"No próprio dia da batalha, as verdades podem ser pinçadas em toda a sua nudez, perguntando apenas;
porém, na manhã seguinte, elas já terão começado a trajar seus uniformes."

(Sir Ian Hamilton)



sábado, 24 de julho de 2010

O MISTERIOSO VOO DE RUDOLF HESS

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Na noite de 10 de maio de 1941, o comodoro Adolf Galland, comandante do grupo de caça JG-26 da Luftwaffe, recebeu um intempestivo chamado telefônico do marechal Goering:
- Deve levantar voo imediatamente com todo o seu grupo! - gritou Goering, do outro lado da linha. - Hess enlouqueceu e está voando para a Inglaterra, num Messerschmitt 110. Precisa derrubá-lo!

Imediatamente Galland transmitiu a seus subordinados ordens para que interceptassem o aparelho de Hess. As esquadrilhas levantaram voo e, durante horas, patrulharam sem resultado o espaço aéreo em torno das costas da Inglaterra, sem achar o rastro do Messerschmitt. A presa tinha conseguido escapar.

Hess, escapulindo com seu avião, ao abrigo da noite, conseguiu alcançar as costas da Escócia e continuou voando para o interior. Finalmente, quando acabou o combustível, lançou-se de paraquedas. O Messerschmitt, sem controle, entrou em vertiginosa picada e foi espatifar-se num campo semeado. Um camponês, armado com um ancinho, foi ao encontro do paraquedista nazista. Hess, que vestia o uniforme de piloto da Luftwaffe, entregou-se sem resistência e se identificou como sendo o Tenente-Aviador “Horn”. Foi conduzido, rapidamente, a Glasgow, onde , finalmente, foi reconhecido pelas autoridades militares.

A notícia da captura de Hess chegou ao conhecimento de Churchill na tarde de 11 de maio. O Duque de Hamilton, com quem o nazista tinha pedido uma entrevista, dirigiu-se para a casa onde estava repousando o primeiro-ministro e comunicou-lhe o extraordinário acontecimento. Churchill ordenou que Hess fosse condignamente tratado como prisioneiro de guerra.

Nessa mesma noite, os funcionários do Foreign Office, entrevistaram-se com Hess e receberam do dirigente nazista uma insólita declaração. Havia viajado para a Inglaterra por sua própria vontade, a fim de atuar como emissário de paz junto aos britânicos. Hitler não tinha participação nenhuma naquilo.

Em Berlim, o Fuhrer ordenou aos seus assessores que anunciassem que Hess havia enlouquecido. A notícia não demorou a ser divulgada por todas as rádios da Alemanha:
“O membro do Partido Nazista Rudolf Hess, apoderou-se recentemente de um avião, contrariando as estritas ordens do Führer que o proibiam de voar, em razão da doença de que sofria, a qual tinha-se agravado nos últimos tempos. No dia 10 de maio, às 6:00, Hess empreendeu um vôo de Ausburg, e até agora não regressou...”

Hitler sem saber, tinha acertado. Em repetidas entrevistas com Hess, os funcionários ingleses comprovaram evidentes sintomas de alteração mental. Ao ser examinado por um médico, Hess confessou os estranhos motivos que o levaram a realizar aquele voo.

Pouco tempo antes, Karl Haushofer, o célebre geopolítico alemão, havia dito a Hess que, em repetidas ocasiões, sua imagem lhe surgira em sonhos pilotando um avião com rumo desconhecido. Hess interpretou estas visões como sendo uma mensagem que lhe assinalava a missão de voar para a Inglaterra como emissário de paz...

Destroços do avião usado por Hess na Escócia

Evidentemente, o chefe nazista não se encontrava em seu perfeito juízo. Apesar disso, sua viagem deu origem a muitas conjecturas em todos os países. A versão mais aceita foi aquela segundo a qual ele teria ido à Inglaterra para acertar um acordo que permitisse a Alemanha concentrar todas as suas forças militares para a invasão da Rússia. Stalin chegou a acreditar nisto, segundo contou Churchill, quando se encontrou com ele em Moscou, em 1944.

Ao final da guerra, Hess foi julgado no Processo de Nuremberg após a guerra por crimes contra a paz e foi condenado à prisão perpétua por insistência da URSS.  Permaneceu preso até a sua morte, em 1987.
 
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sexta-feira, 23 de julho de 2010

PENSAMENTO MILITAR - A INTELIGÊNCIA MILITAR E A BATALHA

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"Incorporou-se à sabedoria convencional a ideia de que a inteligência é a chave necessária para o sucesso nas operações militares.  Uma opinião mais sensata seria a de que ela, embora geralmente necessária, não constitui um meio suficiente para chegar à vitória.  Uma guerra sempre se decide numa luta, e no combate a força de vontade sempre vale mais do que o conhecimento antecipado.  Quem discordar, que demonstre o contrário."


John Keegan, historiador militar britânico


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BATALHA NAVAL DE CORONEL - 1914

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Quando começou a 1ª Guerra Mundial na Europa, no Extremo Oriente uma pequena esquadra de navios da Alemanha Imperial operava, composta por dois navios gêmeos - os modernos cruzadores-blindados Scharnhorst e Gneisenau, cada qual armado com oito canhões de 208mm e seis canhões de 152mm - e pelos cruzadores ligeiros Emden, Dresden, Leipzig e Nürenberg. O comandante da pequena esquadra era o almirante Maximilian Graf von Spee, que tinha como navio capitânea o Scharnhorst.

O poderoso cruzador-blindado Scharnhorst que, como seu navio gêmeo Gneisenau, era armado com oito canhões de 208mm e seis de 152mm


Cerca de um mês antes do início da guerra, a esquadra tinha recebido ordens para se dirigir da sua base no porto de Tsing-Tao, no sul da China, para o Pacífico Sul. Com o início das hostilidades, o comandante alemão decidiu dirigir-se para as águas da América do Sul, onde poderia obter abastecimentos em países neutros, ao mesmo tempo em que se afastava da zona de influência da poderosa esquadra Japonesa, uma vez que o Japão aliara-se à Grã Bretanha.

O mais rápido navio da pequena esquadra, o Emden recebeu foi liberado por Von Spee para navegar isoladamente e atacar os navios mercantes britânicos no Oceano Índico.

