêem obrigados a deter-se, ao enfrentar posições fortemente defendidas, que se encontram apoiadas em seus flancos por obstáculos naturais, como zonas florestais ou pantanosas, a cavalaria supera os redutos inimigos, deslocando-se sem inconvenientes por aquelas zonas.


A cavalaria assume assim um papel decisivo em todas as operações do Exército Vermelho. Sua ação nos anos finais da guerra viu-se sensivelmente facilitada pelo acelerado declínio do poderio bélico alemão. A Wehrmacht, carente de homens e armamentos, já não pode mais levantar uma sólida linha defensiva nas frentes, e, através dos grandes claros que se abrem entre uma formação e outra, a cavalaria irrompe e pode manobrar à vontade.


A cavalaria do Exército Vermelho avança na estepe congelada

Na grande ofensiva de junho de 1944, as divisões de cavalaria, comandadas pelo General Pliev arremetem contra as posições alemães em Bobruisk, superam a infantaria e cortam em profundidade as linhas de comunicações com o oeste. Sua intervenção contribuiu de maneira fundamental para o êxito das operações de cerco que culminaram com o aniquilamento do 4o Exército alemão. Embora à custa de um rio de sangue, a cavalaria russa conseguira reverdecer os seus lauréis.