Sabendo que os alemães tinham enviado a sua esquadra da Ásia para as águas do Atlântico Sul, o Almirantado britânico enviou diversos navios para a sua base em Port Stanley, nas ilhas Falkland, ao largo da costa da Argentina, sob o comando do Almirante Cristopher Cradock.
Alguns deles receberam ordens para ultrapassar o cabo Horn, dirigindo-se para a costa do Chile. Dois cruzadores, um cruzador ligeiro e um cruzador auxiliar, o HMS Otranto, que era nada mais que um navio de passageiros com alguns canhões instalados, e que foi utilizado apenas para detectar o inimigo, tendo depois saído da área à velocidade máxima.

Cruzador HMS Monmouth

O envio das forças foi apressado e foram engajados na ação navios com tripulações de reservistas que tinham pouco treino. O navio-capitânea era o velho cruzador HMS Good Hope, apoiado pelo cruzador HMS Monmouth. O HMS Good Hope era um cruzador de 14.100 toneladas com dois canhões de 236mm, 16 canhões de 152mm e 15 canhões menores, podendo atingir uma velocidade de 23 nós. O HMS Monmouth deslocava ligeiramente menos de 10.000 toneladas e tinha 14 canhões de 152mm e, na teoria, também podia atingir 23 nós.

Estes navios britânicos tinham sido colocados na reserva e reativados de maneira emergencial quando a guerra começou. Armados com canhões antigos e essencialmente de calibre 152mm colocados nos costados e numa posição tão baixa que impedia parte dos canhões de sequer disparar, os navios estavam em desvantagem perante os oito canhões de 208mm de cada um dos dois cruzadores-blindados alemães.

A pressa britânica em enviar contra os alemães os navios que estavam disponíveis, no entanto, justificava-se depois de se ter visto o estrago que era possível fazer com apenas um cruzador – o Emden – que aterrorizava a navegação mercante no Oceano Índico. O objetivo dos britânicos era o de pelo menos infligir alguns danos aos navios alemães, os quais, a grande distância da sua base e sem grandes possibilidades de efetuar reparos, acabariam condenados.

O velho cruzador HMS Good Hope


A pressa e a urgência justificaram o não emprego do couraçado HMS Canopus, que estava nas Falklands e possuía quatro canhões de 305mm. Contra a utilização do Canopus jogou o fato de o navio ter uma velocidade máxima de 18 nós, o que tornaria a força britânica extremamente lenta.

Dos navios britânicos, o mais rápido era o cruzador ligeiro HMS Glasgow (26 nós), que recebeu ordens claras para se afastar dos alemães no caso de os principais navios serem atingidos.

A frota alemã deixando o porto de Valparaíso, no Chile, em 3 de novembro de 1914


As duas esquadras avistaram-se ao largo da costa chilena junto à ilha de Coronel por volta das 16:30h do dia 1º de novembro de 1914. A batalha começou ao pôr do sol, por volta das 19:00h. Os navios britânicos encontravam-se a oeste dos navios alemães, pelo que, àquela altura, recortavam-se contra o sol, sendo assim muito mais fáceis de distinguir pelos artilheiros alemães. Ao contrário, os navios alemães eram difíceis de distinguir contra a penumbra da noite que começava a despontar a leste.

A batalha durou apenas uma hora, e a superioridade dos alemães foi clara, especialmente porque seus artilheiros estavam muito melhor treinados e a cadência de tiro dos navios alemães era, em média, três vezes mais rápida que a dos navios britânicos.

Com as silhuetas bem visíveis contra o céu vermelho e dourado do cair da noite, o HMS Good Hope e o HMS Monmouth foram atingidos diversas vezes. Um oficial do HMS Glasgow registrou:

“Às 19:45h, quando já estava bastante escuro, o Good Hope e o Monmouth estavam evidentemente em apuros. O Monmouth fez uma guinada para estibordo, consumido com fúria pelas chamas. [...] o Good Hope [...] somente fazia fogo com alguns canhões. O brilho dos imcêndios a bordo aumentava a cada instante. Às 19:50h houve uma terrível explosão entre o mastro principal e a chaminé de ré, e as labaredas atingiram uma altura de quase cem metros, inflamando uma nuvem de destroços que subiu ainda mais alto no ar. Via-se somente um casco escuro iluminado por um brilho mortiço. Ninguém o viu afundar de fato, mas não pode haver durado muitos minutos.”



No final do combate os dois maiores cruzadores britânicos foram colocados fora de ação pelos canhões alemães. O HMS Good Hope afundou às 19:57h e o HMS Monmouth às 21:18h, tendo o cruzador HMS Glasgow conseguido escapar por causa da sua velocidade superior.

A perda de vidas no HMS Good Hope e HMS Monmouth foi total. Dos 1.600 homens a bordo que não morreram no duelo de tiros de canhão pereceram na fria escuridão do pacífico Sul, incluindo o Almirante Cradock, comandante da frota britânica. Apenas três alemães ficaram feridos. O HMS Glasgow, embora atingido cinco vezes, não sofreu baixas, nem tampouco o HMS Otranto, que prudentemente se retirara mais cedo do cenário, pois não estava equipado para participar da batalha. Os dois sobreviventes escaparam em direção ao sul a toda velocidade, a fim de encontrar o HMS Canopus e, em sua companhia, retornar às Falklands.

O Almirante Cradock, comandante da frota britânica, afundou em Coronel junto com seus cruzadores


A Batalha de Coronel, travada em 1º de novembro de 1914, foi a primeira derrota naval britânica desde a guerra contra os EUA em 1812, e a primeira derrota de uma força de navios de guerra britânicos desde a batalha dos cabos da Virgínia em 1781.

Com uma vitória tão retumbante, o almirante Graf von Spee, decidiu contornar o cabo Horn e rumar na direção das ilhas Falklands, para ali destruir a base de apoio britânica, reabastecer com carvão e tornar de volta à Alemanha. Ao largo das ilhas, no entanto, a Marinha Real daria o troco, afundando os dois principais cruzadores alemães.

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quarta-feira, 21 de julho de 2010

IMAGEM DO DIA - 21/07/2010



Tropa do 1° Regimento de Cavalaria da Virgínia durante um alto em 1862

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NOTÍCIA - ENCONTRADAS OSSADAS DE SOLDADOS DA GUERRA DOS TRINTA ANOS






Arqueólogos alemães divulgaram a descoberta de artefatos e ossadas de soldados que lutaram na Guerra dos Trinta Anos (1618-1648), na cidade de Stralsund. As informações são da agência EFE.

De acordo com os especialistas, os militares pertenciam ao regimento de Wallenstein e esta é a primeira vez em que se encontram ossadas de guerreiros enterradas junto com suas armas.

Fonte: Terra

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terça-feira, 20 de julho de 2010

PERSONAGENS DA HISTÓRIA MILITAR – GRIGORI POTEMKIN

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* ??/09/1739 – Chizhovo, Rússia

+ ??/10/1791 — Jassy, Rússia


O Príncipe Grigori Alexandrovich foi um marechal-de-campo russo, estadista e o favorito da czarina Catarina II, a Grande. Ele é principalmente lembrado por seus esforços em colonizar as escassamente povoadas estepes selvagens do Sul da Ucrânia, que passaram ao domínio russo pelo Tratado de Kuchuk-Kainarji (1774). Dentre as várias cidades fundadas por Potemkin estão: Kherson, Nikolaev (Mykolayiv), Sebastopol e Yekaterinoslav (hoje Dnipropetrovsk).

Potemkin nasceu em Chizhovo, uma vila próxima a Smolensk, na família de um oficial do exército imperial. Depois de estudar na Universidade de Moscou, alistou-se na cavalaria de guarda e participou do golpe que expulsou Pedro III em 1762, no qual ascendeu ao trono Catarina II. Em seguida, recebeu a patente de 2º Tenente da Guarda. Catarina precisava de assistentes de confiança e apreciava a energia e a habilidade organizacional de Potemkin. As historietas biográficas relativas a ele durante os próximos anos, como a sua participação no assassinato do imperador deposto, são obscuras e, sobretudo carecem de fontes que as sustentem.


Amante da czarina

Em 1774, a relação entre Potemkin e Catarina II assumiu um caráter mais íntimo. Potemkin tornou-se o favorito da csarina; recebeu muitos prêmios e era indicado para os postos mais altos. Durante os próximos dezessete anos ele foi a pessoa mais poderosa na Rússia. Potemkin sentia prazer em ostentar o luxo e a riqueza pessoal. Assim como Catarina, cedeu ante a tentação de poder absoluto, contudo, em muitos procedimentos ele era guiado pelas ideias iluministas. Mostrou tolerância às diferenças religiosas e deu proteção às minorias nacionais. Como comandante supremo do Exército Russo - a partir de 1784 - enfatizou um conceito mais humanitário de disciplina, ao exigir que os oficiais tratassem os soldados com menos brutalidade.

Em 1776, por solicitação de Catarina, o Imperador José II elevou Potemkin ao grau de príncipe do Sacro Império Romano-Germânico. Em 1775, no entanto, foi substituído nas graças da imperatriz por Zavadovsky; mas as relações entre Catarina e seu amante anterior continuaram sendo muito amigáveis, e sua influência com relação a ela nunca foi perturbada seriamente por quaisquer dos favoritos subsequentes.

Um grande número de acontecimentos testemunha a extraordinária influência de Potemkin durante os próximos dez anos. Sua correspondência com a imperatriz não foi interrompida. Os documentos de estado mais importantes passavam pelas suas mãos.

Soldados russos na segunda metade do século XVIII.  Como comandante militar, Potemkin modificou a disciplina no Exército Russo, exigindo que os oficiaisdos tratassem melhor seus soldados


Governador na Crimeia

Potemkin alcançou grande sucesso nas províncias sulistas recentemente ganhas pela Rússia, nas quais era o governante absoluto. Apoiou o fluxo de colonos russos e estrangeiros, fundou algumas novas cidades e criou a Frota do Mar Negro. Em 1783 executou o projeto de anexar a Crimeia à Rússia, pelo qual recebeu o título de Sua Alteza Serena Knyaz Tavrichesky, ou príncipe de Tauride, um antigo nome para a Crimeia.

Quatro anos depois organizou a viagem cerimonial amplamente anunciada de Catarina com seu séquito para as províncias sulistas. O propósito da viagem era a intimidação dos inimigos da Rússia, e conduziu a uma guerra para a qual o país se mostrou mal preparado (Guerra Russo-Turca de 1787-1792). Como comandante, Potemkin foi guiado por uma estratégia de cautela que, embora militarmente justificada, não lhe trouxe popularidade.

Seu sistema de colonização foi exposto à crítica muito severa, contudo é impossível não admirar os resultados de suas atividades. O arsenal de Kherson, iniciado em 1778, o porto de Sebastopol e a nova frota de quinze navios de linha regular e vinte e cinco navios menores eram monumentos do seu gênio. Mas houve exagero em tudo que ele tentou. Ele não poupou homens, dinheiro, nem ele mesmo na tentativa de executar o seu gigantesco projeto para a colonização das estepes do sul da Ucrânia.

Em 1790 Potemkin conduziu operações militares no Dniéster e instalou sua corte em Jassy com toda a pompa asiática. Em 1791 voltou a São Petersburgo onde, junto com seu amigo Bezborodko, fez esforços vãos para subverter o novo favorito, o Príncipe Platon Zubov, e, em quatro meses, gastou 850.000 rublos em banquetes e entretenimentos no Palácio de Tauride, uma soma posteriormente reembolsada a ele pelo tesouro.

Em razão dos gastos elevados, a imperatriz impacientou-se e determinou seu retorno, em 1791, a Jassy para conduzir as negociações de paz como chefe plenipotenciário russo.

Potemkin morreu de malária no caminho de Jassy para Nikolayev nos braços de sua sobrinha, a Condessa Branicka, em outubro de 1791. Foi enterrado em Kherson. Sua morte foi lamentada na famosa ode Cachoeira, do poeta russo Gavrila Romanovich Derzhavin.

O Grão-Duque Paulo permitiu, em 1798, que os restos mortais de Potemkin fossem desenterrados, uma vez que há muito tempo se estava em dúvida quanto ao seu verdadeiro jazigo. Apenas o Imperador Alexandre I se preocupou novamente com seu enterro, e o Imperador Nicolau permitiu, que a cidade de Kherson em homenagem ao seu fundador Potemkin, em 1836, construísse uma estátua de bronze.


O encouraçado Potemkin

Em 1904 entrou em serviço, na Frota do Mar Negro, um navio batizado em sua homenagem: o encouraçado Potemkin. A construção do navio foi baseada no encouraçado Tri Sviatitelia e numa versão modernizada da classe de encouraçados Peresviet. A couraça foi concebida tendo por base o encouraçado britânico HMS Majestic.

O encouraçado Potemkin na primeira década do século XX


O navio tornou-se famoso devido à revolta da sua tripulação, em Junho de 1905, devido às más condições em que operavam, às implicações da derrota russa na Batalha de Tsushima. Serguei Eisenstein, realizaria em 1925, um filme sobre a revolta, chamado Bronenosets Potyomkin, o qual se tornou num marco da história do cinema.

Após a revolta o navio mudou de nome para Panteleimon, a partir de São Pantaleão, tendo voltado ao nome original em Fevereiro de 1917. A seguir à Revolução de Outubro de 1917, seu nome foi alterado definitivamente para Boretz za Svobodu. Em 1918 foi capturado em Sebastopol pelo Exército Alemão, sendo mais tarde recapturado pelo Exército Branco russo e entregue , no ano seguinte, às forças aliadas, que o fizeram explodir de modo a impedir a sua utilização pelos Bolcheviques. O encouraçado Potemkin foi finalmente desmantelado em 1922.

quinta-feira, 15 de julho de 2010

SEMINÁRIO 50 ANOS DO MONUMENTO NACIONAL DOS MORTOS DA 2ª GUERRA MUNDIAL

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Divulgando ....

O Monumento Nacional aos Mortos da Segunda Guerra Mundial (MNMSGM), situado no Parque Brigadeiro Eduardo Gomes, Parque do Flamengo, faz parte do corredor turístico da cidade do Rio de Janeiro, e tem por missão a guarda dos despojos dos militares mortos na Segunda Guerra Mundial e a preservação e divulgação da participação do Brasil naquele conflito.

O “Monumento aos Pracinhas”, como carinhosamente é conhecido pela população, completará em 05 de agosto de 2010, cinqüenta anos, e a Direção do MNMSGM, buscando divulgar a imagem deste Espaço Cultural e do Exército Brasileiro, realizará um Seminário Histórico-Cultural - "50 anos do Monumento Nacional aos Mortos da Segunda Guerra Mundial - O porquê da sua existência", no dia 03 de agosto de 2010, no Museu de Arte Moderna (MAM), como parte das comemorações.

A seguir, a programação do evento:


As inscrições para o seminário poderão ser feitas "on-line", na página do MNMSGM (http://www.mnmsgm.ensino.eb.br/).

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quarta-feira, 14 de julho de 2010

IMAGEM DO DIA - 14/07/2010



Durante a Guerra do Chaco (1932-1935) uma patrulha do Exército Boliviano vasculha o território do chaco boreal em busca de forças paraguaias

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FOGO NO CÉU

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Uma grande tragédia abalou o mundo no dia 1º de setembro de 1983: um Boeing 747 da Korean Airlines, que voava de Nova York para Seul, foi abatido por um caça soviético quando sobrevoava, por engano, o território russo.


Capa da revista Time relatando o ataque


Ao amanhecer do dia , exatamente às 6:26 h, uma forte explosão abalou o Boeing 747-100 da Korean Airlines, voo KAL 007 que ia de Nova York para Seul com 269 passageiros civis a bordo, incluindo 76 coreanos e 61 americanos, e o avião começa a cair em espiral em direção às águas geladas do mar do Japão, a oeste das bases militares secretas da Rússia nas ilhas Sacalinas. Morreram sem saber que haviam sido atingidos por dois mísseis disparados por um caça soviético Sukhoi Su-15, o primeiro arrancou um dos motores do Boeing e o outro provavelmente acertou a fuselagem.

Erro humano, provocação ou paranóia soviética por segurança? Diante de protestos internacionais, o governo soviético apresentou duas justificativas contraditórias: por um lado dizia que seus controladores de radar confundiram o KAL 007 com um avião espião e por outro acusava o avião coreano de estar a serviço da espionagem americana.

Mapa mostrando a diferença entre a rota planejada para o voo KAL 007 e a que foi efetivamente executada

Analistas rejeitam essas hipóteses: havia sim um avião de reconhecimento RC-135 que passara a 86 milhas do local duas horas antes, mas os pilotos militares russos saberiam diferenciar a silhueta de um RC-135 da de um Boeing 747, que é muito maior; apesar do treinamento militar, o piloto civil coreano não teria razões para arriscar a sua vida e a dos passageiros para colher informações que não seriam melhores do que as obtidas pelos satélites ou aviões especializados americanos. O problema é que, por algum motivo e apesar de todos os instrumentos de que dispunha, o piloto do KAL 007 se desviara de sua rota sobrevoando uma região estratégica para a União Soviética, que mantinha ali um centro naval, seis bases aéreas vitais, uma zona de testes de mísseis e um abrigo para seus submarinos nucleares com foguetes apontados para os EUA.


De acordo com os soviéticos, o Boeing 747 da Korean Airlines teria sido confundido com um RC-135 da Força Aérea dos EUA, como este que aparece na foto acima

Porém a caixa-preta nunca foi encontrada, embora as buscas tenham durado mais de dois meses e para se chegar a uma conclusão do que de fato ocorreu naquela manhã teriam que ser analisadas informações obtidas através de equipamentos ultra-secretos. Os Estados Unidos, munidos de gravações das transmissões de rádio, afirmavam que ele fora abatido a sangue frio.

Mas, em 1978, outro avião de carreira sul-coreano que também se desviara de sua rota havia sido atingido por um míssil russo. O Boeing 707 caíra quase 10.000 metros antes de estabilizar e fazer um pouso de emergência em um lago congelado perto de Murmansk, onde os sobreviventes foram socorridos pelos soviéticos, que dali em diante ficaram desconfiados das transgressões de seu espaço aéreo por aeronaves civis de países vizinhos.

Caça-interceptador Su-15 soviético

Em sua defesa o piloto do Su-15 afirmou que efetuou cerca de 120 disparos de aviso e emitiu um sinal IFF (Identification: Friend or Foe, ou Identificação: Amigo ou Inimigo), porém a gravação de suas transmissões não apóia tal afirmação. Pode ter havido um grave erro de avaliação da situação por parte do piloto do caça, dos operadores de radar e do comandante militar da área que ordenou o abate. Apesar das furiosas acusações e contra-acusações de diplomatas e políticos, ninguém queria que o incidente se transformasse numa confrontação entre as duas grandes potências, que à época estavam em Genebra negociando detalhes de um tratado para controle de armas nucleares.

Por isso os Estados Unidos manifestaram sua indignação com o ocorrido, mas procuraram contemporizar e evitar maiores investigações sobre a tragédia. Assim a respostas a muitas perguntas jazem com os ocupantes do KAL 007, a mais de 6.000 metros de profundidade, nas águas escuras do Mar do Japão.  O episódio somou-se a muitos outros atritos entre as duas superpotências durante a Guerra Fria.

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segunda-feira, 12 de julho de 2010

IMAGEM DO DIA - 12/07/2010

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Soldados assírios da Guarda Real de Senaqueribe.  O muro em relevo foi encontrado em 1850, durante escavações realizadas na antiga Assíria pelo arqueólogo inglês Austen Henry Layard.

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CASTELO DE GUIMARÃES

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A construção do castelo remonta ao tempo de Mumadona Dias, que o mandou edificar no século X, com o objetivo de defender dos ataques muçulmanos e normandos o mosteiro que tinha fundado para se recolher quando tornou-se viúva.

Muralhas do Castelo de Guimarães.  Seu projeto é típico das fortificações europeias do século X

Mais de um século depois, o Conde D. Henrique - a quem tinha sido doado o condado portucalense -  escolhe Guimarães para estabelecer a sua corte.  Talvez tenha pesado na sua decisão a segurança que o Castelo de S. Mamede (assim denominado por sua fundadora) oferecia. O forte, com mais de cem anos de vida, necessitava de reformas urgentes e o nobre optou por demolir o que restava da construção de Mumadona, ampliando com novos e mais potentes muros a área ocupada pela fortaleza do século X.  Abriu ainda duas portas: a principal, a oeste, que vigiava o burgo, e a de leste, chamada da Traição.

No reinado de D. Dinis foi necessária uma nova reedificação, devido às lutas que travou com o seu filho, futuro rei D. Afonso IV. A última obra realizou-se ao tempo de D. João I que mandou construir as torres que flanqueiam as duas portas.


Planta atual do castelo

A partir do século XV, o Castelo de Guimarães deixou de intervir na defesa da população da vila. Para trás ficaram episódios bélicos, como foi o cerco de Guimarães, no ano de 1127, quando Afonso VII, rei de Leão, tentou exigir vassalagem de D. Afonso Henriques. Egas Moniz, aio deste último, vendo a vila em situação de desespero, garantiu ao rei a vassalagem do seu amo. O cerco foi levantado, mas o príncipe português não cumpriu o prometido pelo seu aio e este foi com a sua família até ao reino de Leão, de corda ao pescoço, oferecendo suas vidas em resgate da palavra dada.

Outros acontecimentos envolveram o Castelo, como o que se deu no histórico dia 24 de Junho de 1128, quando, nas proximidades da fortaleza, se defrontaram D. Afonso Henriques e sua mãe D. Teresa na Batalha de S. Mamede, tendo a vitória de D. Afonso Henriques dado início à fundação de Portugal.  Em 1385 D. João I cercou e conquistou Guimarães com a colaboração dos seus moradores.

Por esta imagem é possível verificar a posição dominante do castelo em relação à cidade de Guimarães


A partir do século XVI, foi instalada uma cadeia no seu interior e, no século XVII, funcionou como palheiro de Sua Majestade. O estado de ruína do Castelo aumentava cada dia.

Em 1836, um dos membros da Sociedade Patriótica Vimaranense (associação criada para promover os interesses locais) defendeu a demolição do Castelo e a utilização da sua pedra para ladrilhar as ruas de Guimarães, já que a fortaleza tinha sido usada como prisão política no tempo de D. Miguel. Tal proposta, felizmente, nunca foi aceita. Quarenta e cinco anos depois, em 19 de Março de 1881, o Diário do Governo classificou o Castelo de Guimarães como o único monumento histórico de primeira classe em todo o Minho.

Em 1910, foi declarado Monumento Nacional e em 1937 a Direção Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais iniciou a grande restauração do Castelo, que foi reinaugurado em 4 de Junho de 1940, por ocasião das Comemorações do VIII Centenário da Fundação da Nacionalidade.

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sábado, 10 de julho de 2010

IMAGEM DO DIA - 10/07/2010

Instantes finais da queda de um F-4E Phantom II da Força Aérea dos EUA.  A eronave foi abatida em combate aéreo no dia 27 de junho de 1972 por um caça MiG-21 norte-vietnamita sobre Nghia Lo.  Os dois tripulantes conseguiram ejetar, mas caíram prisioneiros dos vietnamitas

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O FIM DO HMS EXETER

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Quando, no mês de dezembro de 1939, três cruzadores ingleses encurralaram e obrigaram o couraçado de bolso alemão Admiral Graf Spee a fugir, o nome de um deles se tornou célebre. Era o HMS Exeter, um cruzador de tipo York deslocando 8.300 toneladas e com 172 metros de comprimento. Nesse combate, o Exeter, que desenvolvia uma velocidade de 32 nós e estava armado com 6 canhões de 8 polegadas e 4 de 4, ficou bastante avariado. Transladado à base britânica das ilhas Malvinas e, posteriormente, ao porto inglês de Plymouth, foi submetido a reparos que necessitaram dois longos meses de trabalho.


O Cruzador HMS Exeter ancorado na baía de Java em 1942, dias antes de seu afundamento

Chegamos ao dia 2 de março de 1942, e o HMS Exeter volta à notoriedade. Depois de intervir na batalha do Mar de Java, o HMS Exeter, escoltado pelos destróieres HMS Pope e HMS Encounter, dirige-se para o sul.  Avariado, e navegando em velocidade reduzida, achava-se a 60 milhas ao sul de Bornéu, quando duas silhuetas apareceram no horizonte. Eram os cruzadores pesados japoneses Nachi e Haguro, escoltados por dois destróieres. As naves japonesas, avançando do sul, fechavam o cerco estabelecido por outros dois cruzadores e dois destróieres que vinham do norte. O HMS Exeter e sua escolta caíra em uma armadilha, e o seu Capitão, Gordon, compreendeu isso imediatamente. Às 10h10 o cruzador inglês rumou ao sudoeste, seguidos pelos destróieres, que lançaram uma cortina de fumaça. O grande cruzador, nesse momento, navegava a 25 nós de velocidade.

Às 10h20, a armadilha se fechou sobre os barcos ingleses. Os quatro cruzadores japoneses, a um só tempo, abriram fogo com todos os seus canhões. O HMS Exeter replicou, e o mesmo fizeram os destróieres, que abriram fogo sobre a escolta japonesa. Durante algum tempo, as naves trocaram disparos de canhões e torpedos. Por fim, às 11h20, uma granada de 8 polegadas acertou em cheio o cruzador inglês. Os delicados mecanismos de controle de tiro foram danificados para sempre. As torres do HMS Exeter estavam, portanto, irreparavelmente silenciadas.

O Exeter é enquadrado pelas granadas dos cruzadores japoneses

Imediatamente, deu-se a ordem de abandonar o navio, que foi cumprida. Poucos minutos depois, um destróier japonês, aproximando-se, disparou um torpedo, e o HMS Exeter, ferido de morte, afundou nas profundezas. Na superfície, uma grande mancha de óleo, e alguns destroços, flutuando à deriva, marcavam o lugar onde repousava aquele que havia sido o vencedor do Graf Spee.
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O Exeter tomba antes de afundar no Mar de Java


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sexta-feira, 9 de julho de 2010

PENSAMENTO MILITAR



"A guerra é mãe e rainha de todas as coisas; alguns transforma em deuses, outros, em homens; de alguns faz escravos, de outros, homens livres."

(Heráclito de Éfeso, filósofo grego)

ORDEM DE KUTUZOV

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A Ordem de Kutuzov é uma condecoração militar soviética e russa, em homenagem ao famoso marechal russo Mikhail Illarionovich Kutuzov (1745-1813).

Criada em 29 de julho de 1942, durante a Grande Guerra Patriótica por uma decisão do Soviete Supremo da URSS, a ordem foi criada para premiar oficiais superiores do Exército Vermelho que comandassem ações destacadas por ocasião de retiradas hábeis e contra-ataques bem sucedidos. A Ordem de Kutuzov foi preservada pela Rússia após a dissolução da URSS, continuando assim a ser um dos mais importantes galardões militares da Federação Russa.
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A Ordem de Kutuzov foi estabelecida em três classes distintas: 1ª , 2ª  e 3ª classes. O General Ivan Galanin, que se distinguiu durante a Batalha de Stalingrado, tornou-se o primeiro a receber a ordem de Kutuzov de 1ª classe. Durante a Grande Guerra Patriótica, 669 Ordens de Kutuzov de 1ª classe foram concedidas. Junto com os comandantes das frentes e exércitos, a Ordem de Kutuzov também foi concedida à Fábrica de Tratores de Chelyabinsk, em 1945, como reconhecimento à enorme contribuição dos seus trabalhadores para a derrota da Alemanha nazista.


A medalha de 2ª classe foi concedida a 3.325 comandantes de corpo, divisão, e brigada.

General Yumjaagiyn Tsedenbal, do exército da Mongólia, com a barreta da Ordem de Kutusov de 1ª Classe

A ordem de 3ª classe foi atribuída aos comandantes de regimento, seus chefes de estado-maior, além de comandantes de batalhão e companhia, mais tarde, em 8 de fevereiro de 1943. No total, durante a guerra 3.328 ordens de 3ª classe foram distribuídas.

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quinta-feira, 8 de julho de 2010

OITO MOTIVOS PARA APOSTAR NOS LIVROS

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Não é propriamente História Militar, mas reproduzo a seguir uma interessante visão sobre leitura e educação que encontrei em uma revista recentemente: 8 motivos para apostar nos livros.

Concordo plenamente com tais ideias e incentivo a todos os que querem aprender a ler, ler e ler cada vez mais ...




Então, boa leitura aos amigos do nosso Blog.

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quarta-feira, 7 de julho de 2010

ARMAMENTOS FABRICADOS EM SÃO PAULO DURANTE A REVOLUÇÃO DE 32

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Por Ana Beatriz Santos


Em 1932 o Laboratório de Ensaios de Materiais (LEM), da Escola Politécnica de São Paulo foi o responsável pela supervisão e execução de materiais bélicos destinados ao exército paulista que combatia na Revolução. O Laboratório, dirigido na época pelos engenheiros Ary Torres e Adriano Marchini, realizou estudos, projetou e executou diversos instrumentos e armamentos. Além do serviço prestado ao exército revolucionário, as dificuldades ajudaram a incrementar a gama de experimentos e o rigor científico aliou-se à criatividade, lançando a semente do Instituto de Pesquisas Tecnológicas do Estado de São Paulo, nome que o Laboratório receberia, em 1934, já com prestígio junto à indústria paulista.

A Politécnica, e todos os seus laboratórios, foi requisitada pelo governo para constituir o Serviço de Engenharia da Força Pública. Neste momento, o LEM já havia avaliado suas possibilidades e delineado planos de ação, o que vinha fazendo desde as primeiras horas em que o movimento constitucionalista foi deflagrado. Com a dificuldade de obtenção de matéria prima e a necessidade de dar início imediato à produção, buscando suprir o movimento de armas adequadas, os engenheiros do LEM desenvolveram vários armamentos, muitos deles sofisticados para a época, e difíceis de serem encontrados no Exército Brasileiro, contra quem combatiam. Além da intensa produção, o aspecto mais importante dessa experiência para o LEM foi o incremento de suas atividades e os desafios impostos pelo desenvolvimento e inovações, usando, para isso, aplicações mais nítidas das técnicas experimentais.

Oficial paulista com um lança-chamas produzido em São Paulo


Este aumento de atividades, aliado ao estreitamento do contato com as indústrias paulistas, levou à criação do Instituto de Pesquisas Tecnológicas, o IPT, a partir do Laboratório de Ensaio de Materiais, em 1934. O estreitamento do contato e o prestígio do LEM junto a indústria paulista foi motivado pela sua participação ativa no Movimento de 32.

Os relatos da época descrevem a coragem e o empenho de alunos e professores da politécnica e de inúmeros voluntários, que colocaram a criatividade em ação onde sobrava perigo e faltava matéria prima. O engenheiro Miguel Siegel, fundador do Setor de Metalurgia do IPT, conta que a dificuldade começou já na elaboração dos mapas. Foi necessário ampliar fotos e preparar pranchas cartográficas, o que facilitou o trabalho intenso e meticuloso de um grupo de 300 desenhistas e alunos. "Um dia entrei em uma sala e vi o grupo ampliando os mapas à mão livre e pensei que deveria haver um modo mais simples de fazer isso", disse ele, ao se referir ao trabalho.

"Com a pesquisa, projeto e execução de diferentes armamentos, o IPT conseguiu realizar avanços importantes nos setores de metalurgia e metrologia", comenta Cristiane Sousa, coordenadora do Centro de Memória do IPT. Em 1932, os engenheiros do Laboratório foram responsáveis pelo estudo, projeto e execução de periscópios de trincheira, corretores de tiro para metralhadoras anti-aéreas, telêmetros e binóculos milimetrados para artilharia. Além disso, foram realizados ensaios e estudos com materiais para chapas de blindagem, capacetes, morteiros de trincheira e também para munições e granadas.

Os experimentos para a fabricação de granadas de mão e munição para artilharia foram os mais importantes, tanto pela técnica empregada como pela sua importante contribuição para o Movimento. Devido a dificuldade de encontrar o trotil, utilizado comumente na época, foi necessário o uso do amonal, matéria prima de comportamento incerto e por isso mais propensa a acidentes na fabricação de bombas e munições. Químicos e técnicos do LEM sabiam do risco que corriam. Uma fábrica com recursos e matéria prima da escola foi montada e produziu algumas toneladas de explosivos.


Mulheres paulistas produzindo capacetes de aço desenvolvidos a partir do modelo inglês "Tommy"


A granada de mão era uma arma pouco difundida entre o exército brasileiro. O LEM estudou vários tipos e decidiu adotar a granada de tipo Mill´s , que foi adaptada às condições de produção que a Politécnica dispunha. Essa arma era tão pouco difundida e eficiente, que "lançava o terror e o pânico", registrou a Revista Polytechnica, em dezembro de 1932, ao se referir ao Exército Brasileiro. As granadas produzidas na politécnica ficaram conhecidas entre os soldados como "abacaxizinhos". Seu alcance médio era de 30 metros, mas foi adaptada ao fuzil com bocal apropriado, também desenvolvido no laboratório, aumentando seu alcance para a média de 180 metros. A fábrica na Politécnica contou com 3.000 voluntários que, trabalhando em turnos, dia e noite, produziram 180 mil granadas.

Para ensinar os soldados a usar a arma, foi criada a Escola de Granadeiros, que teve suas primeiras instruções dentro da área da Escola. Nesse trabalho, os engenheiros Douglas McLean, Joaquim Bohn e o estudante José Greff  Borba, morreram. Na fabricação e testes com o artefato, o voluntário Mario Bertacchi e o engenheiro Adriano Marchini, na época diretor do LEM em substituição a Ary Torres, foram mutilados. O acidente do diretor Adriano Marchini foi relatado por Miguel Siegel, engenheiro do IPT, responsável pelo laboratório de metalurgia, como uma imprudência. "Havia uma câmara onde a granada era colocada e o detonador era puxado por uma corda. O detonador não abriu. Marchini foi lá e puxou com a própria mão", esclarece.

O desenvolvimento de ligas de metal mais leves proporcionou capacetes melhores e confortáveis, diferentes dos disponíveis no Brasil no começo da década de 30. Além da produção das granadas e munições, a Politécnica coordenou a compra e distribuição de matéria prima e o controle da qualidade de todo o material produzido pelas indústrias paulistas, que juntaram esforços na produção dos artefatos necessários. A adaptação das máquinas, também foi parte deste trabalho. Em 1930, a metrologia e a metalografia eram áreas de grande importância dentro da engenharia e foi com a demanda de trabalhos como esse que o LEM passou a ser cada vez mais solicitado pela indústria paulista, sendo desmembrado da politécnica para tornar-se o IPT.


Blindado lança-chamas fabricado em São Paulo durante testes de armamento


Sob a orientação da Politécnica foram construídos ainda trens e uma lancha blindados. Os carros blindados que tinham peso inicial de 14 toneladas, tinham mobilidade pequena, por causa da estrutura de pontes e estradas da época, que não suportavam seu peso. Assim, foi criado um modelo mais leve, de 4 toneladas, montado sobre chassi da Ford, reforçado com molas e eixos Lincoln e com motor Ford.

Outros artefatos desenvolvidos ou adaptados pelo IPT/LEM foram: morteiros, canhões de pequeno alcance, projétil de explosão por percussão, bombas para aviões, bombas de fumaça, controles de munição, lança-chamas, munições para fuzis e metralhadoras, materiais para trincheiras, lança-minas, capacetes, carregadores de água e filtros para cantis e também máscaras de proteção anti-gases. Alguns artigos foram fabricados na própria Politécnica e outros tiveram sua produção encaminhadas às fábricas do estado, concentradas no esforço de guerra, imposto pelo movimento.

Apesar da derrota do estado de São Paulo, as indústrias paulistas receberam inovações importantes e os experimentos realizados no LEM contribuíram para a formação do IPT e, de certa forma, prepararam o Brasil para a Grande Guerra que o mundo assistiria em poucos anos.

 

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segunda-feira, 5 de julho de 2010

IMAGEM DO DIA - 05/07/2010

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Durante a intervenção da URSS no Afeganistão, no final do século passado, guerrilheiros mujaheedin afegãos posam orgulhosos para a fotografia sobre um helicóptero soviético abatido


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UNIFORMES - SOLDADO COLONIAL FRANCÊS, 1772-1776

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Soldado Francês na América do Norte
1772-1776

Durante a Revolução Americana, que culminou com a idependência dos EUA em 4 de julho de 1776, tropas francesas sob o comando do Conde de Rochambau participaram dos combates contra a Coroa britânica, ao lado dos norte-americanos. 

O soldado de infantaria acima pertence ao Regimento de Santoigne, organizado na província francesa de mesmo nome e despachado para a América como integrante da força expedicionária francesa.  Seu uniforme é típico do exército francês na segunda metade do século XVIII, confeccionado na cor branca e trazendo as cores regimentais nos punhos e peitoral da túnica.  A cobertura é um tricórnio negro, com debruns em prata.

Seu armamento consiste no mosquete de pederneira Charleville Modelo 1766  e em um sabre tipo infantaria Modelo 1767, conduzido preso junto com a baioneta no cinturão de couro cru.


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A GUERRA DOS CAMPONESES ALEMÃES (1524-1525)

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Em 1524, os camponeses alemães se revoltaram contra os senhores feudais, para os quais eram obrigados a trabalhar. A crise do sistema feudal havia modificado a situação da população rural. Liderada por Thomas Müntzer, um pastor da Saxônia, a revolta camponesa alastrou-se pelos campos e cidades do Sacro Império Romano-Germânico.

Os revoltosos baseavam-se na Bíblia para afirmar que os camponeses nasceram livres e reivindicavam a livre escolha dos líderes espirituais, a abolição da servidão, a diminuição dos impostos sobre a terra e a liberdade para caçar nas florestas pertencentes à nobreza. Lutero condenou o movimento dos camponeses apoiando os príncipes e nobres.

Thomas Müntzer, o líder do levante camponês


Nascido em 1489, Müntzer estudou pelo menos três idiomas na Universidade de Leipzig e, mais tarde, Teologia em Frankfurt do Oder (no leste do Império). A partir de 1514, passou a ter contato com as idéias do reformador Martinho Lutero.


Conflito com Lutero

Como pregador na paróquia de Zwickau, no leste do país, passou a divulgar as teorias da Reforma. Ao contrário de Lutero, Müntzer acreditava que as pessoas simples entendiam muito melhor sua pregação que os nobres e ricos. Sua conclusão de que a Igreja sempre estava ao lado dos ricos e poderosos levou ao conflito com Lutero e seus seguidores, sendo afastado da paróquia em 1521.

Ao lado do estudante Markus Stübner, o pastor Müntzer começou a seguir os passos do "pregador rebelde" Jan Hus, de Praga. Era a época do florescimento da Reforma pregada por Lutero. Usando seu talento de orador, Müntzer tornou-se figura carismática na pregação dessas idéias. Depois que se estabeleceu no pequeno povoado de Allstedt, Müntzer começou a atrair inclusive pessoas de outras localidades.

Sua intenção de falar uma linguagem acessível aos servos representava uma ameaça aos senhores feudais. Seis meses depois da chegada de Müntzer à pequena Allstedt, o conde Ernst von Mansfeld proibiu seus trabalhadores de frequentarem os ofícios religiosos do pastor.

Mas o teólogo e suas idéias ganhavam força. Em 1524, seu movimento secreto Aliança de Allstedt contava 30 membros. Poucos meses depois, já eram 500. As idéias eram divulgadas em publicações feitas na gráfica de Müntzer.


A batalha final

O movimento das camadas plebéias da população ganhava força também em outras regiões. Os levantes e as inquietações, entretanto, ainda eram localizados, em geral organizados por agricultores e servos dos centros urbanos.

Ainda em 1524, os camponeses do sul da Alemanha se aliaram pelo levante. Müntzer começou a migrar por todo o país, apoiando a rebelião. Em fevereiro de 1525, a revolta armada havia se espalhado por todo o sul do país e começava a se alastrar para o norte e leste.

Camponeses alemães com suas armas improvisadas.  A Guerra dos Camponeses serviria, séculos mais tarde, como inspiração para as ideias Marxistas

Os lavradores, porém, não tiveram chances contra os soldados, armados e experientes. Na batalha de Frankenhausen, em maio de 1525, os camponeses foram cercados e mortos aos milhares. O teólogo acabou preso e, sob tortura, foi obrigado a negar suas teorias. Por fim, o decapitaram e sua cabeça foi pendurada como troféu nos portões de entrada de Frankenhausen.

Os vencidos permaneceram sob o jugo dos senhores feudais e mantidos na condição de servos, reforçada pelo princípio luterano da passiva submissão à autoridade. Os seguidores de Müntzer passaram a ser conhecidos como "anabatistas", por rejeitarem o batismo.

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domingo, 4 de julho de 2010

PENSAMENTO MILITAR



"Somos todos engrenagens de uma grande máquina que às vezes anda para frente - mas ninguém sabe para onde - e às vezes para trás - ninguém sabe por quê."


(Ernst Toller, dramaturgo alemão e ex-combatente da 1ª Guerra Mundial, referindo-se ao impasse durante o conflito de 1914-1918)

IMAGEM DO DIA - 04/07/2010




O primeiro submarino da Marinha Real britânica - o nº 1, também conhecido como Holland 1 - entra na baía de Borrow em 2 de outubro de 1901, após uma série de testes no mar.  Com uma tripulação de dois oficiais e seis marinheiros, cinco modelos Holland entraram em serviço a partir de 1903.


AÇÕES DA RESISTÊNCIA FRANCESA

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Durante a 2ª Guerra Mundial as ações da Resistência Francesa notabilizaram-se por solapar o moral e o poder de combate das forças alemãs de ocupação na França.

Philippe de Crevoisier de Vomécourt, escritor francês educado na Inglaterra, participou na Resistência desde seus primeiros momentos. De seu livro Who lived to See the Day, editado em Londres pela Editorial Hutchinson, reproduzimos um fragmento referente às primeiras, e em muitos casos ingênuas, formas de "resistência" na cidade de Paris.

"A fama da resistência francesa não deve morrer e não morrerá" - as palavras de De Gaulle criava nos ingleses a idéia de que uma resistência organizada em solo francês com atos de sabotagem, não serviria para outra coisa senão provocar represálias. Os franceses livres não podiam se limitar a isso, necessitavam demonstrar aos alemães que a guerra com eles não havia terminado.

As primeiras tentativas foram naturalmente diletantes e ingênuas.  Por exemplo, aquela velha senhora de 78 anos, que trabalhava no metrô de Paris. Ficava sentada num banquinho ao lado da porta do vagão e cada vez que um oficial alemão subia, fazia-o tropeçar em sua bengala. Eram trinta ou quarenta vezes por dia que os conquistadores caíam de pernas para o ar.

Nos banheiros públicos apareceram uns cartõezinhos escritos a mão, que informavam aos cidadãos sobre a melhor maneira de inutilizar os veículos alemães, colocando açúcar nos tanques de gasolina. Houve um menino que costumava introduzir-se nos vestíbulos dos cafés frequentados pelos oficiais da Luftwaffe e, longe das vistas de todos, tirava os espadins que estavam pendurados junto aos capotes, nos cabides, e lhes quebrava as lâminas.

O marquês de Mousrier, um velho patrício do leste, que possuía minas na França e na Bélgica, fez voar pelos ares um dos seus poços. O gesto lhe custou quatro milhões de francos, uma boa soma de dinheiro para a época, porém, em compensação os alemães não puderam retirar mineral do poço. 

Outras atividades saíram bastante caras, como a bravata de cinco mocinhos de Nantes, que cortaram os fios telegráficos e telefônicos do norte da cidade, para aborrecer os alemães. Eles não consideraram a inutilidade do seu ato; porque os invasores continuavam comunicando-se pelas linhas do sul ou pelas da cidade vizinha; além disso, o inconveniente foi facilmente reparado. Porém, os cinco mocinhos foram presos e passados pelas armas.

Combatentes da Resistência Francesa preparam suas armas antes de uma ação contra os alemães

Um dos fatores que mais ativamente contribuíram para organizar centros de resistência foi a reação popular à tentativa dos alemães de criar grupos e movimentos políticos favoráveis a eles. Uma propaganda maciça através do rádio, dos jornais, etc., foi lançada para desorientar o espírito da massa e inculcar-lhe a teoria e o programa do regime nazista. A oposição não tardou a aparecer de forma concreta, numa série de movimentos clandestinos, com nomes combativos, como: “Liberdade”, “Libertação”, “O Franco-atirador”, “O galo acorrentado” (o galo é o símbolo representativo do povo francês) e “Combate”. Eram na realidade, reuniões de franceses que elaboravam e discutiam a melhor maneira de salvar o país de uma total submissão. Em seu estado embrionário, esses grupos almejavam por uma resistência, porém não ainda em forma de atividade militar organizada.


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